Por que alguém tem a brilhante ideia de falar sobre cabelo ? Não sei. Dizem que as ideias simplesmente vêm à mente; mesmo assim tenho uma hipótese: acontece que o meu cabelo já está comprido a ponto de se tornar muito mais presente na minha vida; e não estou falando sobre demorar alguns minutos a mais no banho. Estou falando de campo de visão mesmo. "O que é aquilo ? Ah, o meu cabelo." e lá estou eu, milhares de vezes por dia, dando o meu jeito de tirar o cabelo da frente, seja com a mão ou - mais usual pra mim, por mais estranho que pareça - sacudindo toda a cabeça, como quem está desesperado tentando afastar um inseto do rosto (voador, claro; se não, eu vou no tapa mesmo), ou tirando o excesso de água que escorre assim que se sai de uma piscina (não estou falando do corpo todo nessa), ou ainda como uma criança que não quer comer alguma coisa ou tomar a vacina via oral e os adultos têm de apelar fazendo aquela coisa tão agradável de estraçalhar as bochechas.
Pelo que me lembro, meu cabelo era mais claro e mais, bem mais liso que hoje. E quando eu ainda não tinha autonomia nenhuma sobre o meu próprio cabelo, usava o "tigelinha"; faz tempo. Ah, me veio algo agora: sabe aquela situação que te incomoda só de imaginar que inevitavelmente vai acontecer, e não estão nem aí pro que você acha disso mesmo que você seja o centro dela ? Então, eu era exatamente assim com pentear o cabelo. Eu devia ser muito pequeno, porque lembro que era a minha mãe que pentava. E esse era justamente o problema. Ela fazia tanta força pra tirar os nós que ficava praticamente uma peruca no pente a cada vez. E as lágrimas !!! Ah, as lágrimas... Inevitáveis. Não chegavam a escorrer, mas davam presença suficiente.
Nunca tive um caso de amor com meu cabelo, como muitas mulheres têm com os delas. Lavar, sabonete, shampoo, condicionador exige uma paciência que já tive eque não tenho mais, secar e pentear; basicamente isso. Hoje esse processo mudou em uma coisa só: não penteio mais. E, pensando agora, isso aconteceu progressivamente (Não, não me venha com essa análise psicoterapêutica de que criei traumas com as sessões jogos-mortais na infância); eu já penteei o meu cabelo, claro, mas fui parando de fazer isso. Por quê ? Talvez porque eu goste muito, muito mesmo do meu cabelo assim que saio do banho. Nossa, gosto mesmo ! Aquela aparência de umidade e bagunça é demais; um fetiche. Não pentear talvez seja um jeito de deixar aquela bagunça. Como alegria de pobre dura pouco, o cabelo seca e, dependendo, fica uma merda.
Já tive cabelo raspado também, mas por agora não penso em voltar - pelo menos por vontade própria - a raspar. Hoje me acho horrível daquele jeito. Se bem que só raspei várias vezes depois porque achei horrível o cabelo comprido. E aqui temos uma metáfora do ser humano nunca se contentando com o que tem, mesmo tendo lutado tanto um dia para consegui-lo... (Cala a boca, Felipe)
Agora algumas coisas que não entendo direito: porque tanta preocupação com o cabelo se a última pessoa que vai vê-lo sou eu ? É tão estranho quanto comprar um chinelo pela estampa; outro dia vi estampas na sola, NA SOLA DO CHINELO !!! QUE COISA IMBECIL !!! Será que o único momento em que me vejo no espelho é importante porque preciso me sentir bem comigo mesmo ? (Sim, é sim.)
E essa de "cabelo crespo = cabelo ruim" e "cabelo liso = cabelo bom" ? Como assim !? Pra mim, cabelo ruim é o que cai fácil. Tipo coçando a cabeça e "Puta-merda-meu-cabelo !"
E tem aquela coisa de que o cabelo - ou a ausência dele - reflete a personalidade. Não acredito nisso. Mesmo assim, busquei algumas coisas a respeito:
(É importante frisar aqui que em muitos sites tive muita vontade de meter um murro na boca de quem escreveu aquelas coisas, porque falavam no cabelo como um instrumento de agradar o outro; uma espécie de vale-sexo. Praticamente um assassinato ao amor próprio.)
- Cabelos longos (na altura da cintura ou maior), desalinhados, que passa um longo tempo sem ser cortado: personalidade dependente, sem motivação, acomodada às circunstâncias da vida, dirigida pelo desânimo, sofredora e apática.
Tem um ponto-final depois de "apática" ! Eu estava esperando um "mas", no mínimo. Acabaram (pra não dizer coisa pior) com a pessoa que tem um cabelo assim. Como a pessoa está ? Em depressão ! Na minha opinião, foi a depressão que levou a pessoa a deixar o cabelo assim; vejamos o porquê: "cabelo longos" tudo bem; "desalinhados" qual o problema ?; o problema está em "passa um longo tempo sem ser cortado". Porque isso acontceria ? Oras, se não tenho um barbeiro ou cabeleireiro ao meu alcance de forma alguma, onde estou ? Num deserto !! Nos Andes, Himalaia, Groenlândia !! Por não ter o que fazer, eu definitivamente entraria em depressão. Pronto, o cabelo. Pior !!!! A pessoa pode ficar depressiva só de ler essa definição !
- Cabelos longos mas com corte definido e bem tratado:personalidade consciente, feminilidade, sensualidade, motivação, luta por seus ideais e é dirigida por leis, agressiva e atuante.
L'Oréal dando um pau em Freud e companhia.
- Cabelos médios à altura dos ombros, com aspecto de mal cuidados: personalidade displicente, que “não está nem aí”, não se preocupa em agradar os demais, vive sua vida ego-centrada. Pode ser também um sinal de descontentamento com a vida e de revolta com as pessoas ao redor.
Quer dizer que se o cara que tá no deserto quiser "pessoas ao redor" é só cortar o cabelo até os ombros ?Engraçado a pessoa ser egocêntrica e não estar nem aí pro próprio cabelo.
- Cabelos Médios com corte bem definido: personalidade forte e marcante, quer se impor e consegue aquilo que quer. Vive motivadamente antenada com os acontecimentos ao seu redor. Está sempre se atualizando em múltiplas áreas.
Tesoura é a melhor terapia que existe. (Talvez Van Gogh tenha entendido isso literalmente)
- Cabelos Curtos displicentes e sem corte definido: pode indicar uma pessoa prática e relaxada consigo mesma. Personalidade forte, mas acomodada às situações ao seu redor. Briga com facilidade pelo que quer e gosta de impor seus pontos de vista. Ansiosa e irritada.
Pelo que eu estou entendendo, "deixar a natureza fazer o seu papel" só fode muito com a vida de alguém. Ah, olha que interessante ! "Mal-cuidado" virou "sem corte definido". Entendi... É como calça "pré-lavada" ou carro "semi-novo" ou "baseado na obra".
- Cabelos Curtos definidos: personalidade que se preocupa em estar sempre atualizada, forte impositora dos próprios costumes. Agressiva e de presença marcante. Gosta de ser admirada ostensivamente, e isso lhe faz muito bem física, mental e emocionalmente.
Aham, Cláudia, senta lá.
E você que já tem as chamadas "entradas", cuide da sua personalidade enquanto ainda tem !!!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Eu tive um futuro promissor
É natural e espontâneo. Homem de visão ingênua e instintiva e se entrega à infinita variedade de sensações. Para ele o real é a própria exterioridade, alegando que não se deve acrescentar às coisas nada de subjetivo; poesia é ver.
O que penso eu do mundo ?
Sei lá o que penso do mundo !
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das coisas ?
Que opinião tenho sobre as causas e efeitos ?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo ?
Não sei. (Alberto Caeiro)
E eu a vida inteira induzido a acreditar que "Porque não." não é resposta...
O que penso eu do mundo ?
Sei lá o que penso do mundo !
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das coisas ?
Que opinião tenho sobre as causas e efeitos ?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo ?
Não sei. (Alberto Caeiro)
E eu a vida inteira induzido a acreditar que "Porque não." não é resposta...
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Novo título
- Antigo título do blog: Lobos frontal e temporal
- Antiga definição do título:
Lobo Frontal: Porção cerebral responsável por codificação, evocação, reconhecimento, atenção, planejamento, tomada de decisões, modulação da atividade espontânea, formulação de objetivo, antecipação, monitoramento, vontade, ação proposicional, etc. (Comportamento)
Lobo Temporal: Porção cerebral responsável por gerenciamento dos vários tipos de memória, processamento de informação auditiva, reconhecimento, identificação e nomeação de objetos, etc.(Memória)
Ou seja, tudo são escolhas. Se quiser saudades ao invés de nostalgia, escolha bem.
Muito técnico, não ? Tem uma coisa interessante nisso tudo: antes era só o título. Piorou, certo ?Ninguém me perguntava o que era o título ! Talvez porque a pessoa, logo no título, se sentindo ignorante, e, consequentemente intimidada, não tinha coragem de perguntar; ou então porque todos soubessem o que significa lobo frontal e lobo temporal, inclusive entendendo o sentido figurado que dei ao meu blog... Mas acho que essa segunda hipótese é pouco provável.
Então coloquei essa definição do título - na coluna ao lado dos textos - pra esclarecer um pouco. Sempre achei que estva fazendo besteira, mas agora não aguento mais. Tive de mudar o título.
Como já disse, muito técnico. Nada pior do que não entenderem o que queremos dizer; gera pressupostos que estão muito longe do meu objetivo; é como se eu estivesse considerando apenas os lobos frontal e temporal e, pra quem entende um mínimo que seja de anatomia, pode imaginar o quanto bizarro seria isso; não é uma metáfora muito boa; já imaginei títulos melhores.
- Novo título do blog: Algo me incomoda
- Nova definição do título:
"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.
Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: 'Ela não sai da sua depressão...' Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.
O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apensa a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."
Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras,e vale para nós, seres humanos. As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma.
(Rubem Alves)
Sempre estarei onde algo me incomode. E estarei lá através de escolhas. Afinal, tudo são escolhas.
- Antiga definição do título:
Lobo Frontal: Porção cerebral responsável por codificação, evocação, reconhecimento, atenção, planejamento, tomada de decisões, modulação da atividade espontânea, formulação de objetivo, antecipação, monitoramento, vontade, ação proposicional, etc. (Comportamento)
Lobo Temporal: Porção cerebral responsável por gerenciamento dos vários tipos de memória, processamento de informação auditiva, reconhecimento, identificação e nomeação de objetos, etc.(Memória)
Ou seja, tudo são escolhas. Se quiser saudades ao invés de nostalgia, escolha bem.
Muito técnico, não ? Tem uma coisa interessante nisso tudo: antes era só o título. Piorou, certo ?Ninguém me perguntava o que era o título ! Talvez porque a pessoa, logo no título, se sentindo ignorante, e, consequentemente intimidada, não tinha coragem de perguntar; ou então porque todos soubessem o que significa lobo frontal e lobo temporal, inclusive entendendo o sentido figurado que dei ao meu blog... Mas acho que essa segunda hipótese é pouco provável.
Então coloquei essa definição do título - na coluna ao lado dos textos - pra esclarecer um pouco. Sempre achei que estva fazendo besteira, mas agora não aguento mais. Tive de mudar o título.
Como já disse, muito técnico. Nada pior do que não entenderem o que queremos dizer; gera pressupostos que estão muito longe do meu objetivo; é como se eu estivesse considerando apenas os lobos frontal e temporal e, pra quem entende um mínimo que seja de anatomia, pode imaginar o quanto bizarro seria isso; não é uma metáfora muito boa; já imaginei títulos melhores.
- Novo título do blog: Algo me incomoda
- Nova definição do título:
"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.
Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: 'Ela não sai da sua depressão...' Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.
O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apensa a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."
Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras,e vale para nós, seres humanos. As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma.
(Rubem Alves)
Sempre estarei onde algo me incomode. E estarei lá através de escolhas. Afinal, tudo são escolhas.
Me sinto assim
Talvez o meu atual contexto - cursinho - esteja amplificando muito algo que não seja tão grande assim. Nessa hora sinto saudades da faculdade. Nessa e em muitas outras. Mas isso é papo pra outra conversa. Fato é que um dos meus maiores medos está, nessa minha mente distorcida, diante de mim. E, comparado a esse medo, não passar no vestibular é insignificante. As minhas únicas "válvulas de escape" social não estão funcionando. Estou perdendo...
Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém
O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso pra vereador
Veio o camelô vender
Anel, cordão, perfume barato
Baiana pra prazer pastel
E um bom churrasco de gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...
Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém
Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou num time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime
Veio o camelô vender (...)
(De frente pro crime - MPB-4)
Se eu me rendesse às expectativas e recompensas, me comportando como tantos... Pararia de fazer muitas coisas. Forte tentação, mas... Não. Continuarei sendo esse trouxa. ^^
Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém
O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso pra vereador
Veio o camelô vender
Anel, cordão, perfume barato
Baiana pra prazer pastel
E um bom churrasco de gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...
Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém
Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou num time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime
Veio o camelô vender (...)
(De frente pro crime - MPB-4)
Se eu me rendesse às expectativas e recompensas, me comportando como tantos... Pararia de fazer muitas coisas. Forte tentação, mas... Não. Continuarei sendo esse trouxa. ^^
sábado, 2 de outubro de 2010
Quem sou eu pra confirmar ?
"Vote com consciência." Sempre que ouço essa frase me pergunto "Consciência de quê ?", e depois de pensar um pouco cheguei a uma resposta, ainda que capenga.
Hoje, de algumas coisas tenho consciência. Durante quase toda a minha vida escolar, as minhas atividades eram relativamente simples: amigos, muito video-game e lição de casa; num resumo bem grosseiro. Eu era educado, na escola, a dar valor a provas, notas, lições, formalidades, escrever certinho e bonito... Essa besteirada toda. Hoje em dia, basicamente substituí o video-game por mais lição de casa e música, e sempre tentando melhorar o meu relacionamento com as pessoas. Afinal, pra mim, o escrever certinho, o jogar muito video-game, o gosto musical, a religião, ou sei lá mais o que não estão numa lista de diferenciais quando se trata de alguém. A besteirada continua. Mas agora eu a vejo por pura necessidade, e não mais como algo a ser valorizado. Isso ainda vai me irritar muito, mas tudo bem.
E a política nisso tudo ? Durante a maior parte da minha vida escolar fui criança. Naturalmente, não era algo nada próximo de mim. Nunca tive interesse em assistir a propagandas eleitorais, ler ou discutir a respeito. Era sempre o assunto do "pula", "outro", "o próximo", "passa", "não, obrigado" na minha cabeça. Talvez isso seja resultado da tendência proposital de que tudo converge para que se pense mal de políticos, segundo alguns. E, na cabeça de uma criança como eu fui durante esse tempo todo, políticos e política é a mesma coisa. E muitos com quem eu convivia - crianças também, por sinal - sempre falavam muito mal da maioria dos políticos e sempre muito bem de algum deles. Obviamente, digo hoje. Aquelas crianças, afinal, repetiam tanto o que ouvia de tantos, principalmente dos pais. Mas aquelas crianças eram como eu, não eram ? Digo, amigos, brincadeiras, seja video-game ou não, e coisas da escola, certo ? E como falavam tanto sobre políticos ? Ou eu deveria falar alguma coisa também ? Ah, mas repeti muitas coisas também. Eu nem sabia o que estava falando, na verdade. Coisa de criança, sabe como é. Eu repeti muitas coisas que os meus professores diziam também. Mas aí eu já sabia o que estava falando, na minha mente de criança. Afinal, eu tinha de saber aquilo tudo, certo ? E assim foi durante muito tempo.
Acontece que esse tempo acabou há pouquíssimo. Claro que algumas coisas mudaram. Uma delas foi a minha percepção. Não sei dizer o quanto, mas mudou. Fui tendo uma ideia melhor de algumas coisas que resultam nessa rede de conversas aqui, ali, e ali mais adiante, nessas épocas de eleição: Uma delas é muito
assustadora, a meu ver. Eram mais papagaios do que eu pensava. Hierárquico, ainda por cima; há também, além da quantidade, a qualidade. É muito papagaio com discursos excelentes. Isso é ainda mais assustador, porque é um fenômeno não só abrangente, como muito bem feitinho também. Tudo muito bem disfarçado. Com teorias e ideias e reflexões ao léu. Tão disfarçado que me dá a impressão de que tudo é feito por eles mesmos, como a fofoca, que é o sistema de vigilância mais eficiente e rápido da História da Humanidade. Melhor que qualquer inteligência policial por aí; Papagaios repetindo e ouvindo repetições de outros tantos papagaios em todo o lugar, criando focos de pequenas discussões por toda parte. E naõ é repetição simplesmente do que se ouve, mas a repetição mais profunda possível: do pensamento, do comportamento.
E, como sempre, penso "De onde vem isso ?". Já que tenho consciência de que já fui um papagaio, tentei responder por mim. Eu repetia algumas coisas porque... de alguma forma, me impressionou. Talvez porque algumas besteiradas estavam, inconscientemente comigo. Achei "bonito, certinho, inteligente" ? Acho que acima disso tudo, me impressionou porque, com aquilo, eu poderia chegar ao ponto que a escola sempre, de certo modo, me ensinou que poderia atingir através do "bonito, certinho, inteligente e notas altas": pertencer a um bom grupo ! Acho que era isso. Eu ouvia e, no fundo, com aquilo eu queria mais era chamar a atenção. Coisa de criança. Mas... isso não é coisa só de criança. É coisa de adulto também ! Ah, por isso era uma rede hierárquica de papagaios. E isso também talvez explique o surgimento repentino desse fenômeno. Do nada, estão todos falando daquilo ! Claro, vira questão de sobrevivência. Afinal, é disso de que todos à volta falam, não é ? Mas quem começou a falar pra que todos falassem ? Talvez tenha sido a necessidade de se mostrar atualizado, entendendo bem do assunto, esbanjando opiniões. Porque todos têm de exibir seu lado sério, provando que não jogam conversa fora, como normalmente. Foi essa necessidade que começou a falar. Assim ninguém fica marcado pela vigilância autossuficiente que ronda por aí.
E eu ? Estou no meio disso tudo afinal, certo ? Mas... se durante a maior parte desse tempo as minhas maiores preocupações eram lições de casa, amigos, video-game e aprender a tocar instrumentos musicais, que condições eu tenho de sair falando alguma coisa, que não seja papo de papagaio ? Ah, as minhas lições de casa deveriam me ajudar, certo ? Mas...não sei porque, não me despertam interesse. Será que todos os meus amigos, na verdade, não eram papagaios, e eu é que nunca me interessei, desde criança, pelo futuro do meu país ? Isso é cobrado a uma criança ? Digo, de forma que ela saiba conscientemente de tudo ? Não é querer demais ? Ah, tem a televisão. E... é, só a televisão. Então porque tanta gente fala tão mal dos políticos se eles dizem coisas tão "bonitas" ? Depois eu entendi. Entendi a encarar a televisão de um modo bem eficiente: não encarar a televisão. E os discursos são "bonitos e inteligentes", mas, pelo que ouço falar, ninguém cumpre o que diz. Mas... quem é "ninguém" ? Posso usar essa palavra tão radical ? E o que dizem, exatamente ? Bom, televisão não é uma boa ideia. Revistas e jornais repletos de parcialidade também não. Me resta o meu próprio filtro.
Mas o que eu faço então ? É que é uma situação meio urgente. É um negócio aí de 18 anos. É, dizem muitas coisas, no geral, positivas sobre essa idade. Mas pelo que eu percebi, não é bem por aí. A diferença é que, se agora eu me ferrar, me ferro sozinho. Mas, nesse contexto de política, dizem que depois dos 18, a gente deve votar. O que me leva de novo a buscar alguma informação sobre tudo isso, me sentindo bem na hora de votar. E isso adiciona mais uma característica, além de "repentino" a esse fenômeno. Agora ele é obrigatório. Ou seja, eu tenho que entender tudo, e de uma hora pra outra. Mas... Não quero ser um papagaio bem feitinho. Não é um assunto que eu tenha moral suficiente pra me intrometer, porque sei que, pra que eu entenda o mínimo que seja de um assunto, ouvir belos discursos não funciona. Telefones-sem-fio virtuais e uma dúzia de sites e livrinhos não me dá moral suficiente pra tanto. É um processo que não termina com 18 anos, como se daí em diante eu pudesse votar. É algo que, pra mim e todas aquelas crianças, começa. Aliás, começa conforme a vontade, seja com 18, 17, 16, 15 anos. Infelizmente, comecei tarde. Tarde pra quem decidiu "18" por mim.
Talvez eu tenha sido educado a ser tão discrente quanto tudo e a todos nisso. Mas sei que há coisas que não me deixam ver. Eu só tenho consciência de que não tenho consciência de nada. Melhor saber que não tenho do que achar que tenho. E é a partir daí que vou procurar fazer tão bem aquilo que me obrigam.
É nessa hora que não cumpro o meu papel de hipócrita e todos se afastam de mim. Ah, aquela frase... "Só sei que nada sei." ? É, acho que é.
Hoje, de algumas coisas tenho consciência. Durante quase toda a minha vida escolar, as minhas atividades eram relativamente simples: amigos, muito video-game e lição de casa; num resumo bem grosseiro. Eu era educado, na escola, a dar valor a provas, notas, lições, formalidades, escrever certinho e bonito... Essa besteirada toda. Hoje em dia, basicamente substituí o video-game por mais lição de casa e música, e sempre tentando melhorar o meu relacionamento com as pessoas. Afinal, pra mim, o escrever certinho, o jogar muito video-game, o gosto musical, a religião, ou sei lá mais o que não estão numa lista de diferenciais quando se trata de alguém. A besteirada continua. Mas agora eu a vejo por pura necessidade, e não mais como algo a ser valorizado. Isso ainda vai me irritar muito, mas tudo bem.
E a política nisso tudo ? Durante a maior parte da minha vida escolar fui criança. Naturalmente, não era algo nada próximo de mim. Nunca tive interesse em assistir a propagandas eleitorais, ler ou discutir a respeito. Era sempre o assunto do "pula", "outro", "o próximo", "passa", "não, obrigado" na minha cabeça. Talvez isso seja resultado da tendência proposital de que tudo converge para que se pense mal de políticos, segundo alguns. E, na cabeça de uma criança como eu fui durante esse tempo todo, políticos e política é a mesma coisa. E muitos com quem eu convivia - crianças também, por sinal - sempre falavam muito mal da maioria dos políticos e sempre muito bem de algum deles. Obviamente, digo hoje. Aquelas crianças, afinal, repetiam tanto o que ouvia de tantos, principalmente dos pais. Mas aquelas crianças eram como eu, não eram ? Digo, amigos, brincadeiras, seja video-game ou não, e coisas da escola, certo ? E como falavam tanto sobre políticos ? Ou eu deveria falar alguma coisa também ? Ah, mas repeti muitas coisas também. Eu nem sabia o que estava falando, na verdade. Coisa de criança, sabe como é. Eu repeti muitas coisas que os meus professores diziam também. Mas aí eu já sabia o que estava falando, na minha mente de criança. Afinal, eu tinha de saber aquilo tudo, certo ? E assim foi durante muito tempo.
Acontece que esse tempo acabou há pouquíssimo. Claro que algumas coisas mudaram. Uma delas foi a minha percepção. Não sei dizer o quanto, mas mudou. Fui tendo uma ideia melhor de algumas coisas que resultam nessa rede de conversas aqui, ali, e ali mais adiante, nessas épocas de eleição: Uma delas é muito
assustadora, a meu ver. Eram mais papagaios do que eu pensava. Hierárquico, ainda por cima; há também, além da quantidade, a qualidade. É muito papagaio com discursos excelentes. Isso é ainda mais assustador, porque é um fenômeno não só abrangente, como muito bem feitinho também. Tudo muito bem disfarçado. Com teorias e ideias e reflexões ao léu. Tão disfarçado que me dá a impressão de que tudo é feito por eles mesmos, como a fofoca, que é o sistema de vigilância mais eficiente e rápido da História da Humanidade. Melhor que qualquer inteligência policial por aí; Papagaios repetindo e ouvindo repetições de outros tantos papagaios em todo o lugar, criando focos de pequenas discussões por toda parte. E naõ é repetição simplesmente do que se ouve, mas a repetição mais profunda possível: do pensamento, do comportamento.
E, como sempre, penso "De onde vem isso ?". Já que tenho consciência de que já fui um papagaio, tentei responder por mim. Eu repetia algumas coisas porque... de alguma forma, me impressionou. Talvez porque algumas besteiradas estavam, inconscientemente comigo. Achei "bonito, certinho, inteligente" ? Acho que acima disso tudo, me impressionou porque, com aquilo, eu poderia chegar ao ponto que a escola sempre, de certo modo, me ensinou que poderia atingir através do "bonito, certinho, inteligente e notas altas": pertencer a um bom grupo ! Acho que era isso. Eu ouvia e, no fundo, com aquilo eu queria mais era chamar a atenção. Coisa de criança. Mas... isso não é coisa só de criança. É coisa de adulto também ! Ah, por isso era uma rede hierárquica de papagaios. E isso também talvez explique o surgimento repentino desse fenômeno. Do nada, estão todos falando daquilo ! Claro, vira questão de sobrevivência. Afinal, é disso de que todos à volta falam, não é ? Mas quem começou a falar pra que todos falassem ? Talvez tenha sido a necessidade de se mostrar atualizado, entendendo bem do assunto, esbanjando opiniões. Porque todos têm de exibir seu lado sério, provando que não jogam conversa fora, como normalmente. Foi essa necessidade que começou a falar. Assim ninguém fica marcado pela vigilância autossuficiente que ronda por aí.
E eu ? Estou no meio disso tudo afinal, certo ? Mas... se durante a maior parte desse tempo as minhas maiores preocupações eram lições de casa, amigos, video-game e aprender a tocar instrumentos musicais, que condições eu tenho de sair falando alguma coisa, que não seja papo de papagaio ? Ah, as minhas lições de casa deveriam me ajudar, certo ? Mas...
Mas o que eu faço então ? É que é uma situação meio urgente. É um negócio aí de 18 anos. É, dizem muitas coisas, no geral, positivas sobre essa idade. Mas pelo que eu percebi, não é bem por aí. A diferença é que, se agora eu me ferrar, me ferro sozinho. Mas, nesse contexto de política, dizem que depois dos 18, a gente deve votar. O que me leva de novo a buscar alguma informação sobre tudo isso, me sentindo bem na hora de votar. E isso adiciona mais uma característica, além de "repentino" a esse fenômeno. Agora ele é obrigatório. Ou seja, eu tenho que entender tudo, e de uma hora pra outra. Mas... Não quero ser um papagaio bem feitinho. Não é um assunto que eu tenha moral suficiente pra me intrometer, porque sei que, pra que eu entenda o mínimo que seja de um assunto, ouvir belos discursos não funciona. Telefones-sem-fio virtuais e uma dúzia de sites e livrinhos não me dá moral suficiente pra tanto. É um processo que não termina com 18 anos, como se daí em diante eu pudesse votar. É algo que, pra mim e todas aquelas crianças, começa. Aliás, começa conforme a vontade, seja com 18, 17, 16, 15 anos. Infelizmente, comecei tarde. Tarde pra quem decidiu "18" por mim.
Talvez eu tenha sido educado a ser tão discrente quanto tudo e a todos nisso. Mas sei que há coisas que não me deixam ver. Eu só tenho consciência de que não tenho consciência de nada. Melhor saber que não tenho do que achar que tenho. E é a partir daí que vou procurar fazer tão bem aquilo que me obrigam.
É nessa hora que não cumpro o meu papel de hipócrita e todos se afastam de mim. Ah, aquela frase... "Só sei que nada sei." ? É, acho que é.
domingo, 12 de setembro de 2010
Venha, venha ! Leia, leia !
Um bom exemplo de que diploma não significa muita coisa são os comerciais. Muitos deles passam longe de serem exemplos de publicidade. Obviamente, há publicitários que fazem jus a seus diplomas, produzindo um comercial mais genial que o outro. Mas como o trágico e o cômico estão muito próximos, alguns me marcaram, mesmo não sendo exatamente da forma que o publicitário da vez gostaria.
Comercial de carro. Do novo Uno. Os carros só aparecem de perto durante 5% do tempo do comercial !!! É mais ou menos "Cadê o... putz, já foi". E o resto ???
Mais detalhadamente: Três carros chegam (correndo, então nem dá pra ver direito), e então eles param. Aparece o interior do carro... tá, um pedacinho do painel só, por uma fração de segundo. Seja rápido ! Depois chegam várias pessoas (não me pergunte de onde ou como elas vieram), e começam a, literalmente, montar uma cidade. Sensacional !!! E pegam as coisas de dentro dos carros (mais uma amostra rápida do interior do carro, seja mais rápido ainda !) e vão desenrolando estradas, erguendo casas, fazendo acabamentos, todos alegres, e tudo sai como uma maquete pré-pronta. É demais. E aí... ué... o que é aquilo ? Ah, é. O carro. Passou de longe e em movimento. Isso é um teste de reflexos ?! Até que, depois dos 32 segundos de comercial (sendo 1 minuto o total), você nunca mais vai ver o carro direito. Exceto por uma cena, mas contente-se em difrenciar os carros só pela cor. Tem algumas metáforas entre a montagem da cidade e os atributos do carro, mas... CADÊ O CARRO !?!? Tá, assitiu a esse comercial ? Achou bom ? Então tente se lembrar de outro carro num comercial.
Deixe eu adivinhar: Uma estrada linda, com curvas suaves, em meio a um deserto infinito, um sol escaldante. E então ele vem, em alta velocidade, brilhando à luz, perfeito deixando uma nuvem de poeira por onde passa. Até que, de repente cruza um rio, espirrando água de um jeito simétrico, selvagem e arquitetônico para ambos os lados. Ou então, à medida que passa, transforma o deserto numa linda floresta arborizada, pulsando fauna e flora. Ótimo. Qual era o carro mesmo ? Lembrou de um ou de vários ?
Comercial de Activia. Uma mulher na praia, de biquíni e tanga. Prestes a entrar no mar e, se não me engano, está com crianças. Surge outra mulher, e aborda a primeira com a seguinte pergunta: "Como vai o intestino ?" COMO ASSIM !? Olha, não sei se sou anormal, isolado, careta ou implicante, mas considerando o contexto, acredito que essa pergunta não venha a calhar. Aliás, quando essa pergunta vem a calhar ? Numa conversa entre médico e paciente. E só. Mas, como se não bastasse a pergunta, A OUTRA MULHER RESPONDE !!! ELA RESPONDE !!! "Ah, está regular." Com o maior sorriso na cara !!! Mas que... que... que situação é essa !? Ambas sorridentes, conversando sobre as atividades intestinais a caminho do mar !!! Ah, que comercial de merda... (desculpe, não resisti =P) Tirando o fato de que só mulher tem problemas com o intestino. Claro. Homens falariam "Putz, não tô conseguindo cagar.", sem sombra de dúvidas. Aí fica feio pra um comercial. Talvez homens só tenham diarreia. ¬¬
Bom... talvez a responta esteja além do meu alcance.
Comercial de curso de inglês. Um garoto avista uma garota. Se encanta, ela é linda. Não pensa duas vezes. Se aproxima, e, de forma gentil e com um sorriso estampado no rosto, se apresenta e pergunta o nome dela. Ela corresponde à simpatia, e se pronuncia. Essa não. Ela não fala português ! E agora !? Ele pensa, pensa, é tudo muito rápido, ele precisa de uma saída, ela não pode saber que ele não sabe falar inglês, e ela é perfeita ! Ele não pode perder essa... pensa, pensa, rápido ! E, numa fração de segundo, ele dá O Beijo nela. E, a qualquer tentativa de pronuciamento dela, ele a beija novamente. Um beijo, acima de tudo, longo. Resolvido. Durante o relacionamento, é só fazer isso ao sinal de qualquer conversa. Claro, o comercial vendia o curso para que você nunca precisasse perder uma oportunidade dessas assim.
Assim que assisti a isso, pensei que, ao contrário de muitos comerciais, esse era, de certa forma, bem real. Imagino que o que vou falar agora provavelmente não fazia parte da intenção do comercial.
Há muitos casais que são exatamente assim. O Beijo. Pegação aqui e ali. Sem trégua. É claro que o aspecto físico é saudável, legal e tudo mais. E também não estou generalizando isso a todos os casais. Mas é triste pensar que, de fato, há muitos e muitos relacionamentos por aí que se resumem a isso: o contato físico eterno como reflexo da impossibilidade de conversa entre eles. Muitas vezes não é só reflexo, mas há a consciência disso por parte de um deles ou até de ambos. Pior: eles falam a mesma língua !!! Ou... é só impressão ? E o resto ? E O RESTO !? Aí um belo dia um deles decide admitir a falta de conversa e pronto. Fim.
Comercial de carro. Do novo Uno. Os carros só aparecem de perto durante 5% do tempo do comercial !!! É mais ou menos "Cadê o... putz, já foi". E o resto ???
Mais detalhadamente: Três carros chegam (correndo, então nem dá pra ver direito), e então eles param. Aparece o interior do carro... tá, um pedacinho do painel só, por uma fração de segundo. Seja rápido ! Depois chegam várias pessoas (não me pergunte de onde ou como elas vieram), e começam a, literalmente, montar uma cidade. Sensacional !!! E pegam as coisas de dentro dos carros (mais uma amostra rápida do interior do carro, seja mais rápido ainda !) e vão desenrolando estradas, erguendo casas, fazendo acabamentos, todos alegres, e tudo sai como uma maquete pré-pronta. É demais. E aí... ué... o que é aquilo ? Ah, é. O carro. Passou de longe e em movimento. Isso é um teste de reflexos ?! Até que, depois dos 32 segundos de comercial (sendo 1 minuto o total), você nunca mais vai ver o carro direito. Exceto por uma cena, mas contente-se em difrenciar os carros só pela cor. Tem algumas metáforas entre a montagem da cidade e os atributos do carro, mas... CADÊ O CARRO !?!? Tá, assitiu a esse comercial ? Achou bom ? Então tente se lembrar de outro carro num comercial.
Deixe eu adivinhar: Uma estrada linda, com curvas suaves, em meio a um deserto infinito, um sol escaldante. E então ele vem, em alta velocidade, brilhando à luz, perfeito deixando uma nuvem de poeira por onde passa. Até que, de repente cruza um rio, espirrando água de um jeito simétrico, selvagem e arquitetônico para ambos os lados. Ou então, à medida que passa, transforma o deserto numa linda floresta arborizada, pulsando fauna e flora. Ótimo. Qual era o carro mesmo ? Lembrou de um ou de vários ?
Comercial de Activia. Uma mulher na praia, de biquíni e tanga. Prestes a entrar no mar e, se não me engano, está com crianças. Surge outra mulher, e aborda a primeira com a seguinte pergunta: "Como vai o intestino ?" COMO ASSIM !? Olha, não sei se sou anormal, isolado, careta ou implicante, mas considerando o contexto, acredito que essa pergunta não venha a calhar. Aliás, quando essa pergunta vem a calhar ? Numa conversa entre médico e paciente. E só. Mas, como se não bastasse a pergunta, A OUTRA MULHER RESPONDE !!! ELA RESPONDE !!! "Ah, está regular." Com o maior sorriso na cara !!! Mas que... que... que situação é essa !? Ambas sorridentes, conversando sobre as atividades intestinais a caminho do mar !!! Ah, que comercial de merda... (desculpe, não resisti =P) Tirando o fato de que só mulher tem problemas com o intestino. Claro. Homens falariam "Putz, não tô conseguindo cagar.", sem sombra de dúvidas. Aí fica feio pra um comercial. Talvez homens só tenham diarreia. ¬¬
Bom... talvez a responta esteja além do meu alcance.
Comercial de curso de inglês. Um garoto avista uma garota. Se encanta, ela é linda. Não pensa duas vezes. Se aproxima, e, de forma gentil e com um sorriso estampado no rosto, se apresenta e pergunta o nome dela. Ela corresponde à simpatia, e se pronuncia. Essa não. Ela não fala português ! E agora !? Ele pensa, pensa, é tudo muito rápido, ele precisa de uma saída, ela não pode saber que ele não sabe falar inglês, e ela é perfeita ! Ele não pode perder essa... pensa, pensa, rápido ! E, numa fração de segundo, ele dá O Beijo nela. E, a qualquer tentativa de pronuciamento dela, ele a beija novamente. Um beijo, acima de tudo, longo. Resolvido. Durante o relacionamento, é só fazer isso ao sinal de qualquer conversa. Claro, o comercial vendia o curso para que você nunca precisasse perder uma oportunidade dessas assim.
Assim que assisti a isso, pensei que, ao contrário de muitos comerciais, esse era, de certa forma, bem real. Imagino que o que vou falar agora provavelmente não fazia parte da intenção do comercial.
Há muitos casais que são exatamente assim. O Beijo. Pegação aqui e ali. Sem trégua. É claro que o aspecto físico é saudável, legal e tudo mais. E também não estou generalizando isso a todos os casais. Mas é triste pensar que, de fato, há muitos e muitos relacionamentos por aí que se resumem a isso: o contato físico eterno como reflexo da impossibilidade de conversa entre eles. Muitas vezes não é só reflexo, mas há a consciência disso por parte de um deles ou até de ambos. Pior: eles falam a mesma língua !!! Ou... é só impressão ? E o resto ? E O RESTO !? Aí um belo dia um deles decide admitir a falta de conversa e pronto. Fim.
"O Felipe é..."
Eu estava procrastinando (posso arriscar dizer que essa é uma palavra que nunca escrevi ou digitei antes, apesar de saber o que significa. Lembrar se já falei, é demais pra minha memória. Se bem que é muito difícil saber o significado de uma palavra sem nunca ter nem pronuciado, mas tudo bem; é o tipo de palavra que a gente eu só uso como quem ganhou um relógio novo e quer infernizar mostrar as horas pra todo mundo. E não numa situação normal, onde me perguntam se tenho horas pra dar e respondo "só depois da meia-noite" "sim", sem dizer necessariamente as horas, mas numa situação onde eu tomo a iniciativa de perguntar pra todo mundo se querem saber as horas. Simplesmente irritante feliz.) Tá, parei.
Então... (sensação de quem está andando na rua e conversando e passou há muito do destino e só agora começa a perceber. Sim, desabafo) eu estava procrastinando. Assim mesmo, intransitivo. Só pra tentar dar uma abrangência máxima pro termo. (Nossa, "procrastinando" é trava-língua, tenta.) Tá, parei,juro mesmo.
Me deu uma vontade de escrever. Mas já tive essa vontade várias vezes e ultimamente não tem dado certo. Não sei ao certo o porquê. Talvez por ser tantas coisas pra falar que nem sei por onde começar, mas não vem ao caso. Enfim, muita vontade, mas sem assunto. É, bem estilo motel/balada/pornô (não que os dois primeiros não sejam). Seria até ideal pro dia do sexo. Aícopiei tive uma ideia: Jogar no google "O Felipe é" e ver o que aparece. Aqui estão alguns resultados selecionados:
- "O Felipe é Massa !": Já me falaram que sou rápido com piadinhas, bom com trocadilhos, coisas do tipo. Opiniões à parte, mas fato é que eu faço muitas piadinhas e trocadilhos. Mas não é piada pronta; não dá pra chegar pra mim e dizer "conta uma das suas milhares de piadas". Não mesmo. Claro que conheço certas piadas, mas não é disso que estou falando. São as coisas de momento, sabe ? Bem espontâneo, e aos montes, diga-se de passagem. Até pra ser grosso com alguém eu posso ser em forma de piada. Mas eu tenho que estar muito, muito puto pra isso. A ponto de perder a noção. O triste é quando pensam que eu sou só piada.
- "O Felipe é surdo": Isso me lembra de uma das coisas que mais odeio: gritinhos histéricos. Sabe quando algum homem, seja por incontinência sexual, carência disfarçada, status em algum grupo social específico, tentativa de disseminação genética, ao ver uma mulher que julgagostosa bonita, grita (sim, grita, independentemente da sua distância do alvo) coisas do tipo "Ôôôhhhh, lá em casa, hein...", "Ôôôôhhhh, delícia..." ? Então... pra mim não tem diferença absolutamente nenhuma entre isso e os gritinhos histéricos delas.
Seja em shows ou em cinemas, quando aparece o ídolo, lá vem aquele som de depêndência, ilusão, sexualidade reprimida, carência mal-resolvida, facas cortando laranjas pela metade. Claro que em certas situações, essas mesmas coisas têm uma intenção completamente diferente: fazer piada. Um bom exemplo são as cantadas de pedreiro (agradeço que exista a maioria, aliás), considerando, claro, numa situação de piada, e não quando um verdadeiro pedreiro as diz com suas intenções mais do que claras. Com intenção de piada, tudo bem; quero mais é dar risada mesmo.
Agora enfatizando o "surdo" da definição que encontrei, foco mais nas garotinhas (e, infelizmente, já vi algumas já fora do atributo "garotinha" há muito fazerem a mesma coisa) que gritam histericamente e a sério. Olha, ter desejo sexual todo mundo tem. O que é ótimo, aliás. E todo mundo acha ótimo, apesar de muitos negarem. Aliás, se alguém não tem sexualidade (não sei se o termo, a rigor, é esse), ou não acha bom que os outros tenham, está doente. Sério mesmo. Quem não está doente e se passa como doente também está doente. Não estou dizendo que se deve explicitar o desejo sexual; de forma alguma. Só aprender a lidar com isso. Agora... deu aquele gritinho a sério ? VAI FAZER JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS, PEDIR PRA TE COMEREM LOGO, COMPRAR UM VIBRADOR !!! E com certeza eu poderia dizer milhões de outras soluções aqui, mas acho completamente desnecessário. Aliás, tempos difíceis. Repressão da sexualidade feminina e do sentimentalismo masculino. Assim não se chega a nada.
"Moça, você está com muito catarro ?" "Não, por que ?" "É que, vendo daqui, o seu peito parece meio cheio." É claro que eu vou rir disso, hahaha !
- "Felipe é possível concertar o meu vídeo ?" (sic infinito): Hahahahaha ! Eu ia dizer "sem comentários", mas não resisto. É pra fazer a edição da trilha sonora do seu vídeo ? Só eruditas ? E sou possível sim e não estou quebrado, fique sabendo. (Nada contra o falar ou escrever errado, só acho engraçado.)
- "O Felipe é intocável...": É importante perceber que "intocável" pode significar coisas diferentes por aí. Ainda bem que não estou na Índia.
- "O Felipe é tímido": Verdade, verdade...
- "O Felipe é um assunto da diretoria": Isso me faz lembrar do colégio, principalmente até a oitava série. Eu era o que fazia todas as lições dentro do prazo, só conversava quando podia, e se certas pessoas vieram conversar comigo, pode ter certeza de que o naipe da conversa era algo ligado a cópia de trabalho e lição ou explicar a matéria da prova do dia seguinte, e nada mais. E as pessoas supondo várias coisas a meu respeito, inclusive sobre a questão de ser nerd. E eu tendo que explicar que não era nerd. Bom, nem sei o que é ser nerd; discussões tolas.
E aí, um fenômeno interessante: hoje, talvez eu seja o mesmo nerd que cada um definiu na própria cabeça sem ao menos me ouvir antes. E pra mim ? Hoje, algumas daquelas pessoas são as mesmas que defini na minha cabeça, com base em poucas conversas e muita brincadeira imbecil ? Não posso pensar assim. Só estaria perpetuando o erro. Não é nada fácil, mas é o certo. E não se trata de ingenuidade, mas apenas de acreditar em coisas que, infelizmente, são tratadas como impossíveis por muitos.
Aliás, o que o "nerd" pensa hoje sobre escola, vestibular, universidade, sistema de ensino e diplomas impactantes pode ser chocante pra eles. Que não seja, por favor.
Ah, e nunca foi "assunto de diretoria". Não pelos motivos que normalmente pensam no contexto de escola. Hoje não me orgulho disso, não.
Então... (sensação de quem está andando na rua e conversando e passou há muito do destino e só agora começa a perceber. Sim, desabafo) eu estava procrastinando. Assim mesmo, intransitivo. Só pra tentar dar uma abrangência máxima pro termo. (Nossa, "procrastinando" é trava-língua, tenta.) Tá, parei,
Me deu uma vontade de escrever. Mas já tive essa vontade várias vezes e ultimamente não tem dado certo. Não sei ao certo o porquê. Talvez por ser tantas coisas pra falar que nem sei por onde começar, mas não vem ao caso. Enfim, muita vontade, mas sem assunto. É, bem estilo motel/balada/pornô (não que os dois primeiros não sejam). Seria até ideal pro dia do sexo. Aí
- "O Felipe é Massa !": Já me falaram que sou rápido com piadinhas, bom com trocadilhos, coisas do tipo. Opiniões à parte, mas fato é que eu faço muitas piadinhas e trocadilhos. Mas não é piada pronta; não dá pra chegar pra mim e dizer "conta uma das suas milhares de piadas". Não mesmo. Claro que conheço certas piadas, mas não é disso que estou falando. São as coisas de momento, sabe ? Bem espontâneo, e aos montes, diga-se de passagem. Até pra ser grosso com alguém eu posso ser em forma de piada. Mas eu tenho que estar muito, muito puto pra isso. A ponto de perder a noção. O triste é quando pensam que eu sou só piada.
- "O Felipe é surdo": Isso me lembra de uma das coisas que mais odeio: gritinhos histéricos. Sabe quando algum homem, seja por incontinência sexual, carência disfarçada, status em algum grupo social específico, tentativa de disseminação genética, ao ver uma mulher que julga
Seja em shows ou em cinemas, quando aparece o ídolo, lá vem aquele som de depêndência, ilusão, sexualidade reprimida, carência mal-resolvida, facas cortando laranjas pela metade. Claro que em certas situações, essas mesmas coisas têm uma intenção completamente diferente: fazer piada. Um bom exemplo são as cantadas de pedreiro (agradeço que exista a maioria, aliás), considerando, claro, numa situação de piada, e não quando um verdadeiro pedreiro as diz com suas intenções mais do que claras. Com intenção de piada, tudo bem; quero mais é dar risada mesmo.
Agora enfatizando o "surdo" da definição que encontrei, foco mais nas garotinhas (e, infelizmente, já vi algumas já fora do atributo "garotinha" há muito fazerem a mesma coisa) que gritam histericamente e a sério. Olha, ter desejo sexual todo mundo tem. O que é ótimo, aliás. E todo mundo acha ótimo, apesar de muitos negarem. Aliás, se alguém não tem sexualidade (não sei se o termo, a rigor, é esse), ou não acha bom que os outros tenham, está doente. Sério mesmo. Quem não está doente e se passa como doente também está doente. Não estou dizendo que se deve explicitar o desejo sexual; de forma alguma. Só aprender a lidar com isso. Agora... deu aquele gritinho a sério ? VAI FAZER JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS, PEDIR PRA TE COMEREM LOGO, COMPRAR UM VIBRADOR !!! E com certeza eu poderia dizer milhões de outras soluções aqui, mas acho completamente desnecessário. Aliás, tempos difíceis. Repressão da sexualidade feminina e do sentimentalismo masculino. Assim não se chega a nada.
"Moça, você está com muito catarro ?" "Não, por que ?" "É que, vendo daqui, o seu peito parece meio cheio." É claro que eu vou rir disso, hahaha !
- "Felipe é possível concertar o meu vídeo ?" (sic infinito): Hahahahaha ! Eu ia dizer "sem comentários", mas não resisto. É pra fazer a edição da trilha sonora do seu vídeo ? Só eruditas ? E sou possível sim e não estou quebrado, fique sabendo. (Nada contra o falar ou escrever errado, só acho engraçado.)
- "O Felipe é intocável...": É importante perceber que "intocável" pode significar coisas diferentes por aí. Ainda bem que não estou na Índia.
- "O Felipe é tímido": Verdade, verdade...
- "O Felipe é um assunto da diretoria": Isso me faz lembrar do colégio, principalmente até a oitava série. Eu era o que fazia todas as lições dentro do prazo, só conversava quando podia, e se certas pessoas vieram conversar comigo, pode ter certeza de que o naipe da conversa era algo ligado a cópia de trabalho e lição ou explicar a matéria da prova do dia seguinte, e nada mais. E as pessoas supondo várias coisas a meu respeito, inclusive sobre a questão de ser nerd. E eu tendo que explicar que não era nerd. Bom, nem sei o que é ser nerd; discussões tolas.
E aí, um fenômeno interessante: hoje, talvez eu seja o mesmo nerd que cada um definiu na própria cabeça sem ao menos me ouvir antes. E pra mim ? Hoje, algumas daquelas pessoas são as mesmas que defini na minha cabeça, com base em poucas conversas e muita brincadeira imbecil ? Não posso pensar assim. Só estaria perpetuando o erro. Não é nada fácil, mas é o certo. E não se trata de ingenuidade, mas apenas de acreditar em coisas que, infelizmente, são tratadas como impossíveis por muitos.
Aliás, o que o "nerd" pensa hoje sobre escola, vestibular, universidade, sistema de ensino e diplomas impactantes pode ser chocante pra eles. Que não seja, por favor.
Ah, e nunca foi "assunto de diretoria". Não pelos motivos que normalmente pensam no contexto de escola. Hoje não me orgulho disso, não.
Ah, entendi !
"O nosso mundo exterior reflete o nosso mundo interior."
Ah, então... se o meu mundo estiver uma merda é só tomar um porre de Activia que resolve ?
Ah, então... se o meu mundo estiver uma merda é só tomar um porre de Activia que resolve ?
domingo, 29 de agosto de 2010
Meu signo astrológico do zodíaco
Eu estava tentando lembrar o que me levou a querer saber mais sobre o meu signo. Se bem que "mais" não é a melhor palavra, já que eu não sabia nada dele. Naaada, nada, não. Quase nada. Se eu não soubesse nada (eu saberia tudo, então ?) não poderia dizer "meu" signo. Se é meu, é porque sei, no mínimo, a que faixa do ano ele corresponde. Tentei puxar da memória como surgiu esse interesse de clicar no primeiro site que me parecesse convincente no título pesquisar:
Eu estava na avenida Paulista. Osolhos embotados de cimento e tráfego amigos todos reunidos num restaurante. É o tipo de programa supervalorizado em determinadas situações, principalmente quando ele existe há meses ou até anos no plano das ideias. Todos entusiasmados só de imaginar as histórias, casos, contos, crônicas, piadas; tudo proporcionado pelo clima sinestésico, caloroso e amigável daquele lugar. Lugar novo, mas cada um ali tinha no outro um bom tanto de passado. E estavam prontos para fazer daquele presente mais um ponto de partida a caminho da memória de longo prazo.
Pediram carneiro e caranguejo(?!). E então aquele momento em que os olhos são maiores que a barriga, e depois de muita piada, novidade, lembrança, risada, gritaria, garfada, muito gole, tempero, sal, azeite extra-virgem... o silêncio. Silêncio de que duvida de si mesmo quando acreditou que os olhos eram tão grandes, tirando a prova de que realmente eram. Nunca comeram tanto naquele dia. Mas pra um pouco de drama, típico de quem quer esbanjar que não desperdiçou um restaurante, usam a palavra "vida". Mesmo que não tenham comido muito mais que o habitual, nunca comeram tanto na vida. Inclusive eu. Nossa, se fosse na balança teria que pagar em moeda de libra naquele momento (aham, Cláudia, senta lá); seria assustador ou satisfatório. No meu caso, satisfatório, já que sempre fui magro.
Todos dopados da tristeza pós-refeição. Estava passando propaganda eleitoral numa televisão perto da nossa mesa. Assitindo a toda aquela variedade de promessas, muita criatividade, espontaneidade, me virei para a rua, como quem não quer nada. Então vi uma das coisas mais inusitadas e distoantes para aquele contexto: um sagitário. Mas aí pensei que não havia nada demais em ver um sagitário passando em plena avenida Paulista. Até aí, tudo bem. O que me deixou extremamente intrigado foi isso: ele estava de colete. COLETE !!! Não é todo dia que se vê, passando logo em frente, um sagitário de colete ! Um colete de couro, que terminava logo acima do umbigo, deixando uma última fresta do corpo antes da saia xadrez eventual, preto-e-branco, resvalando por entre os tornozelos quase invencíveis ao foco. O híbrido se deslocava muito rapidamente. Descobri logo o motivo: algum tipo de atraso, pois tinha, saindo de um bolso interno do colete, à altura do peito, uma corrente de ouro que terminava num belo relógio, também de ouro, em uma das mãos da criatura, quase impermeável a tudo ao seu redor, preocupadíssima com o passar do tempo.
Ao passar, ouvi o sagitário dizer algo como "Ai ai ai, vou chegar atrasado, ele vai me matar !" Bom... nada demais. É normal alguém estar atrasado pra alguma coisa, ainda mais no centro econômico do país, onde quase tudo são ternos, sapatos engraxados, pastas, intrigas de trabalho e pernas às pressas. Mas, mas... ele fala ! ELE FALA !!! Um sagitário, tudo bem. Agora... com um colete, um relógio, e falando !?!? Ah, agora tenho que seguir esse cara. Chamei o pessoal, mas ninguém parecia me ouvir ou ver. Estavam todos atentos à propaganda eleitoral. Vou sozinho mesmo.
Ele entrou na estação Paulista do metrô. Vou atrás. Nossa, essas escadas nunca acabam !? É muuuuito fundo !!! E ele já sumiu em meio à multidão. Preciso chegar logo lá embaixo. Mas eu nunca chego. Tem algo de estranho aqui. Olhei em volta e várias paisagens se sobrepunham num mesmo espaço, por todos os lados pra onde me virasse, fazendo da escada o centro de um túnel vertical. A única paisagem que consegui discernir a ponto de reconhecer, foi a placa do Trópico de Capricórnio, que permaneceu ali por mais tempo que o resto. Logo depois, eu caí.
Foi como cair num enorme estofado, que, por um momento, se moldou a mim, mas logo em seguida era chão duro e seco. Será que o sagitário está viajando ? Pra onde, então ? Passou pelo Trópico de Capricórnio pra chegar em que lugar, exatamente ? Estava atrasado pra que ? Quem ia matá-lo pelo atraso ? Eu precisava saber. Finalmente consegui avistá-lo. Entrava no vagão do metrô, muito adiante de mim. Não fui no mesmo vagão, mas no mesmo trem. Isso me bastava.
A cada parada, olhava pra fora na tentativa de ver o sagitário, mas na maioria das vezes tudo o que via eram cabeleiras, correntes, piercings e estampas do Metallica, Scorpions, Megadeth, Behemoth, Led Zeppelin, Sandy e Junior e Deep Purple. Até que finalmente vi o híbrido saindo do trem. A estação ? Não sei. Não tinha nome. Mas as coisas estavam diferentes novamente. Agora não eram mais camisetas de qualquer banda, mas sim do Nirvana. Crianças segurando pirocópteros e embalagens de Kinder Ovo aos montes nas mãos. Absolutamente ninguém usando fones. Os sozinhos olhavam ao redor, e não pras próprias mãos, cheias de dedos digitadores.
Isso tudo me distraiu um pouco, mas não perdi o sagitário de vista. Ele saiu da estação, assim como eu. Passando em frente a um bar, vi o balconista dirigindo-se a uma televisão bem peculiar e mudando os canais: TV Colosso, Glub Glub, O Fantástico Mundo de Bob, O Mundo de Beakman, X-Tudo. Não, não pode ser. Até aceito a televisão ser antiga, apesar de parecer nova em folha; o balconista tendo que se levantar pra mudar de canal; mas e a programação !? Opa, ele entrou em algum lugar. Eu conheço aqui. É um planetário, mas esse lugar não existe mais. Agora é um aquário.
Logo que cheguei na porta, reparei que não era uma porta comum para um lugar público. Era uma porta dupla central, cercada de gaveteiros de cada lado. Tudo de madeira maciça, aparentemente envelhecida. Era um armário. Entrei. Muito frio, muita neve. Avistei logo o sagitário, que estava parado, impaciente, a poucos passos de mim. Cheguei sorrateiramente perto dele, com receio de me assustar e de assustar. Num gesto brusco e repentino, virou-se pra mim dizendo, num rugido alto e ríspido "Já era hora !!! Vamos, vamos !!!" "Vamos aonde ?" "Precisamos despistar a Feiticeira e chegar rapidamente até o Leão."
Montei nele e saímos em disparada por entre a floresta morta. No meio do caminho, várias paisagens se sobrepunham novamente. Entre elas, visualizei o restaurante e meus amigos. Ainda estavam lá, compenetrados na propaganda eleitoral. Estiquei o braço, e senti o calor urbano e amigável tomar conta de meu pulso. Saltei. Caí em frente ao restaurante, do lado de fora. Pulei a janela e entrei. Aparentemente ninguém viu meu feito. Impossível. "Ei, ninguém viu o que passou correndo logo aqui em frente ?" "Ah, o sagitário ?" "Sim..." "Vimos sim." "Ele estava de colete e relógio !!! Por que ninguém veio comigo assim que chamei ?" "Olha só: Maguila, Kiko do KLB, Mulher Pêra, Tiririca, Dinei, Kléber Bam-bam, Ronaldo Esper, Marcelinho Carioca e Raul Gil no horário eleitoral !!! Que sagitário ganha disso !?!?"
Talvez tenha sido algo do tipo.
Bom, de qualquer forma, soube um pouco mais a respeito do meu signo.
"A ti, Peixes, não foi por acaso que te deixei por último, pois te dou a mais difícil de todas as tarefas."
Aaaaaaaaaah, agora tudo faz sentido. Ficar por último e se ferrar mais que todo mundo ? Entendi. Já foi muito esclarecedor pra mim. Que sucinto, hahahahaha !
Eu estava na avenida Paulista. Os
Pediram carneiro e caranguejo
Todos dopados da tristeza pós-refeição. Estava passando propaganda eleitoral numa televisão perto da nossa mesa. Assitindo a toda aquela variedade de promessas, muita criatividade, espontaneidade, me virei para a rua, como quem não quer nada. Então vi uma das coisas mais inusitadas e distoantes para aquele contexto: um sagitário. Mas aí pensei que não havia nada demais em ver um sagitário passando em plena avenida Paulista. Até aí, tudo bem. O que me deixou extremamente intrigado foi isso: ele estava de colete. COLETE !!! Não é todo dia que se vê, passando logo em frente, um sagitário de colete ! Um colete de couro, que terminava logo acima do umbigo, deixando uma última fresta do corpo antes da saia xadrez eventual, preto-e-branco, resvalando por entre os tornozelos quase invencíveis ao foco. O híbrido se deslocava muito rapidamente. Descobri logo o motivo: algum tipo de atraso, pois tinha, saindo de um bolso interno do colete, à altura do peito, uma corrente de ouro que terminava num belo relógio, também de ouro, em uma das mãos da criatura, quase impermeável a tudo ao seu redor, preocupadíssima com o passar do tempo.
Ao passar, ouvi o sagitário dizer algo como "Ai ai ai, vou chegar atrasado, ele vai me matar !" Bom... nada demais. É normal alguém estar atrasado pra alguma coisa, ainda mais no centro econômico do país, onde quase tudo são ternos, sapatos engraxados, pastas, intrigas de trabalho e pernas às pressas. Mas, mas... ele fala ! ELE FALA !!! Um sagitário, tudo bem. Agora... com um colete, um relógio, e falando !?!? Ah, agora tenho que seguir esse cara. Chamei o pessoal, mas ninguém parecia me ouvir ou ver. Estavam todos atentos à propaganda eleitoral. Vou sozinho mesmo.
Ele entrou na estação Paulista do metrô. Vou atrás. Nossa, essas escadas nunca acabam !? É muuuuito fundo !!! E ele já sumiu em meio à multidão. Preciso chegar logo lá embaixo. Mas eu nunca chego. Tem algo de estranho aqui. Olhei em volta e várias paisagens se sobrepunham num mesmo espaço, por todos os lados pra onde me virasse, fazendo da escada o centro de um túnel vertical. A única paisagem que consegui discernir a ponto de reconhecer, foi a placa do Trópico de Capricórnio, que permaneceu ali por mais tempo que o resto. Logo depois, eu caí.
Foi como cair num enorme estofado, que, por um momento, se moldou a mim, mas logo em seguida era chão duro e seco. Será que o sagitário está viajando ? Pra onde, então ? Passou pelo Trópico de Capricórnio pra chegar em que lugar, exatamente ? Estava atrasado pra que ? Quem ia matá-lo pelo atraso ? Eu precisava saber. Finalmente consegui avistá-lo. Entrava no vagão do metrô, muito adiante de mim. Não fui no mesmo vagão, mas no mesmo trem. Isso me bastava.
A cada parada, olhava pra fora na tentativa de ver o sagitário, mas na maioria das vezes tudo o que via eram cabeleiras, correntes, piercings e estampas do Metallica, Scorpions, Megadeth, Behemoth, Led Zeppelin, Sandy e Junior e Deep Purple. Até que finalmente vi o híbrido saindo do trem. A estação ? Não sei. Não tinha nome. Mas as coisas estavam diferentes novamente. Agora não eram mais camisetas de qualquer banda, mas sim do Nirvana. Crianças segurando pirocópteros e embalagens de Kinder Ovo aos montes nas mãos. Absolutamente ninguém usando fones. Os sozinhos olhavam ao redor, e não pras próprias mãos, cheias de dedos digitadores.
Isso tudo me distraiu um pouco, mas não perdi o sagitário de vista. Ele saiu da estação, assim como eu. Passando em frente a um bar, vi o balconista dirigindo-se a uma televisão bem peculiar e mudando os canais: TV Colosso, Glub Glub, O Fantástico Mundo de Bob, O Mundo de Beakman, X-Tudo. Não, não pode ser. Até aceito a televisão ser antiga, apesar de parecer nova em folha; o balconista tendo que se levantar pra mudar de canal; mas e a programação !? Opa, ele entrou em algum lugar. Eu conheço aqui. É um planetário, mas esse lugar não existe mais. Agora é um aquário.
Logo que cheguei na porta, reparei que não era uma porta comum para um lugar público. Era uma porta dupla central, cercada de gaveteiros de cada lado. Tudo de madeira maciça, aparentemente envelhecida. Era um armário. Entrei. Muito frio, muita neve. Avistei logo o sagitário, que estava parado, impaciente, a poucos passos de mim. Cheguei sorrateiramente perto dele, com receio de me assustar e de assustar. Num gesto brusco e repentino, virou-se pra mim dizendo, num rugido alto e ríspido "Já era hora !!! Vamos, vamos !!!" "Vamos aonde ?" "Precisamos despistar a Feiticeira e chegar rapidamente até o Leão."
Montei nele e saímos em disparada por entre a floresta morta. No meio do caminho, várias paisagens se sobrepunham novamente. Entre elas, visualizei o restaurante e meus amigos. Ainda estavam lá, compenetrados na propaganda eleitoral. Estiquei o braço, e senti o calor urbano e amigável tomar conta de meu pulso. Saltei. Caí em frente ao restaurante, do lado de fora. Pulei a janela e entrei. Aparentemente ninguém viu meu feito. Impossível. "Ei, ninguém viu o que passou correndo logo aqui em frente ?" "Ah, o sagitário ?" "Sim..." "Vimos sim." "Ele estava de colete e relógio !!! Por que ninguém veio comigo assim que chamei ?" "Olha só: Maguila, Kiko do KLB, Mulher Pêra, Tiririca, Dinei, Kléber Bam-bam, Ronaldo Esper, Marcelinho Carioca e Raul Gil no horário eleitoral !!! Que sagitário ganha disso !?!?"
Talvez tenha sido algo do tipo.
Bom, de qualquer forma, soube um pouco mais a respeito do meu signo.
"A ti, Peixes, não foi por acaso que te deixei por último, pois te dou a mais difícil de todas as tarefas."
Aaaaaaaaaah, agora tudo faz sentido. Ficar por último e se ferrar mais que todo mundo ? Entendi. Já foi muito esclarecedor pra mim. Que sucinto, hahahahaha !
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Como é bom ver o lado positivo das coisas
Não sou de achar criança feia (também não saio procurando por aí). Mas a filhinha do Roberto Justus... Bom, talvez ela não se encaixe no que eu classificaria como beleza. É algo bem relativo, que se faz na cabeça de cada um. Algo construído, parcial. Essa teoria é a que me vem na tentativa de confortar a garotinha na minha cabeça. "Ela não é bonita. Pra mim." E então me vem um pensamento do tipo cala-boca-o-mundo-é-uma-merda-mesmo: "Não, ela é feia mesmo. Por mais relativa que a beleza possa ser."
Finalmente, mesmo depois desse pensamento horrível, encontrei uma saída, uma luz no fim do túnel, uma porção - grande - de esperança pra ela, algo concreto, consistente: na idade dela eu era bonito.
Finalmente, mesmo depois desse pensamento horrível, encontrei uma saída, uma luz no fim do túnel, uma porção - grande - de esperança pra ela, algo concreto, consistente: na idade dela eu era bonito.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Falando com uma câmera sobre falar com uma câmera
A qualidade não está muito boa, mas talvez depois eu dê um jeito.
P.S.: Eu não sei realmente se gorro e touca são a mesma coisa, só serviu pra piada mesmo, não leve a sério, hahaha.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Neurose
Chegando na sala, olhei direto pra fileira onde normalmente sento, procurando pelo lugar usual. Estava livre. Passei pela fileira - um pouco apertada, por sinal - e me "aconcheguei", até onde o assento (e minha bunda) permitissem usar essa palavra. É impressionante como consigo ser desastrado. Espremi meu dedo entre o meu próprio joelho e a parte de baixo da mesa vizinha. Doeu o suficiente pra que eu soltasse um "Fia-da-puta !" numa altura razoável, que servisse pro monólogo. Ou pelo menos era o que eu pensava.
"Desculpa", uma voz logo atrás de mim. Olhei. Era uma menina que estava passando logo atrás de mim, pra que pudesse evitar as pernas que fechavam o caminho da minha fileira e chegar facilmente ao seu lugar: ao meu lado. Não, não ! Eu estava falando sozinho ! Me machuquei sozinho, e como doeu muito, xinguei ! Eu não faço a menor ideia de como isso funciona, se é que de fato funciona, ou se só faço de conta que funciona, mas é o que faço. Pode ter até o mesmo sentido dos gritos dos guerreiros, coisa antiga, hein... tem seu valor. Pode ser distração, é. Gritar pra esquecer um pouco da dor, sabe ? "Eu machuquei meu dedo..." Foi o que consegui dizer, ainda com aquela cara de dor, de quem não acha graça em nenhuma piada, ignora ou sartiriza perguntas como "doeu ?", e prefere morrer antes de responder a um prudente "como aconteceu ?". Ela nem olhou pra mim e se sentou. Ah, não ! Ela entendeu tudo errado ! Eu xinguei, ela pediu desculpas e nem olhou pra mim, enquanto eu me explicava ! Ela tá puta. Mas eu nem estava olhando pra ela quando xinguei, estava olhando pra frente ! Mas ela provavelmente estava de costas pra mim, porque, quando olhei, ela vinha de costas. Já sei ! Ela pediu desculpas porque achou que a mochila dela esbarrou na minha cabeça ! É isso ! Então piorou. Ela esbarrou a mochila na minha cabeça, sem querer, eu xingo ela de fia-da-puta, a gente nem se conhece, e tudo o que ela tem a me dizer é um acuado "desculpa" !? Ah, você tem problema, queridinha ! Vamos pesar as coisas aqui: um esbarrão. Normal, ainda mais num ambiente espremido como esse. Um pedido de desculpas é uma admirável demostração de educação. Agora, intercalando um xingamento aí, as coisas mudam de peso. Não se recebe um xingamento desses, num contexto desses, de forma tão passiva ! É porque eu sou um desconhecido ? Não ! Não faz o menor sentido. Veja, vamos para um extremo: se eu fosse um amigo seu, você riria depois disso. Xingamentos entre amigos recebe uma conotação tão única... Mas esse não é o caso. O caso é que eu sou um desconhecido te xingando. Por mais que seja uma coisa relativa, a grande tendência seria você se mostrar ofendida e olhar muito feio pra mim, me questionar sobre o porquê do xingamento, não se conformar, no mínimo. Ah, já sei. É porque a sala está muito cheia ? Começar uma briga em meio a mais ou menos cento e cinquenta pessoas te intimida ? Ah, entendi. Você está ofendida, muito puta comigo, mas quer deixar pra resolver a questão num momento mais apropriado. E não olhou pra mim como sinal disso. Não ! Você não olhou pra mim porque está indiferente ! Claro ! Nada pior que a indiferença, não é mesmo !? Mas... E se ela não olhou pra mim enquanto me explicava, porque simplesmente o pedido de deculpas não era pra mim ? Simples. Ela veio, um de costas pro outro, eu xinguei, ela não ouviu, esbarrou de uma das milhares de formas em uma das milhares de pessoas pelo caminho, pediu desculpas a essa pessoa, e nem prestou atenção em mim quando virei rapidamente (porque realmente foi muito rápido) pra me explicar. Mas... Se a minha visão periférica não estiver tão ruim, vi que ela virou na direção da minha fileira, bem atrás de mim. Só poderia ser comigo. Eu não xinguei tão alto assim, ou xinguei ?Ninguém em volta ouviu, ou, se ouviu, não demonstrou. E eu estava olhando pra frente ! Bom, pra quem está de costas, basta ouvir. Vai que o ouvido dela é bom. É, acho que eu ouviria. Já me vi várias vezes em situações em que só eu ouvia certas coisas (não eram vozes). É, se fosse eu, ouviria, e brigaria ! Não é possível isso ! Bom, já que ela não olhou nem nada, prefiro acreditar que não era comigo, apesar de não acreditar nessa minha preferência.
Começaram as aulas. Me foquei. Em certo momento, algo me chamou atenção. É normal que as pessoas tenham folhas e apostilas e cadernos e fichários sobre a mesa. Mas ela estava com o fichário fechado e, sobre ele, um livro. Não um livro que cabia naquele contexto. O meu primeiro interesse veio justamente disso: não tinha nada a ver com as aulas. No segundo seguinte, identifiquei o tipo de livro: MPB. Contexto histórico, fotografias da época, etc. Meu interesse aumentou, e muito. Mas eu precisava prestar atenção nas aulas. Sem problemas, uma espiadinha de vez em quando não faz mal a ninguém.
Opa, ela está lendo. Não, não estou dizendo isso porque olhei, mas porque ouvi. Bom, aparentemente ela está lendo pra amiga ao lado. Ela até que lê baixinho. Cheguei a ouvi-la cantar, mas eu não conhecia aquela música. O microfone do professor está mais alto que a voz dela. Tá fácil manter o foco. (...) O professor parou de falar durante um bom tempo, e ela continuou a ler. Não sei se por ser só a voz dela agora, pareceu mais alta que nunca. Até a menina na minha frente olhou pra ela. E ela, percebendo o momento "mas-só-o-professor-Girafales", foi baixando a voz numa velocidade absurda, até cochihcar, hahahaha. Eu só estou de esguelha no livro. Nossa, preciso voltar ou na Fnac ou na Cultura. Vou na Cultura. Além de ter desconto, gosto muito daquele lugar. Me dá uma paz de espírito. Mas um livro desse deve ser uma facada, mesmo com desconto. Droga. Me deu uma puta vontade de tocar violão. Queria ter super poderes só pra isso agora. (...)
Só falta uma aula. Essa é a hora em que várias pessoas vão embora. Ela é uma. Ótimo, uma pessoa que tem uma péssima imagem de mim está indo embora, sem que eu tenha a menor chance de esclarecimento. Ela então, passando na minha frente, séria, olhando apenas pro caminho que seguiria: "Tô indo moço, sei que você está cheio de mim." AHAAAA !!! EU SABIA !!! EU SABIA !!!!!! MARAVILHA, EU ESTAVA CERTO !!! QUE BOSTA, EU ESTAVA CERTO !!! NÃO, NÃO, NÃO !!! "Desculpa..." Moça, eu NÃO te xinguei, tudo bem ? Eu sei que tá difícil de te convencer, mas é fato. Ela tá indo embora... tá no corredor... tá esperando a amiga... vai, qualquer coisa agora ! Comecei a acenar com a mão, até ela olhar. Olhou ! Nossa, ela tá séria mesmo. "Como se chama o livro que você estava lendo ?" Ela tentou lembrar, perguntou pra amiga, que me respondeu. Era um songbook do Chico Buarque. Número 4. A amiga dela me perguntou se eu curtia. Respondi o óbvio. Ela estava séria, e era comigo. Mas então "Depois aparece lá embaixo pra ver a gente fazer um som. À tarde." Ótimo ! Super confuso, mas ótimo ! Era a oportunidade que eu tinha de por as cartas na mesa. Ela realmente tinha me entendido muito mal. Fez aquele comentário sem nenhum tom identificável de ironia, brincadeira, ou coisa do tipo. Eu pedi desculpa enquanto ela saía ! Sou eu quem está sem graça ! Será que eu não prestei muita atenção nela ? Ah, ela estava séria, sim !
Acabou a aula. Bom, ela disse que seria à tarde. Já que vou almoçar aqui perto mesmo, posso ficar estudando por aqui, até um horário razoável. Desci, saí, e fiquei procurando alguma menina com um violão. O pior é que eu tinha visto o rosto dela só naquele último contato. Não a reconheceria tão fácil. Nada. Não a encontrei. Vou almoçar e depois tento de novo.
Voltei, e fiquei um tempo ali "embaixo". Calma aí: onde era "lá embaixo" ? Será que tenho que descer mais um ou dois lances de escada ? Mas aqui seria mais conveniente fazer um som. Ou será que é na rua ? Já sei ! Sempre tem gente que deixa uns instrumentos na sala da coordenação. "Bom dia. Por favor, esses instrumentos são pra algum evento daqui ?" "Não. É que às vezes deixam aqui mesmo." "Obrigado." Bom, talvez seja dela. Vou ficar mais um tempo aqui. (...)
Ah, não ! Os instrumentos sumiram ! Agora, fudeu ! "Com licença, esses instrumentos era de alunos da manhã ?" "Sim." "Obrigado." É, fudeu. Mas quem disse que é necessariamente um violão ? Som se faz com várias coisas, inclusive coisas que caibam numa mochila. Mas era MPB, era Chico ! Pode ser com cavaco só. Mas ela disse "à tarde" e ainda nem deu o horário dos alunos do período da tarde. Mas que "à tarde é esse ?" 14, 15, 16, 17 horas ? Não vou ficar mais aqui esperando. Nem sei onde nem quando é ! Já levaram algum violão que tinha aqui, ficar em pé aqui tá foda. E o rosto dela está sumindo gradualmente da minha memória, ainda que, se eu vê-la, dá pra reconhecer. O problema é que é amanhã é o último dia de aula do primeiro semestre, então tenho só mais uma chance. Quase certeza que ela não era da minha sala. Sei que ela conversou em algum momento com uma outra menina, que é da minha sala. Se não estivesse de penetra lá, sempre sentaria por ali. Bom, de qualquer jeito, só me resta amanhã pra desfazer o mal-entendido. (...)
Ótimo, ela não veio. E ontem um cara xingou ela de filha-da-puta só por um esbarrão acidental. Além de não aparecer depois do convite. Muito simpático !
Esse é o Neurose. Ele aparecerá aqui quando puder, e quando não puder também; afinal, ele vem e vai inexplicavelmente. Saibam mais sobre ele na coluna ao lado, em "Meus Espelhos". Lá também estão o Fiduma e o Seu Lelé.
"Desculpa", uma voz logo atrás de mim. Olhei. Era uma menina que estava passando logo atrás de mim, pra que pudesse evitar as pernas que fechavam o caminho da minha fileira e chegar facilmente ao seu lugar: ao meu lado. Não, não ! Eu estava falando sozinho ! Me machuquei sozinho, e como doeu muito, xinguei ! Eu não faço a menor ideia de como isso funciona, se é que de fato funciona, ou se só faço de conta que funciona, mas é o que faço. Pode ter até o mesmo sentido dos gritos dos guerreiros, coisa antiga, hein... tem seu valor. Pode ser distração, é. Gritar pra esquecer um pouco da dor, sabe ? "Eu machuquei meu dedo..." Foi o que consegui dizer, ainda com aquela cara de dor, de quem não acha graça em nenhuma piada, ignora ou sartiriza perguntas como "doeu ?", e prefere morrer antes de responder a um prudente "como aconteceu ?". Ela nem olhou pra mim e se sentou. Ah, não ! Ela entendeu tudo errado ! Eu xinguei, ela pediu desculpas e nem olhou pra mim, enquanto eu me explicava ! Ela tá puta. Mas eu nem estava olhando pra ela quando xinguei, estava olhando pra frente ! Mas ela provavelmente estava de costas pra mim, porque, quando olhei, ela vinha de costas. Já sei ! Ela pediu desculpas porque achou que a mochila dela esbarrou na minha cabeça ! É isso ! Então piorou. Ela esbarrou a mochila na minha cabeça, sem querer, eu xingo ela de fia-da-puta, a gente nem se conhece, e tudo o que ela tem a me dizer é um acuado "desculpa" !? Ah, você tem problema, queridinha ! Vamos pesar as coisas aqui: um esbarrão. Normal, ainda mais num ambiente espremido como esse. Um pedido de desculpas é uma admirável demostração de educação. Agora, intercalando um xingamento aí, as coisas mudam de peso. Não se recebe um xingamento desses, num contexto desses, de forma tão passiva ! É porque eu sou um desconhecido ? Não ! Não faz o menor sentido. Veja, vamos para um extremo: se eu fosse um amigo seu, você riria depois disso. Xingamentos entre amigos recebe uma conotação tão única... Mas esse não é o caso. O caso é que eu sou um desconhecido te xingando. Por mais que seja uma coisa relativa, a grande tendência seria você se mostrar ofendida e olhar muito feio pra mim, me questionar sobre o porquê do xingamento, não se conformar, no mínimo. Ah, já sei. É porque a sala está muito cheia ? Começar uma briga em meio a mais ou menos cento e cinquenta pessoas te intimida ? Ah, entendi. Você está ofendida, muito puta comigo, mas quer deixar pra resolver a questão num momento mais apropriado. E não olhou pra mim como sinal disso. Não ! Você não olhou pra mim porque está indiferente ! Claro ! Nada pior que a indiferença, não é mesmo !? Mas... E se ela não olhou pra mim enquanto me explicava, porque simplesmente o pedido de deculpas não era pra mim ? Simples. Ela veio, um de costas pro outro, eu xinguei, ela não ouviu, esbarrou de uma das milhares de formas em uma das milhares de pessoas pelo caminho, pediu desculpas a essa pessoa, e nem prestou atenção em mim quando virei rapidamente (porque realmente foi muito rápido) pra me explicar. Mas... Se a minha visão periférica não estiver tão ruim, vi que ela virou na direção da minha fileira, bem atrás de mim. Só poderia ser comigo. Eu não xinguei tão alto assim, ou xinguei ?Ninguém em volta ouviu, ou, se ouviu, não demonstrou. E eu estava olhando pra frente ! Bom, pra quem está de costas, basta ouvir. Vai que o ouvido dela é bom. É, acho que eu ouviria. Já me vi várias vezes em situações em que só eu ouvia certas coisas (não eram vozes). É, se fosse eu, ouviria, e brigaria ! Não é possível isso ! Bom, já que ela não olhou nem nada, prefiro acreditar que não era comigo, apesar de não acreditar nessa minha preferência.
Começaram as aulas. Me foquei. Em certo momento, algo me chamou atenção. É normal que as pessoas tenham folhas e apostilas e cadernos e fichários sobre a mesa. Mas ela estava com o fichário fechado e, sobre ele, um livro. Não um livro que cabia naquele contexto. O meu primeiro interesse veio justamente disso: não tinha nada a ver com as aulas. No segundo seguinte, identifiquei o tipo de livro: MPB. Contexto histórico, fotografias da época, etc. Meu interesse aumentou, e muito. Mas eu precisava prestar atenção nas aulas. Sem problemas, uma espiadinha de vez em quando não faz mal a ninguém.
Opa, ela está lendo. Não, não estou dizendo isso porque olhei, mas porque ouvi. Bom, aparentemente ela está lendo pra amiga ao lado. Ela até que lê baixinho. Cheguei a ouvi-la cantar, mas eu não conhecia aquela música. O microfone do professor está mais alto que a voz dela. Tá fácil manter o foco. (...) O professor parou de falar durante um bom tempo, e ela continuou a ler. Não sei se por ser só a voz dela agora, pareceu mais alta que nunca. Até a menina na minha frente olhou pra ela. E ela, percebendo o momento "mas-só-o-professor-Girafales", foi baixando a voz numa velocidade absurda, até cochihcar, hahahaha. Eu só estou de esguelha no livro. Nossa, preciso voltar ou na Fnac ou na Cultura. Vou na Cultura. Além de ter desconto, gosto muito daquele lugar. Me dá uma paz de espírito. Mas um livro desse deve ser uma facada, mesmo com desconto. Droga. Me deu uma puta vontade de tocar violão. Queria ter super poderes só pra isso agora. (...)
Só falta uma aula. Essa é a hora em que várias pessoas vão embora. Ela é uma. Ótimo, uma pessoa que tem uma péssima imagem de mim está indo embora, sem que eu tenha a menor chance de esclarecimento. Ela então, passando na minha frente, séria, olhando apenas pro caminho que seguiria: "Tô indo moço, sei que você está cheio de mim." AHAAAA !!! EU SABIA !!! EU SABIA !!!!!! MARAVILHA, EU ESTAVA CERTO !!! QUE BOSTA, EU ESTAVA CERTO !!! NÃO, NÃO, NÃO !!! "Desculpa..." Moça, eu NÃO te xinguei, tudo bem ? Eu sei que tá difícil de te convencer, mas é fato. Ela tá indo embora... tá no corredor... tá esperando a amiga... vai, qualquer coisa agora ! Comecei a acenar com a mão, até ela olhar. Olhou ! Nossa, ela tá séria mesmo. "Como se chama o livro que você estava lendo ?" Ela tentou lembrar, perguntou pra amiga, que me respondeu. Era um songbook do Chico Buarque. Número 4. A amiga dela me perguntou se eu curtia. Respondi o óbvio. Ela estava séria, e era comigo. Mas então "Depois aparece lá embaixo pra ver a gente fazer um som. À tarde." Ótimo ! Super confuso, mas ótimo ! Era a oportunidade que eu tinha de por as cartas na mesa. Ela realmente tinha me entendido muito mal. Fez aquele comentário sem nenhum tom identificável de ironia, brincadeira, ou coisa do tipo. Eu pedi desculpa enquanto ela saía ! Sou eu quem está sem graça ! Será que eu não prestei muita atenção nela ? Ah, ela estava séria, sim !
Acabou a aula. Bom, ela disse que seria à tarde. Já que vou almoçar aqui perto mesmo, posso ficar estudando por aqui, até um horário razoável. Desci, saí, e fiquei procurando alguma menina com um violão. O pior é que eu tinha visto o rosto dela só naquele último contato. Não a reconheceria tão fácil. Nada. Não a encontrei. Vou almoçar e depois tento de novo.
Voltei, e fiquei um tempo ali "embaixo". Calma aí: onde era "lá embaixo" ? Será que tenho que descer mais um ou dois lances de escada ? Mas aqui seria mais conveniente fazer um som. Ou será que é na rua ? Já sei ! Sempre tem gente que deixa uns instrumentos na sala da coordenação. "Bom dia. Por favor, esses instrumentos são pra algum evento daqui ?" "Não. É que às vezes deixam aqui mesmo." "Obrigado." Bom, talvez seja dela. Vou ficar mais um tempo aqui. (...)
Ah, não ! Os instrumentos sumiram ! Agora, fudeu ! "Com licença, esses instrumentos era de alunos da manhã ?" "Sim." "Obrigado." É, fudeu. Mas quem disse que é necessariamente um violão ? Som se faz com várias coisas, inclusive coisas que caibam numa mochila. Mas era MPB, era Chico ! Pode ser com cavaco só. Mas ela disse "à tarde" e ainda nem deu o horário dos alunos do período da tarde. Mas que "à tarde é esse ?" 14, 15, 16, 17 horas ? Não vou ficar mais aqui esperando. Nem sei onde nem quando é ! Já levaram algum violão que tinha aqui, ficar em pé aqui tá foda. E o rosto dela está sumindo gradualmente da minha memória, ainda que, se eu vê-la, dá pra reconhecer. O problema é que é amanhã é o último dia de aula do primeiro semestre, então tenho só mais uma chance. Quase certeza que ela não era da minha sala. Sei que ela conversou em algum momento com uma outra menina, que é da minha sala. Se não estivesse de penetra lá, sempre sentaria por ali. Bom, de qualquer jeito, só me resta amanhã pra desfazer o mal-entendido. (...)
Ótimo, ela não veio. E ontem um cara xingou ela de filha-da-puta só por um esbarrão acidental. Além de não aparecer depois do convite. Muito simpático !
Esse é o Neurose. Ele aparecerá aqui quando puder, e quando não puder também; afinal, ele vem e vai inexplicavelmente. Saibam mais sobre ele na coluna ao lado, em "Meus Espelhos". Lá também estão o Fiduma e o Seu Lelé.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Torço por um bom jogo, e só
É sobre a Copa. Não, não estou perto da cozinha. Em cima de uma árvore ? N-não ! Oi... ? O chapeleiro ? Sim, gosto muito dele, mas o que ele tem a ver com isso ? Hã... ? Cem gramas em fatias ?! Alguém está prestando atenção ?
Nunca fui de assistir a jogos de futebol. Nunca mesmo. Nada de família reunida em frente à televisão num domingo pra ver o jogo. Nada de assistir àqueles programas de discussão sobre futebol. Nada de ir ao estádio. O máximo que eu fazia era jogar video-games de futebol. Nada disso impede que eu goste de futebol. Muito pelo contrário, eu gosto. Só não gosto do que fazem dele. E mesmo que isso ocorra com qualquer evento relacionado a futebol, a Copa do Mundo, apesar de todo seu esplendor, mostra bem isso.
É só a pessoa estar vestida com a camiseta da Argentina, que já é lembrada da mãe. É só um adversário fazer merda, que logo a nação dele é posta na mesma merda. No jogo de Brasil contra Costa do Marfim, depois de uma falta sobre o Brasil o comentarista diz: "Ah, é o jeito deleS de jogar." DeleS quem ? Eu só vi um cara cometendo a falta. E se os outros começaram a jogar assim depois, o motivo é outro. Aliás, fazer do jogo uma luta é... (...)
E uma coisa que me deixa muito incomodado, é ver jogador cavando falta. E todos fazem isso. Cavar falta é sinônimo de incapacidade de lidar com a jogada. É não saber jogar, é querer se aproveitar das regras pra ganhar oportunidades. Se o seu lance saiu do seu controle, meu querido jogador, assuma e deixe a bola rolar ! O pior de tudo mesmo é o efeito "segregação". Mas acho que isso tem a ver com a necessidade natural de pertencer a um grupo, e tal. O que não justifica várias coisas.
Ah, sem falar que "Brasil ganhou, parabéns, Dunga !", "Brasil perdeu, Dunga, seu bosta !"... (E técnico que tira com desprezo a medalha de prata do pescoço não sabe o que é esporte. Esse é um grande adepto de um dos milhões de aspectos da segregação. Ou seja, um grande #@$$$$$$$$$&$$$$$$$$$%)
Bom, fazer de uma coisa tão bonita essa indústria, essa segregação, essa competição... não é comigo. Apesar disso tudo, a Copa do Mundo é um evento de se tirar o chapéu.
Aqui vão alguns fenômenos que atingem a todos, acredito. Inclusive a mim:
Efeito da massa:
Brasil versus Qualquer-Que-Seja. Todos a postos. Mesas, cadeiras, petiscos, telão, projetor (um mero detalhe), aquela mulher sem noção sentada no colo do namorado, fechando a visão de um número considerável de pessoas, perucas, coros iniciados com sílabas repetidas e finalizados com "-eta", "-u", "-uta" e "-au", prestigiando o adversário da seleção Brasileira, garrafas de cerveja em mãos verdes e amarelas, "Kakás" verdes em fundos amarelos por toda parte.
Começa o jogo ! O Brasil inicia a troca de passe, e... ahh... falta do adversário. Nossa, o povo ficou meio furioso aqui. Não gosto quando o jogo para, mas tudo bem. Eles têm a posse (têm a posse !?) de bola, troca de passes, e... hmm... falta do Brasil. Bom, foi equivalente à primeira falta do jogo. Calma gente, não precisa xingar o time adversário inteiro, nem mandar lembrança pra mãe do juiz; afinal, foi justo. (...)
Vai, vai, vai... corre, hmmmmmm, quaaase. Boa, boa. Só acho que podia passar mais a bola. (...) Essa falta do Brasil foi proposital, coitado do adver... Que cara é essa ? Eu... falei... alguma... (...) Nossa, acho que eles estão dando o troco no Brasil agora, mas acho que já compensaram os lados da balança faz tempo. (...) Acho que o juiz está meio distraído... porque aquilo não foi falta. (...) VAI, VAI, VAI, CORRE !!! AAAAAAAAAAAHHHHH, NÃO !!!! *murro na mesa* (...) AHHH, JUIZ FILHO-DA-PUTA !!!ADVERSÁRIO DE MERDA !!! NEM FOI FALTA ISSO AE !!! (...) O QUE !?!?!?! AH, NEM ENCOSTOU NO CARA !!! NÃO FOI FALTA DO BRASIL !!! O ADVERSÁRIO TÁ PENSANDO O QUE !? QUE É LUTA LIVRE !?!? AH, VAI SE FERRAR !!! *certos dedos ganham o céu* (...) O JULIO CÉSAR SAIU ERRADO !!! DUNGA, SEU BOSTA !!! (!?)
Uma perda gradual de argumentos justificáveis. Isso não só existe, como funciona.
Vuvuzelas:
Na descrição do ambiente acima estava faltando algo. Ainda mais nessa Copa, onde muitos, daqui a algumas décadas, terão como lembrança em som de vuvuzelas.
Vu-vu-ze-la. Esse nome é engraçado, assim como "Pluto", "pinguço", "bigurrilho" (ainda mais falando com érrrre de sulista) ou "Tiririca" (falando com t de sulista também). São palavras engraçadas pra mim. Vuvuzelas então deveriam, pra mim, ser algo engraçado. E são. Crianças são adoráveis. Persistência é uma virtude admirável. Agora... NÃO DEIXE UMA CRIANÇA SER PERSISTENTE COM UMA VUVUZELA EM MÃOS !!! E se uma já é ruim, IMAGINE UM ESTADIO DE FUTEBOL CHEIO !!! E não venha me falar que vuvuzelas não te irritam, porque o meu cérebro é biologicamente semelhante ao seu, o que garante que as mesmas frequências de som que me irritam, te irritem também, mesmo que você esteja de bom humor. QUE HUMOR RESISTE A PELO MENOS 3 HORAS DAQUILO !? E porque tanta gente aguenta mais de duas horas de tanta vuvuzela ? PORQUE ELES TODOS FICARAM SURDOS GRADUALMENTE E FICARÃO ASSIM ATÉ HORAS DEPOIS DO JOGO !
Uma vuvuzela incomoda muita gente,
Duas vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MA-AIS !!!
Duas vuvuzelas incomodam muita gente,
Três vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MAA-AAIS !!!!
Três vuvuzelas incomodam muita gente,
Quatro vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MAAAA-AAAAIS !!!!!
Quatro vuvuzelas incomodam muita gente,
80000 DE VUVUZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM,INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, (...)
Talvez as vuvuzelas interfiram de algum modo no efeito da massa. Talvez, não. Certamente. ¬¬
TODOS COM BERRANTE EM 2014 !!! =P
- AEEEEEEE !!!!!! GOL !!!! GOOOL !!!!! GOOOOOOL !!!!! (Pulando freneticamente, corpo descendo, carteira saindo do bolso e ficando, enfiando a mão na lâmpada, perdendo a Bic do bolso da camisa.)
- Felipe...
- UHUUUUULLLL !!!!!! AEEE !!!! HAHAHA... Oi... ? (Só ofegante agora)
- É... Era replay. E longe de ser o primeiro replay. ¬¬
- Ah...
(...)
- ISSOOOOOO !!!!! BOA !!!!! BEEEEEM TIMEEEE !!!!!
- F... Fe.... Felipeee.....
- Oi ??
- É o treino da seleção. ¬¬
(...)
- OOOOOW !!!!!! A BOLA FOI NO CARA E ELE NEM FEZ NADA !?!? QUE CABAÇO !!!
- Felipe...
- Ah, assitir a um jogo assim não dá !!
- Era o juiz, foi sem querer. ¬¬
(...)
- AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE !!!!!!!!!!!!!!! GOOOOOOOOOOOOOOL !!!!!!!!!
- FELIPE !!!!!!
- Que... q...
- FOI GOL CONTRA !!!! ¬¬
(...)
Nunca fui de assistir a jogos de futebol. Nunca mesmo. Nada de família reunida em frente à televisão num domingo pra ver o jogo. Nada de assistir àqueles programas de discussão sobre futebol. Nada de ir ao estádio. O máximo que eu fazia era jogar video-games de futebol. Nada disso impede que eu goste de futebol. Muito pelo contrário, eu gosto. Só não gosto do que fazem dele. E mesmo que isso ocorra com qualquer evento relacionado a futebol, a Copa do Mundo, apesar de todo seu esplendor, mostra bem isso.
É só a pessoa estar vestida com a camiseta da Argentina, que já é lembrada da mãe. É só um adversário fazer merda, que logo a nação dele é posta na mesma merda. No jogo de Brasil contra Costa do Marfim, depois de uma falta sobre o Brasil o comentarista diz: "Ah, é o jeito deleS de jogar." DeleS quem ? Eu só vi um cara cometendo a falta. E se os outros começaram a jogar assim depois, o motivo é outro. Aliás, fazer do jogo uma luta é... (...)
E uma coisa que me deixa muito incomodado, é ver jogador cavando falta. E todos fazem isso. Cavar falta é sinônimo de incapacidade de lidar com a jogada. É não saber jogar, é querer se aproveitar das regras pra ganhar oportunidades. Se o seu lance saiu do seu controle, meu querido jogador, assuma e deixe a bola rolar ! O pior de tudo mesmo é o efeito "segregação". Mas acho que isso tem a ver com a necessidade natural de pertencer a um grupo, e tal. O que não justifica várias coisas.
Ah, sem falar que "Brasil ganhou, parabéns, Dunga !", "Brasil perdeu, Dunga, seu bosta !"... (E técnico que tira com desprezo a medalha de prata do pescoço não sabe o que é esporte. Esse é um grande adepto de um dos milhões de aspectos da segregação. Ou seja, um grande #@$$$$$$$$$&$$$$$$$$$%)
Bom, fazer de uma coisa tão bonita essa indústria, essa segregação, essa competição... não é comigo. Apesar disso tudo, a Copa do Mundo é um evento de se tirar o chapéu.
Aqui vão alguns fenômenos que atingem a todos, acredito. Inclusive a mim:
Efeito da massa:
Brasil versus Qualquer-Que-Seja. Todos a postos. Mesas, cadeiras, petiscos, telão, projetor (um mero detalhe), aquela mulher sem noção sentada no colo do namorado, fechando a visão de um número considerável de pessoas, perucas, coros iniciados com sílabas repetidas e finalizados com "-eta", "-u", "-uta" e "-au", prestigiando o adversário da seleção Brasileira, garrafas de cerveja em mãos verdes e amarelas, "Kakás" verdes em fundos amarelos por toda parte.
Começa o jogo ! O Brasil inicia a troca de passe, e... ahh... falta do adversário. Nossa, o povo ficou meio furioso aqui. Não gosto quando o jogo para, mas tudo bem. Eles têm a posse (têm a posse !?) de bola, troca de passes, e... hmm... falta do Brasil. Bom, foi equivalente à primeira falta do jogo. Calma gente, não precisa xingar o time adversário inteiro, nem mandar lembrança pra mãe do juiz; afinal, foi justo. (...)
Vai, vai, vai... corre, hmmmmmm, quaaase. Boa, boa. Só acho que podia passar mais a bola. (...) Essa falta do Brasil foi proposital, coitado do adver... Que cara é essa ? Eu... falei... alguma... (...) Nossa, acho que eles estão dando o troco no Brasil agora, mas acho que já compensaram os lados da balança faz tempo. (...) Acho que o juiz está meio distraído... porque aquilo não foi falta. (...) VAI, VAI, VAI, CORRE !!! AAAAAAAAAAAHHHHH, NÃO !!!! *murro na mesa* (...) AHHH, JUIZ FILHO-DA-PUTA !!!ADVERSÁRIO DE MERDA !!! NEM FOI FALTA ISSO AE !!! (...) O QUE !?!?!?! AH, NEM ENCOSTOU NO CARA !!! NÃO FOI FALTA DO BRASIL !!! O ADVERSÁRIO TÁ PENSANDO O QUE !? QUE É LUTA LIVRE !?!? AH, VAI SE FERRAR !!! *certos dedos ganham o céu* (...) O JULIO CÉSAR SAIU ERRADO !!! DUNGA, SEU BOSTA !!! (!?)
Uma perda gradual de argumentos justificáveis. Isso não só existe, como funciona.
Vuvuzelas:
Na descrição do ambiente acima estava faltando algo. Ainda mais nessa Copa, onde muitos, daqui a algumas décadas, terão como lembrança em som de vuvuzelas.
Vu-vu-ze-la. Esse nome é engraçado, assim como "Pluto", "pinguço", "bigurrilho" (ainda mais falando com érrrre de sulista) ou "Tiririca" (falando com t de sulista também). São palavras engraçadas pra mim. Vuvuzelas então deveriam, pra mim, ser algo engraçado. E são. Crianças são adoráveis. Persistência é uma virtude admirável. Agora... NÃO DEIXE UMA CRIANÇA SER PERSISTENTE COM UMA VUVUZELA EM MÃOS !!! E se uma já é ruim, IMAGINE UM ESTADIO DE FUTEBOL CHEIO !!! E não venha me falar que vuvuzelas não te irritam, porque o meu cérebro é biologicamente semelhante ao seu, o que garante que as mesmas frequências de som que me irritam, te irritem também, mesmo que você esteja de bom humor. QUE HUMOR RESISTE A PELO MENOS 3 HORAS DAQUILO !? E porque tanta gente aguenta mais de duas horas de tanta vuvuzela ? PORQUE ELES TODOS FICARAM SURDOS GRADUALMENTE E FICARÃO ASSIM ATÉ HORAS DEPOIS DO JOGO !
Uma vuvuzela incomoda muita gente,
Duas vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MA-AIS !!!
Duas vuvuzelas incomodam muita gente,
Três vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MAA-AAIS !!!!
Três vuvuzelas incomodam muita gente,
Quatro vuvuZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM MUITO MAAAA-AAAAIS !!!!!
Quatro vuvuzelas incomodam muita gente,
80000 DE VUVUZELAS INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM,INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, INCOMODAM, (...)
Talvez as vuvuzelas interfiram de algum modo no efeito da massa. Talvez, não. Certamente. ¬¬
TODOS COM BERRANTE EM 2014 !!! =P
- AEEEEEEE !!!!!! GOL !!!! GOOOL !!!!! GOOOOOOL !!!!! (Pulando freneticamente, corpo descendo, carteira saindo do bolso e ficando, enfiando a mão na lâmpada, perdendo a Bic do bolso da camisa.)
- Felipe...
- UHUUUUULLLL !!!!!! AEEE !!!! HAHAHA... Oi... ? (Só ofegante agora)
- É... Era replay. E longe de ser o primeiro replay. ¬¬
- Ah...
(...)
- ISSOOOOOO !!!!! BOA !!!!! BEEEEEM TIMEEEE !!!!!
- F... Fe.... Felipeee.....
- Oi ??
- É o treino da seleção. ¬¬
(...)
- OOOOOW !!!!!! A BOLA FOI NO CARA E ELE NEM FEZ NADA !?!? QUE CABAÇO !!!
- Felipe...
- Ah, assitir a um jogo assim não dá !!
- Era o juiz, foi sem querer. ¬¬
(...)
- AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE !!!!!!!!!!!!!!! GOOOOOOOOOOOOOOL !!!!!!!!!
- FELIPE !!!!!!
- Que... q...
- FOI GOL CONTRA !!!! ¬¬
(...)
quarta-feira, 7 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Ser humano
A Cabana. Um livro muito bonito. Independentemente do caráter religioso - o que, na verdade, não me importa - há muitas coisas interessantes ali. Universais, ideais. E, por serem ideais, difíceis de serem cumpridas. Posso até tentar. Difíceis... muito difíceis. Seria tão bom se...
Ah, não ! Impossível ! Como assim ?! OLHA BEM AO REDOR !! OLHA !! EU QUERO É QUEIMAR !!! FOLHA POR FOLHA !!!
Ah, não ! Impossível ! Como assim ?! OLHA BEM AO REDOR !! OLHA !! EU QUERO É QUEIMAR !!! FOLHA POR FOLHA !!!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Quase metalinguagem
- ...então, turma, a partir de Memórias Póstumas, pode-se notar uma mudança nas características tradicionais da fase pré-realista. O enredo fica agora em segundo plano, a história é composta de pequenos acontecimentos, de forma que não é mais possível fazer um romance de fatos, como anteriormente; o que mais conta agora são as reflexões do personagem, que mostram seu caráter, no caso, mão-de-vaca, com ares de grandeza, despreza os pobres, é preconceituoso, etc. O romance agora é de análise psicológica. Machado, através de Brás Cubas, mostra uma visão de mundo cheia de pessimismo e ceticismo.
E então o professor escreve "Pessimismo" e "Ceticismo" na lousa.
- É importante ressaltar também o quanto a sociedade é apresentada como completamente hipócrita a todo momento. É como se um amigo seu, numa sexta-feira à noite, te ligasse e te chamasse pra ir na festa de aniversário da filha dele, de 6 anos, sendo que você odeia festa de criança. Você não vai recusar porque odeia esse tipo de coisa e ainda reclamar que a pessoa ligou numa sexta-feira à noite só pra fazer um "convitezinho" desses, certo ? Muito pelo contrário, mesmo recusando, você vai agradecer pelo convite, e dizer que gostaria muito de ir, mas que não poderá comparecer. É a hipocrisia. O autor, mesmo depois de morto, tenta amenizar a verdadeira situação de seu enterro, dando desculpas para o leitor. O narrador mente, portanto, não é confiável. E...
- Professor... ?
- Pode falar.
- O que seria ceticismo ?
- Ah, desculpe, eu deveria ter explicado.
(...)
Viva Machado !
E então o professor escreve "Pessimismo" e "Ceticismo" na lousa.
- É importante ressaltar também o quanto a sociedade é apresentada como completamente hipócrita a todo momento. É como se um amigo seu, numa sexta-feira à noite, te ligasse e te chamasse pra ir na festa de aniversário da filha dele, de 6 anos, sendo que você odeia festa de criança. Você não vai recusar porque odeia esse tipo de coisa e ainda reclamar que a pessoa ligou numa sexta-feira à noite só pra fazer um "convitezinho" desses, certo ? Muito pelo contrário, mesmo recusando, você vai agradecer pelo convite, e dizer que gostaria muito de ir, mas que não poderá comparecer. É a hipocrisia. O autor, mesmo depois de morto, tenta amenizar a verdadeira situação de seu enterro, dando desculpas para o leitor. O narrador mente, portanto, não é confiável. E...
- Professor... ?
- Pode falar.
- O que seria ceticismo ?
- Ah, desculpe, eu deveria ter explicado.
(...)
Viva Machado !
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Pois não ?
Por toda a minha vida convivi com certas coisas sem perceber que não fazem sentido nenhum. (Pra entender essa última frase - que na verdade é a primeira - talvez seja necessário apelar pra regra de sinais: menos com menos é mais; se bem que aí uma das possibilidades seria algo como "sem perceber que fazem todo o sentido" e não fazem todo o sentido. Muito pelo contrário. Tá entendendo ? Não... ?)
Estou me referindo a algumas frases do nosso dia-a-dia. Frases tão enraizadas que se tornam normais. Mesmo que de normal não tenham nada:
Você chega ao médico, pra uma consulta, e recebe a pergunta: "Está tudo bem ?"
Quando aquele ser humano chegou à conclusão de que essa pergunta faria algum sentido numa situação daquelas !? "Não, doutor ! Se estivesse tudo bem, eu não estaria aqui !" ou "Melhor agora, que vou fazer exame retal ! Que maravilha !" ¬¬ (Tá. Exagerei.Ele está sendo educado; a pergunta não tem esse sentido. Exame retal não é tão ruim) =P Ah, e nunca faça essa pergunta a algum familiar do defunto no velório. E não decida paquerar ninguém num velório com a famosa "Vem sempre aqui ?"... Não funciona, garanto... Só se a pessoa trabalhar lá... õô
E quando você atende o telefone e perguntam "Quem gostaria ?" ?
Olha, não sei se todo mundo gosta de ligar pro banco, por exemplo. Ou pra Receita Federal, ou pra algum serviço de atendimento ao consumidor. Eu não gosto. Se gostasse, certamente ligaria com mais frequência, e ficaria, quem sabe, horas ao telefone. Mas por vontade própria, e não ouvindo uma musiquinha de elevador. (Não que música de elevador seja ruim, porque sei que toca jazz em certos elevadores, mas... ah... deu pra entender.)
Você chega ao balcão da padaria e pergunta: "Me vê um sonho ?"
Sabe, se eu fosse a pessoa atrás do balcão, ficaria olhando pra pessoa... olhando, olhando... até que ela me perguntasse "O que foi ?" e eu respoderia, ainda mais se fosse uma mulher "A senhora é muito bonita, mas não posso fazer de você um sonho." E se ela fosse sempre lá, aí... ¬¬
Toda vez que eu chego em casaa barata da vizinha tá na minha cama, e minha mãe chega depois, me pergunta: "Faz tempo que você chegou agora ?"
Veja bem... É... Oi ? Se eu cheguei agora, não faz tempo que cheguei. (Tá, essa dá pra entender. Mas tem que mexer na ordem das palavras.)
O(a) vendedor(a) chega pra mim e pergunta: "Como posso ajudar ?"
O pior de tudo não é a pergunta em si, mas o momento em que é feita: quando queremos paz. Quando entro numa loja, normalmente quero dar a famosa "olhadinha", refletir (sim, pode ser pra comprar um espelho também) e comparar preços. E, mesmo que já saiba o que comprar, a pergunta deve partir de mim ! É, retiro o que disse. A pergunta em si já é o pior de tudo. Não sei se o problema é comigo, mas já estou tão saturado dessa pergunta, que chega a me irritar.
No caixa do supermercado: "Mais alguma coisa ?"
Hahahahahaha... (chama-se "riso nervoso". Conhece algum caso de pessoas que riem compulsoriamente no velório de uma pessoa amada ? Pois então... Ah, não que sejam situações equivalentes, mas eu riria de nervoso.) Mais alguma coisa ? Ah, agora eu sou obrigado a pensar. (...)
Atendendo ao telefone, novamente: "Pronto ?"
Eu poderia até perguntar "Pronto pra que !?", mas o problema é que se trata de uma interrogativa. Interrogativa ! É claro que a pessoa que te ligou está pronta pra conversar com você ! Quem deveria responder e essa pergunta é você, que atendeu ! Vai que você estava lavando o banheiro ou saindo do banho, ou em qualquer situação que te impossibilitaria de mexer somente as mãos...
"O prazer é todo meu !"
Ah, para de ser egoísta !! Eu fico como então ? Em depressão !? Vai com calma... Olha o ego aí...
"A coisa ficou feia... ele saiu do sério."
Ôh... Como é que é ? Que maldade... ele começou a rir !? (Deveria ser justamente o contrário do que dizem ser.)
Amigos. Apaga-se a luz. Todos tornam-se silhuetas, iluminados agora somente por uma vela, centro da atenção de todos. Então começa o coro nostálgico e sinestésico: "Parabéns pra você / nessa data querida / muitas felicidades / muitos anos de vida !"
De repente, uma única voz corta o rápido silêncio: "E PRA ELE(A): NADAAAAAAA !!!"
OOOOOOOOW !!!!!!!!!!!! QUE PORRA É ESSA !?!? QUEM É ESSA PESSOA !?!? ALGUÉM ACENDE A LUZ RÁPIDO ANTES QUE ELA FUJA OU VOLTE A SE DISFARÇAR !!! EXPULSA DA FESTA !!! QUEM CONVIDOU !? Como se não bastasse não desejar nada pro aniversariante, ainda quer que o coitado perca tudo !
Estou me referindo a algumas frases do nosso dia-a-dia. Frases tão enraizadas que se tornam normais. Mesmo que de normal não tenham nada:
Você chega ao médico, pra uma consulta, e recebe a pergunta: "Está tudo bem ?"
Quando aquele ser humano chegou à conclusão de que essa pergunta faria algum sentido numa situação daquelas !? "Não, doutor ! Se estivesse tudo bem, eu não estaria aqui !" ou "Melhor agora, que vou fazer exame retal ! Que maravilha !" ¬¬ (Tá. Exagerei.
E quando você atende o telefone e perguntam "Quem gostaria ?" ?
Olha, não sei se todo mundo gosta de ligar pro banco, por exemplo. Ou pra Receita Federal, ou pra algum serviço de atendimento ao consumidor. Eu não gosto. Se gostasse, certamente ligaria com mais frequência, e ficaria, quem sabe, horas ao telefone. Mas por vontade própria, e não ouvindo uma musiquinha de elevador. (Não que música de elevador seja ruim, porque sei que toca jazz em certos elevadores, mas... ah... deu pra entender.)
Você chega ao balcão da padaria e pergunta: "Me vê um sonho ?"
Sabe, se eu fosse a pessoa atrás do balcão, ficaria olhando pra pessoa... olhando, olhando... até que ela me perguntasse "O que foi ?" e eu respoderia, ainda mais se fosse uma mulher "A senhora é muito bonita, mas não posso fazer de você um sonho." E se ela fosse sempre lá, aí... ¬¬
Toda vez que eu chego em casa
Veja bem... É... Oi ? Se eu cheguei agora, não faz tempo que cheguei. (Tá, essa dá pra entender. Mas tem que mexer na ordem das palavras.)
O(a) vendedor(a) chega pra mim e pergunta: "Como posso ajudar ?"
O pior de tudo não é a pergunta em si, mas o momento em que é feita: quando queremos paz. Quando entro numa loja, normalmente quero dar a famosa "olhadinha", refletir (sim, pode ser pra comprar um espelho também) e comparar preços. E, mesmo que já saiba o que comprar, a pergunta deve partir de mim ! É, retiro o que disse. A pergunta em si já é o pior de tudo. Não sei se o problema é comigo, mas já estou tão saturado dessa pergunta, que chega a me irritar.
No caixa do supermercado: "Mais alguma coisa ?"
Hahahahahaha... (chama-se "riso nervoso". Conhece algum caso de pessoas que riem compulsoriamente no velório de uma pessoa amada ? Pois então... Ah, não que sejam situações equivalentes, mas eu riria de nervoso.) Mais alguma coisa ? Ah, agora eu sou obrigado a pensar. (...)
Atendendo ao telefone, novamente: "Pronto ?"
Eu poderia até perguntar "Pronto pra que !?", mas o problema é que se trata de uma interrogativa. Interrogativa ! É claro que a pessoa que te ligou está pronta pra conversar com você ! Quem deveria responder e essa pergunta é você, que atendeu ! Vai que você estava lavando o banheiro ou saindo do banho, ou em qualquer situação que te impossibilitaria de mexer somente as mãos...
"O prazer é todo meu !"
Ah, para de ser egoísta !! Eu fico como então ? Em depressão !? Vai com calma... Olha o ego aí...
"A coisa ficou feia... ele saiu do sério."
Ôh... Como é que é ? Que maldade... ele começou a rir !? (Deveria ser justamente o contrário do que dizem ser.)
Amigos. Apaga-se a luz. Todos tornam-se silhuetas, iluminados agora somente por uma vela, centro da atenção de todos. Então começa o coro nostálgico e sinestésico: "Parabéns pra você / nessa data querida / muitas felicidades / muitos anos de vida !"
De repente, uma única voz corta o rápido silêncio: "E PRA ELE(A): NADAAAAAAA !!!"
OOOOOOOOW !!!!!!!!!!!! QUE PORRA É ESSA !?!? QUEM É ESSA PESSOA !?!? ALGUÉM ACENDE A LUZ RÁPIDO ANTES QUE ELA FUJA OU VOLTE A SE DISFARÇAR !!! EXPULSA DA FESTA !!! QUEM CONVIDOU !? Como se não bastasse não desejar nada pro aniversariante, ainda quer que o coitado perca tudo !
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Nossa...
Ótimo. Posso aproveitar duas das aulas de hoje, já que esqueci de fazer a redação em casa e o prazo termina hoje. Não vou perder muita coisa, e não, não vou sair da sala. Vou tentar redigir lá mesmo. Tudo bem, já pensei o suficiente no tema... e tive uma ideia. Mas acho que isso vai me custar uma fuga do tema. Ou... não ? Complicado... Uma sinuca bem específica. Bom, agora é a hora dos testes, certo ? Vou ver no que dá. (...) Não saiu muito bem como eu queria, mas nunca sai, então vou deixar assim mesmo.
Deixar o texto no limiar da fuga de texto ? Tá, tá. É isso mesmo.
Ela está lendo... Parece bem compenetrada, fez cara de quem está acompanhando normalmente, agora... opa... fechou mais a cara, talvez por maior concentração, talvez por alguma complicação do texto, talvez por não estar entendendo nada... Ela está com a mão cobrindo a boca, e isso dificulta as coisas pra mim. Virou a folha, e não mudou a cara. Espero que seja só compenetração. Acabou !!!
- Nossa... - ela disse, se inclinando um pouco pra trás, baixando pouco a cabeça, arregalando um pouco os olhos, e sorrindo um sorriso indecifrável.
-"Nossa, ficou muito bom !!, "Nossa, você viajou demais...", "Nossa, não entendi nada..." ou "Nossa, tá pior que o King Size !!!" !? Que "nossa" foi esse !? Que cara foi essa !? Você conseguiu não querer dizer nada com essa expressão facial aparentemente significativa !!! A minha dúvida é se eu fugi do tema.
- Então... é realmente complicado de definir. Eu não arriscaria fazer isso na prova. Veja bem, o vestibular é o arroz com feijão.
-Eu fiz o que então ? Uma nojo foods ? McDonalds, churrasco grego ? Entendo.
- Foi meio arrsicado mesmo.
-Você está querendo dizer que viajei demais ? Tipo O Fantástico Mundo de Bob ? Sim, fiz de propósito.
(...)
A conversa perdurou e chegou ao fim sem eu saber se era fuga de tema, e que tipo de "nossa" era aquele.
Vida de vestibulando é algo realmente emocionante. ¬¬
Deixar o texto no limiar da fuga de texto ? Tá, tá. É isso mesmo.
Ela está lendo... Parece bem compenetrada, fez cara de quem está acompanhando normalmente, agora... opa... fechou mais a cara, talvez por maior concentração, talvez por alguma complicação do texto, talvez por não estar entendendo nada... Ela está com a mão cobrindo a boca, e isso dificulta as coisas pra mim. Virou a folha, e não mudou a cara. Espero que seja só compenetração. Acabou !!!
- Nossa... - ela disse, se inclinando um pouco pra trás, baixando pouco a cabeça, arregalando um pouco os olhos, e sorrindo um sorriso indecifrável.
-
- Então... é realmente complicado de definir. Eu não arriscaria fazer isso na prova. Veja bem, o vestibular é o arroz com feijão.
-
- Foi meio arrsicado mesmo.
-
(...)
A conversa perdurou e chegou ao fim sem eu saber se era fuga de tema, e que tipo de "nossa" era aquele.
Vida de vestibulando é algo realmente emocionante. ¬¬
domingo, 20 de junho de 2010
No dia seguinte alguém morreu
Se ele era muito isso, muito aquilo, eu não sei. Na verdade, pouco sei. Muito pouco. E "muito pouco" ainda considero hipocrisia. Só sei que ouvia dos outros a respeito dele. E acho que não seria bom pra mim fazer da morte um motivo de idolatria. Seria nada mais que idealização. E a pior de todas, que só aumenta sem motivo.
Então, justamente por não conhecê-lo fiz questão de tentar tirar proveito de coisas tão pequenas. Sem idealização ou imitação. Apenas o imaginando como alguém de tantas frases, tentando entendê-las enquanto as diz, como eu e qualquer um fazemos tantas vezes. Frases por frases não levam a nada. Faço delas algo sobre o que pensar. Posso até concordar ou negar, desde que critique. Que a idolatria nasça longe da morte.
"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever."
"No fundo, o problema não é um Deus que não existe, mas a religião que o proclama. Denuncio as religiões, todas as religiões, por nocivas à Humanidade. São palavras duras, mas há que dizê-las."
"Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos ?"
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."
"Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória."
"Todos somos escritores. Só que alguns escrevem, outros não."
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter; ter deve ser a pior maneira de gostar."
"Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala, Será, mas este homem está morto e é preciso enterrá-lo."
(Trecho de Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago)
Então, justamente por não conhecê-lo fiz questão de tentar tirar proveito de coisas tão pequenas. Sem idealização ou imitação. Apenas o imaginando como alguém de tantas frases, tentando entendê-las enquanto as diz, como eu e qualquer um fazemos tantas vezes. Frases por frases não levam a nada. Faço delas algo sobre o que pensar. Posso até concordar ou negar, desde que critique. Que a idolatria nasça longe da morte.
"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever."
"No fundo, o problema não é um Deus que não existe, mas a religião que o proclama. Denuncio as religiões, todas as religiões, por nocivas à Humanidade. São palavras duras, mas há que dizê-las."
"Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos ?"
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."
"Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória."
"Todos somos escritores. Só que alguns escrevem, outros não."
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter; ter deve ser a pior maneira de gostar."
"Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala, Será, mas este homem está morto e é preciso enterrá-lo."
(Trecho de Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Sinto muito
Foi num almoço entre amigos. Só mais um almoço. Não, pra mim não foi só mais um almoço. E espero que para os outros ali presentes também não tenha sido. Ouvi coisas que carimbaram minha memória e encharcaram minha mente; e essa tinta ainda não secou, porque o tempo ainda não foi suficiente. Ainda escorre.
Uma amiga começou a falar. Sobre morte. Eu sabia seu histórico, mesmo que superficialmente: havia perdido a mãe quando pequena. Falava não só a respeito de morte, mas da morte da própria mãe. De um jeito completamente diferente de tudo o que eu já tinha visto bem diante de mim; com uma naturalidade de quem sabe lidar. E enquanto a ouvia, fui tentando perceber em que lugar ela estava, se eu ou alguém naquela mesa já estivemos lá também. Talvez tenha sido daí que veio o valor que dei ao que estava ouvindo: eu nunca nem imaginei pisar lá. Ela era pouco mais velha que eu e, ali, só me restava ouvir e, se não fosse pra aprender nada, apenas ouvir. Falar - como quase sempre - não adiantaria de nada.
Não vou usar exatamente as palavras dela mas, resumidamente, dizia que se você não sente nada pela morte de alguém, faça o favor de não dizer "sinto muito". Não diga nada, que é melhor.
Não sou ninguém pra colocar em pauta essa frase. Aliás, nunca serei. Não me veio na memória se já havia dito e, se havia, quantos "sinto muito" foram. Mas me senti pequeno naquele momento. E mumificado. Mumificado, mais uma vez, pela famosa educação. Me sentindo mais um dentre muitos que se acham poucos. Cheguei à conclusão de que não me lembrava se disse alguma vez. Talvez porque só tenham dito pra mim. E mesmo assim, pelo mesmo motivo, não me lembro. Não se fala isso.
Há poucos dias, passei por uma experiência que deixou mais uma marca em minha memória. Marca do mesmo carimbo. E percebi que há muito o que secar da tinta em minha mente:
O que é isso !? São gritos !!! No vizinho... Deve ser barraco. Bem agora que preciso de concentração... Lá vão meus pais. Que necessidade é essa ? Entendo. Não há nada tão emocionante na televisão. Entendo... Discordo. Deixem os vizinhos em paz.
(...)
Agora tem algo realmente muito errado. Ouço o dono dos gritos, mas não como antes. Seu grito não tem apenas volume e imponência, mas agora dor, ódio, impotência, cegueira. Ele xingava com as mesmas palavras de antes, mas cada uma ganhou significado diferente diante de tudo o que palavras não podem transmitir. Fui ver, além de ouvir. E tentar ver além de ouvir. O motivo ? Não sei dizer. Talvez o mesmo de meus pais, talvez o mesmo de qualquer um.
Nossa... É nessa hora que aqui e agora as palavras me são inúteis. Não sei usá-las e nunca vi alguém que soubesse a ponto de fazê-las fieis ao que vi naquele momento. Aquele homem estava fora de si. Numa tentativa frustrante de desvincular-se de si, correr de si, afastar-se de si e, ao ver-se, ao sentir-se, só lhe restava cuspir tudo sobre os outros, sem a menor perspectiva, sem a menor noção de consequência, sem. Desmumificou-se. Tudo passou de estopim para explosão, não havia ponto de vista porque não havia vista. Aquele homem era puro animal. Tão pequeno... Tentava, em vão, jogar os outros de alimento ao que o consumia. Todos o viam, mas ninguém estava no mesmo lugar que ele. Eu, mais uma vez, percebi que nunca pisei lá. E, a todo momento, pensava na probabilidade de, algum dia, eu estar ali em frente a ele, tentando fazer o que muitos fingem que ensinam e muitos outros fingem que aprendem.
Hoje alguém apareceu no portão daqui de casa. Era uma mulher. Esposa do homem. Com uma jarra de metal na mão. Disse que veio devolver o que minha mãe usou para levar chá. A mãe dele havia realmente falecido. Ele reclamava porque o resgate demorou muito. Pediu para que agradecesse a meus pais. Pensei muito pra falar: Vamos, você não tem educação ? Quem é você pra falar ? O que ela vai pensar de você ? Você nunca esteve naquele lugar pra sentir.
- Sinto muito, sinto muito.
- Obrigada.
Um mais vazio que o outro. Um mais educado que o outro.
Uma amiga começou a falar. Sobre morte. Eu sabia seu histórico, mesmo que superficialmente: havia perdido a mãe quando pequena. Falava não só a respeito de morte, mas da morte da própria mãe. De um jeito completamente diferente de tudo o que eu já tinha visto bem diante de mim; com uma naturalidade de quem sabe lidar. E enquanto a ouvia, fui tentando perceber em que lugar ela estava, se eu ou alguém naquela mesa já estivemos lá também. Talvez tenha sido daí que veio o valor que dei ao que estava ouvindo: eu nunca nem imaginei pisar lá. Ela era pouco mais velha que eu e, ali, só me restava ouvir e, se não fosse pra aprender nada, apenas ouvir. Falar - como quase sempre - não adiantaria de nada.
Não vou usar exatamente as palavras dela mas, resumidamente, dizia que se você não sente nada pela morte de alguém, faça o favor de não dizer "sinto muito". Não diga nada, que é melhor.
Não sou ninguém pra colocar em pauta essa frase. Aliás, nunca serei. Não me veio na memória se já havia dito e, se havia, quantos "sinto muito" foram. Mas me senti pequeno naquele momento. E mumificado. Mumificado, mais uma vez, pela famosa educação. Me sentindo mais um dentre muitos que se acham poucos. Cheguei à conclusão de que não me lembrava se disse alguma vez. Talvez porque só tenham dito pra mim. E mesmo assim, pelo mesmo motivo, não me lembro. Não se fala isso.
Há poucos dias, passei por uma experiência que deixou mais uma marca em minha memória. Marca do mesmo carimbo. E percebi que há muito o que secar da tinta em minha mente:
O que é isso !? São gritos !!! No vizinho... Deve ser barraco. Bem agora que preciso de concentração... Lá vão meus pais. Que necessidade é essa ? Entendo. Não há nada tão emocionante na televisão. Entendo... Discordo. Deixem os vizinhos em paz.
(...)
Agora tem algo realmente muito errado. Ouço o dono dos gritos, mas não como antes. Seu grito não tem apenas volume e imponência, mas agora dor, ódio, impotência, cegueira. Ele xingava com as mesmas palavras de antes, mas cada uma ganhou significado diferente diante de tudo o que palavras não podem transmitir. Fui ver, além de ouvir. E tentar ver além de ouvir. O motivo ? Não sei dizer. Talvez o mesmo de meus pais, talvez o mesmo de qualquer um.
Nossa... É nessa hora que aqui e agora as palavras me são inúteis. Não sei usá-las e nunca vi alguém que soubesse a ponto de fazê-las fieis ao que vi naquele momento. Aquele homem estava fora de si. Numa tentativa frustrante de desvincular-se de si, correr de si, afastar-se de si e, ao ver-se, ao sentir-se, só lhe restava cuspir tudo sobre os outros, sem a menor perspectiva, sem a menor noção de consequência, sem. Desmumificou-se. Tudo passou de estopim para explosão, não havia ponto de vista porque não havia vista. Aquele homem era puro animal. Tão pequeno... Tentava, em vão, jogar os outros de alimento ao que o consumia. Todos o viam, mas ninguém estava no mesmo lugar que ele. Eu, mais uma vez, percebi que nunca pisei lá. E, a todo momento, pensava na probabilidade de, algum dia, eu estar ali em frente a ele, tentando fazer o que muitos fingem que ensinam e muitos outros fingem que aprendem.
Hoje alguém apareceu no portão daqui de casa. Era uma mulher. Esposa do homem. Com uma jarra de metal na mão. Disse que veio devolver o que minha mãe usou para levar chá. A mãe dele havia realmente falecido. Ele reclamava porque o resgate demorou muito. Pediu para que agradecesse a meus pais. Pensei muito pra falar: Vamos, você não tem educação ? Quem é você pra falar ? O que ela vai pensar de você ? Você nunca esteve naquele lugar pra sentir.
- Sinto muito, sinto muito.
- Obrigada.
Um mais vazio que o outro. Um mais educado que o outro.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Lição de Casa
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Rachel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Rachel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida !
(Sonetos - Luís Vaz de Camões)
Quatro ignorâncias podem concorrer em um amante, que diminuam muito a perfeição e merecimento de seu amor: Ou porque não se conhecesse a si; ou porque não conhecesse a quem amava; ou porque não conhecesse o amor; ou porque não conhecesse o fim onde há de parar, amando.
A segunda ignorância que tira o merecimento ao amor é não conhecer quem ama a quem ama. Quantas coisas há no mundo muito amadas, que, se as conhecera quem as ama, haviam de ser muito aborrecidas ! Graças logo ao engano e não ao amor. Serviu Jacó os primeiros sete anos a Labão, e ao cabo deles, em vez que lhe darem a Rachel, deram-lhe a Lia. Ah enganado pastor e mais enganado amante ! Se perguntarmos à imaginação de Jacó por quem servia, responderá que por Rachel. Mas se fizermos a mesma pergunta a Labão, que sabe o que é, e o que há de ser, dirá com toda a certeza que serve por Lia. E assim foi. Servis por quem servis, não servis por quem cuidais. Cuidais que vossos trabalhos e os vossos desvelos são por Rachel, a amada, e trabalhais e desvelais-vos por Lia, a aborrecida. Se Jacó soubera que servia por Lia, não servira sete anos nem sete dias. Serviu logo ao engano e não ao amor, porque serviu para quem não amava. Oh quantas vezes se representa esta história no teatro do coração humano, e não com diversas figuras, se não na mesma ! A mesma que na imaginação é Rachel, na realidade é Lia; e não é Labão o que engana a Jacó, senão Jacó o que se engana a si mesmo. Não assim o divino amante, Cristo. Não serviu por Lia debaixo da imaginação de Rachel, mas amava a Lia conhecida como Lia. Nem a ignorância lhe roubou o merecimento ao amor, nem o engano lhe trocou o objeto ao trabalho. Amou e padeceu por todos, e por cada um, não como era bem que eles fossem, senão assim como eram. Pelo inimigo, sabendo que era inimigo; pelo ingrato, sabendo que era ingrato; e pelo traidor, sabendo que era traidor.
Deste discurso se segue uma conclusão tão certa como ignorada: é que os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam; ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade; cuidais que amais perfeições angélicas, e amais imperfeições humanas. Logo, os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam; e o que se imagina, e não é, não há no Mundo. Não assim o amor de Cristo, sábio sem engano.
(Sermão do mandato - Padre Antônio Vieira)
Labão, pai de Rachel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Rachel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida !
(Sonetos - Luís Vaz de Camões)
Quatro ignorâncias podem concorrer em um amante, que diminuam muito a perfeição e merecimento de seu amor: Ou porque não se conhecesse a si; ou porque não conhecesse a quem amava; ou porque não conhecesse o amor; ou porque não conhecesse o fim onde há de parar, amando.
A segunda ignorância que tira o merecimento ao amor é não conhecer quem ama a quem ama. Quantas coisas há no mundo muito amadas, que, se as conhecera quem as ama, haviam de ser muito aborrecidas ! Graças logo ao engano e não ao amor. Serviu Jacó os primeiros sete anos a Labão, e ao cabo deles, em vez que lhe darem a Rachel, deram-lhe a Lia. Ah enganado pastor e mais enganado amante ! Se perguntarmos à imaginação de Jacó por quem servia, responderá que por Rachel. Mas se fizermos a mesma pergunta a Labão, que sabe o que é, e o que há de ser, dirá com toda a certeza que serve por Lia. E assim foi. Servis por quem servis, não servis por quem cuidais. Cuidais que vossos trabalhos e os vossos desvelos são por Rachel, a amada, e trabalhais e desvelais-vos por Lia, a aborrecida. Se Jacó soubera que servia por Lia, não servira sete anos nem sete dias. Serviu logo ao engano e não ao amor, porque serviu para quem não amava. Oh quantas vezes se representa esta história no teatro do coração humano, e não com diversas figuras, se não na mesma ! A mesma que na imaginação é Rachel, na realidade é Lia; e não é Labão o que engana a Jacó, senão Jacó o que se engana a si mesmo. Não assim o divino amante, Cristo. Não serviu por Lia debaixo da imaginação de Rachel, mas amava a Lia conhecida como Lia. Nem a ignorância lhe roubou o merecimento ao amor, nem o engano lhe trocou o objeto ao trabalho. Amou e padeceu por todos, e por cada um, não como era bem que eles fossem, senão assim como eram. Pelo inimigo, sabendo que era inimigo; pelo ingrato, sabendo que era ingrato; e pelo traidor, sabendo que era traidor.
Deste discurso se segue uma conclusão tão certa como ignorada: é que os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam; ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade; cuidais que amais perfeições angélicas, e amais imperfeições humanas. Logo, os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam; e o que se imagina, e não é, não há no Mundo. Não assim o amor de Cristo, sábio sem engano.
(Sermão do mandato - Padre Antônio Vieira)
domingo, 30 de maio de 2010
Jogo da Corrente
Eu tenho acompanhado alguns vlogs e está rolando entre eles o Jogo da Corrente. Trata-se de dizer cinco coisas das quais as pessoas provavelmente não sabem sobre o dono do vlog que acompanham. O vlogueiro então passa a vez para outros três vlogueiros, como uma indicação, e assim vai. O vlogueiro, antes de falar, cita por quem foi indicado a continuar a brincadeira. Hoje, assitindo a um vlog, soube quem foi o iniciador dessa corrente: LReporta (pelo menos no Brasil, já que ele mesmo diz que isso já foi feito antes na Inglaterra). Nessa hora me veio a ideia: "Por que não fazer isso entre os blogs ?" Duvido que eu seja o primeiro a ter essa ideia e pô-la em prática. Mas não estou nem aí caso eu seja ou não, mesmo porque, de qualquer forma, uma hora a corrente vai se fechar ou quebrar. Então aqui vai: Cinco coisas das quais você, leitor(a), provavelmente não sabe sobre mim:
1) Eu tenho "trauma" de Nescau Ball
Eu usei aspas porque não sei a definição rigorosa de "trauma" e não voltei a enfrentar a experiência.
Aqui vai a possível explicação: Quando eu era criança - devia ter uns 7 anos (é a minha idade da infância, onde tudo acontece) - estava na casa de um amigo comendo Nescau Ball. E fui comendo, comendo, comendo, comendo, comendo... E, não sei se pela quantidade ou pela rapidez ou por algum outro motivo, vomitei. Foi algo que marcou minha memória. Desde então não comi mais Nescau Ball. Mas acho que conseguiria em condições extremas tipo No Limite.
2) Quando eu era pequeno (olha como o passado realmente...), me vesti de sambista (a intenção de quem me vestiu era usar o termo 'pagodeiro', mas tudo bem), todo de branco, de chapéu branco e tal... vulgo 'malandro'... e dancei Sai da Minha Aba. Sim, é isso mesmo. Fica difícil de acreditar que eu esteja falando isso, ainda mais pra quem conhece meu gosto musical. Mas eu era uma criança ingênua que TINHA QUE FAZER AQUILO SABE-SE LÁ PRA QUÊ, PRA AGRADAR OS PAIS OU ALGO DO TIPO (tô brincando, não era nada ditatorial assim, mas mesmo assim eu não sabia o que estava fazendo). Nada contra o Só Pra Contrariar, só não combina comigo. Engraçado que essa apresentação (clássico show das criancinhas da escola para os pais) não ficou tão marcado na minha cabeça a ponto de eu lembrar de todos os detalhes, mas lembro do geral, e isso já basta.
3) Sabe aquelas bolinhas que pingam pra caramba, que vendem naquelas máquinas a 50 centavos ? Então... Eu coleciono. Se você junta ou conhece alguém que junta moedas de um real, é quase a mesma coisa que eu fazia, mas com moedas de 50 centavos. Tenho algumas centenas delas guardadas numa caixa. Aliás, se existe algo próximo do estardalhaço que fazem em torno do Fim do Mundo em 2012, é imaginar a base daquela caixa rompendo...
4) Eu poderia me tornar nadador profissional. Comecei a nadar com sete anos. Primeiro na piscina pequena, depois de pouco tempo, fui pra grande (semi-olímpica) e aprendi todas as modalidades. Cheguei a ganhar campeonatos. E, se continuasse, talvez seguisse carreira. Mas decidi levar apenas como hobby e, por alguns motivos, acabei parando. Foi tudo muito cedo, por isso não garantia carreira, mas não garantia a incapacidade de seguir uma. Pretendo voltar, com certeza (como hobby). Amo nadar.
5) Eu tinha, veja bem, tinha medo do escuro. Não sei se isso é muito comum, mas passei alguns sufocos. Acho que todos eles em casa mesmo. Eu não podia com escuro total. Bastava uma luzinha pra que eu praticamente entrasse em desespero. Era como uma sensação de cegueira, vulnerabilidade, perda de controle. Mas passou.
Pronto. Aí está. Agora, como acontece no mundo dos vlogs, gostaria de fazer algo similar. Não vou indicar três pessoas. O meu blog tem cinco seguidores, e a maioria deles tem blogs mais pessoais. Então vou pedir pra que qualquer um que leia isso e que tenha como continuar a corrente, que o faça, por favor. Seria legal se, por sorte, eu ver o efeito disso de algum modo inimaginável, em algum outro blog que nem conheço. Se for continuar a corrente, cite no post, com um link, quem te indicou (no caso, link do meu blog), como na tradição do jogo (sim, é uma forma de divulgação). Obrigado !
Conheci o iniciador da corrente através do vlog da Jordana (canal vamosoubora), que conheci pelo PC Siqueira (canal maspoxavida).
1) Eu tenho "trauma" de Nescau Ball
Eu usei aspas porque não sei a definição rigorosa de "trauma" e não voltei a enfrentar a experiência.
Aqui vai a possível explicação: Quando eu era criança - devia ter uns 7 anos (é a minha idade da infância, onde tudo acontece) - estava na casa de um amigo comendo Nescau Ball. E fui comendo, comendo, comendo, comendo, comendo... E, não sei se pela quantidade ou pela rapidez ou por algum outro motivo, vomitei. Foi algo que marcou minha memória. Desde então não comi mais Nescau Ball. Mas acho que conseguiria em condições extremas tipo No Limite.
2) Quando eu era pequeno (olha como o passado realmente...), me vesti de sambista (a intenção de quem me vestiu era usar o termo 'pagodeiro', mas tudo bem), todo de branco, de chapéu branco e tal... vulgo 'malandro'... e dancei Sai da Minha Aba. Sim, é isso mesmo. Fica difícil de acreditar que eu esteja falando isso, ainda mais pra quem conhece meu gosto musical. Mas eu era uma criança ingênua que TINHA QUE FAZER AQUILO SABE-SE LÁ PRA QUÊ, PRA AGRADAR OS PAIS OU ALGO DO TIPO (tô brincando, não era nada ditatorial assim, mas mesmo assim eu não sabia o que estava fazendo). Nada contra o Só Pra Contrariar, só não combina comigo. Engraçado que essa apresentação (clássico show das criancinhas da escola para os pais) não ficou tão marcado na minha cabeça a ponto de eu lembrar de todos os detalhes, mas lembro do geral, e isso já basta.
3) Sabe aquelas bolinhas que pingam pra caramba, que vendem naquelas máquinas a 50 centavos ? Então... Eu coleciono. Se você junta ou conhece alguém que junta moedas de um real, é quase a mesma coisa que eu fazia, mas com moedas de 50 centavos. Tenho algumas centenas delas guardadas numa caixa. Aliás, se existe algo próximo do estardalhaço que fazem em torno do Fim do Mundo em 2012, é imaginar a base daquela caixa rompendo...
4) Eu poderia me tornar nadador profissional. Comecei a nadar com sete anos. Primeiro na piscina pequena, depois de pouco tempo, fui pra grande (semi-olímpica) e aprendi todas as modalidades. Cheguei a ganhar campeonatos. E, se continuasse, talvez seguisse carreira. Mas decidi levar apenas como hobby e, por alguns motivos, acabei parando. Foi tudo muito cedo, por isso não garantia carreira, mas não garantia a incapacidade de seguir uma. Pretendo voltar, com certeza (como hobby). Amo nadar.
5) Eu tinha, veja bem, tinha medo do escuro. Não sei se isso é muito comum, mas passei alguns sufocos. Acho que todos eles em casa mesmo. Eu não podia com escuro total. Bastava uma luzinha pra que eu praticamente entrasse em desespero. Era como uma sensação de cegueira, vulnerabilidade, perda de controle. Mas passou.
Pronto. Aí está. Agora, como acontece no mundo dos vlogs, gostaria de fazer algo similar. Não vou indicar três pessoas. O meu blog tem cinco seguidores, e a maioria deles tem blogs mais pessoais. Então vou pedir pra que qualquer um que leia isso e que tenha como continuar a corrente, que o faça, por favor. Seria legal se, por sorte, eu ver o efeito disso de algum modo inimaginável, em algum outro blog que nem conheço. Se for continuar a corrente, cite no post, com um link, quem te indicou (no caso, link do meu blog), como na tradição do jogo (sim, é uma forma de divulgação). Obrigado !
Conheci o iniciador da corrente através do vlog da Jordana (canal vamosoubora), que conheci pelo PC Siqueira (canal maspoxavida).
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Eu não sei
Quando estou tentando fazer algo e há outras coisas martelando na minha cabeça, fica difícil. E a válvula de escape nesse momento é escrever. Tem muita coisa na minha cabeça. Acho que penso demais. Esse blog me serve como um registro. Tudo que escrevi está sujeito a mudança. Não sei se quero a mudança, não sei se já mudaram. É o registro de como sou falho, certo, instável, firme, mutável, mumificado, contraditório, descolado, confuso, deslocado, inseguro, racional, medroso, emotivo, mudo, tagarela, tudo, nada.
Nesse blog já disse que aprendi a lição e que não sei o que estou dizendo quando se trata de lições; tudo já foi lindo e tudo já foi horrível; certas coisas já foram pequenas, e as mesmas coisas já foram colossais. Eu mudo o tamanho das coisas e o que mais me aflige é que antes elas estavam com tamanho normal. Não, não. Elas sempre foram do tamanho normal. Eu é que sou o mago de mim. Me diminuo, e quero aproveitar pra ficar menor ainda e sumir do jeito que der; é tão esmagador, cheio de medo. Me aumento, e tudo o que quero é ficar maior ainda e conseguir ligar menos ainda, me sentir avulso, alheio; é tão fácil, cheio de tédio. Eu não quero medo. Eu não quero tédio. Eu quero ser do meu tamanho. Eu quero desafio. Eu quero perceber o momento em que estou do meu tamanho. Afinal, não dá pra ficar maior do que se é e depois, menor, sem passar pelo tamanho normal. Eu sei que já estive assim. Mas quem sou eu pra dizer qual o meu tamanho normal se não tenho referencial, se distorço tudo o que vejo ? Quem sou eu pra dizer qual a minha realidade ? Eu faço parte da minha experiência. E ninguém pode vê-la por mim nem me ver nela. Cada um vive na própria experiência. Acho que o jeito é oscilar de tamanho, sem ter apoio algum, com a esperança de que haja alguém do meu tamanho momentâneo comigo.
Eu não sei. É a única resposta que tenho.
Nesse blog já disse que aprendi a lição e que não sei o que estou dizendo quando se trata de lições; tudo já foi lindo e tudo já foi horrível; certas coisas já foram pequenas, e as mesmas coisas já foram colossais. Eu mudo o tamanho das coisas e o que mais me aflige é que antes elas estavam com tamanho normal. Não, não. Elas sempre foram do tamanho normal. Eu é que sou o mago de mim. Me diminuo, e quero aproveitar pra ficar menor ainda e sumir do jeito que der; é tão esmagador, cheio de medo. Me aumento, e tudo o que quero é ficar maior ainda e conseguir ligar menos ainda, me sentir avulso, alheio; é tão fácil, cheio de tédio. Eu não quero medo. Eu não quero tédio. Eu quero ser do meu tamanho. Eu quero desafio. Eu quero perceber o momento em que estou do meu tamanho. Afinal, não dá pra ficar maior do que se é e depois, menor, sem passar pelo tamanho normal. Eu sei que já estive assim. Mas quem sou eu pra dizer qual o meu tamanho normal se não tenho referencial, se distorço tudo o que vejo ? Quem sou eu pra dizer qual a minha realidade ? Eu faço parte da minha experiência. E ninguém pode vê-la por mim nem me ver nela. Cada um vive na própria experiência. Acho que o jeito é oscilar de tamanho, sem ter apoio algum, com a esperança de que haja alguém do meu tamanho momentâneo comigo.
Eu não sei. É a única resposta que tenho.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Eu sou usuário...
... do metrô. Faz parte do meu caminho da roça que não é da roça. Se fosse da roça, não teria metrô. Ou estou tão retrógrado assim ? Fato é que utilizo do metrô todo dia. Sabe quando a gente é criança ou lida com alguma coisa pela primeira vez e não entende absolutamente nada ? Então... eu fiquei muito tempo achando pura besteira quando as pessoas falavam "Você vai de trem ou metrô ?" Eu já pensava "Fala 'cisticercose' pra eu verificar se você não está bêbado." (Sim, porque outro dia estava revendo essa matéria e percebi que essa doença serve mais pra isso mesmo... *ssszsssttcerrrcóóóaaazzzzz... seguido daquela risada-chiado, que vai enfraquecendo até emudecer*) Se bem que, a rigor, metrô e trem não são a mesma coisa ?
Enfim, todo mundo começa comprando bilhete, não ? É... não... Mas eu compro bilhete, viu ? E ASSISTO BOB ESPONJA, E DAÍ !? Eu tenho bilhete único mas esqueci de renovar, e soube que não conseguiria pagar meia, então fiquei no bilhete mesmo. E é por isso que encontro com aquele ser humano que, sem nenhuma noção disso, é feito pra me irritar. Qualquer que seja o troco, ele vai conseguir arranjá-lo de forma que haja o maior número possível de moedas de todos os tipos. É IMPRESSIONANTE !!! "Qual é a forma de se dar 45 centavos usando o maior número possível de moedas de 5, 10 e 25 centavos ?" AQUELE SER HUMANO SABE !!! Sim, eu odeio moedas. Principalmente quando estou andando com bermudas que só têm bolsos inferiores ao joelho e, com moedas neles, me torno referencial pra qualquer um. "Tá ouvindo aquele cara cheio de moedas no bolso ? Então... depois dele, à esquerda..." Vamos descer atá a plataforma. Opa, essa escada subia até ontem. Trocaram os sentidos. Mas... pra quê ? Bom... agora... a plataforma. É aquele lugar onde, esporadicamente, você encontra as pessoas mais inusitadas, que passaram pela sua vida há muito tempo e, com isso, percebe como você também pode ter mudado aos olhos dos outros. Aquele cara da segunda série, ou aquela da quarta. "É, passou rápido, tô ficando velho, nossa, será que aquela pessoa mudou tanto quanto aparenta ? Será que eu mudei ?" (...) E é nessa hora que não se vê - mesmo que aconteçam - um dos maiores efeitos dos trens novos do metrô. Você está lá, na plataforma (eu provavelmente estarei andando pra lá e pra cá num trechinho de uns seis metros) sossegado (ou não), sóbrio (ou não), paciente (ou não), pensando em se matar (ou não). E então o som *som-do-trem-vindo-porque-não-vou-me-arriscar-a-fazer-essa-onomatopeia-aqui* e... e... É O TREM NOVO !!! Agora, caro leitor, é o efeito que ninguém vê. Diga se não vem uma felicidadezinha nessa hora... hã... ? *cutucando o seu braço com o meu cotovelo* Vem sim que eu sei. Por fora você está lá, "normal", "só mais um na plataforma", mas por dentro... "AEEEEEEEEEEE, UHUUUUUUUUL !!!! É O TREM NOOOOOO-VOOOOOO; EU VOU ENTRAR PRI-MEEEI-ROOOOO !!! É FRESQUINHO E TEM LUZINHA NO MAPA DA LINHA, QUE BUNITINH@$!@#$@#$@#$ !!! O LUGAR DO LADO DA PORTA É MEU E NÃO TE DO-OU !!! AS CORES SÃO LNDAS !!!" É... estou sabendo, viu... É uma felicidade interna colossal.
Eu já fui aquele cara que fica super feliz quando vai entrar no trem e vê todo mundo saindo !!! Hahahaha, sensacional !!! Só eu vou entrar !!! Oi... ? Ah... é pra todo mundo desembarcar e quem ia embarcar tem que esperar o próximo trem... ? TÃO OLHANDO O QUÊ !? LIGA PRA GRAÇA PORQUE NÃO TÔ VENDO ELA AQUI, NÃO !!! PALHAÇADA...
Uma coisa que acho estranha no trem novo é o cheiro. Não vou tentar dar uma de simbolista aqui e explicar. E, como já disse, eu sou aquele cara que fica naquele espaço ao lado da porta (que, se não me engano, tem dos dois lados de todas as portas do trem novo) encostado na parede. Sim, quando o trem para, dependendo do grau da minha distração, me torno protagonista daquela cena tão marcante quanto um garçom indo ao chão com uma panela de sopa. Aquela merda de ferrinho... bem na altura da cabeça... dói.
Mas se tem algo curioso no metrô é a tal da S.S.O. O QUE É A S.S.O. !? O QUE EU TENHO QUE FAZER PRA CONHECER A S.S.O. !? Os três lugares mais misteriosos e talvez utópicos do mundo: Acre, Triângulo das Bermudas e a S.S.O. "Favor comparecer à S.S.O.". "Estamos aguardando a manobra do trem à frente." Manobra ? QUE MANOBRA !? O CARA TÁ FAZENDO UMA BALIZA, É ISSO !?
É o ambiente de muitas coisas muito bizarras. Um post só não é suficiente pra descrever tudo, e também estou com preguiça agora.
O momento no qual estamos juntos é interminável...
Nossos corpos estão tão unidos, já posso sentir as batidas do seu coração.
Nossa respiração confunde-se com a do outro...
Nossos movimentos são sincronizados... indo e voltando... para frente
e para trás... às vezes para, e então, quando nos cansamos da mesma
posição, nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer...
Um calor enorme quase que nos faz desmaiar...
Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro.
E, quando não aguentamos mais segurar... Uma voz ecoa em nossos ouvidos:
"Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem".
(Corpos - Autor desconhecido)
Enfim, todo mundo começa comprando bilhete, não ? É... não... Mas eu compro bilhete, viu ? E ASSISTO BOB ESPONJA, E DAÍ !? Eu tenho bilhete único mas esqueci de renovar, e soube que não conseguiria pagar meia, então fiquei no bilhete mesmo. E é por isso que encontro com aquele ser humano que, sem nenhuma noção disso, é feito pra me irritar. Qualquer que seja o troco, ele vai conseguir arranjá-lo de forma que haja o maior número possível de moedas de todos os tipos. É IMPRESSIONANTE !!! "Qual é a forma de se dar 45 centavos usando o maior número possível de moedas de 5, 10 e 25 centavos ?" AQUELE SER HUMANO SABE !!! Sim, eu odeio moedas. Principalmente quando estou andando com bermudas que só têm bolsos inferiores ao joelho e, com moedas neles, me torno referencial pra qualquer um. "Tá ouvindo aquele cara cheio de moedas no bolso ? Então... depois dele, à esquerda..." Vamos descer atá a plataforma. Opa, essa escada subia até ontem. Trocaram os sentidos. Mas... pra quê ? Bom... agora... a plataforma. É aquele lugar onde, esporadicamente, você encontra as pessoas mais inusitadas, que passaram pela sua vida há muito tempo e, com isso, percebe como você também pode ter mudado aos olhos dos outros. Aquele cara da segunda série, ou aquela da quarta. "É, passou rápido, tô ficando velho, nossa, será que aquela pessoa mudou tanto quanto aparenta ? Será que eu mudei ?" (...) E é nessa hora que não se vê - mesmo que aconteçam - um dos maiores efeitos dos trens novos do metrô. Você está lá, na plataforma (eu provavelmente estarei andando pra lá e pra cá num trechinho de uns seis metros) sossegado (ou não), sóbrio (ou não), paciente (ou não), pensando em se matar (ou não). E então o som *som-do-trem-vindo-porque-não-vou-me-arriscar-a-fazer-essa-onomatopeia-aqui* e... e... É O TREM NOVO !!! Agora, caro leitor, é o efeito que ninguém vê. Diga se não vem uma felicidadezinha nessa hora... hã... ? *cutucando o seu braço com o meu cotovelo* Vem sim que eu sei. Por fora você está lá, "normal", "só mais um na plataforma", mas por dentro... "AEEEEEEEEEEE, UHUUUUUUUUL !!!! É O TREM NOOOOOO-VOOOOOO; EU VOU ENTRAR PRI-MEEEI-ROOOOO !!! É FRESQUINHO E TEM LUZINHA NO MAPA DA LINHA, QUE BUNITINH@$!@#$@#$@#$ !!! O LUGAR DO LADO DA PORTA É MEU E NÃO TE DO-OU !!! AS CORES SÃO LNDAS !!!" É... estou sabendo, viu... É uma felicidade interna colossal.
Eu já fui aquele cara que fica super feliz quando vai entrar no trem e vê todo mundo saindo !!! Hahahaha, sensacional !!! Só eu vou entrar !!! Oi... ? Ah... é pra todo mundo desembarcar e quem ia embarcar tem que esperar o próximo trem... ? TÃO OLHANDO O QUÊ !? LIGA PRA GRAÇA PORQUE NÃO TÔ VENDO ELA AQUI, NÃO !!! PALHAÇADA...
Uma coisa que acho estranha no trem novo é o cheiro. Não vou tentar dar uma de simbolista aqui e explicar. E, como já disse, eu sou aquele cara que fica naquele espaço ao lado da porta (que, se não me engano, tem dos dois lados de todas as portas do trem novo) encostado na parede. Sim, quando o trem para, dependendo do grau da minha distração, me torno protagonista daquela cena tão marcante quanto um garçom indo ao chão com uma panela de sopa. Aquela merda de ferrinho... bem na altura da cabeça... dói.
Mas se tem algo curioso no metrô é a tal da S.S.O. O QUE É A S.S.O. !? O QUE EU TENHO QUE FAZER PRA CONHECER A S.S.O. !? Os três lugares mais misteriosos e talvez utópicos do mundo: Acre, Triângulo das Bermudas e a S.S.O. "Favor comparecer à S.S.O.". "Estamos aguardando a manobra do trem à frente." Manobra ? QUE MANOBRA !? O CARA TÁ FAZENDO UMA BALIZA, É ISSO !?
É o ambiente de muitas coisas muito bizarras. Um post só não é suficiente pra descrever tudo, e também estou com preguiça agora.
O momento no qual estamos juntos é interminável...
Nossos corpos estão tão unidos, já posso sentir as batidas do seu coração.
Nossa respiração confunde-se com a do outro...
Nossos movimentos são sincronizados... indo e voltando... para frente
e para trás... às vezes para, e então, quando nos cansamos da mesma
posição, nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer...
Um calor enorme quase que nos faz desmaiar...
Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro.
E, quando não aguentamos mais segurar... Uma voz ecoa em nossos ouvidos:
"Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem".
(Corpos - Autor desconhecido)
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