quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre coisas dessa vida

Pronto pra ir pra aula de manhã. Meio na correria porque o ônibus passava dali a cinco minutos, mas daria tempo. Abrindo a porta pra sair, percebi que a bermuda não combinava com o vento frio. Entrei em casa de novo pra colocar uma calça e finalmente saí.
Saindo do condomínio, voltado pra avenida onde fica o ponto de ônibus (quase em linha reta de onde eu estava), vi a traseira do ônibus parado. Se eu fosse uma personagem de um filme e você me visse nessa hora, faria algo que, apesar de não ser normal, é comum: gritaria comigo... ou melhor... com a TV.
"COOOOOOOOOOOOOOOOOOOORRE,COOOOOOOOOOOOOOOOOORRE, VAAAAAAAAAAAAAAI !!!!!!!!!!"
Mas, de fato, mesmo que eu pedisse um milagre, como alguém sair com uma Ferrari da portaria do condomínio logo atrás de mim já sabendo da minha desgraça e só falasse "Pula no capô mesmo que eu breco e te arremesso lá !!!" e esse milagre acontecesse, não daria tempo. Resumindo, perdi o ônibus e, por sorte, peguei carona com um veterano. Cheguei menos atrasado, mas ainda assim, atrasado.

"Moço, só tem a poltrona 30 e a 34."
Como a 34 é BEM DO LADO do banheiro, e eu já me sentei nesse lugar outras vezes, escolhi a 30, lógico.
"Ahhhh... acabaaaaaaram de pegar a 30 no outro guichê."
¬¬'
Adivinha ??? A PORTA DO BANHEIRO ESTAVA DESTRAVANDO SOZINHAAAAA !!! Não só isso, como ela batia no apoio do meu banco quando ficava completamente escancarada. Eu só esticava o braço pra fechar e, com certeza, quando isso acontecia, fazia com que as pessoas pensassem que havia alguém no banheiro. Finalmente, quando entrava alguém no banheiro, o que aconteceu com uma
frequencia anormalmente alta, eu perdia o foco do que estava fazendo, só pra ficar de olho caso a porta abrisse. Sim, porque eu seria a única testemunha de um constrangimento colossal, ficando talvez mais constangido que a pessoa no banheiro.
Às vezes penso que se não fosse eu ali na 34, não haveria nada de errado com a porta. ¬¬'
Ah... o cara que sentou do meu lado nessa viagem estudou comigo no jardim de infância. Ele se lembrou de mim. Não sei porque, mas eu nunca achei que ele fosse me reconhecer, apesar de ele não ter mudado quase nada. Será que eu não mudei quase nada também ?


Outra viagem. Eu estava lendo o terceiro livro de uma história que certa vez tentaram me contar, mesmo sem o meu consentimento.
Quase aconteceu de novo. Na outra vez, quase me contaram coisas do primeiro livro e, dessa vez, me senti mais desesperado ainda, porque o terceiro livro estava muito melhor. Eu não iria querer saber definitivamente nada.
"Noooooooooossa esse livro é muito bom !!!" - uma menina disse enquanto voltava ao ônibus na parada.
No fim, foi uma conversa agradável, porque ela também odiava que contassem as coisas que ainda não havia lido e teve o bom senso de não me dizer nada.


Eu NUNCA MAIS levo NADA naquele compartimento acima das poltronas. Aprendi a lição.
Comprei uma polibarra, daquelas de fazer exercício, sabe ? Coloquei ali acima da poltrona. Só quando o táxi parou em frente de casa, percebi a pequena cagada que tinha feito. Porque diabos eu coloquei a barra ali em cima !?!? Eu NUNCA uso aquele compartimento !!! Eu podia muito bem colocar na parte da frente do banco, onde sempre ponho a minha mala, aliás.
Tive que buscar a barra na garagem dos ônibus que, apesar de ser perto de casa a ponto de eu ir a pé, me fez lembrar daquelas simulações de programas policiais, onde o cenário do assassinato é na beira de uma rodovia, à noite, perto de um matagal, onde as coisas são mal sinalizadas e, principalmente, quando a vítima percebe que o número 1300, que lhe informaram pelo telefone, aparentemente não existe (entre o 1226 e o 1380 deveria haver um 1300, não ?). Ela então liga pro carinha da garagem dos ônibus pra falar onde está, ou onde acha que está.
A vítima só seguiu pro lado contrário. Simples !!!! E se sentiu um animal acéfalo quando viu a quantidade de holofotes, típicos de uma garagem, além de, vejam só, vários ônibus parados lado a lado (típicos de uma garagem também) pro lado que deveria seguir. ¬¬'
MAS O PORTEIRO DO CONDOMÍNIO DISSE QUE ERA DO LADO DIREITO !!!! EU OUVI !!!
E que ninguém me convence de que 1300 vem antes de 1226, não mesmo !!!

sábado, 24 de outubro de 2009

A origem das filas do S.U.S.

Como todo mundo, assim espero, tenho uma mania. Não que eu tenha só uma. Tenho muitas, mas vou citar só uma delas. Em qual momento ler frascos de produtos de higiene pessoal e de beleza é a coisa mais interessante que se tem pra fazer ??
...
Na farmácia, é claro !!!! (Onde mais poderia ser ?? hehehe...)
Peguei um frasco. Era uma amostra de shampoo anticaspa. Até aí, tudo bem, mas uma das coisas que me chamou a atenção foi estar escrito na parte da frente a frase "Uso Externo" (!?!?!?!?!?) Ahhhh..... me poupe... o negócio é um shampoo, um SHAMPOO !!! Quer dizer que se não tivesse escrito isso, a pessoa ia pensar: "Ah... meus pelos do nariz estão com tanta caspa que as narinas mais parecem bolinhas de algodão, como um difunto no caixão... acho que isso serve !" ¬¬'
Como se não bastasse, fui para o verso da embalagem. Sim, porque se na frente, com tão pouca coisa escrita, já encontrei uma bizarrisse dessas, sabia que algo tão tapado quanto ou pior me esperava. Comecei a ler aqueles nomes interessantes da composição do produto. Não sei com que objetivo, na verdade. Com esses nomes sempre dá pra fazer uma piadinha ou outra, fazendo jogo de sílabas ou o que a sua habilidade atingir. O único problema é que são piadinhas que, além de você mesmo, ninguém mais entenderia. No fim é rir sozinho mesmo... vale a pena.
Eu PRECISO escrever alguns dos compostos exatamente como estão na embalagem pra mostrar agravidade da situação: Ciclopirox olamina, ácido salicílico, ácido cítrico monoidratado, álcool oleílico, dexpantenol dietanolamida de ácidos graxos de côco (!?), metil glucose dioleato, propilenoglicol, imidazolil betaína de côco, (...).
E nas precauções vem escrito "Não deve ser utilizado por pessoas hipersensíveis a qualquer componente da fórmula."
MAS QUE PRECAUÇÃO EXTREMAMENTE EFICAZ !!! Sim, porque vejam: as pessoas, antes de usar o produto, naturalmente leem sua embalagem até as mínimas letras. (!?!?) Então, como são extremamente preocupadas com a própria saúde, se desesperam ao perceberem que não sabem se são hipersensíveis a nenhum dos compostos do produto e acabam ligando para um médico na família, partindo para uma procura enlouquecida àquela gaveta guarda-tudo em busca do exame do pezinho ou finalmente apelando para esperar numa fila do SUS afim de uma consulta médica.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Comunhão

When I heard the learned astronomer

Quando ouvi o douto astrônomo
Quando me apresentaram em colunas as provas e os algarismos
Quando me assinalaram os mapas e os diagramas para medir, para dividir e somar
Quando desde a minha cadeira ouvi o astrônomo que dissertava muito aplaudido na cátedra
Quão subitamente me senti aturdido e enfastiado
Até que esgueirando-me para fora me afastei sozinho
No úmido ar místico da noite e de tempo em tempo
Olhei em perfeito silêncio as estrelas.

(Walt Whitman)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Não necessariamente

Não é porque eu odeie gente que só pensa em dinheiro que, se você chegar pra mim e disser "Dinheiro não traz felicidade? Então me dá o seu e vai ser feliz!", eu não vá rir.
Não é porque minha cor favorita é azul que se uma menina se caracterizar de Smurphy ou como um membro do
Blue Man Group eu vá me apaixonar por ela.
Não é porque eu não goste de caju ou manga que não vá gostar de suco de caju ou de manga.
Não é porque eu goste de MPB que eu não vá gostar de Choro, Samba, Rock (qualquer que seja), Blue, Jazz ou música erudita.
Não é porque eu odeie trovões que eu vá desligar o meu computador agora. Sim, tá dando trovão sem chover e esse é um daqueles mitos que sei lá quem inventou, mas que me fez parar de usar o computador muitas vezes porque meus pais acreditam nele. ¬¬'
Não é porque eu ache algo pesado brincar com o corpo de um indigente que agora serve à ciência que eu vá deixar de chegar pra alguém no meio da aula de anatomia e dizer "Quer uma mãozinha ?", fazendo a piada no sentido mais literal possível.
Não é porque programas de fofoca sejam uma das coisas que mais me irritam nesse mundo que eu vá mudar de canal, caso esteja passando um, e eu seja visita na casa. Tá, mentira. Eu VOU mudar de canal.
Não é porque eu disse isso logo acima que você vai me testar, me tendo como visita na sua casa, quando todos os seus familiares, principalmente aqueles que adoram programas de fofoca, estiverem presentes.
Não é porque eu goste de uma música que eu vá gostar do compositor(a) dela e vice-versa.
Não é porque eu ache super nojento encontrar uma verdadeira
cabeleira em torno do cabo da maçã, um bigato saindo do meio da laranja, morder algo duro na meio do arroz ou do feijão, ver uma mosca se afogando no molho da 'carne' do meu amigo logo ao lado que eu vá deixar de almoçar/jantar nesse lugar.
Não é porque eu goste de filmes que tenham uma trama excepcional, sem fazer uso de efeitos especiais, como 'Dogville', que eu não vá gostar de filmes cheios de clichês e entupidos de efeitos especiais, como 'G.I. Joe - A Origem de Cobra'.
Não é porque eu odeie que me contem precocemente fatos importantes de uma história que eu estou acompanhando que eu vá me importar de você me contar uma história.
Não é porque eu estou com dezoito anos que eu vá deixar de fazer e apreciar coisas de quando tinha oito.
Não necessariamente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Uma pequena cagada

AEEEEEEEEEEEEEEEEE festa de aniversário do Miyano !!!
Tudo combinado já. Como a festa era surpresa, eu teria que aparecer na casa da Diana entre 14 e 15 horas, assim como todo o pessoal, levando comigo carolinas e pão de forma, a pedidos. O Miyano apareceria depois, claro, pra ser pego de surpresa por todos.
Chegou a hora. Peguei o presente do aniversariante, as coisas de comer que me pediram pra levar e saí de casa. Meu pai ia me levar.
Em algum momento no caminho, com certeza, houve algum pequeeeeeeno desentendimento entre meu pai e eu; acho que ele não deve ter entendido a diferença entre ter festa de aniversário do Miyano e o evento ser necessariamente na casa dele. Tá, eu que falei merda mesmo.
"Pai, aniversário do Miyano hoje." - deve ter sido algo assim.
E lá vou eu !!! Sorridente e saltitante porque era uma das raras vezes em que eu iria chegar dentro do horário estipulado.
Chegamos. Peguei as coisas, saí do carro e fui tocar a campainha. Poucos segundos depois vinha uma pessoa me atender (este era o sinal pra que meu pai fosse embora, naturalmente). Era a tia do Myiano.
"Você quer falar com o Miyano ?"
Ué... que pergunta mais estranha...
"Sim. O pessoal já chegou ?"
"Mas não vem ninguém aqui hoje." - ela disse com tanta firmeza, seriedade e mostrando estranheza pelas minhas perguntas que pensei que a 'pegadinha' não era pro aniversariante e sim, pra mim.
"O Miyano vai sair daqui a pouco. Vai na Diana."
É NES-SA HO-RA que o Hommer faz "DÃÃÃÃÃÃÃÃÃH" e a cena é interrompida; que algum bonequinho do Cyanide and Happinnes vai atravessar a rua todo feliz e é atropelado; que alguém, de longe, acena pra você com entusiasmo e você, com o mesmo entusiasmo, responde acenando também, até ver que o aceno era pra alguém atrás de você (e aquela olhadinha ligeira pra todos os lados enquanto abaixa a mão); que a musiquinha de aniversário é interrompida por uma agulha riscando o disco.
Por mais que a realidade estivesse me estapeando violentamente na cara, ainda tive a esperança de que surgisse o Serginho Malandro dizendo "RÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ PEEEEGADINHADOMALAAAANDRO !!!"; o Chuck Norris vestindo uma roupa completamente rosa de maratona, com aquele shortinho curto e apertado, munhequeira de veludo e a clássica faixinha na cabeça, dizendo "ADOOOOOOOROOOOOO !!"; ou que brotasse do chão uma enorme placa com letras garrafais e uma seta apontando pro chão "AQUI É O ACRE." e eu finalmente caísse de cama. AQUILO NÃO PODIA SER VERDADE. EU NÃO, NÃO E NÃO TINHA FEITO UMA CA-GA-DA DAQUELAS.
Nesse meio-tempo de devaneios, o Miyano já tinha chegado ao portão e a tia dele já estava me convidando pra entrar. Percebi que meu pai já tinha ido embora e estava incomunicável até chegar em casa porque ele não usa celular. (AAAAARGGGHHHH!!!)
O Miyano, estranhando também, perguntou "O que você está fazendo aqui?"
De tão chocado, absorto e avoado que eu estava, só estendi a mão com o presente e nem dei parabéns !! E ainda por cima quase que entrego as coisas de comer pra tia dele.
Fiquei 'assistindo' televisão enquanto ainda não estavam prontos pra sair. Não haveria como falar com o meu pai, até porque eu já tinha sido convidado a ir junto com o aniversariante pra festa surpresa dele. (!?!?!??!)
Enquanto eu via um filme de vampiros, voltava a pensar no tamanho da confusão que eu tinha feito, a tal ponto de estar passando PolishopTV quando olhava de volta pra TV.
O que me salvou foi o aniversariante achar que iríamos simplesmente ver um filme na casa da Diana.
Eu não tenho uma doença muito grave, só me enganei mesmo... hehehehehe

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nostalgia

Era de manhã. Ouvi ao longe um som que interrompeu meu sonho. O despertador do celular cumpriu parcialmente sua função. Sim, parcialmente, porque coloquei no 'modo soneca' pra que pudesse dormir mais dez minutos e... tá, mais dez depois. Aquele esforço sobre-humano de sempre pra levantar e me arrumar.
Estava finalmente na faculdade sentado numa lanchonete junto de uns amigos; falando besteiras, contando piadas, imitando professores, propondo reuniõezinhas com filme e pizza na casa de alguém, enfim, coisas pra distrair. Haveria uma prova dali a poucos minutos; uma prova que estava me deixando preocupadíssimo, porque, devido a algumas circunstâncias, eu não havia estudado devidamente.
Naquele momento, a péssima perspectiva da prova tomava conta da minha mente. Eu estava mais é querendo chegar em casa pra ver os primeiros episódios da nova temporada de uma das minhas séries favoritas, me realizar apenas com meu violão.
Meus pensamentos foram desviados assim que vi o que se passava numa televisão diante de mim. Era 'A Caverna do Dragão'. Aquilo me levou a um estado de nostalgia de vários 'quandos'.
De quando minha mãe (às vezes meu pai) me cutucava de leve, dizendo "Hora de se arrumar e ir pra escola" ou algo assim; não sei dizer ao certo o que era porque ela(e) interrompia meu sonho, eu ouvia o recado só ao longe. Na maioria das vezes, tirava mais uma soneca e teriam que me chamar de novo. Era difícil levantar e me arrumar.
De quando, durante o recreio, junto dos meus amigos, apostava corrida, brincava de esconde-esconde, quatro cantos, verdade-ou-desafio, contava piadas bobas (e como eram bobas !), tentava, sem sucesso, imitar algumas tias, imaginava com uma esperança infinita que, quando minha mãe e as mães de meus amigos se encontrassem na saída da escola, concordassem que pudéssemos assitir desenho e comer bolo na casa de alguém, enfim, coisas de criança.
De quando eu ficava preocupado e até com medo de alguma prova, achando que iria mal e meus pais iriam brigar comigo. Hoje eu rio daquelas provas. Imagina... me preocupando tanto com aquilo... hahahahahahha
De quando eu só queria chegar em casa a tempo de assitir meu desenho preferido desde o começo do episódio e depois me realizar jogando video-game.
De quando eu era feliz e não sabia.
Opa... alguma coisa mudou ? É... acho que estou gostando desse negócio de 'era feliz e não sabia' porque, pelo menos agora, eu sei. Mas acho que antes eu sabia. Não teria tanta graça se, de alguma forma, eu não soubesse. É o tipo de coisa difícil de explicar e fácil de entender.
Eu ainda vou rir de muitas coisas. =D

sábado, 3 de outubro de 2009

O "segundo Édson Luis"

Brasil, São Paulo, 3 de outubro de 1968. Ditadura Militar.
O ar preenchido de pedras destinadas, carros incendiados, molotovs, potes de ácido sulfúrico para derreter carne, armas de fogo, emanação de caos, preconceito, cegueira e estupidez. Assim estava a rua Maria Antônia, cenário da Batalha da Maria Antônia, conflito entre estudantes e que também culminou, no mesmo dia, no primeiro conflito entre os estudantes e a polícia.
No final da tarde morre José Guimarães, um estudante secundarista de 20 anos de idade.

Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri certeza absoluta.
(Albert Einstein)