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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Falar bem não tem graça


Ontem eu fiz uma das minhas aparições raras no facebook. Falando mal (sim, não vou aliviar com "crítica negativa", ou algo do tipo, porque "falar mal" implica numa intenção de esculachar. E se divertir com isso). Então lá estava eu falando mal de um comercial. E aí recebei um comentário de que eu precisava relaxar e tal... levei numa boa, até porque foi um amigo quem disse. Até que mais um amigo complementou, brincando que eu estava estressado, e tal. Confesso que parei pra pensar. Mesmo sabendo que era uma brincadeira de ambos, imaginei se estivessem falando sério. Cheguei à conclusão de que minhas aparições no facebook seriam quase todas com o mesmo tom do "falar mal". Claro, com algo que eu ache realmente ruim, e não falar por birra. Mas taí, eu seria esse cara puto, estressado. O estranho é que, de fato, eu me divirto com isso.
Falar mal de tudo? Não, claro que não. Mas de muita coisa... até porque muita, muita coisa é realmente ruim. Seja pra fazer piada (que prefiro), ou pra falar sério.
O comercial, por exemplo. Era ruim. Mesmo. E os outros? Ruins também. Mesmo. Tenho que me esforçar muito pra me lembrar de algum bom, porque sei que existem. Isso me leva a cometer gafes, como criticar publicitários. E aí penso "que injusto isso, tem publicitário por aí que faz muito juz à profissão..." mas se eu me apegar muito a esses detalhes, não vou falar nada nunca. E sei disso por experiência própria. Estou cagando pros publicitários? claro que não. Só pros que fazem comerciais, e comerciais ruins.
Indo além dos comerciais, penso na programação da TV. E não tem como, eu falo mal mesmo, quando estou assistindo, infinitos comentários sarcásticos surgem na minha mente... E quando paro pra analisar se é birra... não é. Já fiz isso várias vezes, e é de verdade. Por incrível que pareça, não é exagero eu achar quase tudo ruim, por que quase tudo é, mesmo, ruim! O meu senso de exagero ainda funciona. Ou fico puto e faço piada, ou fico puto e só. Mas nesse caso, é muito mais desgastante. Na piada eu realmente me divirto, sendo sarcástico ou achando defeitos.
Eu falo mal dos programas, dos apresentadores, dos comerciais, mas de um jeito divertido pra mim. Se eu ficar realmente puto, acabo falando que milhões de brasileiros assitem muita merda, e acabam ficando imbecis, e que isso é um problema em escala nacional, que puxa muitos outros... Mas isso é desgastante e
não estou fazendo nada a respeito também, então esse tom não adianta nada.
Eu falo mal sim. Com intenção, e com divertimento. Mas se chegar na birra, eu paro. Se me desgastar, e de nada adiantar, eu paro.
Só preciso chegar à conclusão se algo é, pra mim, re-al-men-te ruim.
Aí é sensacional.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Facebook

Eu sei que tudo tem o seu lado bom e o ruim, mas o lado ruim sempre rende mais. Principalmente no facebook. O lado bom daquele lugar, as boas intenções, tudo fica escondido por trás de uma montanha de pessoas, uma subindo sobre a outra, pra ver quem chama mais atenção de um jeito hipocritamente desesperado.
Às vezes me vem aquele discursinho de que "cada um é diferente, e todos devem ser, se não aceitos, tolerados, e se não tolerados, respeitados, blá-blá-blá... mas aquele lugar desafia a minha capacidade de seguir essa filosofia! Eu até já escrevi "discursinho", e no mau-sentido!
E os estereótipos? Cada um falando sempre da mesma coisa, sem contar as situações em que todos falam da mesma coisa! Um monte de mesmice insuportável (desculpa aí o pleonasmo), uma masturbação de ego eterna, uma falsa necessidade (muito medo de que tenha se tornado verdadeira) de mostrar tudo a todos, mas daquele jeito em que não se criou coragem pra dizer certas coisas. Então o que é dito? O que não vai chocar ninguém, o que todo mundo pensa, quer, imagina, o mesmo, o mesmo, o mesmo!


- Você que sempre fala de animais, tipo a "Luisa Mel" do facebook: a sua intenção é ótima, mas que tipo de reação você espera das pessoas ao postar algo como "sou contra o mal-trato de animais", com a foto de um filhote de labrador? Pois eu penso "Ufa, que bom, porque se você não falasse nada, nunca te levaria pro Ibirapuera com medo de que você ateasse óleo no lago pra queimar os patos (leia-se pato/ganso/cisne/foda-se), chutasse as pombas, e atirasse chumbinho nos passarinhos! Ainda bem que você me deu essa informação tão incomum, fiquei realmente surpreso! Me fez parar pra pensar!
E aí vem um monte de gente compartilhando da mesma opinião, porque afinal, elas pre-ci-sam! Até porque, seria muito bizarro não saberem que eu não maltrato animais, certo? E eu começo uma discussão a respeito? Claro que não, só preciso falar pra me sentir "interagindo", "participando", "socializando". Já tá bom assim, pra que mais do que isso, não é mesmo?


- Você que narra tudo, tudo, tudo: "Saindo pra um rolê com os amigos" é realmente de um significado revolucionário! Me pergunto o que te leva, pessoa-que-faz-questão-que-todos-saibam-que-você-tá-cagando-verde-e-mole-olhem-só pensa ao postar essas coisas. É pra mostrar pra todo mundo que a sua vida social é saudável? Mas quem se importa com isso são só algumas pessoas que você sabe muito bem quem são. O meu palpite é que não é só isso. Pode falar que tem um "olha só seu bando de fudido na firma até tarde no final de semana, como eu sou foda e tô curtindo a vida!" por trás, pode falar! Que o seu cotidiano é tão doente, que qualquer testemunha que "curta" você saindo de casa pra cumprir a sua obrigação de não ter que cumprir uma obrigação, vale mais que isso!
Você posta frases mostrando que a sua semana vai ser ou foi sofrida (só a sua, claro), e de alguma forma misteriosa, a cada meia hora, continua postando coisas que vão mudar a minha e a sua vida. Como assim? Que sofrimento todo é esse? Acho que deve ser tão, mas tão difícil o seu dia-a-dia, que é uma excelente alternativa descansar no facebook a cada meia hora... Entendi! Linda a foto do seu prato de comida exótica semi-vazio. Agora... sentiu de verdade o gosto da comida?


- Você que só fala de religião: Aqui se encaixam não só os que são religiosos, mas aqueles que negam uma ou qualquer religião também. Religião é o tipo de assunto que só dá certo discutir com a mente aberta a sensos comuns ou absurdos, muito silêncio pensativo, pausas, atenção, etc. Mas você do facebook não faz nada disso. Você gosta de coisas curtas, prontas, definitivas. São pensamentos tão bonitos, não é? Pra eu não ficar muito nervoso, fica aqui o seguinte: pense o que quiser, ache o que quiser, mas não você não se tornará melhor mostrando isso pros outros.


- Você que gosta de frases de impacto: Acho que isso é um dos maus do formato do facebook.
Não há tempo nem espaço pra discussões verdadeiras a respeito de nada, porque logo logo vem mais uns 15 posts por aí, e você tem que curtir e comentar e se fazer presente e todo social e opinativo. O post em questão há 30 segundos atrás é agora o décimo da lista, e o mundo gira (rápido demais). Então esses pensamentos curtos (e curtos) são o ideal. Falou, tá falado, resume tudo o que você pensa, sente e faz. É você, e as pessoas têm que te ver!
Isso só me incomoda, convivo com isso. Mas o que me emputece mesmo não é o que você pensa ou deixa de pensar, mas a sua maldita mania de postar coisas que definem em três linhas as pessoas, a Natureza, o Universo, e considerar que todos vão olhar, se maravilhar, te aplaudir e você-é-foda-sensacional! Porque se há pelo menos uma coisa unânime em quem posta algo, é o desejo de ser visto e ter a comprovação disso. Porquê se interessaram ou se isso tem consequências, não importa. Quem "curtiu", foi pelo mesmo motivo que eu, claro. O "curtir" acabou se tornando um meio de unificar discussões e opiniões, levar as pessoas a
conversarem numa mesma direção, a partir de um mesmo ponto, ou até anular uma possível discussão, porque o post é tão "bom" que só se comenta "falou tudo!",
"é isso aí!", ou qualquer merda do tipo.
Cada frase de impacto que você aí posta exige muita atenção, pensamento, discussão, desacordo, inconformidade, incômodo e paciência pra ser digerida e incorporada. Então não faz sentido você ficar botando frases a cada meia hora, que te ridiculariza, e reduz toda a reputação do que você faz a uma mera crítica ruim no verso de um livro de auto-ajuda! Isso se você tem noção disso, porque às vezes me parece que não tem. Quer mostrar profundidade nas coisas que você posta? Então para com tudo isso e faz diferente!


- Você que curte-comenta-compartilha tudo: Por quê? Só me explica, por favor. Eu fico pensando que seja uma oportunidade de você se sentir sociável, ou por algum motivo você está muito, muito carente e essa é a sua forma de demonstrar isso, sei lá. Mas devo te avisar que muita gente pode te bloquear a qualquer momento, inclusive eu.


- Você que gosta de fazer guerrinhas: "Homem X Mulher", "Rock X Funk", "Time X Time", "Evolução X Criacionismo", "Vai pra puta que pariu X Você é genial mesmo", etc.
Você vem definindo tudo, dizendo que é o fodão, e fica por isso mesmo? É assim que você quer começar uma conversa? Acho que não, porque fica bem claro que você é intolerante (e veja só como eu fico intolerante com a sua intolerância!!!), fazendo comparações entre o que você gosta e o que você julga ser uma merda e foda-se a opinião dos outros.
Tá fazendo guerra de sexos? Vai se resolver, se relacionar direito, fala logo que você é corno/corna, falsas-justificativas pra explicar porque você traiu, que o seu cupido não é cego, que você reconhece que a cegueira é sua, mas para de definir as pessoas a seu favor, pelo amor de deus!
Sim, existem músicas abomináveis pra você que outras pessoas amam. E você não pode fazer nada a respeito. Não desse jeito aí.
Gosta de futebol? Que bom! Alguém não gosta do seu time? E daí? Sim, é só isso. E daí?

Se eu continuar, não vou acabar tão cedo.
O Facebook tem seu lado bom? Sim, mas o lado ruim abusa e me diverte às vezes, confesso.
O problema é do que falam? Não, é da mesmice e da frequência infernal com que falam. E é isso que torna o que falam infernal também.
Porquê eu ainda estou lá? Não sei. Acho que de certa forma é um exercício de tolerância e que faço questão (ainda).
Exagerei? Foda-se.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Me sinto assim

Talvez o meu atual contexto - cursinho - esteja amplificando muito algo que não seja tão grande assim. Nessa hora sinto saudades da faculdade. Nessa e em muitas outras. Mas isso é papo pra outra conversa. Fato é que um dos meus maiores medos está, nessa minha mente distorcida, diante de mim. E, comparado a esse medo, não passar no vestibular é insignificante. As minhas únicas "válvulas de escape" social não estão funcionando. Estou perdendo...

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém
O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso pra vereador

Veio o camelô vender
Anel, cordão, perfume barato
Baiana pra prazer pastel
E um bom churrasco de gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém

Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou num time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime

Veio o camelô vender (...)


                   (De frente pro crime - MPB-4)

Se eu me rendesse às expectativas e recompensas, me comportando como tantos... Pararia de fazer muitas coisas. Forte tentação, mas... Não. Continuarei sendo esse trouxa. ^^

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Torço por um bom jogo, e só

É sobre a Copa. Não, não estou perto da cozinha. Em cima de uma árvore ? N-não ! Oi... ? O chapeleiro ? Sim, gosto muito dele, mas o que ele tem a ver com isso ? Hã... ? Cem gramas em fatias ?! Alguém está prestando atenção ?
Nunca fui de assistir a jogos de futebol. Nunca mesmo. Nada de família reunida em frente à televisão num domingo pra ver o jogo. Nada de assistir àqueles programas de discussão sobre futebol. Nada de ir ao estádio. O máximo que eu fazia era jogar video-games de futebol. Nada disso impede que eu goste de futebol. Muito pelo contrário, eu gosto. Só não gosto do que fazem dele. E mesmo que isso ocorra com qualquer evento relacionado a futebol, a Copa do Mundo, apesar de todo seu esplendor, mostra bem isso.
É só a pessoa estar vestida com a camiseta da Argentina, que já é lembrada da mãe. É só um adversário fazer merda, que logo a nação dele é posta na mesma merda. No jogo de Brasil contra Costa do Marfim, depois de uma falta sobre o Brasil o comentarista diz: "Ah, é o jeito deleS de jogar." DeleS quem ? Eu só vi um cara cometendo a falta. E se os outros começaram a jogar assim depois, o motivo é outro. Aliás, fazer do jogo uma luta é... (...)
E uma coisa que me deixa muito incomodado, é ver jogador cavando falta. E todos fazem isso. Cavar falta é sinônimo de incapacidade de lidar com a jogada. É não saber jogar, é querer se aproveitar das regras pra ganhar oportunidades. Se o seu lance saiu do seu controle, meu querido jogador, assuma e deixe a bola rolar ! O pior de tudo mesmo é o efeito "segregação". Mas acho que isso tem a ver com a necessidade natural de pertencer a um grupo, e tal. O que não justifica várias coisas.
Ah, sem falar que "Brasil ganhou, parabéns, Dunga !", "Brasil perdeu, Dunga, seu bosta !"... (E técnico que tira com desprezo a medalha de prata do pescoço não sabe o que é esporte. Esse é um grande adepto de um dos milhões de aspectos da segregação. Ou seja, um grande #@$$$$$$$$$&$$$$$$$$$%)
Bom, fazer de uma coisa tão bonita essa indústria, essa segregação, essa competição... não é comigo. Apesar disso tudo, a Copa do Mundo é um evento de se tirar o chapéu.

Aqui vão alguns fenômenos que atingem a todos, acredito. Inclusive a mim:

Efeito da massa:
Brasil versus Qualquer-Que-Seja. Todos a postos. Mesas, cadeiras, petiscos, telão, projetor (um mero detalhe), aquela mulher sem noção sentada no colo do namorado, fechando a visão de um número considerável de pessoas, perucas, coros iniciados com sílabas repetidas e finalizados com "-eta", "-u", "-uta" e "-au", prestigiando o adversário da seleção Brasileira, garrafas de cerveja em mãos verdes e amarelas, "Kakás" verdes em fundos amarelos por toda parte.
Começa o jogo ! O Brasil inicia a troca de passe, e... ahh... falta do adversário. Nossa, o povo ficou meio furioso aqui. Não gosto quando o jogo para, mas tudo bem. Eles têm a posse (têm a posse !?) de bola, troca de passes, e... hmm... falta do Brasil. Bom, foi equivalente à primeira falta do jogo. Calma gente, não precisa xingar o time adversário inteiro, nem mandar lembrança pra mãe do juiz; afinal, foi justo. (...)
Vai, vai, vai... corre, hmmmmmm, quaaase. Boa, boa. Só acho que podia passar mais a bola. (...) Essa falta do Brasil foi proposital, coitado do adver... Que cara é essa ? Eu... falei... alguma... (...) Nossa, acho que eles estão dando o troco no Brasil agora, mas acho que já compensaram os lados da balança faz tempo. (...) Acho que o juiz está meio distraído... porque aquilo não foi falta. (...) VAI, VAI, VAI, CORRE !!! AAAAAAAAAAAHHHHH, NÃO !!!! *murro na mesa* (...) AHHH, JUIZ FILHO-DA-PUTA !!!ADVERSÁRIO DE MERDA !!! NEM FOI FALTA ISSO AE !!! (...) O QUE !?!?!?! AH, NEM ENCOSTOU NO CARA !!! NÃO FOI FALTA DO BRASIL !!! O ADVERSÁRIO TÁ PENSANDO O QUE !? QUE É LUTA LIVRE !?!? AH, VAI SE FERRAR !!! *certos dedos ganham o céu* (...) O JULIO CÉSAR SAIU ERRADO !!! DUNGA, SEU BOSTA !!! (!?)

Uma perda gradual de argumentos justificáveis. Isso não só existe, como funciona.

Vuvuzelas:
Na descrição do ambiente acima estava faltando algo. Ainda mais nessa Copa, onde muitos, daqui a algumas décadas, terão como lembrança em som de vuvuzelas.
Vu-vu-ze-la. Esse nome é engraçado, assim como "Pluto", "pinguço", "bigurrilho" (ainda mais falando com érrrre de sulista) ou "Tiririca" (falando com t de sulista também). São palavras engraçadas pra mim. Vuvuzelas então deveriam, pra mim, ser algo engraçado. E são. Crianças são adoráveis. Persistência é uma virtude admirável. Agora... NÃO DEIXE UMA CRIANÇA SER PERSISTENTE COM UMA VUVUZELA EM MÃOS !!! E se uma já é ruim, IMAGINE UM ESTADIO DE FUTEBOL CHEIO !!! E não venha me falar que vuvuzelas não te irritam, porque o meu cérebro é biologicamente semelhante ao seu, o que garante que as mesmas frequências de som que me irritam, te irritem também, mesmo que você esteja de bom humor. QUE HUMOR RESISTE A PELO MENOS 3 HORAS DAQUILO !? E porque tanta gente aguenta mais de duas horas de tanta vuvuzela ? PORQUE ELES TODOS FICARAM SURDOS GRADUALMENTE E FICARÃO ASSIM ATÉ HORAS DEPOIS DO JOGO !

Uma vuvuzela incomoda muita gente,
Duas vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MA-AIS !!!

Duas vuvuzelas incomodam muita gente,
Três vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MAA-AAIS !!!!
Três vuvuzelas incomodam muita gente,

Quatro vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MAAAA-AAAAIS !!!!!
Quatro vuvuzelas incomodam muita gente,
80000 DE VUVUZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM,INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, (...) 


Talvez as vuvuzelas interfiram de algum modo no efeito da massa. Talvez, não. Certamente.  ¬¬
TODOS COM BERRANTE EM 2014 !!!  =P


- AEEEEEEE !!!!!! GOL !!!! GOOOL !!!!! GOOOOOOL !!!!! (Pulando freneticamente, corpo descendo, carteira saindo do bolso e ficando, enfiando a mão na lâmpada, perdendo a Bic do bolso da camisa.)
- Felipe...
- UHUUUUULLLL !!!!!! AEEE !!!! HAHAHA... Oi... ? (Só ofegante agora)
- É... Era replay. E longe de ser o primeiro replay.  ¬¬
- Ah...
(...)
- ISSOOOOOO !!!!! BOA !!!!! BEEEEEM TIMEEEE !!!!!
- F... Fe.... Felipeee.....
- Oi ??
- É o treino da seleção.  ¬¬
(...)
- OOOOOW !!!!!! A BOLA FOI NO CARA E ELE NEM FEZ NADA !?!? QUE CABAÇO !!!
- Felipe...
- Ah, assitir a um jogo assim não dá !!
- Era o juiz, foi sem querer.  ¬¬
(...)
- AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE !!!!!!!!!!!!!!! GOOOOOOOOOOOOOOL !!!!!!!!!
- FELIPE !!!!!!
- Que... q...
- FOI GOL CONTRA !!!!  ¬¬
(...)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Eu não sei

Quando estou tentando fazer algo e há outras coisas martelando na minha cabeça, fica difícil. E a válvula de escape nesse momento é escrever. Tem muita coisa na minha cabeça. Acho que penso demais. Esse blog me serve como um registro. Tudo que escrevi está sujeito a mudança. Não sei se quero a mudança, não sei se já mudaram. É o registro de como sou falho, certo, instável, firme, mutável, mumificado, contraditório, descolado, confuso, deslocado, inseguro, racional, medroso, emotivo, mudo, tagarela, tudo, nada.
Nesse blog já disse que aprendi a lição e que não sei o que estou dizendo quando se trata de lições; tudo já foi lindo e tudo já foi horrível; certas coisas já foram pequenas, e as mesmas coisas já foram colossais. Eu mudo o tamanho das coisas e o que mais me aflige é que antes elas estavam com tamanho normal. Não, não. Elas sempre foram do tamanho normal. Eu é que sou o mago de mim. Me diminuo, e quero aproveitar pra ficar menor ainda e sumir do jeito que der; é tão esmagador, cheio de medo. Me aumento, e tudo o que quero é ficar maior ainda e conseguir ligar menos ainda, me sentir avulso, alheio; é tão fácil, cheio de tédio. Eu não quero medo. Eu não quero tédio. Eu quero ser do meu tamanho. Eu quero desafio. Eu quero perceber o momento em que estou do meu tamanho. Afinal, não dá pra ficar maior do que se é e depois, menor, sem passar pelo tamanho normal. Eu sei que já estive assim. Mas quem sou eu pra dizer qual o meu tamanho normal se não tenho referencial, se distorço tudo o que vejo ? Quem sou eu pra dizer qual a minha realidade ? Eu faço parte da minha experiência. E ninguém pode vê-la por mim nem me ver nela. Cada um vive na própria experiência. Acho que o jeito é oscilar de tamanho, sem ter apoio algum, com a esperança de que haja alguém do meu tamanho momentâneo comigo.
Eu não sei. É a única resposta que tenho.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sombra que faz sombra

"A República - Livro VII: Mito da Caverna com comentários" deu lugar ao rosto do garoto, uma mistura de solilóquio e revolta. Era leitura pra um trabalho daquele cheira-cola-maconheiro, que usa aquelas papetes ridículas e só vai em feiras de coisas usadas, exposições de "arte" e no cinema da Gazeta, típicos programinhas vazios em todos os sentidos, inclusive a ponto de nem ter fila. Nem a fila é decente !
Como toda noite um pouco depois do jantar, ele se reúne com a família em frente à TV. Sala escura, deixando apenas aquela fonte de luz, olhos vidrados, sombras e aquela musiquinha; de certa forma, tudo aquilo é uma combinação poderosíssima que forma um clima irresistível, se tornando típico, natural e capaz de gerar sinestesia em qualquer futuro de qualquer um deles. Nesse momento, o mesmo acontece em muitas outras famílias, cada qual em sua caverninha. Vamos.


Vamos diminuir e banalizar e esquecer da humanidade de quem está lá:
Primeiro, separar os grãos de feijão; os "bons" dos "ruins". E lá estão eles; foram escolhidos porque são inteligentes, rostinhos, brincalhões, abdômens, sarcásticos, peitorais, alegres, seios, bobos, bundas, felizes, orifícios, interessantes. Temos certeza de que o público vai enxergá-los como eles são. É isso o que queremos. Sem preconceito ou censura. Imagina só !?

Vamos jogar uns contra os outros:
Simples. Separamos as pessoas em times. Claro, de acordo com o que elas achamos delas são. Sarados fortinho com gostosinha, Coloridos viadinho com sapatão, e assim por diante. Jogamos então a responsabilidade de cada time para um coitado líder. Cada time terá dois representantes que já participaram do programa, sendo que um tem a chance de voltar. Então, submetemos os times a uma tortura prova de resistência. O coitado vencedor terá uma sinuca escolha: Escolher um dos representantes a voltar ao programa. Além disso, se tornará peão líder. Assim, o participante que entrou só estará em jogo graças a essa pessoa que a escolheu. Forma-se uma dívida. Se o peão líder não escolher os membros do seu time pra dormirem no seu quarto luxuoso, cheio de biscoito comida farta, forma-se outra dívida. Afinal, eles estão no mesmo time, certo ? (...) O clássico sistema de votação, claro. O anjo, o monstro e o telefone (escolha, em segredo, alguém pra ferrar com a ilusão vida e dê-lhe um colar - pode abraçar, se quiser - em troca de imunidade). E agora, a novidade (é, estamos aperfeiçoando essa máquina que é esse sanatório programa ano a ano): "Eu gosto tanto dELE(A); queria tanto que ELE(A) ganhasse; porque ELE(A) merece." Espectador, em quem ELE(A) votou ? (...) PARABÉNS !!!! VOCÊ GANHOU UM CARRO E FODEU COM A VIDA DAQUELE PRA QUEM VOCÊ TORCIA, EXPONDO O QUE ELE TINHA A ESPERANÇA DE OMITIR A SEMANA INTEIRA !!!! UHUUUUUUUUUUUUUUUUUL !!!! E as provas mostre-que-você-odeia-alguém-e-adora-alguém-pra-que-todos-se-separem-e-se-matem-sozinhos, que rendem prêmios julgamento e comida chantagem.

Vamos definir, estabelecer padrões, estereótipos:
Olha, aquele cara ali não vai dar ibope é quieto. Mas aquele ali vai dar ibope é extrovertido. Ambos não só conversam bastante com todo mundo, como conversam bem; apesar de já terem passado por momentos de tristeza, saudade, reflexão e isolamento. Ninguém é de ferro. Então é simples. Vamos mostrar os bons momentos de quem vai dar ibope/sexo/briga é extrovertido e só os maus momentos de quem não vai dar ibope/sexo/briga é introvertido. Primeira semana ? Julgamento Votação. Muito cedo ? Ah... mas são três meses ! Tem que haver definições de caráter votações semanalmente. Vamos mostrar a todos que só quem é foda tem uma família e figurantes-desconhecidos-que-me-aplaudem-pra-aparecer-na-TV amigos equivalente ao número de amigos do orkut. Vamos fingir que o "apresentador" só apresenta. Vamos estabelecer regras de um jeito infalível, a ponto de nos enlouquecer (Carrie White, a estranha, e Alexander Portnoy que os diga). Vamos apontar e criticar e fingir não saber que estamos diante do espelho. Vamos rir de, e não rir com. Vamos definir o caráter de alguém com uma semana de vida. Vamos nos negar e chutar quem quer comer e ser comido. Vamos rir de quem quer amar e ser amado. Vamos desconsiderar o histórico e eternizar o momento. Vamos cobrir de hipocrisia essa eterna festa a fantasia.


Who made up all the rules ?
We follow them like fools
Believe them to be true
Don’t care to think them through

I’m sorry so sorry
I’m sorry it’s like this
I’m sorry so sorry
I’m sorry we do this

And it’s ironic too
Coz what we tend to do
Is act on what they say
And then it is that way

Who are they ?
Where are they ?
How can they possibly
know all this ?
Who are they ?
Where are they ?
How can they possibly
know all this ?

Do you see what I see ?
Why do we live like this ?
Is it because it’s true ?
that ignorance is bliss ?

I’m sorry so sorry
I’m sorry we do this - (
Jem - They)


P.S.: Apesar desse post não ter sido pra isso, serviu também pra falar um pouquinho de religião (e não religiosidade), televisão e escola. Por enquanto está bom.
P.S.S.: Não é porque você gosta desse programa, que eu vá passar a te odiar.
Não necessariamente.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Essa humanidade...

Balançava a cabeça. Mas não era um balançar de quem acompanha uma música enquanto faz qualquer coisa só pra poder não só ouvir música; de quem acompanha, não só com o olhar, como uma forma de não perder nada, uma bolinha de tênis de mesa em pleno jogo; de quem vê e analisa e estranha algo ou alguém pela primeira vez; de quem involuntariamente cria mais um recurso pra marcar força e ritmo ao piano; de quem só é batimento cardíaco. Era de negação. Discórdia. De muitos e dele próprio. Tantas coisas tão erradas... Tudo e todos tão definidos... Tantos "todos", "ninguéns", "sempres", "nuncas", que já perderam sua valia. Todos encaixados em estereótipos e previstos como se fossem uma gota de chuva. Tantas gotas então... que essa chuva inunda o mundo e ninguém escapa. Tanto preconceito, tanta hipocrisia, tanta acomodação, tanta cegueira, tanta humanidade. E ele se pergunta se é humanidade ou a negação dela; se isso tudo é ser humano, ele não quer... e se pergunta se não querer ser humano já é ser humano. Pra onde quer que olhe ou toque, não percebe nada real. Todos são paredes de rochas escorregadias e penetráveis apenas por minúsculos poros que estão fechados na maioria das vezes. Fechados a comando de desculpas como educação e sociedade. Ele se vê completamente deslocado, vendo a negação em ver. Ele, frente a todos, se via em todos, tão humano (ou se negando a ser) quanto.
Mergulhava no prório universo e se via. Uma terceira pessoa. Uma experiência tão horrorosa quanto satisfatória. Aquele espelho não era mais tão distorcido e embaçado, mas lhe custou quebrar a própria imagem. Agora a cegueira não era tanta... mas a luz inédita dói. Dor que dá vontade imensa de expelir, quebrando essa carcaça, essa pedra. Dor de ver o mesmo horror de tudo em si. Dor de se negar.
É como se ele não fosse dali. Ninguém o entendia. Tem alguma coisa errada com ele. Tem alguma coisa errada com tudo. Se falar o que realmente pensa sobre certas coisas, já imagina as pessoas negando, correndo, desprezando, se inconformando. Então, ainda se vê como todos, na carcaça praticamente impenetrável, e horrorizado consigo mesmo por isso. É tão desconfortante sua situação, que pensa ser realmente compreensível essa cegueira toda. Compreensível mas não vale a pena. Ele se pergunta se é de sua responsabilidade fazer ver; qual seria o preço de se mostrar e de ser visto. Um nojo da definição, e ao mesmo tempo uma vontade louca de definir tudo e todos (é tão bom !), talvez como uma tentativa de fantasiar que é tudo tão simples, caindo na cegueira. Todos tem um pouco (ou muito) de tudo. É isso que irrita a todos. Bendita educação ! Que coisa tapada.
Qual o papel dele ali ? Ele tinha sequer algum ? É tudo tão verdadeiramente assustador ? Ele fazia parte daquilo tudo ? Ele sempre olhou mas nunca viu ?
Não imagina quantas são as cavernas da vida, mas lhe parece que a graça é sair de todas elas.

Narciso não ficou se admirando assim que se viu, mas ficou assustado em perceber que aquele era ele. Aquele a quem nunca tinha visto. Aquele pra quem todos sempre olhavam, mas ele nunca vira. Aquele a quem ninguém conhecia de fato. Nem ele.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus, ano velho...

Passei na faculdade, fui então estudar em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Pra isso tive de abrir mão de algumas coisas. Muitas coisas. Mesmo sem saber se "pra conseguir o que a gente quer, sacrifícios são necessários", talvez pelo momento, essa frase me confortou. Não havia mais o acordar seguido de um "Bom
dia !" pra alguém, a casa só ganhava 'vida' dependendo de mim. "O almoço está na mesa!" ? Não, não. Não mais. Coisas que eu penso e falaria ali ? Fica na minha cabeça, porque ninguém vai ouvir, a não ser que falasse sozinho (o que já era normal pra mim). Silêncio. Mas um silêncio diferente, mais pesado. Em determinados momentos, realmente por não haver uma televisão ligada à toa, como antes; em outros, por haver só eu comigo mesmo.
Dentre as várias novidades, entre elas a cidade, a moradia, os amigos, os colegas, a rotina, a definitivamente mais impactante foi morar sozinho. O engraçado é pensar na situação geral: um garoto de 17 anos que acaba de entrar numa boa faculdade, num curso que ele acha ser o seu caminho e ainda vai morar sozinho!
É o sonho de muitos adolescentes. De fato, mesmo chegando lá e sentindo a mudança mais radical da minha vida até então, consegui visualizar e sentir esse lado bom da situação. É exatamente por isso que a maior mudança foi morar sozinho. Quando estava sozinho, (não posso generalizar) em alguns momentos de não
fazer nada, acabava pensando. Pensando sobre tudo. Eu sempre fui de fazer isso, mas, definitivamente, nunca com tanta frequência e intensidade como nesse ano. Posso concluir que, apesar das mudanças, foi um ano muito atípico pra situação em que eu estava.
Ali, naquela rotina cheia de responsabilidades inéditas, coisas que eu nunca tive de fazer, tentando manter os antigos lazeres e o estudo, pensava se tudo aquilo iria valer a pena, "O que é que a vida vai fazer de mim ?", natural, imagino, no caso de um vendaval desses. Mas uma coisa que percebi nisso tudo, e foi muito bom pra mim, é que nunca fiz tantas introspecções em tão pouco tempo. Uma verdadeira tempestade mental. Foi um caminho íngreme e, em alguns momentos, em função de tudo o que me acontecia, não gostei da experiência, mas, com o tempo, consegui sair da minha parcialidade e enxergar tudo com mais clareza. Gostei. Se tudo isso é parte de uma lição da vida, não sei, mas que prestei atenção na aula, isso sim. Posso até dizer que aprendi e, em função disso, uma parte de mim, parte que provavelmente poucos verão, mudou. Sacrifício ? Não sei, mas, se sim, fui eu quem o tornou um. Só de saber isso, acho que tudo valeu a pena.
As pessoas mudam ? Sim, mas só depende delas e ninguém muda do nada. Por isso, o estímulo pra que venha a mudança vem de fora. Costuma vir de um jeito e num momento em que ninguém quer e isso acaba dificultando a mudança ou até definindo que a mudança não é possível. Mas funciona. Só depende da escolha de cada um.
Verbos no pretérito ? Sim ! Estou de férias em São Paulo agora ! Também sou filho de Deus !


Meu querido Papai Noel,

Não sei se fui um bom menino esse ano, mas te peço a lição de casa da minha aula.
Ah... pra não perder o costume, uma bermuda xadrez preto e branco.

Aquele abraço.


P.S.: Me pondo no lugar de quem lê, esse post não tem nenhum sentido. Só estou tentando cumprir melhor com o propósito desse blog.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu sou canhoto/esquerdino/sinistromano

Criança: Tiiiiiiiiiiia, qual é o lado direito ?
Professora: É o da mão que escreve, meu amor.
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO !!!!!!! NÃO É NÃO !!!! Não necessariamente. Se a criança for canhota e com uma professora dessas ? Pronto, aprende errado. Se algo ficou fora de sincronia, alguma criança esbarrou e quase derrubou os coleguinhas na coreografia da 'Direita, Esquerda' durante aquela apresentação bonitinha da 2ª série, todos os espectadores já sabem quem foi; dará seta pra esquerda, seguindo pra direita e vice-versa; nunca vai conseguir fechar GTA porque nunca conseguirá chegar no local das missões: "Esquerda !!! NÃÃÃÃO !!!! ERA ESQUERDA !!!!"; sempre vai achar estranho o fato de ser a única pessoa que fica do lado 'esquerdo' do trem na hora de desembarcar na Sé, pensando: "e ainda as pessoas ficam contra o fluxo, querendo entrar no trem !!! Que absurdo !!!"; nunca vai conseguir resolver o cubo mágico; só votará nulo ou branco porque prefere não se envolver no conflito esquerda X direita; enfim, esse é um risco que um canhoto corre. Mas há muitas peculiaridades em ser canhoto.
Inverter a faca com o garfo (se os talheres estiverem de um só lado, fatalmente será o direito); girar a xícara pra que a asa fique do lado esquerdo e, por falar em asa, 'fechar a asa' quando se sentar à mesa durante uma refeição ao lado de um destro, porque aí haverá um conflito de cotovelos. Deverá haver um acordo. No final das contas, o canhoto senta na ponta mesmo. Tá, se a mesa for circular e se não tiver outro canhoto no local, o que resolveria o problema, é um caso a se pensar.
Encontrar uma cadeira pra canhoto nas salas de aula é algo praticamente utópico. Achou ? Usa óculos ? Se usa, vai descobrir se está precisando de outro; se não, vai descobrir se precisa passar a usar. Sim, porque ela estará lá no fundo da sala. Mentira. Já encontrei algumas na frente. Não vou sacanear dizendo que estavam quebradas ou que nunca mais entrei nessa bendita sala onde esse fenômeno aconteceu.
O que uma tesoura, um abridor de latas e uma régua têm em comum ? Vou explicar: APARENTEMENTE fazem jus a algumas denominações para o termo 'canhoto', que significa, em geral, inábil, desajeitado, inepto, acanhado (grande merda, aliás). O fato de ser mais fácil pra um canhoto traçar uma reta no sentido direita-esquerda e que a régua é numerada no sentido contrário não atrapalha tanto realmente. Recorte já é algo pra se ocupar na infância quando se quer aprender direito, ainda mais quando a tesoura não é feita pra canhotos (sim, faz a maior diferença), o que os leva a pedir ajuda TO-DA VEZ. Com uma tesoura de destro não é possível visualizar a linha de recorte. Tem que ser aquela que tem serrinha. Já o abridor de latas é um inferno. Ou faz com a mão direita, o que torna muito possível um corte do tipo Rambo na mão, talvez a perda de
algum dedo a perda da lata, ou sofra agindo contra a natureza da ferramenta. A maior frustração de ser canhoto, pelo menos no meu caso, é em relação a instrumentos musicais de corda. Entrar numa loja lotaaaaaaaada de violões, violas, guitarras, baixos, cavacos, banjos, bandolins e ver que a disposição das cordas te impede de executá-los devidamente é de cortar o coração. Quer algum desses instrumentos pra canhoto ? Pode ter ali na loja já. Alguns modelos só. Quer AQUELA guitarra DAQUELE guitarrista ? Só por encomenda. Há outra solução. Aprenda a tocar como destro! Simples assim! Comece o aprendizado todo de novo. Aproveite e aprenda a escrever, fazer tudo com a outra mão também. (Leia-se 'outra mão' como 'esquerda' ou 'direita', dependendo do caso do leitor.)
Mais genialidade, habilidades artísticas, rapidez de pensamento, vantagens nos esportes ? Infinitamente relativo.
A mão esquerda é reservada a tarefas como higienização em Estados islâmicos; sinal da cruz só com a mão direita; acordar com o pé esquerdo é como prever alguma desgraça naquele dia; Cristo está ao lado direito de Deus; havia crenças de que o diabo seria canhoto e que batizava seus seguidores com a mão esquerda; no dia do Juízo-Final, os que levam o Corão na mão esquerda serão castigados. Tá. E ?
Sinistro, mano ?!

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai! Ser gauche na vida.

P.S.: Apesar da classificação do post, nem tudo aí é desabafo.
P.S.S.: Eu sei a diferença entre esquerda e direita, viu ?
P.S.S.S.: 'Gauche' está no bom sentido aí. ^^

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sobre o bom velhinho

Muita gente especula o porquê de inventarem esse tal de Papai Noel. "Ah... se a criança vai descobrir depois mesmo que ele não existe, então porque ficar fantasiando ?", "Até parece que um velhinho daquele vai conseguir, numa fração de segundo, passar nas casas de todas as crianças."
Isso realmente não interessa. É bom acreditar e pronto. Faz bem, ainda mais agora que descobri mais um motivo que prova isso.
Quando você acredita em Papai Noel, sabe, com você mesmo, que os presentes virão, mesmo que descubra um tempo depois que os que vieram não eram muito bem os que você queria, mas pelo menos, até aquele momento, não teve incertezas ou oscilações de humor. Só a ansiedade, por maior que seja, natural, pela espera do presente. É só esperar pelo momento. Funciona como um porto seguro.
Quando você descobre que a 'magia' toda vem dos seus pais, tudo muda. Na hora, pode só parecer triste, sem graça, compreensível, melhor do que antes, o que seja, mas o processo todo da espera pelo presente muda. Você entrava em contato com o Papai Noel uma vez por ano. Ele só 'trabalhava' no final do ano. Agora não. O 'Papai Noel' está ali o tempo todo. Por mais que, na fantasia anterior, você acreditasse que o poder de julgamento do Papai Noel era tão grande a ponto de precisar de uma só cartinha pra definir se você merecia o presente ou não, agora é muito mais real que o seu comportamento está sendo visto. Tá, você só vai se preocupar com essas coisas no natal mesmo, mas é uma preocupação a mais.
O pior disso tudo é como fica a mente da criança. Na véspera de natal ela pede alguma coisa para os pais que, pra ela, é de extrema importância. A partir daí percebe-se o quanto o Papai Noel era importante, porque o porto seguro não existe mais; aquele período que antes era só ansiedade, agora é cheio de especulações e dúvidas. O interessante dessa situação é como tudo o que não deve acontecer acontece, e na hora errada. Como quando você ouve os seus pais conversando baixinho em outro cômodo da casa sendo que, além deles, só há você ali; ou os vê fazendo gestos cheios de significado e olhando pra você de vez em quando. Todas essas coisinhas que acontecem faziam uma tempestade na sua cabeça. Em um determinado estágio, eram tantas coisinhas dessas, tantas especulações, que você poderia simplesmente recortar esses momentos e montar três mosaicos: um extremamente otimista, com a mais perfeita certeza de que iria ganhar o presente em que estava pensando; outro extremamente pessimista, considerando que o presente não seria o que pediu, se viesse; e outro completamente neutro, considerando como nada tudo aquilo que você achava que fosse. Natural. Não era com você. Detalhe: esses três mosaicos eram montados com exatamente os mesmos recortes, com a diferença apenas na interpretação de cada um. O que pode parecer bom, pode, ao mesmo tempo, parecer ruim... ou não ser nada.
A ansiedade aumentava, porque não era só a ansiedade de ver o presente, mas também a de qual presente ver. Essa ansiedade podia ser tamanha que te fazia buscar sinais, te dando pelo menos uma noção pra que mosaico olhar. Então você arrisca conversar com os seus pais sobre o presente de natal e, como querem fazer surpresa, ficam completamente neutros. Neutralidade era a última coisa que você queria. Ela não te faz definir nada; se tudo o que você viu ou ouviu dos seus pais nesse tempo todo era bom ou ruim, se você superinterpretou alguma coisa, se fez tempestade em copo d'água, se pensou certo em algum momento, se a própria neutralidade já quer dizer algo. Nada. Nenhuma certeza. Então você fica oscilando entre essas interpretações e a ansiedade só aumenta ainda mais, porque o presente vai ocupando cada vez mais lugar na sua cabeça, o natal está chegando e você fatalmente saberá o resultado disso tudo. É só esperar pelo momento, mais uma coisa que se torna difícil nessa situação, mas que você sempre consegue. Tá, sempre não, porque, afinal de contas, essa é a primeira vez que passa por algo assim, então não sabe como vai ser. Mas sabe que, por mais cego que você se sinta, sem saber o que esperar, vale a pena tentar esperar. Aliás, o presente é tudo o que você mais quer.