O garoto sentou tenso na cadeira sem saber o que esperar da possível conversa com aquela mulher. Em determinado ponto, sentiu-se à vontade o suficiente pra falar que sentia pavor da escuridão completa. Simplesmente entrava em pânico enquanto não visse um ponto de luz sequer. A mulher, subindo nos ombros de gigantes, disse ao garoto que ele se sentia assim porque gostava de ter o controle das coisas, e a escuridão representa uma situação em que ele não tinha controle de absolutamente nada.
O garoto pensou então que o pânico era proporcional ao medo de perder o controle das coisas e tentou encontrar 'escuridões' ao longo de sua vida. Percebeu que muito disso era devido ao mimo que recebeu durante muito tempo. Ele queria, ele tinha; logo, já esperava que tivesse. Parte disso era bom, porque, consequentemente, sempre soube esperar. Preferia sempre estudar sozinho. Gostava das coisas bem feitas e, pra isso, as fazia sozinho, porque já sabia o que esperar de si mesmo; talvez não conhecesse seus limites, mas conhecia grande parte de sua capacidade. Odiava que atrapalhassem o seu trabalho se, de fato, estivessem atrapalhando. Trabalho em grupo sempre foi um incômodo. A timidez era outra escuridão. Estar num ambiente com mais desconhecidos que conhecidos, dependendo do caso, era martirizante; não sabia o que esperar. Muita coisa era na base da comodidade, da opção mais fácil, do egoísmo.
Mas percebeu que com algumas pessoas ele não era assim. Não tinha expectativa nenhuma, não esperava nada delas, no melhor sentido da frase. Era a melhor sensação pra ele. Não precisava e não devia esperar nada de ninguém. Era o amor, na forma que fosse; de amigo, de pai, de mãe, de irmão, de trabalho. Ali,
nos relacionamentos, não existia controle nenhum e ele se viu sem medo e amando a perda do controle, chegando a ponto de abrir mão do egoísmo.
A vida fez questão de cobrá-lo. Morar sozinho, mudar de colégio, de cidade, de curso... Ficou mais fácil. Foi fácil de tomar a decisão ? Não, mas ele tomou. Algumas pessoas, diante de uma decisão dele, acharam loucura. Pra ele, é sensatez. Só imagina a quantidade de pessoas que escolhem a opção mais fácil, mais cômoda, mas tem quase certeza de como podem ficar.
Hoje ele dorme tranquilo na escuridão completa. Procura cada vez mais não esperar nada de ninguém, sabendo que, se for assim, tudo acontecerá naturalmente. Ainda tropeça nesse caminho egoísta e cheio de expectativas, mas se estiver numa multidão e pedirem que levante a mão quem acredita em oferecer sem esperar nada em troca, o garoto levantará e, mesmo que esteja sozinho no gesto, não se arrependerá, porque acredita que todos possam fazer o mesmo. Talvez passe por ingênuo, mas sabe o que sente. Isso ninguém tira dele.
Amor: É quando você oferece as suas batatinhas fritas sem esperar que a pessoa te ofereça as batatinhas dela.
(Alguma criança entre 4 e 8 anos de idade)
É por isso que o garoto quer ser um eterno garoto.
Foi um dos posts mais lindos e sinceros que eu já li, Feh =')
ResponderExcluirSua decisão foi difícil...dúvido que você não tenha pesado "joguei um ano de minha vida fora?" ...MAs não é bem assim u.u Foi um ano cheio de experiência e não digo só nos estudos, mas uma fase bruta de adaptação, vc "largou tudo" e começou algo novo e completamente deiferente de tudo que vc já havia passado antes u.u E isso, ajudou muito no seu amadurecimento e inclusive te fortalizou.
Fazer algo que vc não quer ou não te agrada o tanto que deveria agradar, pro resto se sua vida, seria sim, insensato, pq afinal, existem tantas profissões e cursos pra que? PAra cada um se encaixar naquilo que gosta...
Então se te acham louco...Foda-se u.u Faça o que for preciso para vc ser feliz pro resto de sua vida, e acredite sua família e amigos estarão com vc seja qual for sua decisão...[pelo menos eu né XD auhauhauhuaha]
Follow your dreams \o aiuhaiuhaiuhaiuhaiuhaiuhauh