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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Disfarce ridículo


Fui resolver um problema com o plano do meu celular. Liguei pra operadora, e fui seguindo as instruções de uma gravação.
Isso já é um tanto estranho... Um software se fazendo de gente pra interagir com você, mas pensando melhor é tão comum que se eu fosse listar as coisas que seguem a mesma lógica iria me irritar à toa. Vou ficar mais um pouco com essa loucurinha disfarçada de civilização.
Eu já tinha passado por várias etapas do fluxograma se fazendo de conversa, até me exigirem um protocolo que - óbvio - eu não sabia da existência. Aí fiz aquele silêncio sem digitações de quem perde a argumentação. E ouço a seguinte frase:
"Hm... esse protocolo não foi encontrado."
A situação ilógica de eu não ter digitado nada e terem afirmado com toda serenidade que eu digitei algo... Não foi isso me incomodou. Essa é a loucurinha. O que me incomodou foi essa sutil tentativa de um software se aproximar de mim, se achando algo que não é. Que é esse "hm..."? Isso é coisa de gente! Isso
é uma reação a um peido, a um diagnóstico preocupante! Cheiro, preocupação! E um software não tem nada disso! Ah, se toca, bicho! Quer o que com esse "hm..."? Mostrar que você tem elementos linguísticos específicos, historicamente e culturalmente construidos pra demonstrar pensamentos? Você nem sabe o que é linguagem! Já foi no médico e ele, vendo o resultado de um exame seu, fazer "hm..."? Já?! Não, claro que não! Já bateu o joelho ou o dedinho do pé numa quina?! Claro que não! Já usou "hmmmmm..." pra iniciar qualquer frase com tom malicioso?! Então tá falando por quê?!
Ah, mas você não é o único...
É só tentar abrir mais de 15 abas no navegador que "ele" vem e "diz":
"Bem, isso foi constrangedor."
"Constrangedor"?! Tem noção de quantas variáveis formam um constrangimento? Aposto que se você um dia sentisse algum, nem saberia! Para com essa tentativa de parecer o que você não é, só pra tentar se aproximar de mim, ou disfarçar que tem uma tomada no seu rabo. É, rabo! Não quer se humanizar? Então comece tendo um rabo! Ah, mas você, todo sistemático, vai achar que estou falando de uma cauda. Não! Tô falando de um cu! Um cu - e um rabo sendo cu - só têm significado pra mim, que tenho história num meio social! Se quiser se humanizar, comece sendo escatológico, por favor.
Na embalagem daquele suco de laranja com estampa xadrez de toalha de lanchonete, sabe? Tá escrito "Feito com carinho". AAAAAAAAAAHHHHH, NÃO!!!
Que disfarçada que nada! É muito absurdo pra ser um disfarce! É a loucura, nua a crua!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aquele momento

Sabe aquele momento único, curtíssimo, em que algo te parece extremamente engraçado? A graça pode ter vários motivos: uma sacada genial, o jeito que foi falado, trejeitos visuais, sons bizarros, piada interna (o que implica num contexto, numa familiaridade sua com aquilo), ou muitas outras coisas que geralmente não conseguimos explicar. Mas acho que já me fiz entender.
Esses momentos, até pouco tempo atrás, terminavam ali mesmo. Na cabeça de quem riu sozinho. No riso coletivo e breve do grupo de amigos durante uma reunião de fim de semana. No máximo, na plateia e na audiência toda daquele programa engraçado. Muitos, muitos risos, mas breves. Tudo acabava ali.
E ainda bem que acabava ali. Porque esse momento é tão mágico, que só acontece naquelas condições. Não tem como acontecer de novo - não na mesma intensidade. Então tem que acabar ali. Só faz sentido acabando ali.
Mas a internet criou uma tendência extremamente irritante sobre isso: não acaba mais ali. É muito engraçado? Que ótimo! Porque todo mundo vai saber, e por mais ínfima que seja, alguma minoria vai achar muito engraçado (isso quando não é realmente a maioria). E na internet, qualquer minoria, se comparada ao grupo de amigos no final de semana, é muita, muita gente. Então aquele seu momento mágico, que acaba ali, chega logo depois pra outra pessoa. Pra você, já acabou... Mas pra ela é algo novo; a magia do momento ainda está ali... Mas pra você já acabou...
Não são mais todos rindo juntos, mas uma fila pra dar risada. Até aí, dependendo do tamanho da fila, tudo bem, é até legal. Mas a internet não conhece moderação. É tudo além do limite. Então aquela piada que um dia foi super genial, agora é aquela criança que já esfregou muito a sua camada de paciência, e dá até pra te ver explodindo por trás do que agora é uma película.
O pior de tudo é que nem dá pra confiar na autenticidade de quem está muito atrás na fila. Porque ali há mais influência dos que riram antes do que influência da própria piada. "Nossa, quanta gente rindo! Deve ser muito bom!", e então aquele sorriso feito de números, que arma uma risada feita de nada.
Aí confundem quantidade com qualidade! Como assim?! Um milhão de pessoas riram de uma piada, não necessariamente porque é genial. A diferença agora é que um milhão de pessoas podem ter acesso à piada. Só isso.
Estão falando tanto que já perdeu a graça? O Kiko chegando no final do episódio do Chaves, rindo muito porque entendeu a piada do começo do episódio já não é tão engraçado assim? Pois é.
Por mais rápida que seja a propagação na internet, aquele meu momento mágico é mais. Bem mais.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Não acerto uma

Quase meia-noite. Msn. Uma amiga vem e diz "quarta-feira às 14h no Starbucks da Alameda Santos". Beleza. Mas pra que falar "quarta-feira" ? Que estranho...
Já já vem outra amiga e diz a mesma coisa. Mas já era mais ou menos meia-noite ! Pra que falar "quarta-feira" ? Bom... Deixa pra lá.
No dia seguinte acordei meio tarde. Tá, acordei na hora que era pra eu estar saindo. É o tipo de situação que se alguém liga a gente fala "Tô chegando já".
Tomei banho e me arrumei rápido, muito rápido, e mesmo assim ia chegar atrasado. Pelo menos meia hora atrasado. E nessas cirscunstâncias tudo é suficiente pra emputecer. É, aquela velhinha andando devagarzinho na sua frente não é bonitinha mais. Bem por aí.
Cheguei lá... Fui entrando e olhando... Nada. Ninguém. (Não levem isso literalmente porque vai parecer que entrei num buraco negro, o que, por sinal, não deve ser uma experiência muito agradável ou que dê tempo pra se ter alguma opinião).
Aí fui até o fundo e voltei. "Bom, acho que todo mundo atrasou mais do que eu" e fui sentar. E conforme o tempo passa, vão passando pela cabeça coisas completamente sem sentido, como uma forma de não ver a ficha caindo. "Será que tem algum piso abaixo desse ?", "Será que tem algum andar lá em cima ? Mas eu vi o telhado lá de fora, não é mais alto do que isso..."
Esperei uma hora... Porra, ninguém veio ! Mas dessa vez eu estou no lugar certo ! Bom, não perdi viagem e acabei indo pra uns lugares ali perto ver outras coisas. Lá pelas 19h, no portão em frente de casa, eu contei pro meu pai o que houve. "Elas falavam 'quarta-feira' mas era só falar 'amanhã', ainda mais porque já era meia-noite." "Mas Felipe... Hoje é terça." (...)


Shopping. Praça de alimentação. Fui até uma franquia lá, pensei "Onde eu pego o prato pra fazer a comida ?" e fui procurando, procurando, procurando e cheguei na caixa pra perguntar. Ela fez uma cara de que estava segurando alguma risada, e já pensei se eu tava todo encatarrado na cara. "Moço, aqui é otra franquia..." (...)


Um amigo me liga:
- Opa, beleza ?
- Beleza, e aí ?
- Beleza.
- Ow, imagina se eu atendesse com uma voz de velha, dizendo "Cemitério Vila Mariana, boa tarde." ? HAHAHAHAHA !
- Então... Meus pais acabaram de voltar de lá porque um vizinho nosso morreu...
- Hmm...
(...)


No telefone de novo, com o mesmo amigo:
(...)
- Sabe aquela "Eu sei que vou te amar, por toda minha vida..." ?
- Sei, do Tom.
- Não... é do Roberto Carlos...
- Eu sempre confundo essa com aquela que tocou na novela... "Quando a luz dos olhos meus..." que era uma versão do Tom e da Elis.
- Não era a Elis... Era a Miúcha...
- Ah é ? Irmã do Toquinho.
- Não... Ela é irmã do Chico Buarque...
(...)


Se eu continuar fazendo essas merdas, imagina na hora de dar uma cantada:
- Chega falando alguma coisa que provavelmente ela responda "nossa, comigo também é assim !", porque aí dá pra começar uma conversa legal. Mas trate de escolher algo infalível."
(...)
- Não deu certo. Mas era infalível !!! Como não deu certo ?
- Ué, mas então o que você falou pra ela ?
- "Meu namorado nunca fecha a tampa do vaso."


P.S.: "Eu Sei Que Vou Te Amar" é do Tom Jobim mesmo. Ou seja, não foi um combo ! (Como se isso aliviasse alguma coisa)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Catarro

Eu estava na plataforma de uma estação de metrô. Nesse frio até que é um bom lugar pra se ficar, tirando o fato de que uma plataforma de metrô não foi feita pra se ficar, mas pra deixá-la lá lálálá... lálá. Se bem que pensando por aí, calçadas não foram feitas como um espaço pra se encher de mesas e cadeiras, os elementos imprescindíveis juntos da falação agitada e alta das happy hours; o Google Earth não foi feito pra você achar a sua casa (a felicidade mais efêmera que existe), por mais que você - teoricamente - já saiba onde fica há tempos; enfim... Vem da criatividade achar outras funções pras coisas e eu ficaria lá na estação numa boa, mas tinha compromisso.
O trem chegou. Até que não estava muito cheio, mas tive que ficar de pé. Sentada na cadeira bem diante de mim, uma senhora.
Logo veio aquele planejamento rápido de quem sabe que o trem vai enchendo conforme passam as estações: onde ficar pra que eu tenha um jeito relativamente fácil de ter pra onde ir depois. Decidi ficar ali mesmo.
Então lembrei que esqueci de pôr um punhado de papel higiênico no bolso de trás da calça.
Aquele catarro vinha me incomodando há uns dias. Ali estava bem naquele estágio em que chego a sentir inveja da respiração regular dos outros e saudades da minha. Mas não era algo pleno, porque ainda me sobrava uma narina - numa luta quase injusta de força gravitacional versus status socio-higiênico - mas ainda uma.
Resfriado. Hepatite, caxumba, sarampo, catapora, hidrofobia, dengue, febre amarela, poliomielite, rubéola, meningite, encefalite, herpes, pneumonia ? Não. Resfriado ? Catarro ? Sim. E agora estou com o nariz e peito cheios desse quase-paradoxo imunológico. Só porque tem muito e não incomoda tanto é que tá em todo lugar, é isso ? Veja bem qual o tamanho do "incômodo" nessa frase, porque as pessoas estão entrando no trem, como eu previa, e tenho que tirar a mochila das costas pra dar mais espaço, além de ter que me segurar nessa barra. Agora o incômodo do catarro aumentou um pouquinho. Ah... @#$%& tem a véia sentada aqui na frente... E ELA TÁ OLHANDO !!!
Agora o incômodo atingiu um tamanho colossal, um patamar etéreo. Porque não se trata mais de algo meu comigo mesmo, mas envolve mais alguém, e isso significa que não tenho controle absolutamente nenhum da situação. Mas vou treinar um anto-enganozinho até chegar a minha estação. E a véia não para de olhar. Claro que não... Tem uma visão privilegiadíssima de uma parte de mim que eu não vejo e nem quero ver, e está fazendo questão que vê. Talvez seja por isso que estou tão puto com a senhora, não é mesmo ? Ela me vê, e eu não posso vê-la porque teria que olhar pra baixo, e seria o mesmo que dar bônus de força à gravidade contra a minha única narina atual, que perderia com brio (com todos os sentidos que essa palavra pode assumir). Estou imobilizado pelas pessoas à minha volta, pela minha mochila e pelo desejo de não cair, que ocupa minha outra mão.
Como será que está meu catarro ? Claro que a janela de Murphy diante de mim, por definição, está aberta e me impede de ver.
No momento, percebo que minha única narina está cedendo, porque minhas vias nasais são uma grande obstrução. Minha inspiração é puro catarro. Por extensão, todo esse ar a minha volta é puro catarro. Então me vejo nesse metrô... Túnel viscoso, trem-perdigoto nessa viagem-espirro. Velha maldita.
Não sei se pelo calor bacanal de tanta gente junta, meu alien vai se soltando, todo maroto. E é nessa hora que o problema ganha abrangência: vai chegar no lábio ou não ? Pelo menos pra mim, essa situação é a mais injusta, porque só é percebida quando já aconteceu. O único que não percebe o poder transgressor do catarro é o dono dele. Se estou tão preocupado assim, meu nariz ainda é o local da narrativa.
Minha senhora, tá olhando o que ? O catarro não escorreu ainda. Ainda ! Eu disse ainda !! Essa palavra não existe aqui, entendeu ?! Assim como o catarro escorrendo. Não existe. E se a senhora dá tanta atenção a algo bem diante de você, que não existe, a senhora é LOUCA !!! ESQUIZOFRÊNICA !!! Agora ponha o pé no chão, que vou te perguntar: nunca viu não ? Catarro ? Nunca peidou na vida, minha senhora ? Não me venha com essa cara de "ai-que-grosseria" porque pela sua idade, já peidou mais que o triplo que eu na vida !
Mas eu entendo você. Tanto que se estivéssemos de lugares trocados, ah... Eu não pararia de olhar nunca, e torceria a favor da sucumbência dessa sua blusa de pele, calça de couro, botas, brincos, maquiagem, perfume e cabelos, esse conjunto que custa a sua auto-estima, o olho da cara, horas do seu dia e a sua ilusão de segurança diante dos outros. Tudo sendo ofuscado pelo brilho denso e visceral de uma cachoeira selvagem e primitiva avançando impassível pro chão-mar onde jás tantas outras. Ah, sim !!! PARA DE OLHAR, VELHA FILHA-DA-PUTA !!! Se não eu escarro todas as gotas de catarro esquizofrênico em cima de você ! Viu como tenho certo poder na situação ? Fica pianinha aí...
E pela milésima vez curvo minha cabeça pra cima, dando um lugar mais privilegiado à velha nessa plateia que vê meu show. Acho que o primeiro a dar tanta atenção ao céu estava com um resfriado dos meus.
Enfim chega a minha estação. Me liberto dessa prisão, adeussenhora, e já a caminho do lixo estou na iminência de desfazer-me brusco em ruídos e...

 Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.

 Concordo com Drummond, mas devo dizer que certas coisas são pontuais, insubstituíveis:

 Catarro, catarro, catarro - o visco radiante
que me dá, pelo espirro, a explicação do mundo.


(Conto baseado no livro Tanto Faz - texto 11; de Reinaldo Moraes)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Falando com uma câmera sobre falar com uma câmera


Ócio + Prazer por edição = Esse vídeo
A qualidade não está muito boa, mas talvez depois eu dê um jeito.

P.S.: Eu não sei realmente se gorro e touca são a mesma coisa, só serviu pra piada mesmo, não leve a sério, hahaha.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nossa...

Ótimo. Posso aproveitar duas das aulas de hoje, já que esqueci de fazer a redação em casa e o prazo termina hoje. Não vou perder muita coisa, e não, não vou sair da sala. Vou tentar redigir lá mesmo. Tudo bem, já pensei o suficiente no tema... e tive uma ideia. Mas acho que isso vai me custar uma fuga do tema. Ou... não ? Complicado... Uma sinuca bem específica. Bom, agora é a hora dos testes, certo ? Vou ver no que dá. (...) Não saiu muito bem como eu queria, mas nunca sai, então vou deixar assim mesmo.
Deixar o texto no limiar da fuga de texto ? Tá, tá. É isso mesmo.
Ela está lendo... Parece bem compenetrada, fez cara de quem está acompanhando normalmente, agora... opa... fechou mais a cara, talvez por maior concentração, talvez por alguma complicação do texto, talvez por não estar entendendo nada... Ela está com a mão cobrindo a boca, e isso dificulta as coisas pra mim. Virou a folha, e não mudou a cara. Espero que seja só compenetração. Acabou !!!
- Nossa... - ela disse, se inclinando um pouco pra trás, baixando pouco a cabeça, arregalando um pouco os olhos, e sorrindo um sorriso indecifrável.
- "Nossa, ficou muito bom !!, "Nossa, você viajou demais...", "Nossa, não entendi nada..." ou "Nossa, tá pior que o King Size !!!" !? Que "nossa" foi esse !? Que cara foi essa !? Você conseguiu não querer dizer nada com essa expressão facial aparentemente significativa !!! A minha dúvida é se eu fugi do tema.
- Então... é realmente complicado de definir. Eu não arriscaria fazer isso na prova. Veja bem, o vestibular é o arroz com feijão.
- Eu fiz o que então ? Uma nojo foods ? McDonalds, churrasco grego ? Entendo.
- Foi meio arrsicado mesmo.
- Você está querendo dizer que viajei demais ? Tipo O Fantástico Mundo de Bob ? Sim, fiz de propósito.
(...)

A conversa perdurou e chegou ao fim sem eu saber se era fuga de tema, e que tipo de "nossa" era aquele.
Vida de vestibulando é algo realmente emocionante.  ¬¬

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eu sou usuário...

... do metrô. Faz parte do meu caminho da roça que não é da roça. Se fosse da roça, não teria metrô. Ou estou tão retrógrado assim ? Fato é que utilizo do metrô todo dia. Sabe quando a gente é criança ou lida com alguma coisa pela primeira vez e não entende absolutamente nada ? Então... eu fiquei muito tempo achando pura besteira quando as pessoas falavam "Você vai de trem ou metrô ?" Eu já pensava "Fala 'cisticercose' pra eu verificar se você não está bêbado." (Sim, porque outro dia estava revendo essa matéria e percebi que essa doença serve mais pra isso mesmo... *ssszsssttcerrrcóóóaaazzzzz... seguido daquela risada-chiado, que vai enfraquecendo até emudecer*) Se bem que, a rigor, metrô e trem não são a mesma coisa ?
Enfim, todo mundo começa comprando bilhete, não ? É... não... Mas eu compro bilhete, viu ? E ASSISTO BOB ESPONJA, E DAÍ !? Eu tenho bilhete único mas esqueci de renovar, e soube que não conseguiria pagar meia, então fiquei no bilhete mesmo. E é por isso que encontro com aquele ser humano que, sem nenhuma noção disso, é feito pra me irritar. Qualquer que seja o troco, ele vai conseguir arranjá-lo de forma que haja o maior número possível de moedas de todos os tipos. É IMPRESSIONANTE !!! "Qual é a forma de se dar 45 centavos usando o maior número possível de moedas de 5, 10 e 25 centavos ?" AQUELE SER HUMANO SABE !!! Sim, eu odeio moedas. Principalmente quando estou andando com bermudas que só têm bolsos inferiores ao joelho e, com moedas neles, me torno referencial pra qualquer um. "Tá ouvindo aquele cara cheio de moedas no bolso ? Então... depois dele, à esquerda..." Vamos descer atá a plataforma. Opa, essa escada subia até ontem. Trocaram os sentidos. Mas... pra quê ? Bom... agora... a plataforma. É aquele lugar onde, esporadicamente, você encontra as pessoas mais inusitadas, que passaram pela sua vida há muito tempo e, com isso, percebe como você também pode ter mudado aos olhos dos outros. Aquele cara da segunda série, ou aquela da quarta. "É, passou rápido, tô ficando velho, nossa, será que aquela pessoa mudou tanto quanto aparenta ? Será que eu mudei ?" (...) E é nessa hora que não se vê - mesmo que aconteçam - um dos maiores efeitos dos trens novos do metrô. Você está lá, na plataforma (eu provavelmente estarei andando pra lá e pra cá num trechinho de uns seis metros) sossegado (ou não), sóbrio (ou não), paciente (ou não), pensando em se matar (ou não). E então o som *som-do-trem-vindo-porque-não-vou-me-arriscar-a-fazer-essa-onomatopeia-aqui* e... e... É O TREM NOVO !!! Agora, caro leitor, é o efeito que ninguém vê. Diga se não vem uma felicidadezinha nessa hora... hã... ? *cutucando o seu braço com o meu cotovelo* Vem sim que eu sei. Por fora você está lá, "normal", "só mais um na plataforma", mas por dentro... "AEEEEEEEEEEE, UHUUUUUUUUL !!!! É O TREM NOOOOOO-VOOOOOO; EU VOU ENTRAR PRI-MEEEI-ROOOOO !!! É FRESQUINHO E TEM LUZINHA NO MAPA DA LINHA, QUE BUNITINH@$!@#$@#$@#$ !!! O LUGAR DO LADO DA PORTA É MEU E NÃO TE DO-OU !!! AS CORES SÃO LNDAS !!!" É... estou sabendo, viu... É uma felicidade interna colossal.
Eu já fui aquele cara que fica super feliz quando vai entrar no trem e vê todo mundo saindo !!! Hahahaha, sensacional !!! Só eu vou entrar !!! Oi... ? Ah... é pra todo mundo desembarcar e quem ia embarcar tem que esperar o próximo trem... ? TÃO OLHANDO O QUÊ !? LIGA PRA GRAÇA PORQUE NÃO TÔ VENDO ELA AQUI, NÃO !!! PALHAÇADA...
Uma coisa que acho estranha no trem novo é o cheiro. Não vou tentar dar uma de simbolista aqui e explicar. E, como já disse, eu sou aquele cara que fica naquele espaço ao lado da porta (que, se não me engano, tem dos dois lados de todas as portas do trem novo) encostado na parede. Sim, quando o trem para, dependendo do grau da minha distração, me torno protagonista daquela cena tão marcante quanto um garçom indo ao chão com uma panela de sopa. Aquela merda de ferrinho... bem na altura da cabeça... dói.
Mas se tem algo curioso no metrô é a tal da S.S.O. O QUE É A S.S.O. !? O QUE EU TENHO QUE FAZER PRA CONHECER A S.S.O. !? Os três lugares mais misteriosos e talvez utópicos do mundo: Acre, Triângulo das Bermudas e a S.S.O. "Favor comparecer à S.S.O.". "Estamos aguardando a manobra do trem à frente." Manobra ? QUE MANOBRA !? O CARA TÁ FAZENDO UMA BALIZA, É ISSO !?
É o ambiente de muitas coisas muito bizarras. Um post só não é suficiente pra descrever tudo, e também estou com preguiça agora.


O momento no qual estamos juntos é interminável...
Nossos corpos estão tão unidos, já posso sentir as batidas do seu coração.
Nossa respiração confunde-se com a do outro...
Nossos movimentos são sincronizados... indo e voltando... para frente
e para trás... às vezes para, e então, quando nos cansamos da mesma
posição, nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer...
Um calor enorme quase que nos faz desmaiar...
Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro.
E, quando não aguentamos mais segurar... Uma voz ecoa em nossos ouvidos:
"Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem".

                                                                                              (Corpos - Autor desconhecido)

domingo, 2 de maio de 2010

Seu Lelé

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem:
O que é esse barulho ? Ah... é a obra na casa do vizinho. Vejamos... Nossa, que bom ! Estou dez minutos adiantado ! É um bom jeito de se acordar quando necessário. Serve como um despertador que toca um pouco antes. Banho. Café-da-manhã. Vou de suco. Opa, um pouco difícil de abrir. Descolou a tampa. Opa, respingou, sujei a toalha. Sem problemas, nada que uns paninhos não resolvam. Yakult, é. Ãh... essa embalagem também não está ajudando. Tudo bem. Já já essa pasta de dentes acaba. Estou pronto.
- Dois unitários, por favor.
- Um ?
- Não, dois, por favor.
Nossa, quase eu vou na catraca errada, hahaha. Acho que esse som é do meu trem, e está chegando. Preciso descer rápido. Ah... não é desse lado da plataforma. Cheguei no cursinho. Algumas pessoas não conseguem passar de primeira, nem de décima, ás vezes. Estranho... E agora ? Onde tem carteira de canhoto ? Achei ! Boa localização. É difícil ser canhoto em certas situações, e essa é uma delas. Complicado...
- Você é do período da manhã ?
- Sou, por quê ?
- Então onde está o seu material ?
- Aqui do lado. Não estou guardando lugar pra ninguém.
- Ótimo, porque estamos tirando a carteirinha de quem guarda.
- Vou colcar a minha mochila no chão, então.
Por que o professor parou de falar ? Ah... alguém está indo ou vindo do banheiro ou de alguma emergência. Ou saindo da aula mesmo. É estratégia pra que ninguém saia da sala. Se um decidir sair, o professor para de falar, e prejudica todo mundo. Resumindo, não saia da sala pra não prejudicar a todos. Entendo. Última aula. Estou morrendo de fome. Ah... eu gosto quando esse professor lê a frase em todo fim de aula. Frases muito profundas. Pena que muita gente não dá a mínima. Hora do almoço. Essa escada está entupida de gente na maioria das vezes. E tenho que descer todos os lances, porque a minha sala é no último andar. Preciso passar no banco antes de ir pra casa. Por que a porta não abre ? Ah, o botão, claro. Não gosto de ir em banco. Desde sempre. Bom, mas agora já fiz o que deveria. Vou pra casa. Preciso ligar pra Telefônica. Um dos meus telefones está impossível de usar. Não tem como ouvir a pessoa do outro lado da linha, apesar de ela me ouvir.
- Telefônica, boa tarde. Quem gostaria ?
- Boa tarde, aqui é o Felipe. Eu quero chamar a assistência técnica aqui, porque o meu outro telefone está com um sério problema. *tutu* (Putz, esse som é sinal de que a bateria do telefone está acabando.)
- Qual é o seu endereço, senhor ? *tutu*
- Qual seria o problema, senhor ? *tutu*
- É um chiado muito alto que me impede de ouvir a pessoa do outro lado da linha. *tutu*
- Qual é o seu endere...
- Alô... ? Alô ?
É... acabou a bateria desse telefone e o outro continua com aquele problema. Mas depois que a bateria carregar um pouco - porque não tenho uma nova - tento de novo. Tomara que dê tempo de terminar a conversa.

(...)

Sabe aquela calma que só o desespero dá ? É como se fosse o itálico no nervoso virtual. Um recheio de sarcasmo:
Mas o quê... ? Ah, claro ! A obra na casa do vizinho. Um horário escolhido a dedo. Acordo antes da hora e, morrendo de sono, simplesmente não consigo mais até que o meu horário obrigatório chegue. Genial. Banho. Café-da-manhã. A tampa da embalagem desse suco cai como uma luva pra testar o limite da minha
paciência. Sim, descolou de novo e sim, respingou na toalha de novo. O Yakult ? Ah, não caiu no chão. Foi como um tiro ao chão. Tudo culpa da embalagem, mais uma vez. Sensacional. Meus dedos já estão doendo só de tentar espremer essa pasta de dentes pra ver se consigo aproveitar. Adoro quando isso acontece.
- Dois unitários.
- Um ?
- ... Não... Dois. (Pra que serve aquela birosca que parece um microfone das antigas ? Que tal ele apertar o botãozinho pra me ouvir do lado de cá do vidro ?)
Quase a catraca errada de novo. Quero só ver o dia que eu errar de fato. Vai ser... Corre, corre, porque esse é o meu trem. Está quase parando. Desce, desce ! Ah, mas é claro ! Adivinha ? Era o trem do outro lado da plataforma, bendita estação ex-terminal ! Sim, agora tem trem nos dois sentidos. Hahahaha... eu simplesmente não consigo passar nessa catraca do cursinho ! Já estou aqui há 15 tentativas de fazer essa maravilha entender que eu quero ter aula ! Genial. Ae, agora sim ! Não tem mais carteira de canhoto ! Todas ocupadas ! Acho que sei lidar melhor com a concorrência do vestibular do que com essa concorrência. Duas pessoas destras pra 200 carteiras, e duas pessoas canhotas pra uma carteira pra canhoto. Amo muito tudo isso.
- Você é do período da manhã ?
- Sim... e essa mochila é minha. Já vou tirar daqui do lado. Não estou guardando lugar.
- Estamos tirando a carteirinha de quem guarda lugar.
- Eu sei.
Pronto, estava demorando. O professor parou de falar de novo. Interrompeu todo o raciocínio só porque alguém, por um motivo que não interessa a ele, decidiu se levantar e sair da sala. Todo mundo se ferra. Muito legal. Hahahaha... agora que estou azul de fome o cara quer ler a frase. Bom, vamos dar atenção,
porque às vezes a frase fica na minha cabeça e dá pra fazer várias analogias. Mas que a fome está grande, está. Ah... mas é claro... a escada entupiu ! Maravilha ! Só esqueci que o meu estômago não entende português. Preciso voltar no banco. Esqueci de fazer uma coisa lá há semanas atrás. Esse botãozinho da
porta é mais uma invenção genial. Claro, é muito mais seguro ! O ladrão nunca vai perceber que só vai conseguir abrir a porta apertando o botão - uma tarefa muito difícil, por sinal. Vou tentar de novo resolver o problema do telefone.
- Telefônica, boa tarde. Quem gostaria ?
- Aqui é o Felipe, e eu gostaria de arrumar o chiado do meu telefone.
*tutu* (Hahahaha... aqui vai uma analogia infeliz: as missões que eu mais odeio em jogos de video-game são as com tempo.)
- Mas o telefone não está chiando, senhor. *tutu*
- Não é esse telefone, é o outro. *tutu*
- Qual é o número do seu protocolo, senhor ? *tutu*
- Onde eu faço pra saber o número do meu protocolo ? ... Alô... ? Alô ? (Adoro ficar falando sozinho no que deveria ser um diálogo !)

(...)

EU FICO PUTO !!!
?... !?... !!! Olha só que coisinha bacana...(link) Meu querido vizinho, A MAMÃE VAI BEM !? POIS SAIBA QUE EU ESTOU IMAGINANDO NESSE EXATO MOMENTO CADA MARTELADA DESSA DIRETO NA CACHOLA DELA !!! QUE HORÁRIO MALDITO DE SE COMEÇAR UMA REFORMA EM CASA !!! NÃO SÃO NEM SEIS DA MANHÃ !!! EU QUERO DORMIR NESSES DEZ MINUTOS DE LIVRE VONTADE QUE ME RESTAM, INFERNO !!! Banho. Café-da-manhã. Aliás, porque diabos eu chamo isso de café-da-manhã !? EU NEM TOMO CAFÉ NESSA MERDA !!! E "manhã", pra mim, é o período logo após o sono SEM INTERRUPÇÕES DE MERDA !!! MAS QUEM FOI O ANIMAL QUE INVENTOU ESSA EMBALAGEM !? QUE COLA DE MERDA É ESSA !? A TAMPA SAIU DE NOVO !!! E claro, NÃO DÁ PRA BOTAR NO COPO SEM QUE METADE RESPINGUE ATÉ NOS MEUS ÓCULOS !!! É MEIO LITRO DE SUCO PRO ESTÔMAGO E MAIS MEIO PRA TOALHA !!! E QUEM FOI O ACÉFALO QUE ACHOU MELHOR SUBSTITUIR ESSA EMBALAGEM DE PLÁSTICO POR AQUELA DE PAPELÃO !?!? NÃO TEM COMO PEGAR O PRIMEIRO YAKULT SEM QUASE PERDER A UNHA !!! A pasta tá quase chegando... é só apertar mais um pouco... (...) Ufa... agora é só... conseguir... dobrar a ponta... e (!!!) AEEEE, PORRA !!! JUSTO QUANDO EU CONSIGO PEGAR A ESCOVA E DEIXAR NA POSIÇÃO CERTA, A PASTA VOLTA PRA DENTRO !!!
- Dois.
- Um ?
- ISSO, ISSO MESMO !!! SÓ UM !!! ASSIM EU VOU LÁ PRA PQP E NUNCA MAIS VOLTO PRA CASA !!! APERTA ESSA BIROSCA DE BOTÃO E OUVE QUE EU QUERO DOIS !!! DOIS BILHETES !!! AQUI, TÁ VENDO !?!? DOIS !!! DOIS !
AI, AI !!!!! PQP... Ôh, frustração... CATRACA ERRADA, INFERNO !!! PRA QUE SERVE AQUELE BILHETE QUE PASTEI PRA CONSEGUIR !?! E, CLARO, NINGUÉM AVISA !!! SÓ PRA FICAREM VENDO O IMBECIL DA VEZ TOMAR O SOLAVANCO MAIS INFELIZ QUE ALGUÉM PODE TOMAR NA VIDA !!! O auge da desilusão. O meu trem... Corre, ai que dor, corre... Ah, não vou correr não, tá doendo e não vai ser o meu trem. ?... !?... !!! NÃO !!! PARA, PARA, PARA !!! É O MEU TREM !!! AH, É !? "PRÓXIMA ESTAÇÃO: INFERNO !!!" NADA DE PARAÍSO PRA ESSA MERDA !!! AH... NÃO !!! TRANCO DE CATRACA DE NOVO, NÃO !!! E O PROBLEMA NÃO É DA CARTEIRINHA DO CURSINHO, VIU ? Só uma vez usei a da Cultura sem querer... e o pior é que funcionou ! (Brincadeira) AEEE, SEU CANHOTO FDP !!! ESSA CARTEIRA ERA MINHA !!! OS CANHOTOS CONCORRENTES QUE VÃO À MERDA, PORRA !!! ALGUÉM TEM QUE DAR MAIS IMPORTÂNCIA PROS CANHOTOS !!! (!?)
- Você é do período da manhã ?
- CLARO QUE NÃO ! SABE, É QUE EU ADORO ACORDAR ÀS SEIS DA MANHÃ E VIR PRA CÁ SÓ PRA FICAR SENTADO CINCO HORAS NESSA CADEIRA EXTREMAMENTE CONFORTÁVEL, QUE VALERIA 10 PONTOS DE CONFORTO NO THE SIMS !!! SOU SIM. E não estou guardando lugar, ok ? Sim, eu já sei que estão tirando a carteirinha BLÁBLÁBLÁ.
O professor parou de falar de novo. VAI LOGO COM ESSA MERDA !!! SE ALGUÉM DECIDIU SAIR DA SALA, VOCÊ NÃO TEM NADA A VER COM ISSO, PORRA !!! DEIXA A PESSOA SAIR E VOLTAR SEM QUE ELA FIQUE CONSTRANGIDA, SEM QUE TENHA GENTE EVITANDO ATENDER A UMA EMERGÊNCIA SÓ PRA NÃO FICAR ENVERGONHADA, OBSERVADA POR TODO MUNDO, COM TODOS PENSANDO QUE ELA É UMA RELAPSA !!! PARA DE FRESCURA E NÃO PARA DE FALAR, CARALHO !!! Ah... não... Olha, é o seguinte: eu estou morrendo de fome, eu sei que a sua frase é legal e tal, mas eu vou sair da sala antes que ela saia da sua boca, professor. Depois eu pergunto pra alguém qual foi a frase e fica tudo bem. Sim, porque a escada não vai parecer a FAIXA DE GAZA, E EU NÃO VOU ESCOLHER O CAMINHO ERRADO QUE DEMORA MAIS PRA DESENTUPIR !!! Ah, era só o que me faltava... voltar ao banco. PRA QUÊ ESSE BOTÃO !? UMA CRIANÇA DE DOIS ANOS CONSEGUE APERTAR UM BOTÃO, PELOAMOR !!! AH, entendi. Mas é claro ! Já que todo dia UM EFEFANTE ENTRAVA NA PORRA DO BANCO, COM BOTÃO ELE NÃO ENTRA MAIS !!! Ah, dessa vez eu tenho que passar por um dos obstáculos mais complexos criado pelo ser humano. A porta giratória. MAIS UM SOLAVANCO INFELIZ, NÃO !!! E, seu guarda, não me venha com aquela pergunta óbvia que dói. Claro que eu tenho moedas. Ufa, passei. Sobre a fila ? MORRO ANTES DE TER FILHO VELHA. A porta de novo. Lálálálá... AEEEEEEEEEEEEEE !!!! Era o que eu temia. Muita distração enquanto passa na porta, é sinônimo de susto e EMPUTECIMENTO DEPOIS !!! O QUÊ MAIS ME FALTA ACONTECER !? CLARO, A TELEFÔNICA !!! Se tem coisa que não deveria existir, serviço de atendimento ao cliente é uma delas.
- Telefônica, boa tarde. Quem gostaria ?
- QUEM DISSE QUE EU GOSTARIA !? SE EU GOSTASSE, LIGAVA TODO DIA !!! Aqui é o Felipe. Eu queria arrumar o chiado do meu OUTRO telefone.
*tutu* (ÔÔÔÔÔÔHHHH, INFERNO !!!!!!)
- Chiado ? *tutu*
- É, MINHA QUERIDA, CHIADO !!! DÁ PRA IR MAIS RÁPIDO PORQUE A BATERIA DO MEU TELEFONE ESTÁ ACABANDO ?! *tutu*
- Mas o problema é chiado ou bateria fraca ? *tutu*
- BATERIA FRACA É PROBLEMA DESSE TELEFONE !!! ENTÃO NÃO ME VENHA COM PERGUNTAS QUE NÃO SEI RESPONDER, PORQUE A BATERIA PODE ACABAR A QUALQUER MOMENTO !!! *tutu*
- Qual é o número do seu protoc...
- ALÔ !? ALÔ !?!?!
AAAAAHRGHRGHGRHGRHGHRGHRHGRHRG &%$%$@#@#%$#%#&&&@#@$@#$@ !!!!!!!!!!!!!!


(...)


P.S.: Se você chegou até aqui, meus parabéns ! Você tem muita paciência ! Quando eu falo isso, eu tô louco ? NÃO !!! EU NÃO TÔ LOUCO !!!!!!

sábado, 17 de abril de 2010

Sem uma luz no fim do banho

Sabe aquele momento do dia em que a imaginação toma o mundo como um palco, onde é só você com você ou você com todos, onde contrariamos a corrente e cumprimos o que desejamos e desejamos o que cumprimos, tentando trazer as coisas pra realidade ? Quando surgem as melhores ideias, aquela luz no fim do túnel banho. Pra mim, essa viajada mental acontece a toda hora, mas enfim... Não, não é deitar a cabeça no travesseiro. Tá. Você já sabe do que se trata. Analgésicos !? NÃO !!! Quando te deram à luz ? Não, mais pra direita... "Criar um blog" ? ¬¬ Não... ¬¬ Mais pra esquerda... "Quem sou eu" ? COMO ASSIM "QUEM SOU EU" !? JÁ TOMOU TANTOS ANALGÉSICOS ASSIM !? Não, vai me dar o fanico consigo, Anabela...
Lá estava eu no banho então, pensando em algumas coisas muito interessantes: Como que a pessoa do pedágio das estradas vai pro local de trabalho ? Ela mora em Lugar Nenhum, vizinha do Coragem ? Ou será que aquela cabine é como a bararca que o Sr. Weasley arma durante a Copa Mundial de Quadribol, muito maior por dentro que por fora ? "O Windows está sendo desligado" é a prova de que o gerúndio está tomando conta ? Não é possível... Seria melhor "O Windows está desligando" ? Mas "desligar" não é algo que admite gerúndio, é ? Digo, ou liga ou desliga. Mas se ele "está sendo desligado" é porque não está desligando. Ainda chego num acordo. Mas depois de ter visto algo como "Ah, servidor, que feio !" no orkut e "Bem, isso é constrangedor..." quando não consegui carregar uma página, não me espanto com mais nada.
O meu verdadeiro incômodo naquele banho era o Alfredo. Sim, o Alfredo. Aquele mordomo super eficiente que traz o rolo de papel higiênico antes do miojo ficar pronto (foi só pra fazer analogia com o tempo mesmo... nada a ver com sistema digestório, ainda que tivesse relação com a situação). Quer dizer então que você está lá, satisfazendo as suas necessidades fisiológicas, quando, de repente, acaba o papel ! (A Lei de Murphy confirma) Qual é a saída ? Claro !!! Chamar o ALFREEEEEEDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO !!!!!!!!!!!!!!!! E ele vem de algum lugar, não sei como, mas vem, e com uma velocidade estupidamente alta. E, logicamente, a porta do banheiro está aberta (pra quê trancar ?). Lá está ele. Elegante, impecável, e trazendo o rolo de papel higiênico numa travessa !!! EM QUE MOMENTO ALGUÉM ACHOU QUE ESSA SITUAÇÃO DEVERIA SER CHIQUE !?!? O cara simplesmente te encontra numa das situações mais frágeis em que um ser humano pode ser encontrado !!! E DUVIDO QUE O ALFREDO MANTENHA AQUELA CARA DE MORDOMO, DEPOIS QUE SENTE O CHEIRO !!! AH, DUVIDO !!! Existe uma situação que deixe alguém mais frágil, impotente e constrangido do que essa ?!
Minha resposta veio instantaneamente. Tão rápido que nem o Alfredo conseguiria retrucar. Tudo escureceu, a água ficou fria, e eu fiquei puto. Além de permanecer nu, molhado e ensaboado. Uma criança tem mania de perguntar os porquês da vida. Se eu precisasse reduzir todos os porquês de quando era criança a um único, seria exatamente esse porquê. Exatamente esse. POR QUÊ !?!?!?! HEIN, POR QUÊ !?!?!?
Entrei no modo ninja, e, entrando e saindo debaixo da água quase tão rápido quanto o Alfredo, dei um jeito de remover o sabão. Depois vesti um pijama que tinha bolsos tanto na calça quanto na blusa. Por que alguém usaria bolso no pijama ?! Pra ficar o dia inteiro de pijama !? (Não, eu não sou um
banana) Tá. Pra aquecer as mãos. Mas então pra quê quatro bolsos ?

P.S.: Um frio desse e ainda tenho que passar Neve na bunda... (Não reconsidere se eu sou um banana)

P.S.S.: Fui verificar se era mesmo "O Windows está sendo desligado" e perdi tudo o que tinha escrito até então. ¬¬ (Zuera, hehehe)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ao volante !

Tensão geral no corpo, respiração forte e profunda, olhos fechados e um monólogo rápido, confiante e sussurado: Ok. (Expiração forte) Tá tudo bem. (Expiração de novo) Batendo a porta... (POOOOW) (HEY !!! NÃO TEM GELADEIRA EM CASA NÃO !?!?!) ¬¬ (SE FOR A DE RIBEIRÃO, TENHO SÓ GELADEIRA, PODE ACREDITAAAR !!!!) Ok. Ele já passou cara... tá tudo bem. Hmmmmmmmmmmm.... Tá. Quebra, despeja, espalha, espera até ficar mais consistente, joga pra cima, desvira... NÃO !!! ISSO É OMELETE !!! Calma. É... Hidrogênio, Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Cé... NÃÃÃOOO ! Slam it to the left !!! Shake it to the right !!! Chicas to the front !!! Go roooo oooo ooound !!! ... Não, acho que não é essa a sequência também...
Já sei !!! Regulagem do banco, cinto de segurança, freio de mão, embreagem, ponto morto, espelhos... Ok.
- Felipe ?
- Que é, pai ?
- Tá rezando ? Vai... Banco, cinto, freio, embreagem, ponto morto, espelhos...
- (¬¬) Não to rezando, só sussurrando e executando toda essa sequência que você falou.
- Agora liga o carro, sente os pedais, pisa na embreagem, põe em primeira e vai soltando o freio de mão enquanto acele.....ra..... NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO !!!!!!! Olha a calçad.... *#@#@¨%¨%*&#$@$%#$* As pessooo... *%$&¨%$&$&¨*%¨$%$#* O POOOOOOSTE !!!! *%@%¨#%¨%$¨&@$%#$$%@#$* VIIIIIRAAAA !!! ESQUERDA !!!! NÃÃÃÃOOOO, ESQUERDAAA !!! *caveirinha*
Brincadeirinhaaaa !!! Esse sou eu jogando GTA. Na realidade é bem diferente. Tá. Diferente. Hmmmm... Nem tãão diferente assim.
Na hora, é tudo meio tenso, mas depois fica engraçado. É a tendência natural das coisas pra mim. Fica melhor assim. Tipo "um dia vou dar risada disso". Às vezes fica engraçado só quando eu chego em casa, mas em outras, logo depois da tensão, ainda dirigindo.
A graça vem da relação entre que está ao volante aprendendo e quem está logo ao lado, ensinando. Como as ordens da pessoa que ensina estão baseadas no tempo de reflexo dela, acaba sendo tudo em cima da hora:
- Para. Paaaara. PAAAARAAAA !!! Falei três vezes !!! No dia do exame talvez não tenha três vezes !!
- Pai, até você falar o primeiro 'para', eu ouvir, processar, pisar na embreagem enquanto piso no freio atéé parar, o carro já parou na sua imaginação há muitos quarteirões.
Alguns erros de comunicação também:
- Agora só no freio. Vai. VAAAAI !!!
- EU JÁ PAREI O CARRO !!!
- MAS É PRA ACELERAR !!!!
- (¬¬) É que você falou 'freio', então eu tava achando que o 'vai' era pra frear.
E entre 'Não.... fez errado.', 'Eu não falei nada e você esqueceu de um monte de coisas', crises de afobação, ao final da aula:
- Foi muito bem !!!!
(!?!?!?!?!)
Mas eu entendo. Parece que os momentos de tensão tomaram a maior parte do tempo, mas depois, dá pra perceber que foi tudo bem realmente. Exigência faz bem. Ainda mais nesses casos.


P.S.: O que eu queria mesmo era que alguém, no meio do trânsito, me perguntasse 'HEEEEEEEEI !!!! COMPROU A CARTA ?!?!?!' e eu respondesse 'AINDA NÃÃÃÃÃÃOOOOO !!!' hahahahahahaha
P.S.S.: Não que eu vá comprar a minha carta. ^^

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Já sei que sou de peixes; não preciso de provas.

Às 14:00 eu tinha aula. Precisava ir na seção de graduação carimbar a carteirinha da Rápido Ribeirão. Eu não costumo fazer esse tipo de coisa em intervalos entre aulas, ainda mais pelo tempo que eu tinha. Mas um amigo meu disse que precisava ir lá também, o que tornou irrelevantes todos esses motivos. Do local de almoço até a graduação é uma distância relativamente grande. Vamos de ônibus então. No ponto já começou a garoar... mas eu ODEIO ter que carregar coisas (se não for de favor, claro). Pra que eu pegasse o meu guarda-chuva, a garoa teria que morfar, evoluir, comer a semente dos deuses, algo assim. O fato de o guarda-chuva ser novo reforçava mais ainda a ideia de não pegá-lo. Ah... vai... molhar né... =P
Não tenho um bom histórico com guarda-chuvas também. Outro dia esqueci um em algum lugar e não encontrei. Fico achando que foi na biblioteca mas algo me diz que cheguei em casa com ele. Já estou achando que foi déjà vu. Já quebrei, entortei, virei do avesso no meio da chuva, esqueci de pegar quando iria chover. Chover muito. Só falta eu ter que lutar contra a chuva pela posse do guarda-chuva... sabe ? Aquela cena super desesperadora e engraçada, quando o vento vai te levando, tipo no Twister... mas sem um cano enterrado sei lá quantos metros no chão como apoio. Cena super forçada, por sinal. Mas caso aconteça uma batalha da chuva contra mim, com o guarda-chuva como prêmio, vou gostar. Vai ser uma delícia, pelo menos na hora. Aposto que terei que apresentar um seminário logo depois... ¬¬
Fugi um pouco do tema ? Bom... 'guarda-chuva' está no mesmo campo semântico de 'chuva'. É só fazer o jogo do Me Faz Lembrar que dá pra provar.
A caminho da graduação, começou a chover mesmo. E não estou dizendo 'mesmo' como se a garoa não fosse chuva. Ainda que estivesse num estágio de chuva, eu diria 'mesmo', porque estava chovendo MESMO. MUITO MESMO. Do nível que você descobre a porcentagem de algodão da sua meia, mesmo usando calça. Dependendo de quanta água ela vai absorver. Se fizer aquele barulhinho do tipo peido de sovaco enquanto você anda, é mais de 90% algodão. Senti a presença do Murphy ali ao meu lado. Já não era uma surpresa. ¬¬
Uma certa vez, fiz esse mesmo caminho até a graduação, mas a pé. Chegando lá, percebi que a carteirinha estava em casa. Resumindo, fiz uma viagem à toa.
Me lembrando disso no ônibus, fui verificar se a carteirinha estava comigo. De repente meu amigo diz que teria que descer ali. E o ônibus já estava naquele momento-parado-já-vou-fechar-a-porta. !!!!!! VAI, VAI ,VAI !!! Carteira abertamalaabertachovendoe guarda-chuva na mão (fechado ¬¬). Fui pego de surpresa ! PULA, COOOOOORRE !!!!! Debaixo de um teto... Ufa ! Teto dele, porque eu só estava ali de companhia. Isso mesmo, não era a graduação. Mas eu sabia que ele iria descer um pouco antes. 'Pouco' pra quem está num ônibus. Onde ele estava quando disse 'um pouco', aliás. Eu teria que andar mais esse 'pouco'. Acontece que a pé e com chuva (e que chuva!) esse 'pouco' virou uma 'pequena' ironia. Abri o guarda-chuva e coloquei a mala na frente, tipo canguru, sabe ? Não era simplesmente a minha mala, mas dentro dela tinha um livro que não era meu. Todo cuidado é pouco.
Saí na chuva. Andei durante uns 10 minutos e nesse tempo, fui percebendo a inutilidade do guarda-chuva. A chuva incidia num ângulo tal que eu estava ensopado sem perdão da cintura pra baixo. Um questionamento interno sobre o porquê do guarda-chuva começou ali. No primeiro minuto, já começou o teste do algodão da meia, com o resultado saindo logo nos próximos 20 segundos: 100% algodão ! Maravilha... pelo menos a embalagem não enganava.
Carimbaram a carteirinha direitinho e caminhei de volta. A essa altura, só faltava surgir uma pedra gigante rolando rapidamente em minha direção, logo atrás de mim. Braços ensopados agora também. E eu não queria acreditar, mas a mala estava molhada, pelo menos por fora. O guarda-chuva estava sendo tão presente ali quanto o 'S' da Perdigão.
Encontrei o meu amigo, que me esperava, no caminho e deu tempo de chegar na aula. De quebra, um carro passou ao meu lado com uma velocidade suficiente pra me ensopar mais um pouquinho, mas àquela altura do campeonato eu já não ligava mais, por mais que um "fdp" tenha me escapado da garganta. Quase lá, pensei seriamente em tomar a chuva de fato, se não fosse pelo livro, que não era meu, dentro da mala.

P.S.: Eu estava com uma embalagem de Mentos dentro do bolso... acho que... não preciso dizer mais nada...
P.S.S.: Minha mala molhou por dentro. Só um pouco. Só pra dar uma noção do quanto inútil foi o guarda-chuva e de quanto forte foi a chuva.
P.S.S.S.: Achei que a minha bermuda fosse 100% poliéster, ou seja, 'secagem rápida'... porcentagem enganosa dessa vez ? ¬¬
P.S.S.S.S.: Ai se eu tivesse uma piscina em casa...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Lei da compensação

Desde que me lembro, tomava leite todo dia. Mas aconteceu algo que me fez perceber uma mudança nessa frequência.
Abri a geladeira, mesmo sabendo que as chances de eu fechá-la sem pegar nada (porque não tinha nada) eram muito grandes, e decidi pegar aquele finalzinho de leite, que devia estar ali sei lá há quanto tempo. Quando virei no copo... "!!!!?!!!" percebi de um jeito meio desagradável, e com mais precisão, o quanto esse 'quanto' era. O BAGULHO TAVA COALHADO !!!
Depois daquilo, comecei a ter outra opinião sobre queijos e iogurte. Tá, foi só na hora mesmo. O que me intrigou mesmo foi o que me levou a deixar o leite coalhar na geladeira. Não vou traçar aqui o raciocínio de algumas das teorias; só vou resumir a mais aceita e mais coerente. Era um final tão final de leite na garrafa que eu não ia gastar um copo pra tomar só aquilo. Tomar direto da garrafa não ia ter açúcar, e leite sem açúcar é meio ruim. Não ia ter nada pra tirar o gosto do leite; primeiro, porque a única coisa que a gente toma pra depois tirar o gosto é remédio. Tá. Xarope Vick tem o mesmo gosto de Halls de melancia, o que é muito bom; segundo, que não tinha mais nada, isso mesmo, mais nada pra tomar. Eu poderia jogar um pouco de açúcar direto na garrafa mas não pensei nisso na hora. Ainda bem, porque eu iria beber direto da garrafa... bleh ¬¬
Dias depois, eu tinha 5 litros de leite. Assim que fui beber o primeiro, como aprendizado da lição, olhei a validade. Aí sim supus que deve existir uma lei da compensação. E que eu a estava obedecendo, ou pelo menos deveria obedecer. O LEITE VENCIA NO DIA SEGUINTE, e como eu tinha comprado os 5 litros no mesmo lugar...
Fiz dois litros de nescau. Já tava de noite e eu tinha que dar um jeito. Não ia desperdiçar. Tomei os dois litros, doei mais dois e deixei mais um comigo, caso decidisse tomar ainda no dia seguinte... ah... é só um dia vencido vai... não deve matar. Mas acabei deixando o último litro intacto lá na geladeira de novo !! Alguém me diz algum experimento legal que se pode fazer em casa com um litro de leite coalhado, por favor... pelo menos eu filmo e jogo no youtube depois.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre coisas dessa vida

Pronto pra ir pra aula de manhã. Meio na correria porque o ônibus passava dali a cinco minutos, mas daria tempo. Abrindo a porta pra sair, percebi que a bermuda não combinava com o vento frio. Entrei em casa de novo pra colocar uma calça e finalmente saí.
Saindo do condomínio, voltado pra avenida onde fica o ponto de ônibus (quase em linha reta de onde eu estava), vi a traseira do ônibus parado. Se eu fosse uma personagem de um filme e você me visse nessa hora, faria algo que, apesar de não ser normal, é comum: gritaria comigo... ou melhor... com a TV.
"COOOOOOOOOOOOOOOOOOOORRE,COOOOOOOOOOOOOOOOOORRE, VAAAAAAAAAAAAAAI !!!!!!!!!!"
Mas, de fato, mesmo que eu pedisse um milagre, como alguém sair com uma Ferrari da portaria do condomínio logo atrás de mim já sabendo da minha desgraça e só falasse "Pula no capô mesmo que eu breco e te arremesso lá !!!" e esse milagre acontecesse, não daria tempo. Resumindo, perdi o ônibus e, por sorte, peguei carona com um veterano. Cheguei menos atrasado, mas ainda assim, atrasado.

"Moço, só tem a poltrona 30 e a 34."
Como a 34 é BEM DO LADO do banheiro, e eu já me sentei nesse lugar outras vezes, escolhi a 30, lógico.
"Ahhhh... acabaaaaaaram de pegar a 30 no outro guichê."
¬¬'
Adivinha ??? A PORTA DO BANHEIRO ESTAVA DESTRAVANDO SOZINHAAAAA !!! Não só isso, como ela batia no apoio do meu banco quando ficava completamente escancarada. Eu só esticava o braço pra fechar e, com certeza, quando isso acontecia, fazia com que as pessoas pensassem que havia alguém no banheiro. Finalmente, quando entrava alguém no banheiro, o que aconteceu com uma
frequencia anormalmente alta, eu perdia o foco do que estava fazendo, só pra ficar de olho caso a porta abrisse. Sim, porque eu seria a única testemunha de um constrangimento colossal, ficando talvez mais constangido que a pessoa no banheiro.
Às vezes penso que se não fosse eu ali na 34, não haveria nada de errado com a porta. ¬¬'
Ah... o cara que sentou do meu lado nessa viagem estudou comigo no jardim de infância. Ele se lembrou de mim. Não sei porque, mas eu nunca achei que ele fosse me reconhecer, apesar de ele não ter mudado quase nada. Será que eu não mudei quase nada também ?


Outra viagem. Eu estava lendo o terceiro livro de uma história que certa vez tentaram me contar, mesmo sem o meu consentimento.
Quase aconteceu de novo. Na outra vez, quase me contaram coisas do primeiro livro e, dessa vez, me senti mais desesperado ainda, porque o terceiro livro estava muito melhor. Eu não iria querer saber definitivamente nada.
"Noooooooooossa esse livro é muito bom !!!" - uma menina disse enquanto voltava ao ônibus na parada.
No fim, foi uma conversa agradável, porque ela também odiava que contassem as coisas que ainda não havia lido e teve o bom senso de não me dizer nada.


Eu NUNCA MAIS levo NADA naquele compartimento acima das poltronas. Aprendi a lição.
Comprei uma polibarra, daquelas de fazer exercício, sabe ? Coloquei ali acima da poltrona. Só quando o táxi parou em frente de casa, percebi a pequena cagada que tinha feito. Porque diabos eu coloquei a barra ali em cima !?!? Eu NUNCA uso aquele compartimento !!! Eu podia muito bem colocar na parte da frente do banco, onde sempre ponho a minha mala, aliás.
Tive que buscar a barra na garagem dos ônibus que, apesar de ser perto de casa a ponto de eu ir a pé, me fez lembrar daquelas simulações de programas policiais, onde o cenário do assassinato é na beira de uma rodovia, à noite, perto de um matagal, onde as coisas são mal sinalizadas e, principalmente, quando a vítima percebe que o número 1300, que lhe informaram pelo telefone, aparentemente não existe (entre o 1226 e o 1380 deveria haver um 1300, não ?). Ela então liga pro carinha da garagem dos ônibus pra falar onde está, ou onde acha que está.
A vítima só seguiu pro lado contrário. Simples !!!! E se sentiu um animal acéfalo quando viu a quantidade de holofotes, típicos de uma garagem, além de, vejam só, vários ônibus parados lado a lado (típicos de uma garagem também) pro lado que deveria seguir. ¬¬'
MAS O PORTEIRO DO CONDOMÍNIO DISSE QUE ERA DO LADO DIREITO !!!! EU OUVI !!!
E que ninguém me convence de que 1300 vem antes de 1226, não mesmo !!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Uma pequena cagada

AEEEEEEEEEEEEEEEEE festa de aniversário do Miyano !!!
Tudo combinado já. Como a festa era surpresa, eu teria que aparecer na casa da Diana entre 14 e 15 horas, assim como todo o pessoal, levando comigo carolinas e pão de forma, a pedidos. O Miyano apareceria depois, claro, pra ser pego de surpresa por todos.
Chegou a hora. Peguei o presente do aniversariante, as coisas de comer que me pediram pra levar e saí de casa. Meu pai ia me levar.
Em algum momento no caminho, com certeza, houve algum pequeeeeeeno desentendimento entre meu pai e eu; acho que ele não deve ter entendido a diferença entre ter festa de aniversário do Miyano e o evento ser necessariamente na casa dele. Tá, eu que falei merda mesmo.
"Pai, aniversário do Miyano hoje." - deve ter sido algo assim.
E lá vou eu !!! Sorridente e saltitante porque era uma das raras vezes em que eu iria chegar dentro do horário estipulado.
Chegamos. Peguei as coisas, saí do carro e fui tocar a campainha. Poucos segundos depois vinha uma pessoa me atender (este era o sinal pra que meu pai fosse embora, naturalmente). Era a tia do Myiano.
"Você quer falar com o Miyano ?"
Ué... que pergunta mais estranha...
"Sim. O pessoal já chegou ?"
"Mas não vem ninguém aqui hoje." - ela disse com tanta firmeza, seriedade e mostrando estranheza pelas minhas perguntas que pensei que a 'pegadinha' não era pro aniversariante e sim, pra mim.
"O Miyano vai sair daqui a pouco. Vai na Diana."
É NES-SA HO-RA que o Hommer faz "DÃÃÃÃÃÃÃÃÃH" e a cena é interrompida; que algum bonequinho do Cyanide and Happinnes vai atravessar a rua todo feliz e é atropelado; que alguém, de longe, acena pra você com entusiasmo e você, com o mesmo entusiasmo, responde acenando também, até ver que o aceno era pra alguém atrás de você (e aquela olhadinha ligeira pra todos os lados enquanto abaixa a mão); que a musiquinha de aniversário é interrompida por uma agulha riscando o disco.
Por mais que a realidade estivesse me estapeando violentamente na cara, ainda tive a esperança de que surgisse o Serginho Malandro dizendo "RÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ PEEEEGADINHADOMALAAAANDRO !!!"; o Chuck Norris vestindo uma roupa completamente rosa de maratona, com aquele shortinho curto e apertado, munhequeira de veludo e a clássica faixinha na cabeça, dizendo "ADOOOOOOOROOOOOO !!"; ou que brotasse do chão uma enorme placa com letras garrafais e uma seta apontando pro chão "AQUI É O ACRE." e eu finalmente caísse de cama. AQUILO NÃO PODIA SER VERDADE. EU NÃO, NÃO E NÃO TINHA FEITO UMA CA-GA-DA DAQUELAS.
Nesse meio-tempo de devaneios, o Miyano já tinha chegado ao portão e a tia dele já estava me convidando pra entrar. Percebi que meu pai já tinha ido embora e estava incomunicável até chegar em casa porque ele não usa celular. (AAAAARGGGHHHH!!!)
O Miyano, estranhando também, perguntou "O que você está fazendo aqui?"
De tão chocado, absorto e avoado que eu estava, só estendi a mão com o presente e nem dei parabéns !! E ainda por cima quase que entrego as coisas de comer pra tia dele.
Fiquei 'assistindo' televisão enquanto ainda não estavam prontos pra sair. Não haveria como falar com o meu pai, até porque eu já tinha sido convidado a ir junto com o aniversariante pra festa surpresa dele. (!?!?!??!)
Enquanto eu via um filme de vampiros, voltava a pensar no tamanho da confusão que eu tinha feito, a tal ponto de estar passando PolishopTV quando olhava de volta pra TV.
O que me salvou foi o aniversariante achar que iríamos simplesmente ver um filme na casa da Diana.
Eu não tenho uma doença muito grave, só me enganei mesmo... hehehehehe

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Adaptação

Primeiro dia sozinho na nova casa.
Era um domingo, um dia antes do primeiro dia de aula. Eu só esperava que, sendo assim, tudo desse certo (nada pior do que ficar preocupado com pequenas coisas).
Montei a cadeira do computador. Novinha em folha. Segui o manual direitinho e nada deu errado, nem aquela coisa clássica de faltar alguma peça ou ter que remontar. AEEEE \o/
Instalei computador, telefone, desfiz as malas, distribui as coisinhas pela casa.
Inaugurei a privada. E QUE INAUGURADA !!!!! "BAHUAAAAAAAAAN (lê-se 'barro one'), PLOC" dei a luz, só faltava falar.
E adivinha só ???? AHAAAAAAAAA ENTOPIU A PRIVADA !!!!!! UHUUUUUUUL o/ MARAVILHAA ¬¬' PRI-MEI-RO U-SO !!!! E já entopiu.
[Modo 'te-vira-negão' on]
Cortei, na faca, um pedaço de uma mangueira velha que tinha guardada embaixo da pia. Ok. Agora era só mexer o troço com aquele bagulhinho e o negócio tava feito; já daria pra usar a mangueira e desentopir. Me ocupei nisso por um tempo, até que estava anoitecendo.

A parede da sala adquiriu pontinhos pretos ! Sim, adquiriu, porque não estavam lá antes. Fui chegando perto, mais perto, maaaaaaais perto e..... (!!!!!) ERAM PERNILONGOS !!!!!! A parede INTEIRA estava repleta deles (uns 40, mais ou menos).
"Puuuuutz..... se eu for dormir com essa quantidade de pernilongos do lado do meu quarto, ainda mais com esse calor, vou acordar inchado a ponto de não conseguir me mexer.... tipo o Adam Sandler no Click."
Peguei o meu chinelo e comecei a estapear tudo o que não tinha a mesma cor da parede, tive que subir na mesa pra matar alguns que iam praticamente pro teto. Foi um bom exercício na verdade, mas me custou uma parede cheia de pontinhos de sangue e de manchas azuis. Sim, porque o meu chinelo era azul e às vezes eu arrastava pela parede pra fazer combo, matando vários mosquitos de uma vez.
Nunca mais deixei a janela aberta à noite. Ainda não comprei a tela de proteção.
Uma coisa por vez. O ventilador ajuda muito por enquanto.

P.S.: Limparam a parede, mas algumas marcas de guerra permaneceram =P

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lei de Murphy - 1 de ...

Quando não pode acontecer, acontece. Pelo menos comigo, é assim.
Meu almoço vinha a meu encontro dentro de uma caixinha dentro de uma sacola dentro de uma caixona de isopor na parte de trás de uma moto.
Finalmente chegou. Estava ali, logo atrás da porta de casa. Mas infelizmente, ele estava mais distante do que eu pensava.
A campainha tocou.
Eu: - Já vai ! - Peguei o dinheiro, e, claro, a ch..... a..... (!!!!!!!)
"CADê A CHAVE !?!?!?!?!" - pensei (calafrio do tipo 'PUUUUTZ').
Comecei a procurar, desesperado, pela chave. Esse processo puuutz-preciso-achar-se-não-vou-me-ferrar tem uma progressão interessante devido, principalmente, ao nervoso.
No começo, é só olhar para lugares livres de bugigangas, como superfícies vazias, ao alcance do nosso olhar; depois, começamos a mexer nas coisas; e finalmente, chega a fase onde nos desconhecemos, porque vasculhamos em lugares tão absurdos, que pensamos: "Ahhhhhh não...... eu NUNCA ia colocar algo tão importante aqui." (leia-se 'aqui' como 'em cima da tampa do cesto de roupas, embaixo da pia do banheiro')
Enquanto eu estava nessa procura, o entregador já estava me chamando pela terceira vez.
Eu: - Ó...... não tô achando a chave aqui..... vou interfonar pro porteiro pra ver se ele tem alguma chave de reserva !
Interfonei e o porteiro disse que ia ver se tinha uma chave reserva.
Entregador: - HEEEY !!! Não dá pra passar pela janela ???
"Felipe, seu animal !!!!! Porque não pensou nisso antes !!!"
Ainda bem que moro no térreo..... heheheheh... imagina se não....
O cara me passou o almoço pela janela (detalhe: chovendo... AEEEEEE BOOOOOOOOOOA o/) e o porteiro já vinha pra me entregar a chave reserva.
Nove dias depois, ou seja, hoje, lá estava eu me preparando pra estudar. Abri o estojo pra pegar as coisas e.......... AAAAAAAAAARRRRGGHHHHHHHHH !!!!!! A CHAVE ESTAVA LÁ !!!!!!
O pior nessas horas é que fica uma angústia, uma sensação de desperdício; como se alguém desligasse o telefone na sua cara ou se acabasse a bateria do telefone no meio de uma conversa, algo assim. É um momento em que não podemos descontar em ninguém; Só deixar sua cabeça pender pra frente e bater a testa na mesa... ou gritar.
Agora estou com receio de perder as duas de uma vez... sei lá como...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sou um ímã pra frase: 'Isso vai dar merda.'

Eu sou o tipo de pessoa que, por algum motivo, seja astrológico, metafísico ou genético, atrai coisas bizarras, estanhas, estraga-eventos. Vou contextualizar pra ficar mais esclarecido, dando um exemplo do que muito frequentemente pode acontecer caso eu entre num ônibus intermunicipal: o último lugar vago no ônibus, que será meu em algum momento, fica do lado do banheiro (e pode apostar que, sendo assim, todos vão saber, de um jeito meio desagradável, o que alguém comeu na janta do dia anterior); uma criança chorona senta no banco 21 enquanto estou entre o 18 e o 22 (é fatal); quando penso em pegar algo pra ler, a pessoa no banco do lado se acomoda evidentemente pra dormir ou fica falando no celular, ouvindo (e me forçando a ouvir) uma música normalmente insuportável pra mim.
Enfim, num feriado de 7 de setembro, entrei no ônibus que ia de São Paulo pra Ribeirão Preto.
Procurei o meu lugar, sempre preservando uma expectativa, que enfraqueceu muito nesse tempo de faculdade, de que não ia dar nada 'errado' astrológica, metafísica ou geneticamente.
Sentei, ajeitei minhas coisas e me acomodei.
Já estava meio escuro, porque eram mais ou menos sete da noite, então fui verificar se a luzinha no painel do teto estava funcionando. Apesar de essa verificação parecer insignificante, era muito importante pra mim, porque o meu melhor passatempo durante a viagem inteira seria uma leitura. Nunca consigo dormir e, como ainda tinha uma criança que até ali me parecia uma gracinha, sentada (adivinha !?!?!?) atrás de mim, imaginei que daquela vez não conseguiria também.
Já estava na minha leitura fazia um tempinho, quando a menina que estava do meu lado disse: "Ahhhh agora vendo você lendo isso, me deixou curiosa." E ela se inclinou pra frente pra pegar, imaginei eu, um livro. Perguntei qual livro era e ela me respondeu que era o mesmo que o meu. Perguntei em que parte da história ela estava.
AAAAAAAHHHHH PRA QUÊ ..........
"Ahhhh é na parte que (...)." E ELA COMEÇOU A CONTAR !!!!!!! Eu esperava uma resposta em forma de 'página-tanto/capítulo-tal' !!! E detalhe: ela estava muuuuuuito à frente de mim na história.
Virei pra ela, ativei o caps lock e "NÃÃÃÃÃÃO !!!!!! EU ODEIO QUE ME CONTEM AS COISAS !!!!CTALOKA !?!?!?!?!" (em pensamento, claro).
Depois percebi que o que ela falou era algo constante no livro, e não um fato marcante na história. Mas a decepção até eu perceber isso foi muito ruim.
Fui teimoso e tentei durmir. Só tentei. Sim, porque a criança atrás de mim ficava cutucando, é..... CUTUCANDO a minha cabeça !!!! E, do nada, decidiu cutucar a cabeça da menina que estava do meu lado dormindo. A menina acordou, apoiou o braço no encosto e ficou uns 5 segundos olhando pra mim !!!!! Pensei comigo: "Ainda bem que não sou o Mel Gibson naquele filme Do Que As Mulheres Gostam."


P.S.: Só naquele dia descobri como, do meio do nada, todas as pessoas do ônibus sabem que o Graal está a poucos metros !!!! É uma luzinha grande no painel do teto !!!!

P.P.S.: Quando fui verificar, a luzinha no painel do teto, não estava funcionando, mas me toquei um tempo depois que era porque o ônibus estava com o motor desligado. =S