quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus, ano velho...

Passei na faculdade, fui então estudar em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Pra isso tive de abrir mão de algumas coisas. Muitas coisas. Mesmo sem saber se "pra conseguir o que a gente quer, sacrifícios são necessários", talvez pelo momento, essa frase me confortou. Não havia mais o acordar seguido de um "Bom
dia !" pra alguém, a casa só ganhava 'vida' dependendo de mim. "O almoço está na mesa!" ? Não, não. Não mais. Coisas que eu penso e falaria ali ? Fica na minha cabeça, porque ninguém vai ouvir, a não ser que falasse sozinho (o que já era normal pra mim). Silêncio. Mas um silêncio diferente, mais pesado. Em determinados momentos, realmente por não haver uma televisão ligada à toa, como antes; em outros, por haver só eu comigo mesmo.
Dentre as várias novidades, entre elas a cidade, a moradia, os amigos, os colegas, a rotina, a definitivamente mais impactante foi morar sozinho. O engraçado é pensar na situação geral: um garoto de 17 anos que acaba de entrar numa boa faculdade, num curso que ele acha ser o seu caminho e ainda vai morar sozinho!
É o sonho de muitos adolescentes. De fato, mesmo chegando lá e sentindo a mudança mais radical da minha vida até então, consegui visualizar e sentir esse lado bom da situação. É exatamente por isso que a maior mudança foi morar sozinho. Quando estava sozinho, (não posso generalizar) em alguns momentos de não
fazer nada, acabava pensando. Pensando sobre tudo. Eu sempre fui de fazer isso, mas, definitivamente, nunca com tanta frequência e intensidade como nesse ano. Posso concluir que, apesar das mudanças, foi um ano muito atípico pra situação em que eu estava.
Ali, naquela rotina cheia de responsabilidades inéditas, coisas que eu nunca tive de fazer, tentando manter os antigos lazeres e o estudo, pensava se tudo aquilo iria valer a pena, "O que é que a vida vai fazer de mim ?", natural, imagino, no caso de um vendaval desses. Mas uma coisa que percebi nisso tudo, e foi muito bom pra mim, é que nunca fiz tantas introspecções em tão pouco tempo. Uma verdadeira tempestade mental. Foi um caminho íngreme e, em alguns momentos, em função de tudo o que me acontecia, não gostei da experiência, mas, com o tempo, consegui sair da minha parcialidade e enxergar tudo com mais clareza. Gostei. Se tudo isso é parte de uma lição da vida, não sei, mas que prestei atenção na aula, isso sim. Posso até dizer que aprendi e, em função disso, uma parte de mim, parte que provavelmente poucos verão, mudou. Sacrifício ? Não sei, mas, se sim, fui eu quem o tornou um. Só de saber isso, acho que tudo valeu a pena.
As pessoas mudam ? Sim, mas só depende delas e ninguém muda do nada. Por isso, o estímulo pra que venha a mudança vem de fora. Costuma vir de um jeito e num momento em que ninguém quer e isso acaba dificultando a mudança ou até definindo que a mudança não é possível. Mas funciona. Só depende da escolha de cada um.
Verbos no pretérito ? Sim ! Estou de férias em São Paulo agora ! Também sou filho de Deus !


Meu querido Papai Noel,

Não sei se fui um bom menino esse ano, mas te peço a lição de casa da minha aula.
Ah... pra não perder o costume, uma bermuda xadrez preto e branco.

Aquele abraço.


P.S.: Me pondo no lugar de quem lê, esse post não tem nenhum sentido. Só estou tentando cumprir melhor com o propósito desse blog.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ao volante !

Tensão geral no corpo, respiração forte e profunda, olhos fechados e um monólogo rápido, confiante e sussurado: Ok. (Expiração forte) Tá tudo bem. (Expiração de novo) Batendo a porta... (POOOOW) (HEY !!! NÃO TEM GELADEIRA EM CASA NÃO !?!?!) ¬¬ (SE FOR A DE RIBEIRÃO, TENHO SÓ GELADEIRA, PODE ACREDITAAAR !!!!) Ok. Ele já passou cara... tá tudo bem. Hmmmmmmmmmmm.... Tá. Quebra, despeja, espalha, espera até ficar mais consistente, joga pra cima, desvira... NÃO !!! ISSO É OMELETE !!! Calma. É... Hidrogênio, Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Cé... NÃÃÃOOO ! Slam it to the left !!! Shake it to the right !!! Chicas to the front !!! Go roooo oooo ooound !!! ... Não, acho que não é essa a sequência também...
Já sei !!! Regulagem do banco, cinto de segurança, freio de mão, embreagem, ponto morto, espelhos... Ok.
- Felipe ?
- Que é, pai ?
- Tá rezando ? Vai... Banco, cinto, freio, embreagem, ponto morto, espelhos...
- (¬¬) Não to rezando, só sussurrando e executando toda essa sequência que você falou.
- Agora liga o carro, sente os pedais, pisa na embreagem, põe em primeira e vai soltando o freio de mão enquanto acele.....ra..... NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO !!!!!!! Olha a calçad.... *#@#@¨%¨%*&#$@$%#$* As pessooo... *%$&¨%$&$&¨*%¨$%$#* O POOOOOOSTE !!!! *%@%¨#%¨%$¨&@$%#$$%@#$* VIIIIIRAAAA !!! ESQUERDA !!!! NÃÃÃÃOOOO, ESQUERDAAA !!! *caveirinha*
Brincadeirinhaaaa !!! Esse sou eu jogando GTA. Na realidade é bem diferente. Tá. Diferente. Hmmmm... Nem tãão diferente assim.
Na hora, é tudo meio tenso, mas depois fica engraçado. É a tendência natural das coisas pra mim. Fica melhor assim. Tipo "um dia vou dar risada disso". Às vezes fica engraçado só quando eu chego em casa, mas em outras, logo depois da tensão, ainda dirigindo.
A graça vem da relação entre que está ao volante aprendendo e quem está logo ao lado, ensinando. Como as ordens da pessoa que ensina estão baseadas no tempo de reflexo dela, acaba sendo tudo em cima da hora:
- Para. Paaaara. PAAAARAAAA !!! Falei três vezes !!! No dia do exame talvez não tenha três vezes !!
- Pai, até você falar o primeiro 'para', eu ouvir, processar, pisar na embreagem enquanto piso no freio atéé parar, o carro já parou na sua imaginação há muitos quarteirões.
Alguns erros de comunicação também:
- Agora só no freio. Vai. VAAAAI !!!
- EU JÁ PAREI O CARRO !!!
- MAS É PRA ACELERAR !!!!
- (¬¬) É que você falou 'freio', então eu tava achando que o 'vai' era pra frear.
E entre 'Não.... fez errado.', 'Eu não falei nada e você esqueceu de um monte de coisas', crises de afobação, ao final da aula:
- Foi muito bem !!!!
(!?!?!?!?!)
Mas eu entendo. Parece que os momentos de tensão tomaram a maior parte do tempo, mas depois, dá pra perceber que foi tudo bem realmente. Exigência faz bem. Ainda mais nesses casos.


P.S.: O que eu queria mesmo era que alguém, no meio do trânsito, me perguntasse 'HEEEEEEEEI !!!! COMPROU A CARTA ?!?!?!' e eu respondesse 'AINDA NÃÃÃÃÃÃOOOOO !!!' hahahahahahaha
P.S.S.: Não que eu vá comprar a minha carta. ^^

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Já sei que sou de peixes; não preciso de provas.

Às 14:00 eu tinha aula. Precisava ir na seção de graduação carimbar a carteirinha da Rápido Ribeirão. Eu não costumo fazer esse tipo de coisa em intervalos entre aulas, ainda mais pelo tempo que eu tinha. Mas um amigo meu disse que precisava ir lá também, o que tornou irrelevantes todos esses motivos. Do local de almoço até a graduação é uma distância relativamente grande. Vamos de ônibus então. No ponto já começou a garoar... mas eu ODEIO ter que carregar coisas (se não for de favor, claro). Pra que eu pegasse o meu guarda-chuva, a garoa teria que morfar, evoluir, comer a semente dos deuses, algo assim. O fato de o guarda-chuva ser novo reforçava mais ainda a ideia de não pegá-lo. Ah... vai... molhar né... =P
Não tenho um bom histórico com guarda-chuvas também. Outro dia esqueci um em algum lugar e não encontrei. Fico achando que foi na biblioteca mas algo me diz que cheguei em casa com ele. Já estou achando que foi déjà vu. Já quebrei, entortei, virei do avesso no meio da chuva, esqueci de pegar quando iria chover. Chover muito. Só falta eu ter que lutar contra a chuva pela posse do guarda-chuva... sabe ? Aquela cena super desesperadora e engraçada, quando o vento vai te levando, tipo no Twister... mas sem um cano enterrado sei lá quantos metros no chão como apoio. Cena super forçada, por sinal. Mas caso aconteça uma batalha da chuva contra mim, com o guarda-chuva como prêmio, vou gostar. Vai ser uma delícia, pelo menos na hora. Aposto que terei que apresentar um seminário logo depois... ¬¬
Fugi um pouco do tema ? Bom... 'guarda-chuva' está no mesmo campo semântico de 'chuva'. É só fazer o jogo do Me Faz Lembrar que dá pra provar.
A caminho da graduação, começou a chover mesmo. E não estou dizendo 'mesmo' como se a garoa não fosse chuva. Ainda que estivesse num estágio de chuva, eu diria 'mesmo', porque estava chovendo MESMO. MUITO MESMO. Do nível que você descobre a porcentagem de algodão da sua meia, mesmo usando calça. Dependendo de quanta água ela vai absorver. Se fizer aquele barulhinho do tipo peido de sovaco enquanto você anda, é mais de 90% algodão. Senti a presença do Murphy ali ao meu lado. Já não era uma surpresa. ¬¬
Uma certa vez, fiz esse mesmo caminho até a graduação, mas a pé. Chegando lá, percebi que a carteirinha estava em casa. Resumindo, fiz uma viagem à toa.
Me lembrando disso no ônibus, fui verificar se a carteirinha estava comigo. De repente meu amigo diz que teria que descer ali. E o ônibus já estava naquele momento-parado-já-vou-fechar-a-porta. !!!!!! VAI, VAI ,VAI !!! Carteira abertamalaabertachovendoe guarda-chuva na mão (fechado ¬¬). Fui pego de surpresa ! PULA, COOOOOORRE !!!!! Debaixo de um teto... Ufa ! Teto dele, porque eu só estava ali de companhia. Isso mesmo, não era a graduação. Mas eu sabia que ele iria descer um pouco antes. 'Pouco' pra quem está num ônibus. Onde ele estava quando disse 'um pouco', aliás. Eu teria que andar mais esse 'pouco'. Acontece que a pé e com chuva (e que chuva!) esse 'pouco' virou uma 'pequena' ironia. Abri o guarda-chuva e coloquei a mala na frente, tipo canguru, sabe ? Não era simplesmente a minha mala, mas dentro dela tinha um livro que não era meu. Todo cuidado é pouco.
Saí na chuva. Andei durante uns 10 minutos e nesse tempo, fui percebendo a inutilidade do guarda-chuva. A chuva incidia num ângulo tal que eu estava ensopado sem perdão da cintura pra baixo. Um questionamento interno sobre o porquê do guarda-chuva começou ali. No primeiro minuto, já começou o teste do algodão da meia, com o resultado saindo logo nos próximos 20 segundos: 100% algodão ! Maravilha... pelo menos a embalagem não enganava.
Carimbaram a carteirinha direitinho e caminhei de volta. A essa altura, só faltava surgir uma pedra gigante rolando rapidamente em minha direção, logo atrás de mim. Braços ensopados agora também. E eu não queria acreditar, mas a mala estava molhada, pelo menos por fora. O guarda-chuva estava sendo tão presente ali quanto o 'S' da Perdigão.
Encontrei o meu amigo, que me esperava, no caminho e deu tempo de chegar na aula. De quebra, um carro passou ao meu lado com uma velocidade suficiente pra me ensopar mais um pouquinho, mas àquela altura do campeonato eu já não ligava mais, por mais que um "fdp" tenha me escapado da garganta. Quase lá, pensei seriamente em tomar a chuva de fato, se não fosse pelo livro, que não era meu, dentro da mala.

P.S.: Eu estava com uma embalagem de Mentos dentro do bolso... acho que... não preciso dizer mais nada...
P.S.S.: Minha mala molhou por dentro. Só um pouco. Só pra dar uma noção do quanto inútil foi o guarda-chuva e de quanto forte foi a chuva.
P.S.S.S.: Achei que a minha bermuda fosse 100% poliéster, ou seja, 'secagem rápida'... porcentagem enganosa dessa vez ? ¬¬
P.S.S.S.S.: Ai se eu tivesse uma piscina em casa...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Lei da compensação

Desde que me lembro, tomava leite todo dia. Mas aconteceu algo que me fez perceber uma mudança nessa frequência.
Abri a geladeira, mesmo sabendo que as chances de eu fechá-la sem pegar nada (porque não tinha nada) eram muito grandes, e decidi pegar aquele finalzinho de leite, que devia estar ali sei lá há quanto tempo. Quando virei no copo... "!!!!?!!!" percebi de um jeito meio desagradável, e com mais precisão, o quanto esse 'quanto' era. O BAGULHO TAVA COALHADO !!!
Depois daquilo, comecei a ter outra opinião sobre queijos e iogurte. Tá, foi só na hora mesmo. O que me intrigou mesmo foi o que me levou a deixar o leite coalhar na geladeira. Não vou traçar aqui o raciocínio de algumas das teorias; só vou resumir a mais aceita e mais coerente. Era um final tão final de leite na garrafa que eu não ia gastar um copo pra tomar só aquilo. Tomar direto da garrafa não ia ter açúcar, e leite sem açúcar é meio ruim. Não ia ter nada pra tirar o gosto do leite; primeiro, porque a única coisa que a gente toma pra depois tirar o gosto é remédio. Tá. Xarope Vick tem o mesmo gosto de Halls de melancia, o que é muito bom; segundo, que não tinha mais nada, isso mesmo, mais nada pra tomar. Eu poderia jogar um pouco de açúcar direto na garrafa mas não pensei nisso na hora. Ainda bem, porque eu iria beber direto da garrafa... bleh ¬¬
Dias depois, eu tinha 5 litros de leite. Assim que fui beber o primeiro, como aprendizado da lição, olhei a validade. Aí sim supus que deve existir uma lei da compensação. E que eu a estava obedecendo, ou pelo menos deveria obedecer. O LEITE VENCIA NO DIA SEGUINTE, e como eu tinha comprado os 5 litros no mesmo lugar...
Fiz dois litros de nescau. Já tava de noite e eu tinha que dar um jeito. Não ia desperdiçar. Tomei os dois litros, doei mais dois e deixei mais um comigo, caso decidisse tomar ainda no dia seguinte... ah... é só um dia vencido vai... não deve matar. Mas acabei deixando o último litro intacto lá na geladeira de novo !! Alguém me diz algum experimento legal que se pode fazer em casa com um litro de leite coalhado, por favor... pelo menos eu filmo e jogo no youtube depois.