Outro dia eu estava procurando uma palavra no dicionário, e bati o olho numa outra palavra ali próxima. Acabei descobrindo uma coisa sobre algo que eu - e, com certeza, muitas, mas muitas outras pessoas - convivemos durante praticamente a vida toda.
Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
na rua dos bobos numero zero (A Casa - Vinícius de Moraes)
A descoberta ? É esmero /ê/, e não esmero /é/. Só pra rimar mesmo. Taí o Vininha fazendo do jeito dele.
Mas logo que vi isso, me lembrei que ele não foi o primeiro a fazer isso:
Seja breve, seja breve
Não percebi porque você se atreve
A prolongar sua conversa mole
Seja breve, não amole
Senão acabo perdendo o controle
E vou cobrar o tempo que você me deve (Seja Breve - Noel Rosa)
Nessa aí a manha é controle /ó/. Mais uma vez, só pra rimar. (E com certeza reflete o ambiente bem boêmio onde ele compunha na maioria das vezes; meio
chapado e "foda-se, vai assim mesmo") Taí o Poeta da Vila pra comprovar. A primeira gravação dessa música foi em 1933.
Mas o Vinícius não foi o último a fazer isso:
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol (Meu Caro Amigo - Chico Buarque / Francis Hime)
E finalmente nessa, ele canta rock'n'roll /ó/. Composta em 1976.
Puta merda, esse post ficou com uma carinha de documentariozinho que tenta te convencer de que aquilo tudo tem alguma importância, com o argumento "Ah, ninguém faria um trabalho desses pra nada, certo ?"; com aquela lógica "Stevie Wonder é Deus".
É isso mesmo, você chegou ao final do texto.
Pelo menos você conheceu algumas músicas. Não ? Já conhecia as três ? Ah... Pelo menos você sabe quando elas foram compostas, então. Você pode puxar papo no metrô com o que leu aqui. Quem puxa papo no metrô ? Normalmente idosos, porque todo o resto tem fones nos ouvidos. Pode ser no ponto de ônibus ou no ônibus, então. Mas, por favor, não puxe papo com alguém de quem você esteja afim. Que proveito a pessoa tiraria de saber como se fala "esmero" ? Quer saber ? QUE TIPO DE PESSOA GOSTARIA DE SABER ALGO ASSIM !? QUER O QUE !? ESNOBAR !? IMBECIL !!!!
(...)
É... perdeu o seu tempo.
De uns dias pra cá eu tenho jogado jogos de tabuleiro com uma frequência relativamente alta, e isso me faz reviver a infância. A minha, só pra deixar claro.
Já que eu era criança, o meu principal interesse era - como o de toda criança, creio eu - jogar, apenas. Então eu não ligava muito pra regras. Não que eu fosse roubar no jogo, mas no sentido de verificar se elas tinham algum nexo.
Agora, passado algum tempo, criei algum tipo de rigor nesse sentido, ou simplesmente me tornei mais chato (sim, mais); enfim, coisa de adulto. Percebi que algumas regras de alguns jogos não fazem muito sentido, o que é bom, porque tudo fica mais engraçado (tentei pensar agora em algo que faça sentido e seja engraçado, mas não me lembrei de nada). Mesmo assim, as coisas engraçadas têm sua lógica e sentido peculiares.
Tem algo de errado, muito errado, e há pouco tempo descobri que é no meu Detetive - a respeito dos pinos de cada personagem: o Prof.º Black é rosa, a Srta.Rosa é vermelho, a Dona Violeta é azul e o Sr. Marinho é verde ! Já citei isso em algum texto aqui. Me lembra aqueles jogos onde você lê a palavra de uma cor escrita com letras de outra cor, porque a confusão em ver um pino rosa e ter que dizer "Prof.º Black" é praticamente a mesma.
Não basta você chegar na casinha da porta pra poder entrar no aposento; é preciso de mais um ponto no dado: Isso leva a cogitar que, no mínimo, a porta emperrou (e isso é bem possível, considerando que o meu detetive é muito velho - final da década de 80, por aí); a personagem pode ter narcolepsia - possível mas pouco provável; esqueceu a chave e fica do lado de fora (sei bem como é isso; 4 vezes em 6 meses no ano passado ¬¬).
Se algum pino estiver no seu caminho, você tem que dar a volta, porque dois pinos não ocupam o mesmo espaço: Que falta de educação !!! Dá licença ae, ow !!! (exceto se a pessoa tiver narcolepsia mesmo e estiver dormindo em pé).
Acusar a sua própria personagem: A pessoa entra no aposento, e
Hide my head I wanna drown my sorrow
No tomorrow
No tomorrow
And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very Mad world sobe numa cadeira, enrola sua morte no lustre logo acima. "Eu me acuso, com a corda no Hall !!! POR JESUS CRISTO, EU NÃO AGUENTO MAIS !!!"
Se alguém te acusar em um determinado aposento, você é levado até tal aposento: Isso é um inferno. Suponha que você seja o Coronel Mostarda, e está andando em direção ao Hall; lembre-se de que sua sorte não é grande, te impedindo de ver um número maior que 6 como soma dos dois dados. Você precisa chegar ao aposento desejado pra que possa fazer a acusação ali. Chegou na porta ! Mas não pode entrar porque não tirou um número suficiente pra isso, lembra daquela regra ? E então, na mesma rodada, outro participante entra num aposento do outro lado do tabuleiro e te acusa (¬¬). Educação ? Preocupação ? Hipocrisia ? Não sei, mas você tem que comparecer. Agora considere que isso acontece jogada-sim-jogada-não:
Deeeessa vez eu chego lá. Com licença, por favor ? (...) Ah, vai se foder !!! Que falta de modos...
Cheguei... Ok, a chave...
- MOSTARDAAAAA !!!!!
- AAAAAAAAAAAAAAHHHHH, BIXÔÔÔÔ !!!!! QUE QUE É DESSA VEZ !?!?!? (Como se o culpado fosse admitir o crime perante acusação... Tô velho mas não tô gagá, porra.)