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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Escrever

É... Faz um tempinho que não venho aqui...
Não é por falta de querer nem por esquecimento. Basicamente é porque dá trabalho escrever. A primeira pessoa que talvez tenha dito isso, que eu li - "talvez" porque as frases e seus autores, na internet, podem não ter relação alguma - foi a Clarice Lispector. Foi realmente ela que disse isso? Não importa. E além disso, estou numa onda de ler Stephen King de novo. O cara me vem com mais uma história d'A Torre Negra - uma das melhores histórias que já li até então - e lógico que li. Em alguns momentos - rápidos ou não - incorporo algumas coisa, me empolgo com elas. E nessas férias, me empolguei (de novo) com Stephen King.
Aí é aquela coisa de ver vídeos do cara, repensar suas histórias, desejar ler todos os livros... E confirmar que escrever dá trabalho. Porque ele diz "se quiser se tornar um escritor, deve fazer três coisas: ler muito, escrever muito, e se empolgar com isso." e também sobre o ato de escrever ser aperfeiçoado se feito com frequência. Mais uma vez: Stephen King disse isso? Ok, mas não é isso que importa. O que importa é que eu sinto isso desde que me propus a escrever. Talvez seja o meu jeito, ou talvez esse trabalho todo seja realmente o escrever propriamente dito, o verdadeiro.
Por isso eu não tenho vindo aqui. Entrei de férias - de um semestre que realmente tomou muito do meu tempo livre - dia 19, e tenho duas semanas pra aproveitar.
Tive muitas ideias pra por aqui? Sim. E em muitos casos me acusei de preguiça, falta de inspiração... Mas não era nada disso... Era falta da energia necessária pra me debruçar sobre um texto invisível e fazer força, força, pra que ele venha. Essa energia estava sendo usada pra outras coisas. Simples assim. Talvez eu não tenha tido uma grande ideia a ponto de vir aqui mesmo na correria do semestre... Mas uma grande ideia também pode exigir muita energia, mesmo vindo do nada. Eu sinto isso.
Eu poderia vir e escrever sobre nada? Sim (e pode ser muito importante fazer isso), mas acho que nem energia pra isso sobrou.
Percebo que escrevo com esse esforço... Mesmo que o assunto seja nada. Talvez eu queira um algo-a-mais, ou é algo de momento, que não tem a ver com o texto em si, mas com o ato de escrever ("O importante da arte é exprimir. O que se exprime não interessa").
O que dá mais trabalho é que, mesmo nesse gasto de energia com tantas coisas, eu sempre quero escrever.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Que seja só ao volante

Primeira aula na auto-escola:

"Assim que você se sentar, mesmo que esteja tudo certinho pra você, mexa no banco e nos espelhos pra mostrar que você lembrou."

Então me pergunto quantas pessoas - ou pior ainda - em quantos momentos as pessoas sentam... e ficam lá.
Não saem da zona de conforto... (o banco já está bom, pra que mexer?)
Não se atentam mais... (os espelhos também, nem olho mais)
Não há mais porquês... (meus pés já vão sozinhos)
Não há mais foco algum... (as mãos também)

"Vai chegar uma hora que você nem vai perceber mais. É automático!"
"E no trânsito mesmo o que acaba acontecendo é que a gente dirige pros outros muitas vezes."


E tudo vai perdendo o sentido... (os espelhos não são pra eu me olhar, mas pra que eu olhe - antes e acima de tudo - pros outros)

E lá estão... dirigindo suas vidas por aí, sem mexerem no banco pra lembrarem de si mesmos, só com a preocupação de chegar ao ponto morto (e poe "morto" nisso).
Já "deixaram morrer" mas não faz mal... nem perceberam, não é mesmo?


Que eu mexa muito no meu banco, perceba, atente às coisas e aos processos.
Porque incomoda.
Mas vale a pena.

sábado, 2 de outubro de 2010

Quem sou eu pra confirmar ?

"Vote com consciência." Sempre que ouço essa frase me pergunto "Consciência de quê ?", e depois de pensar um pouco cheguei a uma resposta, ainda que capenga.
Hoje, de algumas coisas tenho consciência. Durante quase toda a minha vida escolar, as minhas atividades eram relativamente simples: amigos, muito video-game e lição de casa; num resumo bem grosseiro. Eu era educado, na escola, a dar valor a provas, notas, lições, formalidades, escrever certinho e bonito... Essa besteirada toda. Hoje em dia, basicamente substituí o video-game por mais lição de casa e música, e sempre tentando melhorar o meu relacionamento com as pessoas. Afinal, pra mim, o escrever certinho, o jogar muito video-game, o gosto musical, a religião, ou sei lá mais o que não estão numa lista de diferenciais quando se trata de alguém. A besteirada continua. Mas agora eu a vejo por pura necessidade, e não mais como algo a ser valorizado. Isso ainda vai me irritar muito, mas tudo bem.
E a política nisso tudo ? Durante a maior parte da minha vida escolar fui criança. Naturalmente, não era algo nada próximo de mim. Nunca tive interesse em assistir a propagandas eleitorais, ler ou discutir a respeito. Era sempre o assunto do "pula", "outro", "o próximo", "passa", "não, obrigado" na minha cabeça. Talvez isso seja resultado da tendência proposital de que tudo converge para que se pense mal de políticos, segundo alguns. E, na cabeça de uma criança como eu fui durante esse tempo todo, políticos e política é a mesma coisa. E muitos com quem eu convivia - crianças também, por sinal - sempre falavam muito mal da maioria dos políticos e sempre muito bem de algum deles. Obviamente, digo hoje. Aquelas crianças, afinal, repetiam tanto o que ouvia de tantos, principalmente dos pais. Mas aquelas crianças eram como eu, não eram ? Digo, amigos, brincadeiras, seja video-game ou não, e coisas da escola, certo ? E como falavam tanto sobre políticos ? Ou eu deveria falar alguma coisa também ? Ah, mas repeti muitas coisas também. Eu nem sabia o que estava falando, na verdade. Coisa de criança, sabe como é. Eu repeti muitas coisas que os meus professores diziam também. Mas aí eu já sabia o que estava falando, na minha mente de criança. Afinal, eu tinha de saber aquilo tudo, certo ? E assim foi durante muito tempo.

Acontece que esse tempo acabou há pouquíssimo. Claro que algumas coisas mudaram. Uma delas foi a minha percepção. Não sei dizer o quanto, mas mudou. Fui tendo uma ideia melhor de algumas coisas que resultam nessa rede de conversas aqui, ali, e ali mais adiante, nessas épocas de eleição: Uma delas é muito
assustadora, a meu ver. Eram mais papagaios do que eu pensava. Hierárquico, ainda por cima; há também, além da quantidade, a qualidade. É muito papagaio com discursos excelentes. Isso é ainda mais assustador, porque é um fenômeno não só abrangente, como muito bem feitinho também. Tudo muito bem disfarçado. Com teorias e ideias e reflexões ao léu. Tão disfarçado que me dá a impressão de que tudo é feito por eles mesmos, como a fofoca, que é o sistema de vigilância mais eficiente e rápido da História da Humanidade. Melhor que qualquer inteligência policial por aí; Papagaios repetindo e ouvindo repetições de outros tantos papagaios em todo o lugar, criando focos de pequenas discussões por toda parte. E naõ é repetição simplesmente do que se ouve, mas a repetição mais profunda possível: do pensamento, do comportamento.
E, como sempre, penso "De onde vem isso ?". Já que tenho consciência de que já fui um papagaio, tentei responder por mim. Eu repetia algumas coisas porque... de alguma forma, me impressionou. Talvez porque algumas besteiradas estavam, inconscientemente comigo. Achei "bonito, certinho, inteligente" ? Acho que acima disso tudo, me impressionou porque, com aquilo, eu poderia chegar ao ponto que a escola sempre, de certo modo, me ensinou que poderia atingir através do "bonito, certinho, inteligente e notas altas": pertencer a um bom grupo ! Acho que era isso. Eu ouvia e, no fundo, com aquilo eu queria mais era chamar a atenção. Coisa de criança. Mas... isso não é coisa só de criança. É coisa de adulto também ! Ah, por isso era uma rede hierárquica de papagaios. E isso também talvez explique o surgimento repentino desse fenômeno. Do nada, estão todos falando daquilo ! Claro, vira questão de sobrevivência. Afinal, é disso de que todos à volta falam, não é ? Mas quem começou a falar pra que todos falassem ? Talvez tenha sido a necessidade de se mostrar atualizado, entendendo bem do assunto, esbanjando opiniões. Porque todos têm de exibir seu lado sério, provando que não jogam conversa fora, como normalmente. Foi essa necessidade que começou a falar. Assim ninguém fica marcado pela vigilância autossuficiente que ronda por aí.
E eu ? Estou no meio disso tudo afinal, certo ? Mas... se durante a maior parte desse tempo as minhas maiores preocupações eram lições de casa, amigos, video-game e aprender a tocar instrumentos musicais, que condições eu tenho de sair falando alguma coisa, que não seja papo de papagaio ? Ah, as minhas lições de casa deveriam me ajudar, certo ? Mas... não sei porque, não me despertam interesse. Será que todos os meus amigos, na verdade, não eram papagaios, e eu é que nunca me interessei, desde criança, pelo futuro do meu país ? Isso é cobrado a uma criança ? Digo, de forma que ela saiba conscientemente de tudo ? Não é querer demais ? Ah, tem a televisão. E... é, só a televisão. Então porque tanta gente fala tão mal dos políticos se eles dizem coisas tão "bonitas" ? Depois eu entendi. Entendi a encarar a televisão de um modo bem eficiente: não encarar a televisão. E os discursos são "bonitos e inteligentes", mas, pelo que ouço falar, ninguém cumpre o que diz. Mas... quem é "ninguém" ? Posso usar essa palavra tão radical ? E o que dizem, exatamente ? Bom, televisão não é uma boa ideia. Revistas e jornais repletos de parcialidade também não. Me resta o meu  próprio filtro.

Mas o que eu faço então ? É que é uma situação meio urgente. É um negócio aí de 18 anos. É, dizem muitas coisas, no geral, positivas sobre essa idade. Mas pelo que eu percebi, não é bem por aí. A diferença é que, se agora eu me ferrar, me ferro sozinho. Mas, nesse contexto de política, dizem que depois dos 18, a gente deve votar. O que me leva de novo a buscar alguma informação sobre tudo isso, me sentindo bem na hora de votar. E isso adiciona mais uma característica, além de "repentino" a esse fenômeno. Agora ele é obrigatório. Ou seja, eu tenho que entender tudo, e de uma hora pra outra. Mas... Não quero ser um papagaio bem feitinho. Não é um assunto que eu tenha moral suficiente pra me intrometer, porque sei que, pra que eu entenda o mínimo que seja de um assunto, ouvir belos discursos não funciona. Telefones-sem-fio virtuais e uma dúzia de sites e livrinhos não me dá moral suficiente pra tanto. É um processo que não termina com 18 anos, como se daí em diante eu pudesse votar. É algo que, pra mim e todas aquelas crianças, começa. Aliás, começa conforme a vontade, seja com 18, 17, 16, 15 anos. Infelizmente, comecei tarde. Tarde pra quem decidiu "18" por mim.
Talvez eu tenha sido educado a ser tão discrente quanto tudo e a todos nisso. Mas sei que há coisas que não me deixam ver. Eu só tenho consciência de que não tenho consciência de nada. Melhor saber que não tenho do que achar que tenho. E é a partir daí que vou procurar fazer tão bem aquilo que me obrigam.
É nessa hora que não cumpro o meu papel de hipócrita e todos se afastam de mim. Ah, aquela frase... "Só sei que nada sei." ? É, acho que é.

domingo, 12 de setembro de 2010

"O Felipe é..."

Eu estava procrastinando (posso arriscar dizer que essa é uma palavra que nunca escrevi ou digitei antes, apesar de saber o que significa. Lembrar se já falei, é demais pra minha memória. Se bem que é muito difícil saber o significado de uma palavra sem nunca ter nem pronuciado, mas tudo bem; é o tipo de palavra que a gente eu só uso como quem ganhou um relógio novo e quer infernizar mostrar as horas pra todo mundo. E não numa situação normal, onde me perguntam se tenho horas pra dar e respondo "só depois da meia-noite" "sim", sem dizer necessariamente as horas, mas numa situação onde eu tomo a iniciativa de perguntar pra todo mundo se querem saber as horas. Simplesmente irritante feliz.) Tá, parei.
Então... (sensação de quem está andando na rua e conversando e passou há muito do destino e só agora começa a perceber. Sim, desabafo) eu estava procrastinando. Assim mesmo, intransitivo. Só pra tentar dar uma abrangência máxima pro termo. (Nossa, "procrastinando" é trava-língua, tenta.) Tá, parei, juro mesmo.
Me deu uma vontade de escrever. Mas já tive essa vontade várias vezes e ultimamente não tem dado certo. Não sei ao certo o porquê. Talvez por ser tantas coisas pra falar que nem sei por onde começar, mas não vem ao caso. Enfim, muita vontade, mas sem assunto. É, bem estilo motel/balada/pornô (não que os dois primeiros não sejam). Seria até ideal pro dia do sexo. Aí copiei tive uma ideia: Jogar no google "O Felipe é" e ver o que aparece. Aqui estão alguns resultados selecionados:

- "O Felipe é Massa !": Já me falaram que sou rápido com piadinhas, bom com trocadilhos, coisas do tipo. Opiniões à parte, mas fato é que eu faço muitas piadinhas e trocadilhos. Mas não é piada pronta; não dá pra chegar pra mim e dizer "conta uma das suas milhares de piadas". Não mesmo. Claro que conheço certas piadas, mas não é disso que estou falando. São as coisas de momento, sabe ? Bem espontâneo, e aos montes, diga-se de passagem. Até pra ser grosso com alguém eu posso ser em forma de piada. Mas eu tenho que estar muito, muito puto pra isso. A ponto de perder a noção. O triste é quando pensam que eu sou só piada.

- "O Felipe é surdo": Isso me lembra de uma das coisas que mais odeio: gritinhos histéricos. Sabe quando algum homem, seja por incontinência sexual, carência disfarçada, status em algum grupo social específico, tentativa de disseminação genética, ao ver uma mulher que julga gostosa bonita, grita (sim, grita, independentemente da sua distância do alvo) coisas do tipo "Ôôôhhhh, lá em casa, hein...", "Ôôôôhhhh, delícia..." ? Então... pra mim não tem diferença absolutamente nenhuma entre isso e os gritinhos histéricos delas.
Seja em shows ou em cinemas, quando aparece o ídolo, lá vem aquele som de depêndência, ilusão, sexualidade reprimida, carência mal-resolvida, facas cortando laranjas pela metade. Claro que em certas situações, essas mesmas coisas têm uma intenção completamente diferente: fazer piada. Um bom exemplo são as cantadas de pedreiro (agradeço que exista a maioria, aliás), considerando, claro, numa situação de piada, e não quando um verdadeiro pedreiro as diz com suas intenções mais do que claras. Com intenção de piada, tudo bem; quero mais é dar risada mesmo.
Agora enfatizando o "surdo" da definição que encontrei, foco mais nas garotinhas (e, infelizmente, já vi algumas já fora do atributo "garotinha" há muito fazerem a mesma coisa) que gritam histericamente e a sério. Olha, ter desejo sexual todo mundo tem. O que é ótimo, aliás. E todo mundo acha ótimo, apesar de muitos negarem. Aliás, se alguém não tem sexualidade (não sei se o termo, a rigor, é esse), ou não acha bom que os outros tenham, está doente. Sério mesmo. Quem não está doente e se passa como doente também está doente. Não estou dizendo que se deve explicitar o desejo sexual; de forma alguma. Só aprender a lidar com isso. Agora... deu aquele gritinho a sério ? VAI FAZER JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS, PEDIR PRA TE COMEREM LOGO, COMPRAR UM VIBRADOR !!! E com certeza eu poderia dizer milhões de outras soluções aqui, mas acho completamente desnecessário. Aliás, tempos difíceis. Repressão da sexualidade feminina e do sentimentalismo masculino. Assim não se chega a nada.
"Moça, você está com muito catarro ?" "Não, por que ?" "É que, vendo daqui, o seu peito parece meio cheio." É claro que eu vou rir disso, hahaha !

- "Felipe é possível concertar o meu vídeo ?" (sic infinito): Hahahahaha ! Eu ia dizer "sem comentários", mas não resisto. É pra fazer a edição da trilha sonora do seu vídeo ? Só eruditas ? E sou possível sim e não estou quebrado, fique sabendo. (Nada contra o falar ou escrever errado, só acho engraçado.)

- "O Felipe é intocável...": É importante perceber que "intocável" pode significar coisas diferentes por aí. Ainda bem que não estou na Índia.

- "O Felipe é tímido": Verdade, verdade...

- "O Felipe é um assunto da diretoria": Isso me faz lembrar do colégio, principalmente até a oitava série. Eu era o que fazia todas as lições dentro do prazo, só conversava quando podia, e se certas pessoas vieram conversar comigo, pode ter certeza de que o naipe da conversa era algo ligado a cópia de trabalho e lição ou explicar a matéria da prova do dia seguinte, e nada mais. E as pessoas supondo várias coisas a meu respeito, inclusive sobre a questão de ser nerd. E eu tendo que explicar que não era nerd. Bom, nem sei o que é ser nerd; discussões tolas.
E aí, um fenômeno interessante: hoje, talvez eu seja o mesmo nerd que cada um definiu na própria cabeça sem ao menos me ouvir antes. E pra mim ? Hoje, algumas daquelas pessoas são as mesmas que defini na minha cabeça, com base em poucas conversas e muita brincadeira imbecil ? Não posso pensar assim. Só estaria perpetuando o erro. Não é nada fácil, mas é o certo. E não se trata de ingenuidade, mas apenas de acreditar em coisas que, infelizmente, são tratadas como impossíveis por muitos.
Aliás, o que o "nerd" pensa hoje sobre escola, vestibular, universidade, sistema de ensino e diplomas impactantes pode ser chocante pra eles. Que não seja, por favor.

Ah, e nunca foi "assunto de diretoria". Não pelos motivos que normalmente pensam no contexto de escola. Hoje não me orgulho disso, não.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Neurose

Chegando na sala, olhei direto pra fileira onde normalmente sento, procurando pelo lugar usual. Estava livre. Passei pela fileira - um pouco apertada, por sinal - e me "aconcheguei", até onde o assento (e minha bunda) permitissem usar essa palavra. É impressionante como consigo ser desastrado. Espremi meu dedo entre o meu próprio joelho e a parte de baixo da mesa vizinha. Doeu o suficiente pra que eu soltasse um "Fia-da-puta !" numa altura razoável, que servisse pro monólogo. Ou pelo menos era o que eu pensava.
"Desculpa", uma voz logo atrás de mim. Olhei. Era uma menina que estava passando logo atrás de mim, pra que pudesse evitar as pernas que fechavam o caminho da minha fileira e chegar facilmente ao seu lugar: ao meu lado. Não, não ! Eu estava falando sozinho ! Me machuquei sozinho, e como doeu muito, xinguei ! Eu não faço a menor ideia de como isso funciona, se é que de fato funciona, ou se só faço de conta que funciona, mas é o que faço. Pode ter até o mesmo sentido dos gritos dos guerreiros, coisa antiga, hein... tem seu valor. Pode ser distração, é. Gritar pra esquecer um pouco da dor, sabe ? "Eu machuquei meu dedo..." Foi o que consegui dizer, ainda com aquela cara de dor, de quem não acha graça em nenhuma piada, ignora ou sartiriza perguntas como "doeu ?", e prefere morrer antes de responder a um prudente "como aconteceu ?". Ela nem olhou pra mim e se sentou. Ah, não ! Ela entendeu tudo errado ! Eu xinguei, ela pediu desculpas e nem olhou pra mim, enquanto eu me explicava ! Ela tá puta. Mas eu nem estava olhando pra ela quando xinguei, estava olhando pra frente ! Mas ela provavelmente estava de costas pra mim, porque, quando olhei, ela vinha de costas. Já sei ! Ela pediu desculpas porque achou que a mochila dela esbarrou na minha cabeça ! É isso ! Então piorou. Ela esbarrou a mochila na minha cabeça, sem querer, eu xingo ela de fia-da-puta, a gente nem se conhece, e tudo o que ela tem a me dizer é um acuado "desculpa" !? Ah, você tem problema, queridinha ! Vamos pesar as coisas aqui: um esbarrão. Normal, ainda mais num ambiente espremido como esse. Um pedido de desculpas é uma admirável demostração de educação. Agora, intercalando um xingamento aí, as coisas mudam de peso. Não se recebe um xingamento desses, num contexto desses, de forma tão passiva ! É porque eu sou um desconhecido ? Não ! Não faz o menor sentido. Veja, vamos para um extremo: se eu fosse um amigo seu, você riria depois disso. Xingamentos entre amigos recebe uma conotação tão única... Mas esse não é o caso. O caso é que eu sou um desconhecido te xingando. Por mais que seja uma coisa relativa, a grande tendência seria você se mostrar ofendida e olhar muito feio pra mim, me questionar sobre o porquê do xingamento, não se conformar, no mínimo. Ah, já sei. É porque a sala está muito cheia ? Começar uma briga em meio a mais ou menos cento e cinquenta pessoas te intimida ? Ah, entendi. Você está ofendida, muito puta comigo, mas quer deixar pra resolver a questão num momento mais apropriado. E não olhou pra mim como sinal disso. Não ! Você não olhou pra mim porque está indiferente ! Claro ! Nada pior que a indiferença, não é mesmo !? Mas... E se ela não olhou pra mim enquanto me explicava, porque simplesmente o pedido de deculpas não era pra mim ? Simples. Ela veio, um de costas pro outro, eu xinguei, ela não ouviu, esbarrou de uma das milhares de formas em uma das milhares de pessoas pelo caminho, pediu desculpas a essa pessoa, e nem prestou atenção em mim quando virei rapidamente (porque realmente foi muito rápido) pra me explicar. Mas... Se a minha visão periférica não estiver tão ruim, vi que ela virou na direção da minha fileira, bem atrás de mim. Só poderia ser comigo. Eu não xinguei tão alto assim, ou xinguei ?Ninguém em volta ouviu, ou, se ouviu, não demonstrou. E eu estava olhando pra frente ! Bom, pra quem está de costas, basta ouvir. Vai que o ouvido dela é bom. É, acho que eu ouviria. Já me vi várias vezes em situações em que só eu ouvia certas coisas (não eram vozes). É, se fosse eu, ouviria, e brigaria ! Não é possível isso ! Bom, já que ela não olhou nem nada, prefiro acreditar que não era comigo, apesar de não acreditar nessa minha preferência.
Começaram as aulas. Me foquei. Em certo momento, algo me chamou atenção. É normal que as pessoas tenham folhas e apostilas e cadernos e fichários sobre a mesa. Mas ela estava com o fichário fechado e, sobre ele, um livro. Não um livro que cabia naquele contexto. O meu primeiro interesse veio justamente disso: não tinha nada a ver com as aulas. No segundo seguinte, identifiquei o tipo de livro: MPB. Contexto histórico, fotografias da época, etc. Meu interesse aumentou, e muito. Mas eu precisava prestar atenção nas aulas. Sem problemas, uma espiadinha de vez em quando não faz mal a ninguém.
Opa, ela está lendo. Não, não estou dizendo isso porque olhei, mas porque ouvi. Bom, aparentemente ela está lendo pra amiga ao lado. Ela até que lê baixinho. Cheguei a ouvi-la cantar, mas eu não conhecia aquela música. O microfone do professor está mais alto que a voz dela. Tá fácil manter o foco. (...) O professor parou de falar durante um bom tempo, e ela continuou a ler. Não sei se por ser só a voz dela agora, pareceu mais alta que nunca. Até a menina na minha frente olhou pra ela. E ela, percebendo o momento "mas-só-o-professor-Girafales", foi baixando a voz numa velocidade absurda, até cochihcar, hahahaha. Eu só estou de esguelha no livro. Nossa, preciso voltar ou na Fnac ou na Cultura. Vou na Cultura. Além de ter desconto, gosto muito daquele lugar. Me dá uma paz de espírito. Mas um livro desse deve ser uma facada, mesmo com desconto. Droga. Me deu uma puta vontade de tocar violão. Queria ter super poderes só pra isso agora. (...)
Só falta uma aula. Essa é a hora em que várias pessoas vão embora. Ela é uma. Ótimo, uma pessoa que tem uma péssima imagem de mim está indo embora, sem que eu tenha a menor chance de esclarecimento. Ela então, passando na minha frente, séria, olhando apenas pro caminho que seguiria: "Tô indo moço, sei que você está cheio de mim." AHAAAA !!! EU SABIA !!! EU SABIA !!!!!! MARAVILHA, EU ESTAVA CERTO !!! QUE BOSTA, EU ESTAVA CERTO !!! NÃO, NÃO, NÃO !!! "Desculpa..." Moça, eu NÃO te xinguei, tudo bem ? Eu sei que tá difícil de te convencer, mas é fato. Ela tá indo embora... tá no corredor... tá esperando a amiga... vai, qualquer coisa agora ! Comecei a acenar com a mão, até ela olhar. Olhou ! Nossa, ela tá séria mesmo. "Como se chama o livro que você estava lendo ?" Ela tentou lembrar, perguntou pra amiga, que me respondeu. Era um songbook do Chico Buarque. Número 4. A amiga dela me perguntou se eu curtia. Respondi o óbvio. Ela estava séria, e era comigo. Mas então "Depois aparece lá embaixo pra ver a gente fazer um som. À tarde." Ótimo ! Super confuso, mas ótimo ! Era a oportunidade que eu tinha de por as cartas na mesa. Ela realmente tinha me entendido muito mal. Fez aquele comentário sem nenhum tom identificável de ironia, brincadeira, ou coisa do tipo. Eu pedi desculpa enquanto ela saía ! Sou eu quem está sem graça ! Será que eu não prestei muita atenção nela ? Ah, ela estava séria, sim !
Acabou a aula. Bom, ela disse que seria à tarde. Já que vou almoçar aqui perto mesmo, posso ficar estudando por aqui, até um horário razoável. Desci, saí, e fiquei procurando alguma menina com um violão. O pior é que eu tinha visto o rosto dela só naquele último contato. Não a reconheceria tão fácil. Nada. Não a encontrei. Vou almoçar e depois tento de novo.

Voltei, e fiquei um tempo ali "embaixo". Calma aí: onde era "lá embaixo" ? Será que tenho que descer mais um ou dois lances de escada ? Mas aqui seria mais conveniente fazer um som. Ou será que é na rua ? Já sei ! Sempre tem gente que deixa uns instrumentos na sala da coordenação. "Bom dia. Por favor, esses instrumentos são pra algum evento daqui ?" "Não. É que às vezes deixam aqui mesmo." "Obrigado." Bom, talvez seja dela. Vou ficar mais um tempo aqui. (...)
Ah, não ! Os instrumentos sumiram ! Agora, fudeu ! "Com licença, esses instrumentos era de alunos da manhã ?" "Sim." "Obrigado." É, fudeu. Mas quem disse que é necessariamente um violão ? Som se faz com várias coisas, inclusive coisas que caibam numa mochila. Mas era MPB, era Chico ! Pode ser com cavaco só. Mas ela disse "à tarde" e ainda nem deu o horário dos alunos do período da tarde. Mas que "à tarde é esse ?" 14, 15, 16, 17 horas ? Não vou ficar mais aqui esperando. Nem sei onde nem quando é ! Já levaram algum violão que tinha aqui, ficar em pé aqui tá foda. E o rosto dela está sumindo gradualmente da minha memória, ainda que, se eu vê-la, dá pra reconhecer. O problema é que é amanhã é o último dia de aula do primeiro semestre, então tenho só mais uma chance. Quase certeza que ela não era da minha sala. Sei que ela conversou em algum momento com uma outra menina, que é da minha sala. Se não estivesse de penetra lá, sempre sentaria por ali. Bom, de qualquer jeito, só me resta amanhã pra desfazer o mal-entendido. (...)
Ótimo, ela não veio. E ontem um cara xingou ela de filha-da-puta só por um esbarrão acidental. Além de não aparecer depois do convite. Muito simpático !


Esse é o Neurose. Ele aparecerá aqui quando puder, e quando não puder também; afinal, ele vem e vai inexplicavelmente. Saibam mais sobre ele na coluna ao lado, em "Meus Espelhos". Lá também estão o Fiduma e o Seu Lelé.

domingo, 30 de maio de 2010

Jogo da Corrente

Eu tenho acompanhado alguns vlogs e está rolando entre eles o Jogo da Corrente. Trata-se de dizer cinco coisas das quais as pessoas provavelmente não sabem sobre o dono do vlog que acompanham. O vlogueiro então passa a vez para outros três vlogueiros, como uma indicação, e assim vai. O vlogueiro, antes de falar, cita por quem foi indicado a continuar a brincadeira. Hoje, assitindo a um vlog, soube quem foi o iniciador dessa corrente: LReporta (pelo menos no Brasil, já que ele mesmo diz que isso já foi feito antes na Inglaterra). Nessa hora me veio a ideia: "Por que não fazer isso entre os blogs ?" Duvido que eu seja o primeiro a ter essa ideia e pô-la em prática. Mas não estou nem aí caso eu seja ou não, mesmo porque, de qualquer forma, uma hora a corrente vai se fechar ou quebrar. Então aqui vai: Cinco coisas das quais você, leitor(a), provavelmente não sabe sobre mim:

1) Eu tenho "trauma" de Nescau Ball

Eu usei aspas porque não sei a definição rigorosa de "trauma" e não voltei a enfrentar a experiência.
Aqui vai a possível explicação: Quando eu era criança - devia ter uns 7 anos (é a minha idade da infância, onde tudo acontece) - estava na casa de um amigo comendo Nescau Ball. E fui comendo, comendo, comendo, comendo, comendo... E, não sei se pela quantidade ou pela rapidez ou por algum outro motivo, vomitei. Foi algo que marcou minha memória. Desde então não comi mais Nescau Ball. Mas acho que conseguiria em condições extremas tipo No Limite.

2) Quando eu era pequeno (olha como o passado realmente...), me vesti de sambista (a intenção de quem me vestiu era usar o termo 'pagodeiro', mas tudo bem), todo de branco, de chapéu branco e tal... vulgo 'malandro'... e dancei Sai da Minha Aba. Sim, é isso mesmo. Fica difícil de acreditar que eu esteja  falando isso, ainda mais pra quem conhece meu gosto musical. Mas eu era uma criança ingênua que TINHA QUE FAZER AQUILO SABE-SE LÁ PRA QUÊ, PRA AGRADAR OS PAIS OU ALGO DO TIPO (tô brincando, não era nada ditatorial assim, mas mesmo assim eu não sabia o que estava fazendo). Nada contra o Só Pra Contrariar, só não combina comigo. Engraçado que essa apresentação (clássico show das criancinhas da escola para os pais) não ficou tão marcado na minha cabeça a ponto de eu lembrar de todos os detalhes, mas lembro do geral, e isso já basta.

3) Sabe aquelas bolinhas que pingam pra caramba, que vendem naquelas máquinas a 50 centavos ? Então... Eu coleciono. Se você junta ou conhece alguém que junta moedas de um real, é quase a mesma coisa que eu fazia, mas com moedas de 50 centavos. Tenho algumas centenas delas guardadas numa caixa. Aliás, se existe algo próximo do estardalhaço que fazem em torno do Fim do Mundo em 2012, é imaginar a base daquela caixa rompendo...

4) Eu poderia me tornar nadador profissional. Comecei a nadar com sete anos. Primeiro na piscina pequena, depois de pouco tempo, fui pra grande (semi-olímpica) e aprendi todas as modalidades. Cheguei a ganhar campeonatos. E, se continuasse, talvez seguisse carreira. Mas decidi levar apenas como hobby e, por alguns motivos, acabei parando. Foi tudo muito cedo, por isso não garantia carreira, mas não garantia a incapacidade de seguir uma. Pretendo voltar, com certeza (como hobby). Amo nadar.

5) Eu tinha, veja bem, tinha medo do escuro. Não sei se isso é muito comum, mas passei alguns sufocos. Acho que todos eles em casa mesmo. Eu não podia com escuro total. Bastava uma luzinha pra que eu praticamente entrasse em desespero. Era como uma sensação de cegueira, vulnerabilidade, perda de controle. Mas passou.

Pronto. Aí está. Agora, como acontece no mundo dos vlogs, gostaria de fazer algo similar. Não vou indicar três pessoas. O meu blog tem cinco seguidores, e a maioria deles tem blogs mais pessoais. Então vou pedir pra que qualquer um que leia isso e que tenha como continuar a corrente, que o faça, por favor. Seria legal se, por sorte, eu ver o efeito disso de algum modo inimaginável, em algum outro blog que nem conheço. Se for continuar a corrente, cite no post, com um link, quem te indicou (no caso, link do meu blog), como na tradição do jogo (sim, é uma forma de divulgação). Obrigado !


Conheci o iniciador da corrente através do vlog da Jordana (canal vamosoubora), que conheci pelo PC Siqueira (canal maspoxavida).

domingo, 7 de março de 2010

Perspectiva

Tá vendo aquele garoto em cima do muro ? Sou eu.
Enquanto muitos já estariam convictos, de um dos lados, ainda estou lá. Podem até achar que é muita demora pra descer, mas é tudo em busca do justo. Sempre subo lá, seja pra aceitar, seja pra negar. Por mais difícil e doloroso que seja, me sinto mais incomodado em me precipitar do que em encarar o justo. Não quero cair, quero descer. Quero ver todos. Quero me ver. Será que muita gente já teria caído (ou se atirado), no meu lugar ? Do que conheço, digo que sim. E ainda mais me parece que nem sobem. Querem evitar a fadiga. Sim, é um esforço, por vezes muito grande mas, pra mim, é um bom caminho. Também gosto de saber que muitos outros sobem com bastante frequência e, com graça, descem já no melhor caminho. Admirável.
Não arrisco generalizar. Quero ver por todos os ângulos. E é por isso que estou aqui. "Aqui aonde ? Aqui aonde ?!" Aqui ! Em cima do muro ! (Ah, que vontade louca de pular...)
E vou descer, só não sei quando.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fiduma

- Cheguei na bilheteria, pedi meia-entrada e entreguei uma nota de cem, hahahahahahaha. A mulher me olhou com cara de "Ah... tá de sacanagem..." mas depois abriu a gaveta das moedas e começou a empilhar de dez em dez as de cinco centavos. "Ah... tá de sacanagem..." digo eu ! Tive que admitir a brincadeira. ¬¬
- Ah, Fiduma... Concordemos que você foi sacana.
- Eu sei, hehehe. Mas sempre quis dar uma nota de cem em lugares onde não se costuma fazer isso. É legal ver a expressão das pessoas que terão de dar um 'longo' troco, hahahaha. Tá ! Eu sei que odiaria se fosse eu lidando com o caixa numa hora dessas. É só brincadeira, poxa !
...
- Estica as pernas e apoia os pés na cadeira da frente pra ninguém sentar e tapar a nossa visão.
- Fala baixo e tira esse som infernal do jogo da cobrinha !
- Hahahahahahahaha ! Calma porque não começaram nem os trailers.
...
- Vai logo... tira a mão do pacote de pipoca, para de ficar enrolando e deixa eu pegar um pouco... Eu sei que você já pegou a sua porção faz tempo. VAI LOGO ! (entredentes)
...
- Fidumaaaaaa... ¬¬ Ninguém na sala precisa saber que você já terminou a sua bebida... NEM EU ! PARA DE FAZER ESSE BARULHO PERTO DO MEU OUVIDO ! (entredentes)
- Hahahahahahahahahahaha !!!
Zumbilândia. Um filme de terror com uns toques de comédia. Não que eu não tenha rido ou feito piadas durante o 'Atividade Paranormal', mas estou dizendo que esse filme teve a intenção de fazer rir. Acho que não estou com o humor tão macabro assim. Fato é que tenho prazer em encontrar defeitos nos filmes; não me importo se foram defeitos propositais (como dá pra supor tanquilamente num filme como esse), ou não, contanto que existam.
- Nenhum dos protagonistas morre no final ! Muito sem graça isso ae... E conto mesmo ! Hahahahahahahaha ! Ah, e aquele fortão de chapeu era gay, certeza.
- Ah... Olha o spoiler, Fiduma ! ¬¬
Numa cena o garoto sai do carro pra comprar algumas coisas e acaba correndo de dois zumbis no estacionamento, voltando pro carro. Acontece que, de volta pro carro, ele encontra um zumbi escondido no banco de trás ! Como assim !? O zumbi agora tem senso e coordenação suficientes pra conseguir entrar num carro trancado e se esconder !? O fortão fica armado com duas pistolas numa barraca cercada de dezenas de zumbis. E MATA TODOS !!! E AINDA SOBRA BALA !!! QUEM ELE É !? O JACK BAUER !? O CARA USA CÓDIGO DE MUNIÇÃO INFINITA E NUNCA RECARREGA A ARMA !? Sem contar que só os protagonistas permanecem vivos no mundo todo, claro. Como conseguem, sozinhos, administrar os brinquedos do parque de diversões !? Precisariam de centenas de pessoas pra isso !!!
- Sabia que a equipe produtora do filme te acharia um fiduma puta ?
- Hahahahahahahahahaha !


P.S.: Aí está um pouco do Fiduma. Ele vai comparecer aqui quando puder. Mais informações no lado esquerdo do blog em 'Meus espelhos'

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Porque se ferrar é legal

Não venha me dizer que você foi de carro até Natal, a um cinema em dia de feriado nacional querendo assitir a uma estreia, à Feira do Rolo, à Praça da Sé, à Parada Gay, à Corrida do Queijo... E QUE NADA DE ERRADO ACONTECEU !!!!! AHHHH PELO AMOR DE DEUS !!!!! NADINHA DE ERRADO ?!?! AH NÃO...
Os ingressos do filme que eu quisesse ver acabarem bem na minha vez ? HAHAHAHAHAHAHA seria demais !! Um cara que só porque está ouvindo a música e não a própria voz achar que canta bem, e em outra língua... SENTAR DO SEU LADO NO ÔNIBUS DURANTE UMA VIAGEM DE MAIS DE 5 HORAS ? HAHAHAHAHA É aí que mora a alegria ! Apontar descaradamente pra duas garrafas de refrigerante sobre o balcão de venda de ingressos, virar pro seu amigo com uma cara de 'quem iria pôr
refrigerante ALI ?!' e perceber que a dona do refrigerante estava logo atrás de você na fila ? Estar dirigindo à noite sem habilitação e ouvir uma sirene logo atrás de você mas perceber que era de um carro de auto-escola ? Mais uma história pra contar ! Estar imitando um professor quando ele sai por uma porta logo à sua frente ? HAHAHAHAHA MARAVILHA !!!! Ficar preso no banheiro ? É como jogar Mario: nunca enjoa.
Derrubar acidentalmente com um verdadeiro mergulho de costas uma daquelas pilhas de latinhas de ervilha num supermercado ? Nunca aconteceu, comigo, mas seria sensacional se acontecesse. Por maior que seja a tensão na hora, do tipo "Ah não... o dono do supermercado vai me matar, eu vou ter que pagar tudo lavando pratos durante a semana inteira ou ter que montar toda a pilha aqui e agora mesmo", o importante é, no final das contas - ou o quanto antes - dar risada.
Acabou o papel higiênico num banheiro mas você só percebeu na pior hora ? Foi perguntar àquela pessoa, no meio da estrada à noite, qual era o caminho mais curto, mas percebeu que aquele brilho eram de olhos de uma cavalo ? Naquela situação, geralmente pública e que representa uma grande responsabilidade, do tipo "Naõ me chama, não me chama, não me chama, não me chama...", te chamaram ? Foi a um circo vestido de palhaço e depois assitir a um rodeio, mas foi pego no susto pelo touro ? Sempre que assiste "Depois de Horas" ou "Cilada" se sente na pele ou pelo menos gostaria de se sentir na pele dos protagonistas ?
Parabéns !!!! E se você consegue achar graça em tudo já quando acontece... Parabéns de novo !!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eu sei que sou muito sarcástico, mas não fui em nenhum momento nesse texto. Pode parecer idiota, bobo, imbecil, estranho, mas é sério: adoro quando essas coisas acontecem comigo. E é bom saber que muitas delas ainda vão acontecer. Simples !

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Expectativa, não. Prontidão, sim

Controle. Todo mundo gosta mas nem sempre é bom. Controle traz expectativa, e expectativa não é bom.
O garoto sentou tenso na cadeira sem saber o que esperar da possível conversa com aquela mulher. Em determinado ponto, sentiu-se à vontade o suficiente pra falar que sentia pavor da escuridão completa. Simplesmente entrava em pânico enquanto não visse um ponto de luz sequer. A mulher, subindo nos ombros de gigantes, disse ao garoto que ele se sentia assim porque gostava de ter o controle das coisas, e a escuridão representa uma situação em que ele não tinha controle de absolutamente nada.
O garoto pensou então que o pânico era proporcional ao medo de perder o controle das coisas e tentou encontrar 'escuridões' ao longo de sua vida. Percebeu que muito disso era devido ao mimo que recebeu durante muito tempo. Ele queria, ele tinha; logo, já esperava que tivesse. Parte disso era bom, porque, consequentemente, sempre soube esperar. Preferia sempre estudar sozinho. Gostava das coisas bem feitas e, pra isso, as fazia sozinho, porque já sabia o que esperar de si mesmo; talvez não conhecesse seus limites, mas conhecia grande parte de sua capacidade. Odiava que atrapalhassem o seu trabalho se, de fato, estivessem atrapalhando. Trabalho em grupo sempre foi um incômodo. A timidez era outra escuridão. Estar num ambiente com mais desconhecidos que conhecidos, dependendo do caso, era martirizante; não sabia o que esperar. Muita coisa era na base da comodidade, da opção mais fácil, do egoísmo.
Mas percebeu que com algumas pessoas ele não era assim. Não tinha expectativa nenhuma, não esperava nada delas, no melhor sentido da frase. Era a melhor sensação pra ele. Não precisava e não devia esperar nada de ninguém. Era o amor, na forma que fosse; de amigo, de pai, de mãe, de irmão, de trabalho. Ali,
nos relacionamentos, não existia controle nenhum e ele se viu sem medo e amando a perda do controle, chegando a ponto de abrir mão do egoísmo.
A vida fez questão de cobrá-lo. Morar sozinho, mudar de colégio, de cidade, de curso... Ficou mais fácil. Foi fácil de tomar a decisão ? Não, mas ele tomou. Algumas pessoas, diante de uma decisão dele, acharam loucura. Pra ele, é sensatez. Só imagina a quantidade de pessoas que escolhem a opção mais fácil, mais cômoda, mas tem quase certeza de como podem ficar.
Hoje ele dorme tranquilo na escuridão completa. Procura cada vez mais não esperar nada de ninguém, sabendo que, se for assim, tudo acontecerá naturalmente. Ainda tropeça nesse caminho egoísta e cheio de expectativas, mas se estiver numa multidão e pedirem que levante a mão quem acredita em oferecer sem esperar nada em troca, o garoto levantará e, mesmo que esteja sozinho no gesto, não se arrependerá, porque acredita que todos possam fazer o mesmo. Talvez passe por ingênuo, mas sabe o que sente. Isso ninguém tira dele.

Amor: É quando você oferece as suas batatinhas fritas sem esperar que a pessoa te ofereça as batatinhas dela.
(Alguma criança entre 4 e 8 anos de idade)

É por isso que o garoto quer ser um eterno garoto.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Porque o simples é simplesmente... perfeito

Enfiar a mão num saco de lentilhas e simplesmente... sentir.
Deitar na cama, no escuro, e colocar uma música tranquila bem baixinho e simplesmente... sentir.
Deitar na grama, no ápice da noite, olhar as estrelas e simplesmente... sentir.
Colocar a panturrilha sobre um fio ou uma espiral de caderno ou uma grade por um tempo, depois passar a mão e simplesmente... sentir.
A 140 km/h, numa chuva forte, colocar as mãos e a cabeça pra fora do carro e simplesmente... sentir.
Rolar na grama e simplesmente... sentir.
No meio da noite, num corredor vazio e escuro, pegar o violão e simplesmente... sentir.
Descer uma ladeira de bicicleta, um tempero, uma conversa, uma companhia, um abraço, um sorriso, uma piada, uma cilada, um dia, uma festa, uma decisão, uma mudança...
E sempre, sempre, sempre...
Simplesmente... sentir.
Simples assim.
Da maneira que for. ^^

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Não necessariamente

Não é porque eu odeie gente que só pensa em dinheiro que, se você chegar pra mim e disser "Dinheiro não traz felicidade? Então me dá o seu e vai ser feliz!", eu não vá rir.
Não é porque minha cor favorita é azul que se uma menina se caracterizar de Smurphy ou como um membro do
Blue Man Group eu vá me apaixonar por ela.
Não é porque eu não goste de caju ou manga que não vá gostar de suco de caju ou de manga.
Não é porque eu goste de MPB que eu não vá gostar de Choro, Samba, Rock (qualquer que seja), Blue, Jazz ou música erudita.
Não é porque eu odeie trovões que eu vá desligar o meu computador agora. Sim, tá dando trovão sem chover e esse é um daqueles mitos que sei lá quem inventou, mas que me fez parar de usar o computador muitas vezes porque meus pais acreditam nele. ¬¬'
Não é porque eu ache algo pesado brincar com o corpo de um indigente que agora serve à ciência que eu vá deixar de chegar pra alguém no meio da aula de anatomia e dizer "Quer uma mãozinha ?", fazendo a piada no sentido mais literal possível.
Não é porque programas de fofoca sejam uma das coisas que mais me irritam nesse mundo que eu vá mudar de canal, caso esteja passando um, e eu seja visita na casa. Tá, mentira. Eu VOU mudar de canal.
Não é porque eu disse isso logo acima que você vai me testar, me tendo como visita na sua casa, quando todos os seus familiares, principalmente aqueles que adoram programas de fofoca, estiverem presentes.
Não é porque eu goste de uma música que eu vá gostar do compositor(a) dela e vice-versa.
Não é porque eu ache super nojento encontrar uma verdadeira
cabeleira em torno do cabo da maçã, um bigato saindo do meio da laranja, morder algo duro na meio do arroz ou do feijão, ver uma mosca se afogando no molho da 'carne' do meu amigo logo ao lado que eu vá deixar de almoçar/jantar nesse lugar.
Não é porque eu goste de filmes que tenham uma trama excepcional, sem fazer uso de efeitos especiais, como 'Dogville', que eu não vá gostar de filmes cheios de clichês e entupidos de efeitos especiais, como 'G.I. Joe - A Origem de Cobra'.
Não é porque eu odeie que me contem precocemente fatos importantes de uma história que eu estou acompanhando que eu vá me importar de você me contar uma história.
Não é porque eu estou com dezoito anos que eu vá deixar de fazer e apreciar coisas de quando tinha oito.
Não necessariamente.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nostalgia

Era de manhã. Ouvi ao longe um som que interrompeu meu sonho. O despertador do celular cumpriu parcialmente sua função. Sim, parcialmente, porque coloquei no 'modo soneca' pra que pudesse dormir mais dez minutos e... tá, mais dez depois. Aquele esforço sobre-humano de sempre pra levantar e me arrumar.
Estava finalmente na faculdade sentado numa lanchonete junto de uns amigos; falando besteiras, contando piadas, imitando professores, propondo reuniõezinhas com filme e pizza na casa de alguém, enfim, coisas pra distrair. Haveria uma prova dali a poucos minutos; uma prova que estava me deixando preocupadíssimo, porque, devido a algumas circunstâncias, eu não havia estudado devidamente.
Naquele momento, a péssima perspectiva da prova tomava conta da minha mente. Eu estava mais é querendo chegar em casa pra ver os primeiros episódios da nova temporada de uma das minhas séries favoritas, me realizar apenas com meu violão.
Meus pensamentos foram desviados assim que vi o que se passava numa televisão diante de mim. Era 'A Caverna do Dragão'. Aquilo me levou a um estado de nostalgia de vários 'quandos'.
De quando minha mãe (às vezes meu pai) me cutucava de leve, dizendo "Hora de se arrumar e ir pra escola" ou algo assim; não sei dizer ao certo o que era porque ela(e) interrompia meu sonho, eu ouvia o recado só ao longe. Na maioria das vezes, tirava mais uma soneca e teriam que me chamar de novo. Era difícil levantar e me arrumar.
De quando, durante o recreio, junto dos meus amigos, apostava corrida, brincava de esconde-esconde, quatro cantos, verdade-ou-desafio, contava piadas bobas (e como eram bobas !), tentava, sem sucesso, imitar algumas tias, imaginava com uma esperança infinita que, quando minha mãe e as mães de meus amigos se encontrassem na saída da escola, concordassem que pudéssemos assitir desenho e comer bolo na casa de alguém, enfim, coisas de criança.
De quando eu ficava preocupado e até com medo de alguma prova, achando que iria mal e meus pais iriam brigar comigo. Hoje eu rio daquelas provas. Imagina... me preocupando tanto com aquilo... hahahahahahha
De quando eu só queria chegar em casa a tempo de assitir meu desenho preferido desde o começo do episódio e depois me realizar jogando video-game.
De quando eu era feliz e não sabia.
Opa... alguma coisa mudou ? É... acho que estou gostando desse negócio de 'era feliz e não sabia' porque, pelo menos agora, eu sei. Mas acho que antes eu sabia. Não teria tanta graça se, de alguma forma, eu não soubesse. É o tipo de coisa difícil de explicar e fácil de entender.
Eu ainda vou rir de muitas coisas. =D

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma imagem vale mais que mil palavras

Imagine que você vá tirar uma foto com seus amigos. Nessas horas se lembra que os seus óculos não são anti-reflexo, então decide colocá-lo no bolso pra que não pensem que o flash veio de você quando estiverem vendo a foto.
No caso, a câmera está meio perto, a maioria das pessoas ficou na frente, abaixada. Tá bom, vamos colaborar. Já que você está atrás do pessoal, abaixar não seria uma boa solução, então, sem se abaixar, pra que os rostinhos felizes fiquem todos no quadro da imagem, decide apenas se inclinar um pouco. Agora vem o momento em que todos param de falar e se mexer [modo foto - on], surgem sorrisos lindos/bonitinhos, expressões inexpressivas, de surpresa, susto, incompreensão, felicidade, quando determinadas pessoas fazem, até que involuntariamente, as mesmas caras e posições, com pouca ou nenhuma variação entre outras fotos, escolhem o lado mais favorável do rosto, escondem algo que não desejam expor, fazem alguma careta, chifrinhos, posições do tipo 'onde está o banheiro - modo Deuses do Olimpo ou Campeonato de Alterofilismo', incorporam um emo, mostram a bunda, outras ainda não se tocaram que a foto vai sair e entram para a História com o dedo no nariz, olhando pra outro lado, provam que o piscar de olhos não é algo simultâneo. Enfim, quando artificialidade, naturalidade e espontaneidade se registram, como um mosaico, para sempre.
Nesse mesmo momento você percebe que a sua decisão de inclinar-se pra aparecer na foto foi muito precipitada assim que sente algo acontecendo no seu bolso. Primeiramente, você não se dá conta do que é, mas milissegundos depois..... !!!!!!!!!!!!
Então, brevemente, uma tempestade começa dentro da sua mente.
É um processo bem definido, quase como as fases da morte, mas, claro, com suas devidas proporções e adaptações. "NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO !!!!! Ok... isso não acabou de acontecer, foi só impressão minha. Onde já se viu hahahahaha fazer uma cagada dessas." (Negação) "POR QUE DIABOS EU FUI TIRAR OS ÓCULOS DA CARA E COLOCAR NO BOLSO !! NO BOLSOOOOO !!! TINHA QUE SER COMIGO ??? LOGO COMIGO ??? A MALDITA CÂMERA NÃO TAVA COM FLASH E O ANIMAL QUE TIROU A FOTO NEM AVISOU !! NÃO DAVA PRA TIRAR UMA FOTO MAIS ELABORADA NÃO ?? POR QUE EU TAVA ATRÁS ??? TEM GENTE MAIOR DO QUE EU AQUI !!" (Raiva) "Tá. Eu ju-ro que se, quando tirar os óculos do bolso, estiverem inteiros, NUN-CA MAIS VOU RISCAR NENHUMA LENTE DAQUI PRA FRENTE E LIMPEZA RÍGIDA VAI SER TODO DIA." (Barganha) "Droga. Estou ferrado. Eram quase novos, não foram baratos, terei que comprar outros. Com armação e tudo, sim, porque eu sei que, se quebrou, não foi nada leve. Ele deve estar partido em dois. Minha mãe vai me matar. Estou muito ferrado." (Depressão) "Ah... era só um óculos. Vale dinheiro. Com dinheiro aranja-se outro; pagando a prazo, à vista. Eu espero. Estou com os meus amigos. Isso dinheiro não compra, nem a prazo nem à vista. Se esperar, perde-se a oportunidade. Vamos aproveitar porque depois, certamente sentirei saudades do que, talvez, não volte nunca mais." (Aceitação)
Nessa primeira foto, a sua cara vai ser muito engraçada. Vai virar piadinha interna entre o pessoal do grupo e, depois, entre qualquer um, desde que você conte: Cara de 'quebrando os óculos' hahahahha. Na segunda foto, depois da aceitação, de mostrar aos outros o que aconteceu, você estará no seu 'modo foto' ou distraído ou como quiser.
Fazer piada deixa as coisas melhores, não importa por quanto tempo.

P.S.: Isso não aconteceu comigo, mas já fiz menções a uma situação dessas só pra explicar como deve ter sido a minha cara diante de uma desgraça do cotidiano.