Ninguém me disse pra pensar sobre isso; nunca ouvi ninguém falar sobre isso, mas em algum momento na vida eu pensei nisso. Aquelas coisas que a gente acha que só a gente pensou e pode acontecer (lindo, inclusive) de mais alguém ter pensado nisso também, mas também sem nunca compartilhar. Tô falando sobre isso:
Por que somos capazes de rir de uma simples piada, ou nos sentir bem numa roda de amigos, logo depois de ver na TV a notícia de crianças que foram assassinadas? Como isso funciona? Por que a distância influencia tanto?
Penso nisso não há muito tempo, e não me lembro de nada que tenha me levado a pensar nisso. A não ser alguns programas de televisão que beiram a bipolaridade. E eu temo pelos telespectadores que esses programas podem criar. Em um momento, a morte de uma criança é sentida no fundo da alma, com revolta
do apresentador pseudopolitizado, pseudossensibilizado, pseudotudo, e logo depois a mudança do cardápio do casamento de um jogador do futebol é posta em pauta. Isso é pura loucura. E pior é que quem assiste talvez nem note isso.
Mas de certa forma, em outra escala, todos temos essa loucura. Não de forma - arrisco dizer - maldosa e intencional como nos programas de TV. Mas temos. E me pergunto de onde vem essa "imunidade psicológica". É um absurdo eu estar aqui agora, me preocupando em escrever algo que nem vai causar impacto na vida de pessoas que agora mesmo estão morrendo, seja lá como. Se divertir, e assassinatos; chuva com roupa no varal, e estupros; armar a árvore de natal, e fome.
Eu sei disso tudo. Mas o comportamento segue, e também sei que é natural.
Mas por quê?
E a distância é o fator que mais influencia nisso. Claro que me refiro a "distância" no sentido de "proximidade sentimental, familiaridade", mas a distância física também serve muito bem.
Se a morte de um desconhecido é noticiada na TV, dali a pouco a sua maior preocupação vai ser não derrubar um pouco da sopa na toalha enquanto leva a concha até o prato (não estou dizendo que você vai se importar com a morte da pessoa depois disso, porque não vai). Mas se você vir alguém, mesmo desconhecido, morrer na sua frente, pode te dar muitos dias de pesadelos e virar histórias pros seus netos ouvirem. Imagina então só se for alguém próximo a você?
De onde vem essa "anestesia mental"? Claro que se considerarmos alguém que perde um pedaço da alma com cada desgraça do mundo, seria outro absurdo. Mas me pergunto se essa anestesia não corre o risco de estar em altas doses (se é que já não está)...
Aliás, fiquei feliz de saber que um filme trata, de certa forma, desse assunto. "A Caixa". É meio viagem, mas recomendo.
De qualquer maneira, mesmo que respondam todos os porquês dessa minha dúvida, ainda é um absurdo e sempre vai ser. Estou inserido nele, é assustador, e vou tentar fazer algo a respeito.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Escrever
É... Faz um tempinho que não venho aqui...
Não é por falta de querer nem por esquecimento. Basicamente é porque dá trabalho escrever. A primeira pessoa que talvez tenha dito isso, que eu li - "talvez" porque as frases e seus autores, na internet, podem não ter relação alguma - foi a Clarice Lispector. Foi realmente ela que disse isso? Não importa. E além disso, estou numa onda de ler Stephen King de novo. O cara me vem com mais uma história d'A Torre Negra - uma das melhores histórias que já li até então - e lógico que li. Em alguns momentos - rápidos ou não - incorporo algumas coisa, me empolgo com elas. E nessas férias, me empolguei (de novo) com Stephen King.
Aí é aquela coisa de ver vídeos do cara, repensar suas histórias, desejar ler todos os livros... E confirmar que escrever dá trabalho. Porque ele diz "se quiser se tornar um escritor, deve fazer três coisas: ler muito, escrever muito, e se empolgar com isso." e também sobre o ato de escrever ser aperfeiçoado se feito com frequência. Mais uma vez: Stephen King disse isso? Ok, mas não é isso que importa. O que importa é que eu sinto isso desde que me propus a escrever. Talvez seja o meu jeito, ou talvez esse trabalho todo seja realmente o escrever propriamente dito, o verdadeiro.
Por isso eu não tenho vindo aqui. Entrei de férias - de um semestre que realmente tomou muito do meu tempo livre - dia 19, e tenho duas semanas pra aproveitar.
Tive muitas ideias pra por aqui? Sim. E em muitos casos me acusei de preguiça, falta de inspiração... Mas não era nada disso... Era falta da energia necessária pra me debruçar sobre um texto invisível e fazer força, força, pra que ele venha. Essa energia estava sendo usada pra outras coisas. Simples assim. Talvez eu não tenha tido uma grande ideia a ponto de vir aqui mesmo na correria do semestre... Mas uma grande ideia também pode exigir muita energia, mesmo vindo do nada. Eu sinto isso.
Eu poderia vir e escrever sobre nada? Sim (e pode ser muito importante fazer isso), mas acho que nem energia pra isso sobrou.
Percebo que escrevo com esse esforço... Mesmo que o assunto seja nada. Talvez eu queira um algo-a-mais, ou é algo de momento, que não tem a ver com o texto em si, mas com o ato de escrever ("O importante da arte é exprimir. O que se exprime não interessa").
O que dá mais trabalho é que, mesmo nesse gasto de energia com tantas coisas, eu sempre quero escrever.
Não é por falta de querer nem por esquecimento. Basicamente é porque dá trabalho escrever. A primeira pessoa que talvez tenha dito isso, que eu li - "talvez" porque as frases e seus autores, na internet, podem não ter relação alguma - foi a Clarice Lispector. Foi realmente ela que disse isso? Não importa. E além disso, estou numa onda de ler Stephen King de novo. O cara me vem com mais uma história d'A Torre Negra - uma das melhores histórias que já li até então - e lógico que li. Em alguns momentos - rápidos ou não - incorporo algumas coisa, me empolgo com elas. E nessas férias, me empolguei (de novo) com Stephen King.
Aí é aquela coisa de ver vídeos do cara, repensar suas histórias, desejar ler todos os livros... E confirmar que escrever dá trabalho. Porque ele diz "se quiser se tornar um escritor, deve fazer três coisas: ler muito, escrever muito, e se empolgar com isso." e também sobre o ato de escrever ser aperfeiçoado se feito com frequência. Mais uma vez: Stephen King disse isso? Ok, mas não é isso que importa. O que importa é que eu sinto isso desde que me propus a escrever. Talvez seja o meu jeito, ou talvez esse trabalho todo seja realmente o escrever propriamente dito, o verdadeiro.
Por isso eu não tenho vindo aqui. Entrei de férias - de um semestre que realmente tomou muito do meu tempo livre - dia 19, e tenho duas semanas pra aproveitar.
Tive muitas ideias pra por aqui? Sim. E em muitos casos me acusei de preguiça, falta de inspiração... Mas não era nada disso... Era falta da energia necessária pra me debruçar sobre um texto invisível e fazer força, força, pra que ele venha. Essa energia estava sendo usada pra outras coisas. Simples assim. Talvez eu não tenha tido uma grande ideia a ponto de vir aqui mesmo na correria do semestre... Mas uma grande ideia também pode exigir muita energia, mesmo vindo do nada. Eu sinto isso.
Eu poderia vir e escrever sobre nada? Sim (e pode ser muito importante fazer isso), mas acho que nem energia pra isso sobrou.
Percebo que escrevo com esse esforço... Mesmo que o assunto seja nada. Talvez eu queira um algo-a-mais, ou é algo de momento, que não tem a ver com o texto em si, mas com o ato de escrever ("O importante da arte é exprimir. O que se exprime não interessa").
O que dá mais trabalho é que, mesmo nesse gasto de energia com tantas coisas, eu sempre quero escrever.
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