terça-feira, 12 de outubro de 2010

Novo título

- Antigo título do blog: Lobos frontal e temporal

- Antiga definição do título:

Lobo Frontal: Porção cerebral responsável por codificação, evocação, reconhecimento, atenção, planejamento, tomada de decisões, modulação da atividade espontânea, formulação de objetivo, antecipação, monitoramento, vontade, ação proposicional, etc. (Comportamento)
Lobo Temporal: Porção cerebral responsável por gerenciamento dos vários tipos de memória, processamento de informação auditiva, reconhecimento, identificação e nomeação de objetos, etc.(Memória)

Ou seja, tudo são escolhas. Se quiser saudades ao invés de nostalgia, escolha bem.

Muito técnico, não ? Tem uma coisa interessante nisso tudo: antes era só o título. Piorou, certo ?Ninguém me perguntava o que era o título ! Talvez porque a pessoa, logo no título, se sentindo ignorante, e, consequentemente intimidada, não tinha coragem de perguntar; ou então porque todos soubessem o que significa lobo frontal e lobo temporal, inclusive entendendo o sentido figurado que dei ao meu blog... Mas acho que essa segunda hipótese é pouco provável.
Então coloquei essa definição do título - na coluna ao lado dos textos - pra esclarecer um pouco. Sempre achei que estva fazendo besteira, mas agora não aguento mais. Tive de mudar o título.
Como já disse, muito técnico. Nada pior do que não entenderem o que queremos dizer; gera pressupostos que estão muito longe do meu objetivo; é como se eu estivesse considerando apenas os lobos frontal e temporal e, pra quem entende um mínimo que seja de anatomia, pode imaginar o quanto bizarro seria isso; não é uma metáfora muito boa; já imaginei títulos melhores.


- Novo título do blog: Algo me incomoda


- Nova definição do título:

"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.
Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: 'Ela não sai da sua depressão...' Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.
O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apensa a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."

Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras,e vale para nós, seres humanos. As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma.                  
                                                                                                                                                                                           (Rubem Alves)

Sempre estarei onde algo me incomode. E estarei lá através de escolhas. Afinal, tudo são escolhas.

Um comentário:

  1. Poxa, tudo a ver o que você escreveu.
    Talvez assim no final das contas valha alguma coisa ter consciência de uma dor que os outros não tem. seguindo já.

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