sábado, 28 de setembro de 2013
Só pra dizer que...
... "manja dos paranauê" é uma das melhores expressões que já ouvi. A pessoa que criou isso manja dos paranauê.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
As placas do subway
Às vezes eu almoço no Subway. Não, não vou entrar na discussão sobre ser possível "almoçar de verdade" no Subway. E não vou mais escrever "Subway" com maisúscula só porque é uma marca. Isso é ridículo.
Em um bela dia eu estava sentado de frente pra porta de saída. Mas reparei uma coisa que tem graves consequências: a placa dizia "Saída de emergência". E, apesar de ser uma porta dupla, a placa estava acima e bem entre as portas. Então, tecnicamente, a porta dupla como um todo era a saída de emergência.
Pensei "qual seria uma situação de emergência?" e cheguei à conclusão de que, pelo menos, eu não deveria estar calmo (e a caminho do desespero), pra conseguir sair dali. Cara, tem que ver isso aí...
Num outro dia, vi que tinha uma outra placa: "Fique tranquilo. O nosso pão não contém lactose."
Não vem muito ao caso com a história mas antes vou falar o que me passou pela cabeça antes do principal: beleza, o pão pode não conter lactose, mas e o resto? E o termo "intolerância à lactose" é meio estranho, tanto que o Rafinha Bastos interpreta isso num dos vídeos dele... um cara ficando puto conforme a caixa de leite se aproxima, hahahaha... Mas agora vem o que me incomodou: o "fique tranquilo".
Então supondo que eu seja intolerante a lactose, e entro naquele subway. Leio a placa da lactose e fico tranquilo, maravilha. Aí como e? E? E agora pra sair?
Que absurdo! Isso é uma contradição! Me deixam tranquilo pra depois me exigir sair do sério? Já entendi! Isso é uma estratégia de vendas. É um loop infinito; o intolerante à lactose não sai mais de lá, e se vê obrigado a consumir; ou, caso vá ficando nervoso - pra poder sair - vai pedir um copo d´água ou um suco
pra se acalmar.
Lamentável...
Obs.: A placa de saída foi piada minha, e a outra parte um amigo completou.
Em um bela dia eu estava sentado de frente pra porta de saída. Mas reparei uma coisa que tem graves consequências: a placa dizia "Saída de emergência". E, apesar de ser uma porta dupla, a placa estava acima e bem entre as portas. Então, tecnicamente, a porta dupla como um todo era a saída de emergência.
Pensei "qual seria uma situação de emergência?" e cheguei à conclusão de que, pelo menos, eu não deveria estar calmo (e a caminho do desespero), pra conseguir sair dali. Cara, tem que ver isso aí...
Num outro dia, vi que tinha uma outra placa: "Fique tranquilo. O nosso pão não contém lactose."
Não vem muito ao caso com a história mas antes vou falar o que me passou pela cabeça antes do principal: beleza, o pão pode não conter lactose, mas e o resto? E o termo "intolerância à lactose" é meio estranho, tanto que o Rafinha Bastos interpreta isso num dos vídeos dele... um cara ficando puto conforme a caixa de leite se aproxima, hahahaha... Mas agora vem o que me incomodou: o "fique tranquilo".
Então supondo que eu seja intolerante a lactose, e entro naquele subway. Leio a placa da lactose e fico tranquilo, maravilha. Aí como e? E? E agora pra sair?
Que absurdo! Isso é uma contradição! Me deixam tranquilo pra depois me exigir sair do sério? Já entendi! Isso é uma estratégia de vendas. É um loop infinito; o intolerante à lactose não sai mais de lá, e se vê obrigado a consumir; ou, caso vá ficando nervoso - pra poder sair - vai pedir um copo d´água ou um suco
pra se acalmar.
Lamentável...
Obs.: A placa de saída foi piada minha, e a outra parte um amigo completou.
domingo, 15 de setembro de 2013
O cara do Carandiru
Ontem à noite eu estava pra entrar na Fnac da Trianon, e vi uma mão estendendo uma revista, naquele gesto que sempre imagino sendo o corpo em desespero velado. À medida em que eu olhava pra direita, e o desespero - sempre velado - daquela mão aumentava, era então um braço e então um homem. Um homem
muito simples.
Pus a mão "em espanto", dizendo "não, obrigado" a ele.
É inimaginável em quantas frações o tempo pode se decompor, mas acredito que na menor delas, que veio logo em seguida disso, descendo a escada, me senti um idiota. Eu sempre me disse pra pegar o que essas pessoas oferecem, por mais que não me interesse. Porque é inevitável que pelo menos alguns (se não a maioria) que pegam esses papeis não estejam nem aí pro que está escrito neles. O papel publicitário dos que entregam vai por água abaixo em muitos casos. Então sim, eu só pego o papel pra que aquela pessoa se sinta mais perto de terminar seu dever.
E mesmo assim eu não peguei aquele papel. Mas o que me deixou mais puto foi eu estar com uma pasta. Uma pasta! Todas as desculpas preguiçosas que o meu auto-engano seria capaz de me dar desapareceram. "Seu idiota, por que não pegou aquela revista?"
Naquela mesma fração de tempo, pensei "na volta eu pego, porque eu vou sair por aqui mesmo".
Agora aquele homem estava à minha esquerda, um piso acima de mim (e acima de mim, que sou um idiota, porque não?). As pessoas ali à minha frente, passando por ele ("porque vocês não pegam a revista, seus imbecis!"), e o mesmo braço estendido, o mesmo desespero velado. Não, não, estou quase aí.
Passei olhando pra ele e pegando a revista. Porque era só pegar, certo? Não, não era. Ainda bem.
Nós dois com as mãos em pontas opostas da revista, ele me disse "conhece a revista?"; eu tinha quase certeza de que uma vez, no vão do MASP, recebi uma daquelas das mãos de um outro homem que me parecia muito alheio aos outros, talvez por isso, feliz. Mas disse "não, não conheço". Nesse momento eu quase pude pegar aquele desespero velado, mas se transformou em algo diferente, etéreo e bom, de uma fração de tempo - daquelas - pra outra. "é de uma organização que cuida de moradores de rua. Você paga 4 reais e eu fico com 3". Eu fui pegando o dinheiro, e pensando no que perguntar pra ele, porque (e essa não é a primeira vez que sinto isso) me veio uma vontade de saber sobre aquele cara. Afinal, ele foi morador de rua em algum momento da vida pra estar ali na minha frente com aquela revista.
"E como que você conheceu esse projeto?" enquanto pensava se a aparência dele era de alguém de 65 anos ou de alguém de 40 que viveu um bom tanto na rua. "Eu fiquei 32 anos no Carandiru". Nessa hora, vi o quanto idiota eu ainda poderia me sentir. De alguma forma fiquei minúsculo na frente daquele cara. Imaginando que certamente ele venceu muito mais do que eu, e muito mais do que muita gente que eu conheço; isso que me diminuiu tanto, porque qual é a minha noção de vitória, de conquista individual até então? Ridículo. Me senti ridículo, e senti que o meu mundo, de alguma forma, é algo que flutua por aí e às vezes esbarra no topo da minha cabeça, mas fora aquele momento, eu flutuo junto.
"Cumpriu a pena toda?", sorrindo, e que sorriso! ele disse "cumpri. Foi esse cara da capa que me interpretou no filme". Nossa, como eu sou absurdo! Eu sou um exagero, é isso o que eu sou! "E como que você veio parar aqui?" uma vontade imensa de perguntar muitas outras coisas que eu só vi em livros, de forma muito "elegante", me veio. "Depois do Carandiru, fui morar na rua" e o sorriso continuava. Esse cara deve saber o que é ser feliz, ah deve. Esse monte de diplomas discutindo a felicidade pelas academias afora... que bando de alienados! Como que pode isso?!
Eu queria perguntar pra ele se a cadeia realmente funciona ou se piora as coisas; como que foi o Drauzio por lá; se ele já leu o livro do Carandiru; o que ele acha de a cadeia ter função de "reintegração social" sendo que um cara que sai dela vai morar na rua...
"Eu tenho um blog. Tem o endereço aqui, ó... Entra lá, escrevo todo dia" olha só que maravilha!
"Opa! Pode deixar que entro, sim! Tem textos seus na revista?" "Tem, tem sim" "Meus parabéns..." Eu precisava muito saber o nome dele, e olhei na camiseta: José Aguiar "... José, meus parabéns."
Um tapinha de empolgação dele no meu ombro, um aperto de mãos.
Eu volto lá logo. Ainda quero fazer umas perguntas.
"Seu José, o senhor é feliz?"
muito simples.
Pus a mão "em espanto", dizendo "não, obrigado" a ele.
É inimaginável em quantas frações o tempo pode se decompor, mas acredito que na menor delas, que veio logo em seguida disso, descendo a escada, me senti um idiota. Eu sempre me disse pra pegar o que essas pessoas oferecem, por mais que não me interesse. Porque é inevitável que pelo menos alguns (se não a maioria) que pegam esses papeis não estejam nem aí pro que está escrito neles. O papel publicitário dos que entregam vai por água abaixo em muitos casos. Então sim, eu só pego o papel pra que aquela pessoa se sinta mais perto de terminar seu dever.
E mesmo assim eu não peguei aquele papel. Mas o que me deixou mais puto foi eu estar com uma pasta. Uma pasta! Todas as desculpas preguiçosas que o meu auto-engano seria capaz de me dar desapareceram. "Seu idiota, por que não pegou aquela revista?"
Naquela mesma fração de tempo, pensei "na volta eu pego, porque eu vou sair por aqui mesmo".
Agora aquele homem estava à minha esquerda, um piso acima de mim (e acima de mim, que sou um idiota, porque não?). As pessoas ali à minha frente, passando por ele ("porque vocês não pegam a revista, seus imbecis!"), e o mesmo braço estendido, o mesmo desespero velado. Não, não, estou quase aí.
Passei olhando pra ele e pegando a revista. Porque era só pegar, certo? Não, não era. Ainda bem.
Nós dois com as mãos em pontas opostas da revista, ele me disse "conhece a revista?"; eu tinha quase certeza de que uma vez, no vão do MASP, recebi uma daquelas das mãos de um outro homem que me parecia muito alheio aos outros, talvez por isso, feliz. Mas disse "não, não conheço". Nesse momento eu quase pude pegar aquele desespero velado, mas se transformou em algo diferente, etéreo e bom, de uma fração de tempo - daquelas - pra outra. "é de uma organização que cuida de moradores de rua. Você paga 4 reais e eu fico com 3". Eu fui pegando o dinheiro, e pensando no que perguntar pra ele, porque (e essa não é a primeira vez que sinto isso) me veio uma vontade de saber sobre aquele cara. Afinal, ele foi morador de rua em algum momento da vida pra estar ali na minha frente com aquela revista.
"E como que você conheceu esse projeto?" enquanto pensava se a aparência dele era de alguém de 65 anos ou de alguém de 40 que viveu um bom tanto na rua. "Eu fiquei 32 anos no Carandiru". Nessa hora, vi o quanto idiota eu ainda poderia me sentir. De alguma forma fiquei minúsculo na frente daquele cara. Imaginando que certamente ele venceu muito mais do que eu, e muito mais do que muita gente que eu conheço; isso que me diminuiu tanto, porque qual é a minha noção de vitória, de conquista individual até então? Ridículo. Me senti ridículo, e senti que o meu mundo, de alguma forma, é algo que flutua por aí e às vezes esbarra no topo da minha cabeça, mas fora aquele momento, eu flutuo junto.
"Cumpriu a pena toda?", sorrindo, e que sorriso! ele disse "cumpri. Foi esse cara da capa que me interpretou no filme". Nossa, como eu sou absurdo! Eu sou um exagero, é isso o que eu sou! "E como que você veio parar aqui?" uma vontade imensa de perguntar muitas outras coisas que eu só vi em livros, de forma muito "elegante", me veio. "Depois do Carandiru, fui morar na rua" e o sorriso continuava. Esse cara deve saber o que é ser feliz, ah deve. Esse monte de diplomas discutindo a felicidade pelas academias afora... que bando de alienados! Como que pode isso?!
Eu queria perguntar pra ele se a cadeia realmente funciona ou se piora as coisas; como que foi o Drauzio por lá; se ele já leu o livro do Carandiru; o que ele acha de a cadeia ter função de "reintegração social" sendo que um cara que sai dela vai morar na rua...
"Eu tenho um blog. Tem o endereço aqui, ó... Entra lá, escrevo todo dia" olha só que maravilha!
"Opa! Pode deixar que entro, sim! Tem textos seus na revista?" "Tem, tem sim" "Meus parabéns..." Eu precisava muito saber o nome dele, e olhei na camiseta: José Aguiar "... José, meus parabéns."
Um tapinha de empolgação dele no meu ombro, um aperto de mãos.
Eu volto lá logo. Ainda quero fazer umas perguntas.
"Seu José, o senhor é feliz?"
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Anestesia Mental
Ninguém me disse pra pensar sobre isso; nunca ouvi ninguém falar sobre isso, mas em algum momento na vida eu pensei nisso. Aquelas coisas que a gente acha que só a gente pensou e pode acontecer (lindo, inclusive) de mais alguém ter pensado nisso também, mas também sem nunca compartilhar. Tô falando sobre isso:
Por que somos capazes de rir de uma simples piada, ou nos sentir bem numa roda de amigos, logo depois de ver na TV a notícia de crianças que foram assassinadas? Como isso funciona? Por que a distância influencia tanto?
Penso nisso não há muito tempo, e não me lembro de nada que tenha me levado a pensar nisso. A não ser alguns programas de televisão que beiram a bipolaridade. E eu temo pelos telespectadores que esses programas podem criar. Em um momento, a morte de uma criança é sentida no fundo da alma, com revolta
do apresentador pseudopolitizado, pseudossensibilizado, pseudotudo, e logo depois a mudança do cardápio do casamento de um jogador do futebol é posta em pauta. Isso é pura loucura. E pior é que quem assiste talvez nem note isso.
Mas de certa forma, em outra escala, todos temos essa loucura. Não de forma - arrisco dizer - maldosa e intencional como nos programas de TV. Mas temos. E me pergunto de onde vem essa "imunidade psicológica". É um absurdo eu estar aqui agora, me preocupando em escrever algo que nem vai causar impacto na vida de pessoas que agora mesmo estão morrendo, seja lá como. Se divertir, e assassinatos; chuva com roupa no varal, e estupros; armar a árvore de natal, e fome.
Eu sei disso tudo. Mas o comportamento segue, e também sei que é natural.
Mas por quê?
E a distância é o fator que mais influencia nisso. Claro que me refiro a "distância" no sentido de "proximidade sentimental, familiaridade", mas a distância física também serve muito bem.
Se a morte de um desconhecido é noticiada na TV, dali a pouco a sua maior preocupação vai ser não derrubar um pouco da sopa na toalha enquanto leva a concha até o prato (não estou dizendo que você vai se importar com a morte da pessoa depois disso, porque não vai). Mas se você vir alguém, mesmo desconhecido, morrer na sua frente, pode te dar muitos dias de pesadelos e virar histórias pros seus netos ouvirem. Imagina então só se for alguém próximo a você?
De onde vem essa "anestesia mental"? Claro que se considerarmos alguém que perde um pedaço da alma com cada desgraça do mundo, seria outro absurdo. Mas me pergunto se essa anestesia não corre o risco de estar em altas doses (se é que já não está)...
Aliás, fiquei feliz de saber que um filme trata, de certa forma, desse assunto. "A Caixa". É meio viagem, mas recomendo.
De qualquer maneira, mesmo que respondam todos os porquês dessa minha dúvida, ainda é um absurdo e sempre vai ser. Estou inserido nele, é assustador, e vou tentar fazer algo a respeito.
Por que somos capazes de rir de uma simples piada, ou nos sentir bem numa roda de amigos, logo depois de ver na TV a notícia de crianças que foram assassinadas? Como isso funciona? Por que a distância influencia tanto?
Penso nisso não há muito tempo, e não me lembro de nada que tenha me levado a pensar nisso. A não ser alguns programas de televisão que beiram a bipolaridade. E eu temo pelos telespectadores que esses programas podem criar. Em um momento, a morte de uma criança é sentida no fundo da alma, com revolta
do apresentador pseudopolitizado, pseudossensibilizado, pseudotudo, e logo depois a mudança do cardápio do casamento de um jogador do futebol é posta em pauta. Isso é pura loucura. E pior é que quem assiste talvez nem note isso.
Mas de certa forma, em outra escala, todos temos essa loucura. Não de forma - arrisco dizer - maldosa e intencional como nos programas de TV. Mas temos. E me pergunto de onde vem essa "imunidade psicológica". É um absurdo eu estar aqui agora, me preocupando em escrever algo que nem vai causar impacto na vida de pessoas que agora mesmo estão morrendo, seja lá como. Se divertir, e assassinatos; chuva com roupa no varal, e estupros; armar a árvore de natal, e fome.
Eu sei disso tudo. Mas o comportamento segue, e também sei que é natural.
Mas por quê?
E a distância é o fator que mais influencia nisso. Claro que me refiro a "distância" no sentido de "proximidade sentimental, familiaridade", mas a distância física também serve muito bem.
Se a morte de um desconhecido é noticiada na TV, dali a pouco a sua maior preocupação vai ser não derrubar um pouco da sopa na toalha enquanto leva a concha até o prato (não estou dizendo que você vai se importar com a morte da pessoa depois disso, porque não vai). Mas se você vir alguém, mesmo desconhecido, morrer na sua frente, pode te dar muitos dias de pesadelos e virar histórias pros seus netos ouvirem. Imagina então só se for alguém próximo a você?
De onde vem essa "anestesia mental"? Claro que se considerarmos alguém que perde um pedaço da alma com cada desgraça do mundo, seria outro absurdo. Mas me pergunto se essa anestesia não corre o risco de estar em altas doses (se é que já não está)...
Aliás, fiquei feliz de saber que um filme trata, de certa forma, desse assunto. "A Caixa". É meio viagem, mas recomendo.
De qualquer maneira, mesmo que respondam todos os porquês dessa minha dúvida, ainda é um absurdo e sempre vai ser. Estou inserido nele, é assustador, e vou tentar fazer algo a respeito.
Escrever
É... Faz um tempinho que não venho aqui...
Não é por falta de querer nem por esquecimento. Basicamente é porque dá trabalho escrever. A primeira pessoa que talvez tenha dito isso, que eu li - "talvez" porque as frases e seus autores, na internet, podem não ter relação alguma - foi a Clarice Lispector. Foi realmente ela que disse isso? Não importa. E além disso, estou numa onda de ler Stephen King de novo. O cara me vem com mais uma história d'A Torre Negra - uma das melhores histórias que já li até então - e lógico que li. Em alguns momentos - rápidos ou não - incorporo algumas coisa, me empolgo com elas. E nessas férias, me empolguei (de novo) com Stephen King.
Aí é aquela coisa de ver vídeos do cara, repensar suas histórias, desejar ler todos os livros... E confirmar que escrever dá trabalho. Porque ele diz "se quiser se tornar um escritor, deve fazer três coisas: ler muito, escrever muito, e se empolgar com isso." e também sobre o ato de escrever ser aperfeiçoado se feito com frequência. Mais uma vez: Stephen King disse isso? Ok, mas não é isso que importa. O que importa é que eu sinto isso desde que me propus a escrever. Talvez seja o meu jeito, ou talvez esse trabalho todo seja realmente o escrever propriamente dito, o verdadeiro.
Por isso eu não tenho vindo aqui. Entrei de férias - de um semestre que realmente tomou muito do meu tempo livre - dia 19, e tenho duas semanas pra aproveitar.
Tive muitas ideias pra por aqui? Sim. E em muitos casos me acusei de preguiça, falta de inspiração... Mas não era nada disso... Era falta da energia necessária pra me debruçar sobre um texto invisível e fazer força, força, pra que ele venha. Essa energia estava sendo usada pra outras coisas. Simples assim. Talvez eu não tenha tido uma grande ideia a ponto de vir aqui mesmo na correria do semestre... Mas uma grande ideia também pode exigir muita energia, mesmo vindo do nada. Eu sinto isso.
Eu poderia vir e escrever sobre nada? Sim (e pode ser muito importante fazer isso), mas acho que nem energia pra isso sobrou.
Percebo que escrevo com esse esforço... Mesmo que o assunto seja nada. Talvez eu queira um algo-a-mais, ou é algo de momento, que não tem a ver com o texto em si, mas com o ato de escrever ("O importante da arte é exprimir. O que se exprime não interessa").
O que dá mais trabalho é que, mesmo nesse gasto de energia com tantas coisas, eu sempre quero escrever.
Não é por falta de querer nem por esquecimento. Basicamente é porque dá trabalho escrever. A primeira pessoa que talvez tenha dito isso, que eu li - "talvez" porque as frases e seus autores, na internet, podem não ter relação alguma - foi a Clarice Lispector. Foi realmente ela que disse isso? Não importa. E além disso, estou numa onda de ler Stephen King de novo. O cara me vem com mais uma história d'A Torre Negra - uma das melhores histórias que já li até então - e lógico que li. Em alguns momentos - rápidos ou não - incorporo algumas coisa, me empolgo com elas. E nessas férias, me empolguei (de novo) com Stephen King.
Aí é aquela coisa de ver vídeos do cara, repensar suas histórias, desejar ler todos os livros... E confirmar que escrever dá trabalho. Porque ele diz "se quiser se tornar um escritor, deve fazer três coisas: ler muito, escrever muito, e se empolgar com isso." e também sobre o ato de escrever ser aperfeiçoado se feito com frequência. Mais uma vez: Stephen King disse isso? Ok, mas não é isso que importa. O que importa é que eu sinto isso desde que me propus a escrever. Talvez seja o meu jeito, ou talvez esse trabalho todo seja realmente o escrever propriamente dito, o verdadeiro.
Por isso eu não tenho vindo aqui. Entrei de férias - de um semestre que realmente tomou muito do meu tempo livre - dia 19, e tenho duas semanas pra aproveitar.
Tive muitas ideias pra por aqui? Sim. E em muitos casos me acusei de preguiça, falta de inspiração... Mas não era nada disso... Era falta da energia necessária pra me debruçar sobre um texto invisível e fazer força, força, pra que ele venha. Essa energia estava sendo usada pra outras coisas. Simples assim. Talvez eu não tenha tido uma grande ideia a ponto de vir aqui mesmo na correria do semestre... Mas uma grande ideia também pode exigir muita energia, mesmo vindo do nada. Eu sinto isso.
Eu poderia vir e escrever sobre nada? Sim (e pode ser muito importante fazer isso), mas acho que nem energia pra isso sobrou.
Percebo que escrevo com esse esforço... Mesmo que o assunto seja nada. Talvez eu queira um algo-a-mais, ou é algo de momento, que não tem a ver com o texto em si, mas com o ato de escrever ("O importante da arte é exprimir. O que se exprime não interessa").
O que dá mais trabalho é que, mesmo nesse gasto de energia com tantas coisas, eu sempre quero escrever.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Caos mental
Minha mãe chega e diz que o Hugo Chavez morreu, e na hora eu imaginei o Juca Chaves, sei lá porquê hahahahaha, que merda. O Alison conseguiu trocar o vale refeição por dinheiro pra comprar o Play3, genial! Hahahaha, foda. "Everybooooooooooodyyyy, move-your-feet'aaand feel uniiiiiteeeed, OOOOO-oooo-OOOOO-oow"... O cara me liga, eu falo "ALÔ!" porque não tava conseguindo ouvir nada, e aí ele fala, muito relutante na própria pergunta: "Andréia?" aaaaaah, cetálooooco... Eu lá tenho voz de Andéia, amigão?! O prazo pro meu livro chegar é hoje. Puta merda, se é pra chegar no último dia, não me diz que é "até" dia tal... Maldita Santana! Eu achando que não vou mais pra lá, naquela faculdade de merda, e os caras me ligam pra aparecer lá porque "nós-somos-incompetentes-e-imbecis-então-estamos-desmentindo-coisas-e-jogando-a-responsabilidade-em-cima-dos-outros-nossa-que-vida-frustrada", vai à merda! "Ah, mas é melhor que aquelas pessoas estejam lá, achando que o diploma delas vale algua coisa, do que fazendo merda por aí." Aaaaaahh, não é melhor não! Elas têm que se tocar e fazer algo que não envolva
o futuro de outras pessoas de uma forma tão importante! Vai fazer algo mais individual, e não sair dando aulas sendo que você é um merda! Se o Galeno foi mesmo médico do imperador Marco Aurélio, aí provavelmente viu entranhas humanas nas batalhas de gladiadores em Roma e muitos dos estudos dele se devem a isso, quer dizer que foi "bom" aquelas pessoas terem morrido? Ah, muita coisa do corpo só se sabe graças a coisas muuuuuuuuuito macabras, com certeza... Opa! Chegou o meu livroooooooooooooooooo! Hahahahahaha, que delícia! Engraçado... Tô de férias, mas querendo estudar... Isso só prova que a minha teoria de que eu só tinha que mudar o foco do cursinho tava certa. Porque não é possível, eu me sinto mal querendo estudar nas férias. Mas também, eu já tinha tido três semanas de aula no Mackenzie... Sacanagem parar agora e voltar só dia 18. Tudo bem, não preciso estudar doentiamente, mas um pouco por dia, pra não perder o costume (até porque, cursinho só é bem aproveitado se deixa esse costume na gente. Da lousa fica muito pouco). Acho que vou escrever isso tudo no blog. Assim mesmo. Sem quase nenhum planejamento e tudo embolado, sem parágrafos, do jeitinho caótico que a mente é. O ideal seria escrever aqueles pensamentos retardados de quando tô quase dormindo, tipo o que o Stephen King fez pra escrever a Torre Negra. Genial. "I don't-wann-to-be-buuuuuried in'a pet seeeee-ma-ta-ah-ryy... I don't wann-to live MY-LIFE agaaaa-aaa-aain... pan! pan! pan! pan! pan! pan! pan! pan! hahahaahah, tecladinho genial. O Chorão morreu. Fico mal por quem ele fazia bem. Mas só. Tenho uma teoria, ou hipótese (não vou me apegar a conceitos) de que a disponibilidade das coisas faz toda diferença. Ou seja, tá lá? Vão dar algum valor. Isso vale pra pessoas, livros, ideias... É por isso que se eu fosse o responsável pelo tema da redação de um grande vestibular, proporia algo bem sem-noção. Tipo "com base nos conhecimentos adquiridos durante toda a sua história, faça um texto dissertativo-argumentativo sobre miojo." hahahaha seria sensacional. O miojo tá lá, exposto pra milhares de mentes intelecto-insanas, e que agora dependem do miojo. Iam sair milhares de redações de 30 linhas, por que não? Tudo porque o miojo simplesmente está lá. Mas acho que vou escrever sobre isso num outro post.
Conta até dez, de trás pra frente.
- Pronto pra anestesia?
- Hahaha, pra dormir tô sempre pronto, doutor.
- Viu como é fácil? Hahaha. Ótimo. Conta até dez, de trás pra frente.
- Tá faltando coisa aí, doutor.
- Como assim?
- Eu não posso fazer o que o senhor tá me pedindo, a não ser que me diga mais um dado.
- Continuo sem entender.
- Ué, se eu tenho que contar até dez, mas de trás pra frente... Posso começar de infinitos números da minha escolha, a não ser que o senhor diga qual é...
Pra restringir esse infinito de possibilidades, sabe?
- Mas o que...
- Se o senhor dissesse pra contar até 10 e só, ficaria subentendido que eu tenho que começar do zero...
- Então vamos fazer assim...
- ...ou do um. Acho que não faria muito sentido começar contando do zero, né? É um número meio encrencado aí... Deu confusão com a igreja quando surgiu...
- Porque então não fica subentendido também o que eu quis dizer?
- Porque começando do zero - ou melhor, do um - as possibilidades estão dentro do contexto... Digo, a anestesia não vai demorar um infinito pra fazer efeito, certo? Já do jeito que o senhor disse, não fica nada preciso.
- Se você sabe que o contexto influencia, deve imaginar que você dificilmente vai chegar no dez, certo?
- Depende de que número eu começar. Até porque se eu sei o contexto, posso começar do doze, por exemplo...
- Mas...
- ...mas aí eu poderia chegar no dez e não saberia mais o que fazer.
- MAS VOCÊ VAI COMEÇAR DO UM!
- Calma, doutor! Mas isso não é o que o senhor disse...
- COMEÇA DE ONDE QUISER ENTÃO!
- Calma, calma. Já sei! Se eu considerar que o subentendido era começar do um, então eu teria que contar dez números. Então é só eu jogar dez números além do 10, pra que eu possa contar até dez, só que de trás pra frente! Contexto é tudo, hein doutor...
- VAI COMEÇAR DE QUAL ENTÃO?!
- Vinte...
- COMEÇA.
- Vinte, dezenhhhffffrrhhh...
E o paciente dormiu.
- Babaca.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Disfarce ridículo
Fui resolver um problema com o plano do meu celular. Liguei pra operadora, e fui seguindo as instruções de uma gravação.
Isso já é um tanto estranho... Um software se fazendo de gente pra interagir com você, mas pensando melhor é tão comum que se eu fosse listar as coisas que seguem a mesma lógica iria me irritar à toa. Vou ficar mais um pouco com essa loucurinha disfarçada de civilização.
Eu já tinha passado por várias etapas do fluxograma se fazendo de conversa, até me exigirem um protocolo que - óbvio - eu não sabia da existência. Aí fiz aquele silêncio sem digitações de quem perde a argumentação. E ouço a seguinte frase:
"Hm... esse protocolo não foi encontrado."
A situação ilógica de eu não ter digitado nada e terem afirmado com toda serenidade que eu digitei algo... Não foi isso me incomodou. Essa é a loucurinha. O que me incomodou foi essa sutil tentativa de um software se aproximar de mim, se achando algo que não é. Que é esse "hm..."? Isso é coisa de gente! Isso
é uma reação a um peido, a um diagnóstico preocupante! Cheiro, preocupação! E um software não tem nada disso! Ah, se toca, bicho! Quer o que com esse "hm..."? Mostrar que você tem elementos linguísticos específicos, historicamente e culturalmente construidos pra demonstrar pensamentos? Você nem sabe o que é linguagem! Já foi no médico e ele, vendo o resultado de um exame seu, fazer "hm..."? Já?! Não, claro que não! Já bateu o joelho ou o dedinho do pé numa quina?! Claro que não! Já usou "hmmmmm..." pra iniciar qualquer frase com tom malicioso?! Então tá falando por quê?!
Ah, mas você não é o único...
É só tentar abrir mais de 15 abas no navegador que "ele" vem e "diz":
"Bem, isso foi constrangedor."
"Constrangedor"?! Tem noção de quantas variáveis formam um constrangimento? Aposto que se você um dia sentisse algum, nem saberia! Para com essa tentativa de parecer o que você não é, só pra tentar se aproximar de mim, ou disfarçar que tem uma tomada no seu rabo. É, rabo! Não quer se humanizar? Então comece tendo um rabo! Ah, mas você, todo sistemático, vai achar que estou falando de uma cauda. Não! Tô falando de um cu! Um cu - e um rabo sendo cu - só têm significado pra mim, que tenho história num meio social! Se quiser se humanizar, comece sendo escatológico, por favor.
Na embalagem daquele suco de laranja com estampa xadrez de toalha de lanchonete, sabe? Tá escrito "Feito com carinho". AAAAAAAAAAHHHHH, NÃO!!!
Que disfarçada que nada! É muito absurdo pra ser um disfarce! É a loucura, nua a crua!
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