"A República - Livro VII: Mito da Caverna com comentários" deu lugar ao rosto do garoto, uma mistura de solilóquio e revolta. Era leitura pra um trabalho daquele cheira-cola-maconheiro, que usa aquelas papetes ridículas e só vai em feiras de coisas usadas, exposições de "arte" e no cinema da Gazeta, típicos programinhas vazios em todos os sentidos, inclusive a ponto de nem ter fila. Nem a fila é decente !
Como toda noite um pouco depois do jantar, ele se reúne com a família em frente à TV. Sala escura, deixando apenas aquela fonte de luz, olhos vidrados, sombras e aquela musiquinha; de certa forma, tudo aquilo é uma combinação poderosíssima que forma um clima irresistível, se tornando típico, natural e capaz de gerar sinestesia em qualquer futuro de qualquer um deles. Nesse momento, o mesmo acontece em muitas outras famílias, cada qual em sua caverninha. Vamos.
Vamos diminuir e banalizar e esquecer da humanidade de quem está lá:
Primeiro, separar os grãos de feijão; os "bons" dos "ruins". E lá estão eles; foram escolhidos porque são inteligentes, rostinhos, brincalhões, abdômens, sarcásticos, peitorais, alegres, seios, bobos, bundas, felizes, orifícios, interessantes. Temos certeza de que o público vai enxergá-los como eles são. É isso o que queremos. Sem preconceito ou censura. Imagina só !?
Vamos jogar uns contra os outros:
Simples. Separamos as pessoas em times. Claro, de acordo com o que elas achamos delas são. Sarados fortinho com gostosinha, Coloridos viadinho com sapatão, e assim por diante. Jogamos então a responsabilidade de cada time para um coitado líder. Cada time terá dois representantes que já participaram do programa, sendo que um tem a chance de voltar. Então, submetemos os times a uma tortura prova de resistência. O coitado vencedor terá uma sinuca escolha: Escolher um dos representantes a voltar ao programa. Além disso, se tornará peão líder. Assim, o participante que entrou só estará em jogo graças a essa pessoa que a escolheu. Forma-se uma dívida. Se o peão líder não escolher os membros do seu time pra dormirem no seu quarto luxuoso, cheio de biscoito comida farta, forma-se outra dívida. Afinal, eles estão no mesmo time, certo ? (...) O clássico sistema de votação, claro. O anjo, o monstro e o telefone (escolha, em segredo, alguém pra ferrar com a ilusão vida e dê-lhe um colar - pode abraçar, se quiser - em troca de imunidade). E agora, a novidade (é, estamos aperfeiçoando essa máquina que é esse sanatório programa ano a ano): "Eu gosto tanto dELE(A); queria tanto que ELE(A) ganhasse; porque ELE(A) merece." Espectador, em quem ELE(A) votou ? (...) PARABÉNS !!!! VOCÊ GANHOU UM CARRO E FODEU COM A VIDA DAQUELE PRA QUEM VOCÊ TORCIA, EXPONDO O QUE ELE TINHA A ESPERANÇA DE OMITIR A SEMANA INTEIRA !!!! UHUUUUUUUUUUUUUUUUUL !!!! E as provas mostre-que-você-odeia-alguém-e-adora-alguém-pra-que-todos-se-separem-e-se-matem-sozinhos, que rendem prêmios julgamento e comida chantagem.
Vamos definir, estabelecer padrões, estereótipos:
Olha, aquele cara ali não vai dar ibope é quieto. Mas aquele ali vai dar ibope é extrovertido. Ambos não só conversam bastante com todo mundo, como conversam bem; apesar de já terem passado por momentos de tristeza, saudade, reflexão e isolamento. Ninguém é de ferro. Então é simples. Vamos mostrar os bons momentos de quem vai dar ibope/sexo/briga é extrovertido e só os maus momentos de quem não vai dar ibope/sexo/briga é introvertido. Primeira semana ? Julgamento Votação. Muito cedo ? Ah... mas são três meses ! Tem que haver definições de caráter votações semanalmente. Vamos mostrar a todos que só quem é foda tem uma família e figurantes-desconhecidos-que-me-aplaudem-pra-aparecer-na-TV amigos equivalente ao número de amigos do orkut. Vamos fingir que o "apresentador" só apresenta. Vamos estabelecer regras de um jeito infalível, a ponto de nos enlouquecer (Carrie White, a estranha, e Alexander Portnoy que os diga). Vamos apontar e criticar e fingir não saber que estamos diante do espelho. Vamos rir de, e não rir com. Vamos definir o caráter de alguém com uma semana de vida. Vamos nos negar e chutar quem quer comer e ser comido. Vamos rir de quem quer amar e ser amado. Vamos desconsiderar o histórico e eternizar o momento. Vamos cobrir de hipocrisia essa eterna festa a fantasia.
Who made up all the rules ?
We follow them like fools
Believe them to be true
Don’t care to think them through
I’m sorry so sorry
I’m sorry it’s like this
I’m sorry so sorry
I’m sorry we do this
And it’s ironic too
Coz what we tend to do
Is act on what they say
And then it is that way
Who are they ?
Where are they ?
How can they possibly
know all this ?
Who are they ?
Where are they ?
How can they possibly
know all this ?
Do you see what I see ?
Why do we live like this ?
Is it because it’s true ?
that ignorance is bliss ?
I’m sorry so sorry
I’m sorry we do this - (Jem - They)
P.S.: Apesar desse post não ter sido pra isso, serviu também pra falar um pouquinho de religião (e não religiosidade), televisão e escola. Por enquanto está bom.
P.S.S.: Não é porque você gosta desse programa, que eu vá passar a te odiar. Não necessariamente.
Eu estava no cursinho. Eu estava na aula. Não que "aula" e "cursinho" sejam coisas diferentes; não que sejam coisas iguais também, mas no sentido de cursinho não ser só aula... hã... Bom, enfim... segunda aula. Era aula mesmo, eu estava prestando atenção, fazendo da aula uma aula (e não, não é peso na consciência). Preciso parar de falar "aula". Isso não impede que eu estivesse lá... na... segunda (segunda ?) aula (¬¬).
Eu já escrevi o equivalente a três linhas no bloco de notas maximizado e percebi que ainda não falei nada que comece efetivamente a história. Só defini o local e o tempo, e mesmo assim eu poderia estar em qualquer segunda aula de qualquer cursinho (cinco linhas agora). Essa minha enrolação pode ter alguns motivos. O mais provável é que a história não tem muita coisa, é muito rápida. Por isso pretendo fazer tempestade em copo d'água. Sei que não posso fazer essa comparação, mas é como se fosse aquela história da Clarice Lispector onde matar uma barata vira um épico. Sensacional. (Já te irritei, leitor ? Porque até agora falei, falei e não disse nada, não é ? Ah... não tá irritado ? Calma, era só a sua mãe te chamando, não precisava responder assim pra ela ! Calma, é só achar "puxe" na embalagem. CAAALMA !!! Só não abriu direito, não precisa ficar irritado ! Ah... você não gosta quando te dizem "calma" nessa hora ? Tudo bem, mas que você tá estrassado, meu caro leitor, está sim. Ah... é leitora ? Bom... coisas da língua. Não, não é aquele pirulito que deixa tudo azul. Portuguesa. Não, não é a pizza. Tá me entendendo ? Ou já parou de ler ? Leu isso ? AHAAA !! Então ainda está lendo. Se eu estava fumando ? Não, eu não fumo. Eu estava estudando redação.) (...) Talvez seja esse mais um motivo pra minha enrolação, fugindo do tema, escrevendo tanta idiotice e acabando de esquecer sobre o que eu ia falar. Lembrei. NÃO VOU FALAR ONDE EU ESTAVA PORQUE JÁ FALEI. SE NÃO LEMBRA, LÊ AE !!!! E FALAR BESTEIRA E FICAR IRRITADO DO NADA NÃO É ESTAR SOB EFEITO DE DROGAS !!! EU SÓ SOU BIPOLAR !!!
Deixei cair a régua no chão. (Oi ? Sim, esse é a acontecimento principal da história. Agora deu pra entender, certo ?) O que talvez te conforte (ou não) é que não acaba aqui. Eu não gosto daquele tipo de piada que duram cinco horas pra não chegar em nada, tipo a do Joãozinho com seu bilhete. Mentira. Adoro aquela piada. Isso não significa que eu vá te fazer de trouxa, te dando um pouco de esperança de que o texto não vai acabar e do nada, te dar um ponto final do tipo que depois só tem a contra-capa. Já não sabe mais se o texto vai acabar aqui ? (Não, esse texto não é pra testar o seu limite de paciência.)
Física. A AULA, A AULA !!! ERA DE FÍSICA !!! Ou seja, eu precisava da régua. Não era bem uma régua, mas sim um esquadro pequenininho e quebrado que eu fazia de régua.
Caiu. É nessa hora que acontece algo interessante e até engraçado, e é o tipo de coisa que fica muito melhor de se ver com perspectiva e de longe (acho que certas coisas, se vistas de longe, são muito mais engraçadas. Não sei explicar.) Eu comecei a olhar pra baixo, sob as carteiras ao meu redor, o que leva a
outras pessoas em volta de mim a fazer o mesmo, ainda que não saibam pelo que procurar. E um conjunto de fatores, entre eles o objeto que caiu ser meu, ser transparente, cair sobre um chão preto num momento em que a estabilidade e atenção de todos na aula de certa forma me impedir de querer sair do padrão e fazer macaquices pra tentar visualizar a "régua" e pegá-la, não me ajudou muito. O negócio simplesmente sumiu !!! Deixei pra lá. Não, a "régua" não estava pra lá. E eu não deixaria pra lá se a tivesse visto.
Não sei porquê, mas a sensação de ter perdido aquela merda quebrada me deixou preocupado. Não era possível ! Eu ouvi o barulho da queda ! Bom, foco. (NÃO, NÃO ERA AULA DE ÓPTICA !)
Sinal do final da última aula. Vou explicar agora algumas coisas que influenciaram bastante a minha situação a ponto de chamá-la de "dilema". A minha sala é no último andar e o período da manhã é o que tem mais gente. E o único jeito de chegar na rua é por escadas. Todo mundo sai na mesma hora... já imaginou, certo ? Isso, meio Faixa de Gaza. Demora muito pra descer. Acontece que naquele dia (hoje, por sinal) o professor nos liberou dois minutos antes. Agora vem o dilema: Estava morrendo de fome, como sempre naquele horário, mas queria procurar a minha "régua" quando a sala estivesse mais vazia. Sim, do jeito que aquela merda sumiu, eu imaginava que estivesse bem longe. Todo mundo levantando, uma força que me leva quase que incoscientemente. Mas eu precisava voltar. Mas eu precisava descer rápido e almoçar. Mas eu já estava no corredor. Mas eu voltei o olhar pra baixo da minha carteira e vi aquela cabeça de boneca no trilho, aquela espinha atrás do joelho, aquela torneira gotejante no silêncio. Embaixo da minha carteira. Estou com fome. Tem muita gente no caminho pra voltar. Como eu não vi aquele tempo todo ?
O que eu decidi ? Fui almoçar. Claro que, pensando agora, escolhi mal. Sentir fome e almoçar eu vou fazer todo dia; ter a oportunidade de pegar algo que me escapou das mãos e que, por incrível que pareça, me importa, acho que só naquele momento mesmo. Mas ainda tenho esperanças de que amanhã ela estará lá. Quase ilusão, eu sei.
P.S.: Espero não ter perdido o tempo que ganhei em troca dessa desgraça.
P.P.S.: Achei interessante preservar o título (que, dessa vez, coloquei antes de tudo) pra mostrar como o meu pensamento varia. Não são drogas, juro.
P.P.P.S: Gastei uns 35 minutos pra escrever isso. AHHHHHH, NÃO !!!!!P.P.P.P.S.: Me desculpem pelo tamanho do texto. (VOU INICIAR FRASE COM PRONOME OBLÍQUO SIM !!! LÁLÁLÁLÁLÁLÁLÁLÁÁÁÁÁ)
Pra ser sincero, não estou inspirado nesse momento em que escrevo isso. Nada demais, só tenho certeza de que poderia produzir um texto melhor em algum outro momento. Mas por questões que fogem muito ao meu alcance, como o movimento dos astros, as decisões de certos padrões científicos na astronomia em tempos relativamente remotos, que estabeleceu, entre outros, o calendário que mais conheço e uso, com todas as suas implicações de duração do dia, da semana, do mês e do ano; os momentos mais arbitrários e aleatórios durante a História pra definir o tempo de vida de um ser humano em anos; talvez por um motivo de carência, ficou combinado que, a cada ano de vida, as pessoas ganhariam presentes e, finalmente, pelo fato de eu ter nascido aproximadamente dois meses antes do padrão, hoje todas essas definições históricas, científicas e sociais me oferecem o meu aniversário !!!! E eu me vejo então dando tanta importância a essa data que contrario um pouquinho a natureza dos meus posts e, mesmo sem muita inspiração, espontaneidade, muito o que dizer ou alguma ideia legal que me tenha surgido, cá estou agora, tentando falar algo engraçado, sério, ou simplesmente algo, ou simplesmente nada, o que me leva a te irritar só escrevendo tanta coisa técnica e chata, que te faz lembrar do seu tempo de escola, quando a 'tia' reclamava que você não finalizava a frase colocando um pronome relativo atrás do outro (pronome o quê ?) a ponto de ela dizer que se sentiria sem fôlego se tivesse que ler em voz alta o seu texto, sem contar as vezes em que você fugia do tema proposto. Ainda bem que nunca mais fiz isso. Aprendi a lição.
Acabei de descobrir que não é preciso se sentir necessariamente inspirado pra escrevr alguma coisa. Tá. O texto não tá saindo exatamente como eu imaginei, o que pode ser bom. Acho que me enganei ao dizer que estou escrevendo sem espontaneidade. Aliás, se tem algo que posso dizer quando penso nos meus 19 anos (não sei o porquê, mas dizer/digitar isso é estranho... 19 anos... Acho que não me sinto com 19 anos, sei lá, é muita coisa), é que por mais que a gente faça planos para o futuro, idealizando e colocando ordem nas coisas, definindo as nossas atitudes e decisões, esquecemos de considerar que absolutamente nada possa vir a acontecer como desejamos. Às vezes por não saber o quê desejar, por desejar pro lado errado, por desejar muito, por achar que sabe o quê desejar ou por simplesmente (simples !?) não desejar.
O importante é saber tomar a decisão certa na hora certa (e não digo 'certa' como a que mais convém). É por isso que estou tomando um caminho um pouco diferente agora. Não me arrependo em nenhum instante. É meio estranho ver o lado de cá da montanha novamente quando um dia já alcancei o lado de lá, mas o único jeito que tenho de mudar de montanha é descendo dessa.
E como qualquer um que deseja tanto tanta coisa, desejo dizer ainda muitas vezes "Acho que me enganei" e dar conta das consequências. E vem aniversário e vai aniversário e "Ainda bem que nunca mais fiz isso. Aprendi a lição", sem, por muitas vezes, saber o que estamos dizendo.
"A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá..." - (Roda Viva - Chico Buarque)
Tá vendo aquele garoto em cima do muro ? Sou eu.
Enquanto muitos já estariam convictos, de um dos lados, ainda estou lá. Podem até achar que é muita demora pra descer, mas é tudo em busca do justo. Sempre subo lá, seja pra aceitar, seja pra negar. Por mais difícil e doloroso que seja, me sinto mais incomodado em me precipitar do que em encarar o justo. Não quero cair, quero descer. Quero ver todos. Quero me ver. Será que muita gente já teria caído (ou se atirado), no meu lugar ? Do que conheço, digo que sim. E ainda mais me parece que nem sobem. Querem evitar a fadiga. Sim, é um esforço, por vezes muito grande mas, pra mim, é um bom caminho. Também gosto de saber que muitos outros sobem com bastante frequência e, com graça, descem já no melhor caminho. Admirável.
Não arrisco generalizar. Quero ver por todos os ângulos. E é por isso que estou aqui. "Aqui aonde ? Aqui aonde ?!" Aqui ! Em cima do muro ! (Ah, que vontade louca de pular...)
E vou descer, só não sei quando.
Balançava a cabeça. Mas não era um balançar de quem acompanha uma música enquanto faz qualquer coisa só pra poder não só ouvir música; de quem acompanha, não só com o olhar, como uma forma de não perder nada, uma bolinha de tênis de mesa em pleno jogo; de quem vê e analisa e estranha algo ou alguém pela primeira vez; de quem involuntariamente cria mais um recurso pra marcar força e ritmo ao piano; de quem só é batimento cardíaco. Era de negação. Discórdia. De muitos e dele próprio. Tantas coisas tão erradas... Tudo e todos tão definidos... Tantos "todos", "ninguéns", "sempres", "nuncas", que já perderam sua valia. Todos encaixados em estereótipos e previstos como se fossem uma gota de chuva. Tantas gotas então... que essa chuva inunda o mundo e ninguém escapa. Tanto preconceito, tanta hipocrisia, tanta acomodação, tanta cegueira, tanta humanidade. E ele se pergunta se é humanidade ou a negação dela; se isso tudo é ser humano, ele não quer... e se pergunta se não querer ser humano já é ser humano. Pra onde quer que olhe ou toque, não percebe nada real. Todos são paredes de rochas escorregadias e penetráveis apenas por minúsculos poros que estão fechados na maioria das vezes. Fechados a comando de desculpas como educação e sociedade. Ele se vê completamente deslocado, vendo a negação em ver. Ele, frente a todos, se via em todos, tão humano (ou se negando a ser) quanto.
Mergulhava no prório universo e se via. Uma terceira pessoa. Uma experiência tão horrorosa quanto satisfatória. Aquele espelho não era mais tão distorcido e embaçado, mas lhe custou quebrar a própria imagem. Agora a cegueira não era tanta... mas a luz inédita dói. Dor que dá vontade imensa de expelir, quebrando essa carcaça, essa pedra. Dor de ver o mesmo horror de tudo em si. Dor de se negar.
É como se ele não fosse dali. Ninguém o entendia. Tem alguma coisa errada com ele. Tem alguma coisa errada com tudo. Se falar o que realmente pensa sobre certas coisas, já imagina as pessoas negando, correndo, desprezando, se inconformando. Então, ainda se vê como todos, na carcaça praticamente impenetrável, e horrorizado consigo mesmo por isso. É tão desconfortante sua situação, que pensa ser realmente compreensível essa cegueira toda. Compreensível mas não vale a pena. Ele se pergunta se é de sua responsabilidade fazer ver; qual seria o preço de se mostrar e de ser visto. Um nojo da definição, e ao mesmo tempo uma vontade louca de definir tudo e todos (é tão bom !), talvez como uma tentativa de fantasiar que é tudo tão simples, caindo na cegueira. Todos tem um pouco (ou muito) de tudo. É isso que irrita a todos. Bendita educação ! Que coisa tapada.
Qual o papel dele ali ? Ele tinha sequer algum ? É tudo tão verdadeiramente assustador ? Ele fazia parte daquilo tudo ? Ele sempre olhou mas nunca viu ?
Não imagina quantas são as cavernas da vida, mas lhe parece que a graça é sair de todas elas.
Narciso não ficou se admirando assim que se viu, mas ficou assustado em perceber que aquele era ele. Aquele a quem nunca tinha visto. Aquele pra quem todos sempre olhavam, mas ele nunca vira. Aquele a quem ninguém conhecia de fato. Nem ele.