domingo, 12 de setembro de 2010

Venha, venha ! Leia, leia !

Um bom exemplo de que diploma não significa muita coisa são os comerciais. Muitos deles passam longe de serem exemplos de publicidade. Obviamente, há publicitários que fazem jus a seus diplomas, produzindo um comercial mais genial que o outro. Mas como o trágico e o cômico estão muito próximos, alguns me marcaram, mesmo não sendo exatamente da forma que o publicitário da vez gostaria.

Comercial de carro. Do novo Uno. Os carros só aparecem de perto durante 5% do tempo do comercial !!! É mais ou menos "Cadê o... putz, já foi". E o resto ???

Mais detalhadamente: Três carros chegam (correndo, então nem dá pra ver direito), e então eles param. Aparece o interior do carro... tá, um pedacinho do painel só, por uma fração de segundo. Seja rápido ! Depois chegam várias pessoas (não me pergunte de onde ou como elas vieram), e começam a, literalmente, montar uma cidade. Sensacional !!! E pegam as coisas de dentro dos carros (mais uma amostra rápida do interior do carro, seja mais rápido ainda !) e vão desenrolando estradas, erguendo casas, fazendo acabamentos, todos alegres, e tudo sai como uma maquete pré-pronta. É demais. E aí... ué... o que é aquilo ? Ah, é. O carro. Passou de longe e em movimento. Isso é um teste de reflexos ?! Até que, depois dos 32 segundos de comercial (sendo 1 minuto o total), você nunca mais vai ver o carro direito. Exceto por uma cena, mas contente-se em difrenciar os carros só pela cor. Tem algumas metáforas entre a montagem da cidade e os atributos do carro, mas... CADÊ O CARRO !?!? Tá, assitiu a esse comercial ? Achou bom ? Então tente se lembrar de outro carro num comercial.
Deixe eu adivinhar: Uma estrada linda, com curvas suaves, em meio a um deserto infinito, um sol escaldante. E então ele vem, em alta velocidade, brilhando à luz, perfeito deixando uma nuvem de poeira por onde passa. Até que, de repente cruza um rio, espirrando água de um jeito simétrico, selvagem e arquitetônico para ambos os lados. Ou então, à medida que passa, transforma o deserto numa linda floresta arborizada, pulsando fauna e flora. Ótimo. Qual era o carro mesmo ? Lembrou de um ou de vários ?

Comercial de Activia. Uma mulher na praia, de biquíni e tanga. Prestes a entrar no mar e, se não me engano, está com crianças. Surge outra mulher, e aborda a primeira com a seguinte pergunta: "Como vai o intestino ?" COMO ASSIM !? Olha, não sei se sou anormal, isolado, careta ou implicante, mas considerando o contexto, acredito que essa pergunta não venha a calhar. Aliás, quando essa pergunta vem a calhar ? Numa conversa entre médico e paciente. E só. Mas, como se não bastasse a pergunta, A OUTRA MULHER RESPONDE !!! ELA RESPONDE !!! "Ah, está regular." Com o maior sorriso na cara !!! Mas que... que... que situação é essa !? Ambas sorridentes, conversando sobre as atividades intestinais a caminho do mar !!! Ah, que comercial de merda... (desculpe, não resisti =P) Tirando o fato de que só mulher tem problemas com o intestino. Claro. Homens falariam "Putz, não tô conseguindo cagar.", sem sombra de dúvidas. Aí fica feio pra um comercial. Talvez homens só tenham diarreia. ¬¬

Bom... talvez a responta esteja além do meu alcance.

Comercial de curso de inglês. Um garoto avista uma garota. Se encanta, ela é linda. Não pensa duas vezes. Se aproxima, e, de forma gentil e com um sorriso estampado no rosto, se apresenta e pergunta o nome dela. Ela corresponde à simpatia, e se pronuncia. Essa não. Ela não fala português ! E agora !? Ele pensa, pensa, é tudo muito rápido, ele precisa de uma saída, ela não pode saber que ele não sabe falar inglês, e ela é perfeita ! Ele não pode perder essa... pensa, pensa, rápido ! E, numa fração de segundo, ele dá O Beijo nela. E, a qualquer tentativa de pronuciamento dela, ele a beija novamente. Um beijo, acima de tudo, longo. Resolvido. Durante o relacionamento, é só fazer isso ao sinal de qualquer conversa. Claro, o comercial vendia o curso para que você nunca precisasse perder uma oportunidade dessas assim.

Assim que assisti a isso, pensei que, ao contrário de muitos comerciais, esse era, de certa forma, bem real. Imagino que o que vou falar agora provavelmente não fazia parte da intenção do comercial.
Há muitos casais que são exatamente assim. O Beijo. Pegação aqui e ali. Sem trégua. É claro que o aspecto físico é saudável, legal e tudo mais. E também não estou generalizando isso a todos os casais. Mas é triste pensar que, de fato, há muitos e muitos relacionamentos por aí que se resumem a isso: o contato físico eterno como reflexo da impossibilidade de conversa entre eles. Muitas vezes não é só reflexo, mas há a consciência disso por parte de um deles ou até de ambos. Pior: eles falam a mesma língua !!! Ou... é só impressão ? E o resto ? E O RESTO !? Aí um belo dia um deles decide admitir a falta de conversa e pronto. Fim.

"O Felipe é..."

Eu estava procrastinando (posso arriscar dizer que essa é uma palavra que nunca escrevi ou digitei antes, apesar de saber o que significa. Lembrar se já falei, é demais pra minha memória. Se bem que é muito difícil saber o significado de uma palavra sem nunca ter nem pronuciado, mas tudo bem; é o tipo de palavra que a gente eu só uso como quem ganhou um relógio novo e quer infernizar mostrar as horas pra todo mundo. E não numa situação normal, onde me perguntam se tenho horas pra dar e respondo "só depois da meia-noite" "sim", sem dizer necessariamente as horas, mas numa situação onde eu tomo a iniciativa de perguntar pra todo mundo se querem saber as horas. Simplesmente irritante feliz.) Tá, parei.
Então... (sensação de quem está andando na rua e conversando e passou há muito do destino e só agora começa a perceber. Sim, desabafo) eu estava procrastinando. Assim mesmo, intransitivo. Só pra tentar dar uma abrangência máxima pro termo. (Nossa, "procrastinando" é trava-língua, tenta.) Tá, parei, juro mesmo.
Me deu uma vontade de escrever. Mas já tive essa vontade várias vezes e ultimamente não tem dado certo. Não sei ao certo o porquê. Talvez por ser tantas coisas pra falar que nem sei por onde começar, mas não vem ao caso. Enfim, muita vontade, mas sem assunto. É, bem estilo motel/balada/pornô (não que os dois primeiros não sejam). Seria até ideal pro dia do sexo. Aí copiei tive uma ideia: Jogar no google "O Felipe é" e ver o que aparece. Aqui estão alguns resultados selecionados:

- "O Felipe é Massa !": Já me falaram que sou rápido com piadinhas, bom com trocadilhos, coisas do tipo. Opiniões à parte, mas fato é que eu faço muitas piadinhas e trocadilhos. Mas não é piada pronta; não dá pra chegar pra mim e dizer "conta uma das suas milhares de piadas". Não mesmo. Claro que conheço certas piadas, mas não é disso que estou falando. São as coisas de momento, sabe ? Bem espontâneo, e aos montes, diga-se de passagem. Até pra ser grosso com alguém eu posso ser em forma de piada. Mas eu tenho que estar muito, muito puto pra isso. A ponto de perder a noção. O triste é quando pensam que eu sou só piada.

- "O Felipe é surdo": Isso me lembra de uma das coisas que mais odeio: gritinhos histéricos. Sabe quando algum homem, seja por incontinência sexual, carência disfarçada, status em algum grupo social específico, tentativa de disseminação genética, ao ver uma mulher que julga gostosa bonita, grita (sim, grita, independentemente da sua distância do alvo) coisas do tipo "Ôôôhhhh, lá em casa, hein...", "Ôôôôhhhh, delícia..." ? Então... pra mim não tem diferença absolutamente nenhuma entre isso e os gritinhos histéricos delas.
Seja em shows ou em cinemas, quando aparece o ídolo, lá vem aquele som de depêndência, ilusão, sexualidade reprimida, carência mal-resolvida, facas cortando laranjas pela metade. Claro que em certas situações, essas mesmas coisas têm uma intenção completamente diferente: fazer piada. Um bom exemplo são as cantadas de pedreiro (agradeço que exista a maioria, aliás), considerando, claro, numa situação de piada, e não quando um verdadeiro pedreiro as diz com suas intenções mais do que claras. Com intenção de piada, tudo bem; quero mais é dar risada mesmo.
Agora enfatizando o "surdo" da definição que encontrei, foco mais nas garotinhas (e, infelizmente, já vi algumas já fora do atributo "garotinha" há muito fazerem a mesma coisa) que gritam histericamente e a sério. Olha, ter desejo sexual todo mundo tem. O que é ótimo, aliás. E todo mundo acha ótimo, apesar de muitos negarem. Aliás, se alguém não tem sexualidade (não sei se o termo, a rigor, é esse), ou não acha bom que os outros tenham, está doente. Sério mesmo. Quem não está doente e se passa como doente também está doente. Não estou dizendo que se deve explicitar o desejo sexual; de forma alguma. Só aprender a lidar com isso. Agora... deu aquele gritinho a sério ? VAI FAZER JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS, PEDIR PRA TE COMEREM LOGO, COMPRAR UM VIBRADOR !!! E com certeza eu poderia dizer milhões de outras soluções aqui, mas acho completamente desnecessário. Aliás, tempos difíceis. Repressão da sexualidade feminina e do sentimentalismo masculino. Assim não se chega a nada.
"Moça, você está com muito catarro ?" "Não, por que ?" "É que, vendo daqui, o seu peito parece meio cheio." É claro que eu vou rir disso, hahaha !

- "Felipe é possível concertar o meu vídeo ?" (sic infinito): Hahahahaha ! Eu ia dizer "sem comentários", mas não resisto. É pra fazer a edição da trilha sonora do seu vídeo ? Só eruditas ? E sou possível sim e não estou quebrado, fique sabendo. (Nada contra o falar ou escrever errado, só acho engraçado.)

- "O Felipe é intocável...": É importante perceber que "intocável" pode significar coisas diferentes por aí. Ainda bem que não estou na Índia.

- "O Felipe é tímido": Verdade, verdade...

- "O Felipe é um assunto da diretoria": Isso me faz lembrar do colégio, principalmente até a oitava série. Eu era o que fazia todas as lições dentro do prazo, só conversava quando podia, e se certas pessoas vieram conversar comigo, pode ter certeza de que o naipe da conversa era algo ligado a cópia de trabalho e lição ou explicar a matéria da prova do dia seguinte, e nada mais. E as pessoas supondo várias coisas a meu respeito, inclusive sobre a questão de ser nerd. E eu tendo que explicar que não era nerd. Bom, nem sei o que é ser nerd; discussões tolas.
E aí, um fenômeno interessante: hoje, talvez eu seja o mesmo nerd que cada um definiu na própria cabeça sem ao menos me ouvir antes. E pra mim ? Hoje, algumas daquelas pessoas são as mesmas que defini na minha cabeça, com base em poucas conversas e muita brincadeira imbecil ? Não posso pensar assim. Só estaria perpetuando o erro. Não é nada fácil, mas é o certo. E não se trata de ingenuidade, mas apenas de acreditar em coisas que, infelizmente, são tratadas como impossíveis por muitos.
Aliás, o que o "nerd" pensa hoje sobre escola, vestibular, universidade, sistema de ensino e diplomas impactantes pode ser chocante pra eles. Que não seja, por favor.

Ah, e nunca foi "assunto de diretoria". Não pelos motivos que normalmente pensam no contexto de escola. Hoje não me orgulho disso, não.

Ah, entendi !

"O nosso mundo exterior reflete o nosso mundo interior."
Ah, então... se o meu mundo estiver uma merda é só tomar um porre de Activia que resolve ?