sábado, 31 de dezembro de 2011

Balança da Vida

Se eu puser esse ano na Balança da minha Vida, todos os meus problemas de hoje, que tantas vezes parecem tão grandes e pesados, se tornam ínfimos e leves. Porque apesar de tudo - e não é fácil chegar no apesar de tudo - esse foi o melhor ano da minha Vida. Poderia ser o pior, poderia, mas não.


Com Você eu tenho o poder de chegar a essa conclusão.
O melhor ano da minha Vida.
Até então.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Que seja só ao volante

Primeira aula na auto-escola:

"Assim que você se sentar, mesmo que esteja tudo certinho pra você, mexa no banco e nos espelhos pra mostrar que você lembrou."

Então me pergunto quantas pessoas - ou pior ainda - em quantos momentos as pessoas sentam... e ficam lá.
Não saem da zona de conforto... (o banco já está bom, pra que mexer?)
Não se atentam mais... (os espelhos também, nem olho mais)
Não há mais porquês... (meus pés já vão sozinhos)
Não há mais foco algum... (as mãos também)

"Vai chegar uma hora que você nem vai perceber mais. É automático!"
"E no trânsito mesmo o que acaba acontecendo é que a gente dirige pros outros muitas vezes."


E tudo vai perdendo o sentido... (os espelhos não são pra eu me olhar, mas pra que eu olhe - antes e acima de tudo - pros outros)

E lá estão... dirigindo suas vidas por aí, sem mexerem no banco pra lembrarem de si mesmos, só com a preocupação de chegar ao ponto morto (e poe "morto" nisso).
Já "deixaram morrer" mas não faz mal... nem perceberam, não é mesmo?


Que eu mexa muito no meu banco, perceba, atente às coisas e aos processos.
Porque incomoda.
Mas vale a pena.

domingo, 11 de setembro de 2011

Muito obrigado...

... pelo "desde então", pelo "agora", e pelo "ainda".

Então tá então, bixo ?
Beijo beijo beijo !!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Autodidata em literatura

É de manhã
É de madrugada
É de manhã
Não sei mais de nada
É de manhã

 

(É de Manhã - Caetano Veloso)

- Se analisarmos atentamente o excerto anterior - até porque só temos isso até aqui (¬¬) -, perceberemos uma gradação interessante.
"Como um todo, há uma relativa inconsistência contextual do eu-poemático em relação ao extrínseco, dado que a impressão temporal apresentada não tem, explicitamente, um expediente sensorial. Não pelo pipitar sincopado dos pássaros, pela pantomima aveludada que os ventos imprimem sobre a vegetação que fulgi à luz do sol brotando da siririca das águas, na linha de um horizonte efluvioso... Ou pelo piscar do fogo que perpassa a jarra do leite matinal, perfunctório. Mas porque, simplesmente, 'é de manhã'.
"E então, nos dois versos seguintes, o eu-lírico materializa a anterior indistinção, justificando-a à imagem de seu universo interior. Dessa forma, com a intercalação da 'madrugada' entre as manhãs, percebemos o sensório confuso; uma consternação de limites, que atinge o pandemônio, o rebuliço, no quarto verso.
"Assim, o trecho tange o ultrarromantismo, fazendo menção ao desinteresse e apresenta-se egocêntrico, pessimista, lembrando Álvarez de Azevedo no poema 'Idéias íntimas', quando diz 'Os meus olhos ardentes se escurecem / E no cérebro passam delirosos / Assomos de poesia...'.
"Ou podemos citar até mesmo Charles Lutwidge Dodgson, que no pseudônimo de Lewis Carroll, descreve Alice entrando pela toca do coelho numa queda longa por entre luzes e objetos flutuantes... Grande metáfora da passagem para o inconsciente...
"Concluímos então a natureza onírica ou até mesmo etílica das divagações do eu-lírico, e...
- Felipe...
- Oi ?
- Para.
- Mas eu...
- Sssshhhh !
- Ma...
- Nãnãnãnãnãnã !!
- ...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Não acerto uma

Quase meia-noite. Msn. Uma amiga vem e diz "quarta-feira às 14h no Starbucks da Alameda Santos". Beleza. Mas pra que falar "quarta-feira" ? Que estranho...
Já já vem outra amiga e diz a mesma coisa. Mas já era mais ou menos meia-noite ! Pra que falar "quarta-feira" ? Bom... Deixa pra lá.
No dia seguinte acordei meio tarde. Tá, acordei na hora que era pra eu estar saindo. É o tipo de situação que se alguém liga a gente fala "Tô chegando já".
Tomei banho e me arrumei rápido, muito rápido, e mesmo assim ia chegar atrasado. Pelo menos meia hora atrasado. E nessas cirscunstâncias tudo é suficiente pra emputecer. É, aquela velhinha andando devagarzinho na sua frente não é bonitinha mais. Bem por aí.
Cheguei lá... Fui entrando e olhando... Nada. Ninguém. (Não levem isso literalmente porque vai parecer que entrei num buraco negro, o que, por sinal, não deve ser uma experiência muito agradável ou que dê tempo pra se ter alguma opinião).
Aí fui até o fundo e voltei. "Bom, acho que todo mundo atrasou mais do que eu" e fui sentar. E conforme o tempo passa, vão passando pela cabeça coisas completamente sem sentido, como uma forma de não ver a ficha caindo. "Será que tem algum piso abaixo desse ?", "Será que tem algum andar lá em cima ? Mas eu vi o telhado lá de fora, não é mais alto do que isso..."
Esperei uma hora... Porra, ninguém veio ! Mas dessa vez eu estou no lugar certo ! Bom, não perdi viagem e acabei indo pra uns lugares ali perto ver outras coisas. Lá pelas 19h, no portão em frente de casa, eu contei pro meu pai o que houve. "Elas falavam 'quarta-feira' mas era só falar 'amanhã', ainda mais porque já era meia-noite." "Mas Felipe... Hoje é terça." (...)


Shopping. Praça de alimentação. Fui até uma franquia lá, pensei "Onde eu pego o prato pra fazer a comida ?" e fui procurando, procurando, procurando e cheguei na caixa pra perguntar. Ela fez uma cara de que estava segurando alguma risada, e já pensei se eu tava todo encatarrado na cara. "Moço, aqui é otra franquia..." (...)


Um amigo me liga:
- Opa, beleza ?
- Beleza, e aí ?
- Beleza.
- Ow, imagina se eu atendesse com uma voz de velha, dizendo "Cemitério Vila Mariana, boa tarde." ? HAHAHAHAHA !
- Então... Meus pais acabaram de voltar de lá porque um vizinho nosso morreu...
- Hmm...
(...)


No telefone de novo, com o mesmo amigo:
(...)
- Sabe aquela "Eu sei que vou te amar, por toda minha vida..." ?
- Sei, do Tom.
- Não... é do Roberto Carlos...
- Eu sempre confundo essa com aquela que tocou na novela... "Quando a luz dos olhos meus..." que era uma versão do Tom e da Elis.
- Não era a Elis... Era a Miúcha...
- Ah é ? Irmã do Toquinho.
- Não... Ela é irmã do Chico Buarque...
(...)


Se eu continuar fazendo essas merdas, imagina na hora de dar uma cantada:
- Chega falando alguma coisa que provavelmente ela responda "nossa, comigo também é assim !", porque aí dá pra começar uma conversa legal. Mas trate de escolher algo infalível."
(...)
- Não deu certo. Mas era infalível !!! Como não deu certo ?
- Ué, mas então o que você falou pra ela ?
- "Meu namorado nunca fecha a tampa do vaso."


P.S.: "Eu Sei Que Vou Te Amar" é do Tom Jobim mesmo. Ou seja, não foi um combo ! (Como se isso aliviasse alguma coisa)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Catarro

Eu estava na plataforma de uma estação de metrô. Nesse frio até que é um bom lugar pra se ficar, tirando o fato de que uma plataforma de metrô não foi feita pra se ficar, mas pra deixá-la lá lálálá... lálá. Se bem que pensando por aí, calçadas não foram feitas como um espaço pra se encher de mesas e cadeiras, os elementos imprescindíveis juntos da falação agitada e alta das happy hours; o Google Earth não foi feito pra você achar a sua casa (a felicidade mais efêmera que existe), por mais que você - teoricamente - já saiba onde fica há tempos; enfim... Vem da criatividade achar outras funções pras coisas e eu ficaria lá na estação numa boa, mas tinha compromisso.
O trem chegou. Até que não estava muito cheio, mas tive que ficar de pé. Sentada na cadeira bem diante de mim, uma senhora.
Logo veio aquele planejamento rápido de quem sabe que o trem vai enchendo conforme passam as estações: onde ficar pra que eu tenha um jeito relativamente fácil de ter pra onde ir depois. Decidi ficar ali mesmo.
Então lembrei que esqueci de pôr um punhado de papel higiênico no bolso de trás da calça.
Aquele catarro vinha me incomodando há uns dias. Ali estava bem naquele estágio em que chego a sentir inveja da respiração regular dos outros e saudades da minha. Mas não era algo pleno, porque ainda me sobrava uma narina - numa luta quase injusta de força gravitacional versus status socio-higiênico - mas ainda uma.
Resfriado. Hepatite, caxumba, sarampo, catapora, hidrofobia, dengue, febre amarela, poliomielite, rubéola, meningite, encefalite, herpes, pneumonia ? Não. Resfriado ? Catarro ? Sim. E agora estou com o nariz e peito cheios desse quase-paradoxo imunológico. Só porque tem muito e não incomoda tanto é que tá em todo lugar, é isso ? Veja bem qual o tamanho do "incômodo" nessa frase, porque as pessoas estão entrando no trem, como eu previa, e tenho que tirar a mochila das costas pra dar mais espaço, além de ter que me segurar nessa barra. Agora o incômodo do catarro aumentou um pouquinho. Ah... @#$%& tem a véia sentada aqui na frente... E ELA TÁ OLHANDO !!!
Agora o incômodo atingiu um tamanho colossal, um patamar etéreo. Porque não se trata mais de algo meu comigo mesmo, mas envolve mais alguém, e isso significa que não tenho controle absolutamente nenhum da situação. Mas vou treinar um anto-enganozinho até chegar a minha estação. E a véia não para de olhar. Claro que não... Tem uma visão privilegiadíssima de uma parte de mim que eu não vejo e nem quero ver, e está fazendo questão que vê. Talvez seja por isso que estou tão puto com a senhora, não é mesmo ? Ela me vê, e eu não posso vê-la porque teria que olhar pra baixo, e seria o mesmo que dar bônus de força à gravidade contra a minha única narina atual, que perderia com brio (com todos os sentidos que essa palavra pode assumir). Estou imobilizado pelas pessoas à minha volta, pela minha mochila e pelo desejo de não cair, que ocupa minha outra mão.
Como será que está meu catarro ? Claro que a janela de Murphy diante de mim, por definição, está aberta e me impede de ver.
No momento, percebo que minha única narina está cedendo, porque minhas vias nasais são uma grande obstrução. Minha inspiração é puro catarro. Por extensão, todo esse ar a minha volta é puro catarro. Então me vejo nesse metrô... Túnel viscoso, trem-perdigoto nessa viagem-espirro. Velha maldita.
Não sei se pelo calor bacanal de tanta gente junta, meu alien vai se soltando, todo maroto. E é nessa hora que o problema ganha abrangência: vai chegar no lábio ou não ? Pelo menos pra mim, essa situação é a mais injusta, porque só é percebida quando já aconteceu. O único que não percebe o poder transgressor do catarro é o dono dele. Se estou tão preocupado assim, meu nariz ainda é o local da narrativa.
Minha senhora, tá olhando o que ? O catarro não escorreu ainda. Ainda ! Eu disse ainda !! Essa palavra não existe aqui, entendeu ?! Assim como o catarro escorrendo. Não existe. E se a senhora dá tanta atenção a algo bem diante de você, que não existe, a senhora é LOUCA !!! ESQUIZOFRÊNICA !!! Agora ponha o pé no chão, que vou te perguntar: nunca viu não ? Catarro ? Nunca peidou na vida, minha senhora ? Não me venha com essa cara de "ai-que-grosseria" porque pela sua idade, já peidou mais que o triplo que eu na vida !
Mas eu entendo você. Tanto que se estivéssemos de lugares trocados, ah... Eu não pararia de olhar nunca, e torceria a favor da sucumbência dessa sua blusa de pele, calça de couro, botas, brincos, maquiagem, perfume e cabelos, esse conjunto que custa a sua auto-estima, o olho da cara, horas do seu dia e a sua ilusão de segurança diante dos outros. Tudo sendo ofuscado pelo brilho denso e visceral de uma cachoeira selvagem e primitiva avançando impassível pro chão-mar onde jás tantas outras. Ah, sim !!! PARA DE OLHAR, VELHA FILHA-DA-PUTA !!! Se não eu escarro todas as gotas de catarro esquizofrênico em cima de você ! Viu como tenho certo poder na situação ? Fica pianinha aí...
E pela milésima vez curvo minha cabeça pra cima, dando um lugar mais privilegiado à velha nessa plateia que vê meu show. Acho que o primeiro a dar tanta atenção ao céu estava com um resfriado dos meus.
Enfim chega a minha estação. Me liberto dessa prisão, adeussenhora, e já a caminho do lixo estou na iminência de desfazer-me brusco em ruídos e...

 Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.

 Concordo com Drummond, mas devo dizer que certas coisas são pontuais, insubstituíveis:

 Catarro, catarro, catarro - o visco radiante
que me dá, pelo espirro, a explicação do mundo.


(Conto baseado no livro Tanto Faz - texto 11; de Reinaldo Moraes)

sábado, 2 de abril de 2011

O ponto de vista da conveniência

Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar
Eu cultivo rosas e rimas
Achando que é muito bom
Ela me olha de cima
E vai desinventar o som
Faço-lhe um concerto de flauta
E não lhe desperto emoção
Ela quer ver o astronauta
Descer na televisão
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem
Essa moça tá diferente (...)
Essa moça é a tal da janela
Que eu me cansei de cantar
E agora está só na dela
Botando só pra quebrar
Mas o tempo vai (...)
 
                              (Essa moça tá diferente; Chico Buarque de Holanda)
 
Por favor, alguém avise Chico Buarque que ele tomou um pé na bunda.

segunda-feira, 14 de março de 2011

20

Hoje começaram minhas aulas...
Espero que eu possa chamar isso de presente...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia Internacional do Amor


A amizade é o melhor remédio. (Hunter "Patch" Adams)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Literalmente, não.

Entrei no orkut hoje e minha sorte do dia: "Não coma neve amarela."
Hahahahaha, ah, cara... (suspendendo os óculos pra apertar os olhos com o indicador e o polegar).
Tá, sempre tem uma metáfora e tal, mas é bom levar certas coisas ao pé da letra de vez em quando. Aliás, nunca sei se entendi a metáfora, porque esse é o tipo de coisa que têm várias interpretações, mas tudo bem.
É importante ressaltar a facilidade com que eu tenho acesso a Neve: até hoje só passei na bunda (tá, já fiz essa piada aqui).
A primeira coisa que eu quero muito fazer quando me deparar com uma quantidade considerável de neve é fazer guerrinha de neve. Claro !!! Eu até colocaria neve na boca, mas seria algo pra se fazer num contexto de completo tédio, onde até as coisas mais estúpidas ganham atrativo. É como ler frasco de desodorante enquanto está sentado no trono. Eu já li até Isto é Gente !!! Pra se ter noção da gravidade da situação...
Então eu estaria sentado numa poltrona, mexendo as orelhas sem as mãos, tentando levantar só a sobrancelha direita (porque só consigo a esquerda), estralando o pescoço, medindo o intervalo de tempo pra que um avião passe bem em cima de casa, notando a diferença na visão quando fecho só o olho esquerdo e depois só o direito e... botando neve na boca.
Veja que colocar na boca não é comer. Comer ?! Porque alguém comeria neve ? Colocar na boca pra saber a textura, tudo bem. Bom, comer não faria diferença assim. Tá, comendo neve, então. Mas não seja qualquer neve, certo ? Tenho certeza de que não é a mesma água pra limpar vidro de carro, ou a do queijinho da praia (puta queijinho bom, aliás).
Lembra da situação de tédio que falei ? Então... Imagine só a pessoa lá, sentada no trono, e com neve do lado ! (Não o papel... Tá, parei) Sabe o que ela pode fazer ? DEIXAR A NEVE AMARELA !!!! É isso mesmo... Visualize a situação. Já assistiu Jackass ? Lembra o que ele faz com um sorvete de casquinha ?Pois é.
E agora eu pergunto: O QUE LEVA ALGUÉM A COMER NEVE AMARELA, PORRA !?!?!?! O QUE MAIS PODE DEIXAR NEVE AMARELA !? SORTE DE HOJE !? SORTE ?!?!?!?  HOJE !?!?!?!? CTALOKO !!!!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Rimas





Pedro Bial - um cara do Mal



Big Brother Brasil - vai pra puta que pariu

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Tá, e daí ?

Outro dia eu estava procurando uma palavra no dicionário, e bati o olho numa outra palavra ali próxima. Acabei descobrindo uma coisa sobre algo que eu - e, com certeza, muitas, mas muitas outras pessoas -  convivemos durante praticamente a vida toda.

Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
na rua dos bobos numero zero
                                                         (A Casa - Vinícius de Moraes)

A descoberta ? É esmero /ê/, e não esmero /é/. Só pra rimar mesmo. Taí o Vininha fazendo do jeito dele.
Mas logo que vi isso, me lembrei que ele não foi o primeiro a fazer isso:

Seja breve, seja breve
Não percebi porque você se atreve
A prolongar sua conversa mole
Seja breve, não amole
Senão acabo perdendo o controle
E vou cobrar o tempo que você me deve
                                                         (Seja Breve - Noel Rosa)

Nessa aí a manha é controle /ó/. Mais uma vez, só pra rimar. (E com certeza reflete o ambiente bem boêmio onde ele compunha na maioria das vezes; meio
chapado e "foda-se, vai assim mesmo") Taí o Poeta da Vila pra comprovar. A primeira gravação dessa música foi em 1933.
Mas o Vinícius não foi o último a fazer isso:

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
                                                        (Meu Caro Amigo - Chico Buarque / Francis Hime)

E finalmente nessa, ele canta rock'n'roll /ó/. Composta em 1976.


Puta merda, esse post ficou com uma carinha de documentariozinho que tenta te convencer de que aquilo tudo tem alguma importância, com o argumento "Ah, ninguém faria um trabalho desses pra nada, certo ?"; com aquela lógica "Stevie Wonder é Deus".
É isso mesmo, você chegou ao final do texto.
Pelo menos você conheceu algumas músicas. Não ? Já conhecia as três ? Ah... Pelo menos você sabe quando elas foram compostas, então. Você pode puxar papo no metrô com o que leu aqui. Quem puxa papo no metrô ? Normalmente idosos, porque todo o resto tem fones nos ouvidos. Pode ser no ponto de ônibus ou no ônibus, então. Mas, por favor, não puxe papo com alguém de quem você esteja afim. Que proveito a pessoa tiraria de saber como se fala "esmero" ? Quer saber ? QUE TIPO DE PESSOA GOSTARIA DE SABER ALGO ASSIM !? QUER O QUE !? ESNOBAR !? IMBECIL !!!!
(...)
É... perdeu o seu tempo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Jogos de Tabuleiro - I

De uns dias pra cá eu tenho jogado jogos de tabuleiro com uma frequência relativamente alta, e isso me faz reviver a infância. A minha, só pra deixar claro.
Já que eu era criança, o meu principal interesse era - como o de toda criança, creio eu - jogar, apenas. Então eu não ligava muito pra regras. Não que eu fosse roubar no jogo, mas no sentido de verificar se elas tinham algum nexo.
Agora, passado algum tempo, criei algum tipo de rigor nesse sentido, ou simplesmente me tornei mais chato (sim, mais); enfim, coisa de adulto. Percebi que algumas regras de alguns jogos não fazem muito sentido, o que é bom, porque tudo fica mais engraçado (tentei pensar agora em algo que faça sentido e seja engraçado, mas não me lembrei de nada). Mesmo assim, as coisas engraçadas têm sua lógica e sentido peculiares.


Tem algo de errado, muito errado, e há pouco tempo descobri que é no meu Detetive - a respeito dos pinos de cada personagem: o Prof.º Black é rosa, a Srta. Rosa é vermelho, a Dona Violeta é azul e o Sr. Marinho é verde ! Já citei isso em algum texto aqui. Me lembra aqueles jogos onde você lê a palavra de uma cor escrita com letras de outra cor, porque a confusão em ver um pino rosa e ter que dizer "Prof.º Black" é praticamente a mesma.

Não basta você chegar na casinha da porta pra poder entrar no aposento; é preciso de mais um ponto no dado: Isso leva a cogitar que, no mínimo, a porta emperrou (e isso é bem possível, considerando que o meu detetive é muito velho - final da década de 80, por aí); a personagem pode ter narcolepsia - possível mas pouco provável; esqueceu a chave e fica do lado de fora (sei bem como é isso; 4 vezes em 6 meses no ano passado ¬¬).

Se algum pino estiver no seu caminho, você tem que dar a volta, porque dois pinos não ocupam o mesmo espaço: Que falta de educação !!! Dá licença ae, ow !!! (exceto se a pessoa tiver narcolepsia mesmo e estiver dormindo em pé).

Acusar a sua própria personagem: A pessoa entra no aposento, e

Hide my head I wanna drown my sorrow
No tomorrow
No tomorrow
And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world


sobe numa cadeira, enrola sua morte no lustre logo acima. "Eu me acuso, com a corda no Hall !!! POR JESUS CRISTO, EU NÃO AGUENTO MAIS !!!"

Se alguém te acusar em um determinado aposento, você é levado até tal aposento: Isso é um inferno. Suponha que você seja o Coronel Mostarda, e está andando em direção ao Hall; lembre-se de que sua sorte não é grande, te impedindo de ver um número maior que 6 como soma dos dois dados. Você precisa chegar ao aposento desejado pra que possa fazer a acusação ali. Chegou na porta ! Mas não pode entrar porque não tirou um número suficiente pra isso, lembra daquela regra ? E então, na mesma rodada, outro participante entra num aposento do outro lado do tabuleiro e te acusa (¬¬). Educação ? Preocupação ? Hipocrisia ? Não sei, mas você tem que comparecer. Agora considere que isso acontece jogada-sim-jogada-não:

Deeeessa vez eu chego lá. Com licença, por favor ? (...) Ah, vai se foder !!! Que falta de modos...
Cheguei... Ok, a chave...
- MOSTARDAAAAA !!!!!
- AAAAAAAAAAAAAAHHHHH, BIXÔÔÔÔ !!!!! QUE QUE É DESSA VEZ !?!?!? (Como se o culpado fosse admitir o crime perante acusação... Tô velho mas não tô gagá, porra.)