domingo, 15 de novembro de 2009

Não sei o que é, mas sei o que não é.

Eu queria fazer Engenharia Automobilística até o dia em que minha mãe disse que um amigo dela estava com Corolla e eu perguntei se era grave. ¬¬
Eu queria fazer Economia até o dia em que entrei numa loja de equipamentos musicais. Eu queria fazer Gastronomia até o dia em que convidei um amigo pra almoçar na minha casa e ele disse que ia pro bandejão mesmo. ¬¬
Eu queria fazer Ciências Atuariais até o dia em que percebi que nunca entendi direito do que isso se tratava.
Eu queria fazer Dança até o dia em que... tentei dançar. (só danço nas provas) ¬¬
Eu queria fazer Artes Cênicas até o dia em que assiti a apenas um episódio de uma novela do SBT.
Eu queria fazer Artes Plásticas até as aulas de modelagem da 1ª série.
Eu queria fazer Arquivologia até ver uma cena do começo d'A Múmia, onde TODAS as estantes de uma biblioteca despencam por efeito dominó.
Eu queria fazer Astronomia até perceber que há muitas coisas em que se investir e muito mais acessíveis.
Eu queria fazer Decoração até entender que saber os nomes de todos os elementos da tabela periódica não era o espírito da coisa. Tá, foi péssima. Pode falar de coração... de coração... entendeu, hã ??? AHAAAAA !! ¬¬ (Viu como podia ser pior ?)
Eu queria fazer Direito, mas já tinha feito tudo errado.
Eu queria fazer Economia Doméstica até o dia em que fui morar sozinho.
Eu queria fazer Farmácia mas o sol estava tão forte que larguei a obra pela metade mesmo. ¬¬
Eu queria fazer Medicina até o medidor de pressão, que tinha quase a minha idade, quebrar pelas minhas mãos. ¬¬
Eu queria fazer Fotografia até o dia em que uma pessoa viu a foto que eu havia tirado e disse: "Mas... cadê a
metade de cima das pessoas ?" ¬¬
Eu queria fazer Moda até o dia em que eu, saindo de casa, indo pra uma reunião normal com os amigos, recebi a pergunta: "Tá indo pra festa do cafona ?" ¬¬
Eu queria fazer Rádio e TV enquanto estava sem energia elétrica ou pilhas em casa.
Eu queria fazer História até perceber que havia algumas coisiiiiinhas erradas no
Samba do Crioulo Doido.
Eu queria fazer Zootecnia se eu não me sentisse já como um animal às vezes.
Eu até gostaria de fazer Produção de Bebidas se soubesse antes que existe um curso pra isso. (!?!?)
Eu queria fazer Estética até me olhar no espelho.
Eu queria fazer Nutrição até o dia em que fui pesar o meu prato num restaurante de comida por quilo e o cara disse: "Só aceitamos pratos acima de 150g, senhor." ¬¬
Eu queria fazer Psicologia até que perdi a paciência e fui jogar freecell. ¬¬
Eu queria fazer Cinema até assistir 'Possuída Pelo Demônio', 'Planeta Terror', 'Liga da Injustiça' e só os trailers de qualquer 'High School Musical'.
Eu queria fazer Design de Interiores até o dia em que entraram no meu quarto dizendo: "Que lavanderia legal !!!" ¬¬
Eu queria fazer Engenharia Cartográfica até o dia em que
errei de casa e quase acabei com um aniversário surpresa ou quando, voltando da padaria, comecei a ler, nas ruas, placas escritas em uma língua completamente desconhecida, enquanto as pessoas, ao verem minha camiseta do Brasil, diziam: "Rrwrwonaldddowwww !!", "Samba !!", "Garwrwrwota de Ipanemaa !!" ¬¬
Eu queria fazer Propaganda e Marketing até o dia em que quis usar o Marx e o Darwin como garotos-propaganda da Gilette num trabalho da escola.
Eu queria ser barbeiro até que cortei o cabelo de um amigo e depois ganhei o apelido de pombo. Porque eu fiz uma 'cagada na cabeça dele'. Só fui chamado de barbeiro no trânsito mesmo. ¬¬
Eu queria ser crítico de futebol até o dia em que, assistindo a um jogo num churrasco, fizeram o gol e eu gritei, saí pulando de alegria mas, ao olhar o pessoal à minha volta, estavam todos me olhando com cara de 'Mas que imbecil...' ou 'Eu não vi isso...'. E então percebi que... era... gol... contra. ¬¬ (e já estava no replay) Assitindo uma vez a um jogo do São Paulo no ano passado, gritei: "Vai Raíííííííííí !!!!!!!!!!" ¬¬
Eu queria ser jogador de handball até o dia em que, na educação física, seguindo pro ataque, o time, em linha, foi passando a bola até que ela chegou em mim e eu continuei passando a bola no mesmo sentido, mas eu estava numa extremidade já e percebi que passei pra uma pessoa que só estava assistindo ao jogo na lateral da quadra. ¬¬
Eu queria fazer Jornalismo até o dia em que assisti... até o dia em que assisti.

E você queria fazer licenciatura em Letras até se deparar com uma redação como essa que acabou de ler.

P.S.: Só me restou fazer programa (Informática Biomédica).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu sou canhoto/esquerdino/sinistromano

Criança: Tiiiiiiiiiiia, qual é o lado direito ?
Professora: É o da mão que escreve, meu amor.
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO !!!!!!! NÃO É NÃO !!!! Não necessariamente. Se a criança for canhota e com uma professora dessas ? Pronto, aprende errado. Se algo ficou fora de sincronia, alguma criança esbarrou e quase derrubou os coleguinhas na coreografia da 'Direita, Esquerda' durante aquela apresentação bonitinha da 2ª série, todos os espectadores já sabem quem foi; dará seta pra esquerda, seguindo pra direita e vice-versa; nunca vai conseguir fechar GTA porque nunca conseguirá chegar no local das missões: "Esquerda !!! NÃÃÃÃO !!!! ERA ESQUERDA !!!!"; sempre vai achar estranho o fato de ser a única pessoa que fica do lado 'esquerdo' do trem na hora de desembarcar na Sé, pensando: "e ainda as pessoas ficam contra o fluxo, querendo entrar no trem !!! Que absurdo !!!"; nunca vai conseguir resolver o cubo mágico; só votará nulo ou branco porque prefere não se envolver no conflito esquerda X direita; enfim, esse é um risco que um canhoto corre. Mas há muitas peculiaridades em ser canhoto.
Inverter a faca com o garfo (se os talheres estiverem de um só lado, fatalmente será o direito); girar a xícara pra que a asa fique do lado esquerdo e, por falar em asa, 'fechar a asa' quando se sentar à mesa durante uma refeição ao lado de um destro, porque aí haverá um conflito de cotovelos. Deverá haver um acordo. No final das contas, o canhoto senta na ponta mesmo. Tá, se a mesa for circular e se não tiver outro canhoto no local, o que resolveria o problema, é um caso a se pensar.
Encontrar uma cadeira pra canhoto nas salas de aula é algo praticamente utópico. Achou ? Usa óculos ? Se usa, vai descobrir se está precisando de outro; se não, vai descobrir se precisa passar a usar. Sim, porque ela estará lá no fundo da sala. Mentira. Já encontrei algumas na frente. Não vou sacanear dizendo que estavam quebradas ou que nunca mais entrei nessa bendita sala onde esse fenômeno aconteceu.
O que uma tesoura, um abridor de latas e uma régua têm em comum ? Vou explicar: APARENTEMENTE fazem jus a algumas denominações para o termo 'canhoto', que significa, em geral, inábil, desajeitado, inepto, acanhado (grande merda, aliás). O fato de ser mais fácil pra um canhoto traçar uma reta no sentido direita-esquerda e que a régua é numerada no sentido contrário não atrapalha tanto realmente. Recorte já é algo pra se ocupar na infância quando se quer aprender direito, ainda mais quando a tesoura não é feita pra canhotos (sim, faz a maior diferença), o que os leva a pedir ajuda TO-DA VEZ. Com uma tesoura de destro não é possível visualizar a linha de recorte. Tem que ser aquela que tem serrinha. Já o abridor de latas é um inferno. Ou faz com a mão direita, o que torna muito possível um corte do tipo Rambo na mão, talvez a perda de
algum dedo a perda da lata, ou sofra agindo contra a natureza da ferramenta. A maior frustração de ser canhoto, pelo menos no meu caso, é em relação a instrumentos musicais de corda. Entrar numa loja lotaaaaaaaada de violões, violas, guitarras, baixos, cavacos, banjos, bandolins e ver que a disposição das cordas te impede de executá-los devidamente é de cortar o coração. Quer algum desses instrumentos pra canhoto ? Pode ter ali na loja já. Alguns modelos só. Quer AQUELA guitarra DAQUELE guitarrista ? Só por encomenda. Há outra solução. Aprenda a tocar como destro! Simples assim! Comece o aprendizado todo de novo. Aproveite e aprenda a escrever, fazer tudo com a outra mão também. (Leia-se 'outra mão' como 'esquerda' ou 'direita', dependendo do caso do leitor.)
Mais genialidade, habilidades artísticas, rapidez de pensamento, vantagens nos esportes ? Infinitamente relativo.
A mão esquerda é reservada a tarefas como higienização em Estados islâmicos; sinal da cruz só com a mão direita; acordar com o pé esquerdo é como prever alguma desgraça naquele dia; Cristo está ao lado direito de Deus; havia crenças de que o diabo seria canhoto e que batizava seus seguidores com a mão esquerda; no dia do Juízo-Final, os que levam o Corão na mão esquerda serão castigados. Tá. E ?
Sinistro, mano ?!

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai! Ser gauche na vida.

P.S.: Apesar da classificação do post, nem tudo aí é desabafo.
P.S.S.: Eu sei a diferença entre esquerda e direita, viu ?
P.S.S.S.: 'Gauche' está no bom sentido aí. ^^

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sobre o bom velhinho

Muita gente especula o porquê de inventarem esse tal de Papai Noel. "Ah... se a criança vai descobrir depois mesmo que ele não existe, então porque ficar fantasiando ?", "Até parece que um velhinho daquele vai conseguir, numa fração de segundo, passar nas casas de todas as crianças."
Isso realmente não interessa. É bom acreditar e pronto. Faz bem, ainda mais agora que descobri mais um motivo que prova isso.
Quando você acredita em Papai Noel, sabe, com você mesmo, que os presentes virão, mesmo que descubra um tempo depois que os que vieram não eram muito bem os que você queria, mas pelo menos, até aquele momento, não teve incertezas ou oscilações de humor. Só a ansiedade, por maior que seja, natural, pela espera do presente. É só esperar pelo momento. Funciona como um porto seguro.
Quando você descobre que a 'magia' toda vem dos seus pais, tudo muda. Na hora, pode só parecer triste, sem graça, compreensível, melhor do que antes, o que seja, mas o processo todo da espera pelo presente muda. Você entrava em contato com o Papai Noel uma vez por ano. Ele só 'trabalhava' no final do ano. Agora não. O 'Papai Noel' está ali o tempo todo. Por mais que, na fantasia anterior, você acreditasse que o poder de julgamento do Papai Noel era tão grande a ponto de precisar de uma só cartinha pra definir se você merecia o presente ou não, agora é muito mais real que o seu comportamento está sendo visto. Tá, você só vai se preocupar com essas coisas no natal mesmo, mas é uma preocupação a mais.
O pior disso tudo é como fica a mente da criança. Na véspera de natal ela pede alguma coisa para os pais que, pra ela, é de extrema importância. A partir daí percebe-se o quanto o Papai Noel era importante, porque o porto seguro não existe mais; aquele período que antes era só ansiedade, agora é cheio de especulações e dúvidas. O interessante dessa situação é como tudo o que não deve acontecer acontece, e na hora errada. Como quando você ouve os seus pais conversando baixinho em outro cômodo da casa sendo que, além deles, só há você ali; ou os vê fazendo gestos cheios de significado e olhando pra você de vez em quando. Todas essas coisinhas que acontecem faziam uma tempestade na sua cabeça. Em um determinado estágio, eram tantas coisinhas dessas, tantas especulações, que você poderia simplesmente recortar esses momentos e montar três mosaicos: um extremamente otimista, com a mais perfeita certeza de que iria ganhar o presente em que estava pensando; outro extremamente pessimista, considerando que o presente não seria o que pediu, se viesse; e outro completamente neutro, considerando como nada tudo aquilo que você achava que fosse. Natural. Não era com você. Detalhe: esses três mosaicos eram montados com exatamente os mesmos recortes, com a diferença apenas na interpretação de cada um. O que pode parecer bom, pode, ao mesmo tempo, parecer ruim... ou não ser nada.
A ansiedade aumentava, porque não era só a ansiedade de ver o presente, mas também a de qual presente ver. Essa ansiedade podia ser tamanha que te fazia buscar sinais, te dando pelo menos uma noção pra que mosaico olhar. Então você arrisca conversar com os seus pais sobre o presente de natal e, como querem fazer surpresa, ficam completamente neutros. Neutralidade era a última coisa que você queria. Ela não te faz definir nada; se tudo o que você viu ou ouviu dos seus pais nesse tempo todo era bom ou ruim, se você superinterpretou alguma coisa, se fez tempestade em copo d'água, se pensou certo em algum momento, se a própria neutralidade já quer dizer algo. Nada. Nenhuma certeza. Então você fica oscilando entre essas interpretações e a ansiedade só aumenta ainda mais, porque o presente vai ocupando cada vez mais lugar na sua cabeça, o natal está chegando e você fatalmente saberá o resultado disso tudo. É só esperar pelo momento, mais uma coisa que se torna difícil nessa situação, mas que você sempre consegue. Tá, sempre não, porque, afinal de contas, essa é a primeira vez que passa por algo assim, então não sabe como vai ser. Mas sabe que, por mais cego que você se sinta, sem saber o que esperar, vale a pena tentar esperar. Aliás, o presente é tudo o que você mais quer.