quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aquele momento

Sabe aquele momento único, curtíssimo, em que algo te parece extremamente engraçado? A graça pode ter vários motivos: uma sacada genial, o jeito que foi falado, trejeitos visuais, sons bizarros, piada interna (o que implica num contexto, numa familiaridade sua com aquilo), ou muitas outras coisas que geralmente não conseguimos explicar. Mas acho que já me fiz entender.
Esses momentos, até pouco tempo atrás, terminavam ali mesmo. Na cabeça de quem riu sozinho. No riso coletivo e breve do grupo de amigos durante uma reunião de fim de semana. No máximo, na plateia e na audiência toda daquele programa engraçado. Muitos, muitos risos, mas breves. Tudo acabava ali.
E ainda bem que acabava ali. Porque esse momento é tão mágico, que só acontece naquelas condições. Não tem como acontecer de novo - não na mesma intensidade. Então tem que acabar ali. Só faz sentido acabando ali.
Mas a internet criou uma tendência extremamente irritante sobre isso: não acaba mais ali. É muito engraçado? Que ótimo! Porque todo mundo vai saber, e por mais ínfima que seja, alguma minoria vai achar muito engraçado (isso quando não é realmente a maioria). E na internet, qualquer minoria, se comparada ao grupo de amigos no final de semana, é muita, muita gente. Então aquele seu momento mágico, que acaba ali, chega logo depois pra outra pessoa. Pra você, já acabou... Mas pra ela é algo novo; a magia do momento ainda está ali... Mas pra você já acabou...
Não são mais todos rindo juntos, mas uma fila pra dar risada. Até aí, dependendo do tamanho da fila, tudo bem, é até legal. Mas a internet não conhece moderação. É tudo além do limite. Então aquela piada que um dia foi super genial, agora é aquela criança que já esfregou muito a sua camada de paciência, e dá até pra te ver explodindo por trás do que agora é uma película.
O pior de tudo é que nem dá pra confiar na autenticidade de quem está muito atrás na fila. Porque ali há mais influência dos que riram antes do que influência da própria piada. "Nossa, quanta gente rindo! Deve ser muito bom!", e então aquele sorriso feito de números, que arma uma risada feita de nada.
Aí confundem quantidade com qualidade! Como assim?! Um milhão de pessoas riram de uma piada, não necessariamente porque é genial. A diferença agora é que um milhão de pessoas podem ter acesso à piada. Só isso.
Estão falando tanto que já perdeu a graça? O Kiko chegando no final do episódio do Chaves, rindo muito porque entendeu a piada do começo do episódio já não é tão engraçado assim? Pois é.
Por mais rápida que seja a propagação na internet, aquele meu momento mágico é mais. Bem mais.

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