sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Caguei pro mundo

Faltando uns 5 minutos pra virada do Fim do Mundo (pelo menos o dia, porque a hora eu ouvi falar - sei lá onde - que seria lá pelas 21h) tive vontade de mijar. Aí tive mais um daqueles pensamentos circunstanciais idiotas do tipo "porra, mijando no Fim do Mundo?", e aí me veio mais um pensamento desses: "Eu poderia estar cagando". Ah, isso me trouxe uma pseudossensação de revolução, como nos momentos em que falam 3 frases que "mudariam o mundo", mas logo depois vão até a geladeira, pegar um corpo de iogurte pra ver a novela, pensando se o arroz vai dar pro almoço do dia seguinte.
Seria tão gostoso, autônomo, poderoso, libertador... Cagar durante o Fim do Mundo! Aquela metáfora direta de "tô cagando pro mundo", claro! Que gigantesco botão do "Foda-se"!
Aí eu quis cagar, mas não estava com real vontade! Pensei "eu poderia forçar um pouco". Então percebi que se eu, de fato, sentasse naquela privada pra forçar uma cagada pro mundo naquele momento, não estaria cagando pra ele. Estaria dando atenção a tanta merda (não é trocadilho, mesmo).
E vim escrever esse texto que saiu do nada. Do nada não; de uma cagada pensada. É, esse texto é uma cagada pensada.
Não caguei, mas caguei pro mundo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aquele momento

Sabe aquele momento único, curtíssimo, em que algo te parece extremamente engraçado? A graça pode ter vários motivos: uma sacada genial, o jeito que foi falado, trejeitos visuais, sons bizarros, piada interna (o que implica num contexto, numa familiaridade sua com aquilo), ou muitas outras coisas que geralmente não conseguimos explicar. Mas acho que já me fiz entender.
Esses momentos, até pouco tempo atrás, terminavam ali mesmo. Na cabeça de quem riu sozinho. No riso coletivo e breve do grupo de amigos durante uma reunião de fim de semana. No máximo, na plateia e na audiência toda daquele programa engraçado. Muitos, muitos risos, mas breves. Tudo acabava ali.
E ainda bem que acabava ali. Porque esse momento é tão mágico, que só acontece naquelas condições. Não tem como acontecer de novo - não na mesma intensidade. Então tem que acabar ali. Só faz sentido acabando ali.
Mas a internet criou uma tendência extremamente irritante sobre isso: não acaba mais ali. É muito engraçado? Que ótimo! Porque todo mundo vai saber, e por mais ínfima que seja, alguma minoria vai achar muito engraçado (isso quando não é realmente a maioria). E na internet, qualquer minoria, se comparada ao grupo de amigos no final de semana, é muita, muita gente. Então aquele seu momento mágico, que acaba ali, chega logo depois pra outra pessoa. Pra você, já acabou... Mas pra ela é algo novo; a magia do momento ainda está ali... Mas pra você já acabou...
Não são mais todos rindo juntos, mas uma fila pra dar risada. Até aí, dependendo do tamanho da fila, tudo bem, é até legal. Mas a internet não conhece moderação. É tudo além do limite. Então aquela piada que um dia foi super genial, agora é aquela criança que já esfregou muito a sua camada de paciência, e dá até pra te ver explodindo por trás do que agora é uma película.
O pior de tudo é que nem dá pra confiar na autenticidade de quem está muito atrás na fila. Porque ali há mais influência dos que riram antes do que influência da própria piada. "Nossa, quanta gente rindo! Deve ser muito bom!", e então aquele sorriso feito de números, que arma uma risada feita de nada.
Aí confundem quantidade com qualidade! Como assim?! Um milhão de pessoas riram de uma piada, não necessariamente porque é genial. A diferença agora é que um milhão de pessoas podem ter acesso à piada. Só isso.
Estão falando tanto que já perdeu a graça? O Kiko chegando no final do episódio do Chaves, rindo muito porque entendeu a piada do começo do episódio já não é tão engraçado assim? Pois é.
Por mais rápida que seja a propagação na internet, aquele meu momento mágico é mais. Bem mais.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Falar bem não tem graça


Ontem eu fiz uma das minhas aparições raras no facebook. Falando mal (sim, não vou aliviar com "crítica negativa", ou algo do tipo, porque "falar mal" implica numa intenção de esculachar. E se divertir com isso). Então lá estava eu falando mal de um comercial. E aí recebei um comentário de que eu precisava relaxar e tal... levei numa boa, até porque foi um amigo quem disse. Até que mais um amigo complementou, brincando que eu estava estressado, e tal. Confesso que parei pra pensar. Mesmo sabendo que era uma brincadeira de ambos, imaginei se estivessem falando sério. Cheguei à conclusão de que minhas aparições no facebook seriam quase todas com o mesmo tom do "falar mal". Claro, com algo que eu ache realmente ruim, e não falar por birra. Mas taí, eu seria esse cara puto, estressado. O estranho é que, de fato, eu me divirto com isso.
Falar mal de tudo? Não, claro que não. Mas de muita coisa... até porque muita, muita coisa é realmente ruim. Seja pra fazer piada (que prefiro), ou pra falar sério.
O comercial, por exemplo. Era ruim. Mesmo. E os outros? Ruins também. Mesmo. Tenho que me esforçar muito pra me lembrar de algum bom, porque sei que existem. Isso me leva a cometer gafes, como criticar publicitários. E aí penso "que injusto isso, tem publicitário por aí que faz muito juz à profissão..." mas se eu me apegar muito a esses detalhes, não vou falar nada nunca. E sei disso por experiência própria. Estou cagando pros publicitários? claro que não. Só pros que fazem comerciais, e comerciais ruins.
Indo além dos comerciais, penso na programação da TV. E não tem como, eu falo mal mesmo, quando estou assistindo, infinitos comentários sarcásticos surgem na minha mente... E quando paro pra analisar se é birra... não é. Já fiz isso várias vezes, e é de verdade. Por incrível que pareça, não é exagero eu achar quase tudo ruim, por que quase tudo é, mesmo, ruim! O meu senso de exagero ainda funciona. Ou fico puto e faço piada, ou fico puto e só. Mas nesse caso, é muito mais desgastante. Na piada eu realmente me divirto, sendo sarcástico ou achando defeitos.
Eu falo mal dos programas, dos apresentadores, dos comerciais, mas de um jeito divertido pra mim. Se eu ficar realmente puto, acabo falando que milhões de brasileiros assitem muita merda, e acabam ficando imbecis, e que isso é um problema em escala nacional, que puxa muitos outros... Mas isso é desgastante e
não estou fazendo nada a respeito também, então esse tom não adianta nada.
Eu falo mal sim. Com intenção, e com divertimento. Mas se chegar na birra, eu paro. Se me desgastar, e de nada adiantar, eu paro.
Só preciso chegar à conclusão se algo é, pra mim, re-al-men-te ruim.
Aí é sensacional.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ponderando


Os lacres de iogurte, danones, o fundo mais durinho da gelatina e a borda em filete da panela de sopa, e outras coisas do tipo, são verdadeiros extremistas. É oito-oitenta: se você não encara, é frescura; se encara, é síndrome de pedreiro.
Eu? Lambo os lacres e como o fundo da gelatina. Borda de panela de sopa... só não encaro a de feijão, se já estiver meio passado... Acho que tô mais pra pedreiro.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Facebook

Eu sei que tudo tem o seu lado bom e o ruim, mas o lado ruim sempre rende mais. Principalmente no facebook. O lado bom daquele lugar, as boas intenções, tudo fica escondido por trás de uma montanha de pessoas, uma subindo sobre a outra, pra ver quem chama mais atenção de um jeito hipocritamente desesperado.
Às vezes me vem aquele discursinho de que "cada um é diferente, e todos devem ser, se não aceitos, tolerados, e se não tolerados, respeitados, blá-blá-blá... mas aquele lugar desafia a minha capacidade de seguir essa filosofia! Eu até já escrevi "discursinho", e no mau-sentido!
E os estereótipos? Cada um falando sempre da mesma coisa, sem contar as situações em que todos falam da mesma coisa! Um monte de mesmice insuportável (desculpa aí o pleonasmo), uma masturbação de ego eterna, uma falsa necessidade (muito medo de que tenha se tornado verdadeira) de mostrar tudo a todos, mas daquele jeito em que não se criou coragem pra dizer certas coisas. Então o que é dito? O que não vai chocar ninguém, o que todo mundo pensa, quer, imagina, o mesmo, o mesmo, o mesmo!


- Você que sempre fala de animais, tipo a "Luisa Mel" do facebook: a sua intenção é ótima, mas que tipo de reação você espera das pessoas ao postar algo como "sou contra o mal-trato de animais", com a foto de um filhote de labrador? Pois eu penso "Ufa, que bom, porque se você não falasse nada, nunca te levaria pro Ibirapuera com medo de que você ateasse óleo no lago pra queimar os patos (leia-se pato/ganso/cisne/foda-se), chutasse as pombas, e atirasse chumbinho nos passarinhos! Ainda bem que você me deu essa informação tão incomum, fiquei realmente surpreso! Me fez parar pra pensar!
E aí vem um monte de gente compartilhando da mesma opinião, porque afinal, elas pre-ci-sam! Até porque, seria muito bizarro não saberem que eu não maltrato animais, certo? E eu começo uma discussão a respeito? Claro que não, só preciso falar pra me sentir "interagindo", "participando", "socializando". Já tá bom assim, pra que mais do que isso, não é mesmo?


- Você que narra tudo, tudo, tudo: "Saindo pra um rolê com os amigos" é realmente de um significado revolucionário! Me pergunto o que te leva, pessoa-que-faz-questão-que-todos-saibam-que-você-tá-cagando-verde-e-mole-olhem-só pensa ao postar essas coisas. É pra mostrar pra todo mundo que a sua vida social é saudável? Mas quem se importa com isso são só algumas pessoas que você sabe muito bem quem são. O meu palpite é que não é só isso. Pode falar que tem um "olha só seu bando de fudido na firma até tarde no final de semana, como eu sou foda e tô curtindo a vida!" por trás, pode falar! Que o seu cotidiano é tão doente, que qualquer testemunha que "curta" você saindo de casa pra cumprir a sua obrigação de não ter que cumprir uma obrigação, vale mais que isso!
Você posta frases mostrando que a sua semana vai ser ou foi sofrida (só a sua, claro), e de alguma forma misteriosa, a cada meia hora, continua postando coisas que vão mudar a minha e a sua vida. Como assim? Que sofrimento todo é esse? Acho que deve ser tão, mas tão difícil o seu dia-a-dia, que é uma excelente alternativa descansar no facebook a cada meia hora... Entendi! Linda a foto do seu prato de comida exótica semi-vazio. Agora... sentiu de verdade o gosto da comida?


- Você que só fala de religião: Aqui se encaixam não só os que são religiosos, mas aqueles que negam uma ou qualquer religião também. Religião é o tipo de assunto que só dá certo discutir com a mente aberta a sensos comuns ou absurdos, muito silêncio pensativo, pausas, atenção, etc. Mas você do facebook não faz nada disso. Você gosta de coisas curtas, prontas, definitivas. São pensamentos tão bonitos, não é? Pra eu não ficar muito nervoso, fica aqui o seguinte: pense o que quiser, ache o que quiser, mas não você não se tornará melhor mostrando isso pros outros.


- Você que gosta de frases de impacto: Acho que isso é um dos maus do formato do facebook.
Não há tempo nem espaço pra discussões verdadeiras a respeito de nada, porque logo logo vem mais uns 15 posts por aí, e você tem que curtir e comentar e se fazer presente e todo social e opinativo. O post em questão há 30 segundos atrás é agora o décimo da lista, e o mundo gira (rápido demais). Então esses pensamentos curtos (e curtos) são o ideal. Falou, tá falado, resume tudo o que você pensa, sente e faz. É você, e as pessoas têm que te ver!
Isso só me incomoda, convivo com isso. Mas o que me emputece mesmo não é o que você pensa ou deixa de pensar, mas a sua maldita mania de postar coisas que definem em três linhas as pessoas, a Natureza, o Universo, e considerar que todos vão olhar, se maravilhar, te aplaudir e você-é-foda-sensacional! Porque se há pelo menos uma coisa unânime em quem posta algo, é o desejo de ser visto e ter a comprovação disso. Porquê se interessaram ou se isso tem consequências, não importa. Quem "curtiu", foi pelo mesmo motivo que eu, claro. O "curtir" acabou se tornando um meio de unificar discussões e opiniões, levar as pessoas a
conversarem numa mesma direção, a partir de um mesmo ponto, ou até anular uma possível discussão, porque o post é tão "bom" que só se comenta "falou tudo!",
"é isso aí!", ou qualquer merda do tipo.
Cada frase de impacto que você aí posta exige muita atenção, pensamento, discussão, desacordo, inconformidade, incômodo e paciência pra ser digerida e incorporada. Então não faz sentido você ficar botando frases a cada meia hora, que te ridiculariza, e reduz toda a reputação do que você faz a uma mera crítica ruim no verso de um livro de auto-ajuda! Isso se você tem noção disso, porque às vezes me parece que não tem. Quer mostrar profundidade nas coisas que você posta? Então para com tudo isso e faz diferente!


- Você que curte-comenta-compartilha tudo: Por quê? Só me explica, por favor. Eu fico pensando que seja uma oportunidade de você se sentir sociável, ou por algum motivo você está muito, muito carente e essa é a sua forma de demonstrar isso, sei lá. Mas devo te avisar que muita gente pode te bloquear a qualquer momento, inclusive eu.


- Você que gosta de fazer guerrinhas: "Homem X Mulher", "Rock X Funk", "Time X Time", "Evolução X Criacionismo", "Vai pra puta que pariu X Você é genial mesmo", etc.
Você vem definindo tudo, dizendo que é o fodão, e fica por isso mesmo? É assim que você quer começar uma conversa? Acho que não, porque fica bem claro que você é intolerante (e veja só como eu fico intolerante com a sua intolerância!!!), fazendo comparações entre o que você gosta e o que você julga ser uma merda e foda-se a opinião dos outros.
Tá fazendo guerra de sexos? Vai se resolver, se relacionar direito, fala logo que você é corno/corna, falsas-justificativas pra explicar porque você traiu, que o seu cupido não é cego, que você reconhece que a cegueira é sua, mas para de definir as pessoas a seu favor, pelo amor de deus!
Sim, existem músicas abomináveis pra você que outras pessoas amam. E você não pode fazer nada a respeito. Não desse jeito aí.
Gosta de futebol? Que bom! Alguém não gosta do seu time? E daí? Sim, é só isso. E daí?

Se eu continuar, não vou acabar tão cedo.
O Facebook tem seu lado bom? Sim, mas o lado ruim abusa e me diverte às vezes, confesso.
O problema é do que falam? Não, é da mesmice e da frequência infernal com que falam. E é isso que torna o que falam infernal também.
Porquê eu ainda estou lá? Não sei. Acho que de certa forma é um exercício de tolerância e que faço questão (ainda).
Exagerei? Foda-se.