sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ponderando


Os lacres de iogurte, danones, o fundo mais durinho da gelatina e a borda em filete da panela de sopa, e outras coisas do tipo, são verdadeiros extremistas. É oito-oitenta: se você não encara, é frescura; se encara, é síndrome de pedreiro.
Eu? Lambo os lacres e como o fundo da gelatina. Borda de panela de sopa... só não encaro a de feijão, se já estiver meio passado... Acho que tô mais pra pedreiro.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Facebook

Eu sei que tudo tem o seu lado bom e o ruim, mas o lado ruim sempre rende mais. Principalmente no facebook. O lado bom daquele lugar, as boas intenções, tudo fica escondido por trás de uma montanha de pessoas, uma subindo sobre a outra, pra ver quem chama mais atenção de um jeito hipocritamente desesperado.
Às vezes me vem aquele discursinho de que "cada um é diferente, e todos devem ser, se não aceitos, tolerados, e se não tolerados, respeitados, blá-blá-blá... mas aquele lugar desafia a minha capacidade de seguir essa filosofia! Eu até já escrevi "discursinho", e no mau-sentido!
E os estereótipos? Cada um falando sempre da mesma coisa, sem contar as situações em que todos falam da mesma coisa! Um monte de mesmice insuportável (desculpa aí o pleonasmo), uma masturbação de ego eterna, uma falsa necessidade (muito medo de que tenha se tornado verdadeira) de mostrar tudo a todos, mas daquele jeito em que não se criou coragem pra dizer certas coisas. Então o que é dito? O que não vai chocar ninguém, o que todo mundo pensa, quer, imagina, o mesmo, o mesmo, o mesmo!


- Você que sempre fala de animais, tipo a "Luisa Mel" do facebook: a sua intenção é ótima, mas que tipo de reação você espera das pessoas ao postar algo como "sou contra o mal-trato de animais", com a foto de um filhote de labrador? Pois eu penso "Ufa, que bom, porque se você não falasse nada, nunca te levaria pro Ibirapuera com medo de que você ateasse óleo no lago pra queimar os patos (leia-se pato/ganso/cisne/foda-se), chutasse as pombas, e atirasse chumbinho nos passarinhos! Ainda bem que você me deu essa informação tão incomum, fiquei realmente surpreso! Me fez parar pra pensar!
E aí vem um monte de gente compartilhando da mesma opinião, porque afinal, elas pre-ci-sam! Até porque, seria muito bizarro não saberem que eu não maltrato animais, certo? E eu começo uma discussão a respeito? Claro que não, só preciso falar pra me sentir "interagindo", "participando", "socializando". Já tá bom assim, pra que mais do que isso, não é mesmo?


- Você que narra tudo, tudo, tudo: "Saindo pra um rolê com os amigos" é realmente de um significado revolucionário! Me pergunto o que te leva, pessoa-que-faz-questão-que-todos-saibam-que-você-tá-cagando-verde-e-mole-olhem-só pensa ao postar essas coisas. É pra mostrar pra todo mundo que a sua vida social é saudável? Mas quem se importa com isso são só algumas pessoas que você sabe muito bem quem são. O meu palpite é que não é só isso. Pode falar que tem um "olha só seu bando de fudido na firma até tarde no final de semana, como eu sou foda e tô curtindo a vida!" por trás, pode falar! Que o seu cotidiano é tão doente, que qualquer testemunha que "curta" você saindo de casa pra cumprir a sua obrigação de não ter que cumprir uma obrigação, vale mais que isso!
Você posta frases mostrando que a sua semana vai ser ou foi sofrida (só a sua, claro), e de alguma forma misteriosa, a cada meia hora, continua postando coisas que vão mudar a minha e a sua vida. Como assim? Que sofrimento todo é esse? Acho que deve ser tão, mas tão difícil o seu dia-a-dia, que é uma excelente alternativa descansar no facebook a cada meia hora... Entendi! Linda a foto do seu prato de comida exótica semi-vazio. Agora... sentiu de verdade o gosto da comida?


- Você que só fala de religião: Aqui se encaixam não só os que são religiosos, mas aqueles que negam uma ou qualquer religião também. Religião é o tipo de assunto que só dá certo discutir com a mente aberta a sensos comuns ou absurdos, muito silêncio pensativo, pausas, atenção, etc. Mas você do facebook não faz nada disso. Você gosta de coisas curtas, prontas, definitivas. São pensamentos tão bonitos, não é? Pra eu não ficar muito nervoso, fica aqui o seguinte: pense o que quiser, ache o que quiser, mas não você não se tornará melhor mostrando isso pros outros.


- Você que gosta de frases de impacto: Acho que isso é um dos maus do formato do facebook.
Não há tempo nem espaço pra discussões verdadeiras a respeito de nada, porque logo logo vem mais uns 15 posts por aí, e você tem que curtir e comentar e se fazer presente e todo social e opinativo. O post em questão há 30 segundos atrás é agora o décimo da lista, e o mundo gira (rápido demais). Então esses pensamentos curtos (e curtos) são o ideal. Falou, tá falado, resume tudo o que você pensa, sente e faz. É você, e as pessoas têm que te ver!
Isso só me incomoda, convivo com isso. Mas o que me emputece mesmo não é o que você pensa ou deixa de pensar, mas a sua maldita mania de postar coisas que definem em três linhas as pessoas, a Natureza, o Universo, e considerar que todos vão olhar, se maravilhar, te aplaudir e você-é-foda-sensacional! Porque se há pelo menos uma coisa unânime em quem posta algo, é o desejo de ser visto e ter a comprovação disso. Porquê se interessaram ou se isso tem consequências, não importa. Quem "curtiu", foi pelo mesmo motivo que eu, claro. O "curtir" acabou se tornando um meio de unificar discussões e opiniões, levar as pessoas a
conversarem numa mesma direção, a partir de um mesmo ponto, ou até anular uma possível discussão, porque o post é tão "bom" que só se comenta "falou tudo!",
"é isso aí!", ou qualquer merda do tipo.
Cada frase de impacto que você aí posta exige muita atenção, pensamento, discussão, desacordo, inconformidade, incômodo e paciência pra ser digerida e incorporada. Então não faz sentido você ficar botando frases a cada meia hora, que te ridiculariza, e reduz toda a reputação do que você faz a uma mera crítica ruim no verso de um livro de auto-ajuda! Isso se você tem noção disso, porque às vezes me parece que não tem. Quer mostrar profundidade nas coisas que você posta? Então para com tudo isso e faz diferente!


- Você que curte-comenta-compartilha tudo: Por quê? Só me explica, por favor. Eu fico pensando que seja uma oportunidade de você se sentir sociável, ou por algum motivo você está muito, muito carente e essa é a sua forma de demonstrar isso, sei lá. Mas devo te avisar que muita gente pode te bloquear a qualquer momento, inclusive eu.


- Você que gosta de fazer guerrinhas: "Homem X Mulher", "Rock X Funk", "Time X Time", "Evolução X Criacionismo", "Vai pra puta que pariu X Você é genial mesmo", etc.
Você vem definindo tudo, dizendo que é o fodão, e fica por isso mesmo? É assim que você quer começar uma conversa? Acho que não, porque fica bem claro que você é intolerante (e veja só como eu fico intolerante com a sua intolerância!!!), fazendo comparações entre o que você gosta e o que você julga ser uma merda e foda-se a opinião dos outros.
Tá fazendo guerra de sexos? Vai se resolver, se relacionar direito, fala logo que você é corno/corna, falsas-justificativas pra explicar porque você traiu, que o seu cupido não é cego, que você reconhece que a cegueira é sua, mas para de definir as pessoas a seu favor, pelo amor de deus!
Sim, existem músicas abomináveis pra você que outras pessoas amam. E você não pode fazer nada a respeito. Não desse jeito aí.
Gosta de futebol? Que bom! Alguém não gosta do seu time? E daí? Sim, é só isso. E daí?

Se eu continuar, não vou acabar tão cedo.
O Facebook tem seu lado bom? Sim, mas o lado ruim abusa e me diverte às vezes, confesso.
O problema é do que falam? Não, é da mesmice e da frequência infernal com que falam. E é isso que torna o que falam infernal também.
Porquê eu ainda estou lá? Não sei. Acho que de certa forma é um exercício de tolerância e que faço questão (ainda).
Exagerei? Foda-se.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Balança da Vida

Se eu puser esse ano na Balança da minha Vida, todos os meus problemas de hoje, que tantas vezes parecem tão grandes e pesados, se tornam ínfimos e leves. Porque apesar de tudo - e não é fácil chegar no apesar de tudo - esse foi o melhor ano da minha Vida. Poderia ser o pior, poderia, mas não.


Com Você eu tenho o poder de chegar a essa conclusão.
O melhor ano da minha Vida.
Até então.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Que seja só ao volante

Primeira aula na auto-escola:

"Assim que você se sentar, mesmo que esteja tudo certinho pra você, mexa no banco e nos espelhos pra mostrar que você lembrou."

Então me pergunto quantas pessoas - ou pior ainda - em quantos momentos as pessoas sentam... e ficam lá.
Não saem da zona de conforto... (o banco já está bom, pra que mexer?)
Não se atentam mais... (os espelhos também, nem olho mais)
Não há mais porquês... (meus pés já vão sozinhos)
Não há mais foco algum... (as mãos também)

"Vai chegar uma hora que você nem vai perceber mais. É automático!"
"E no trânsito mesmo o que acaba acontecendo é que a gente dirige pros outros muitas vezes."


E tudo vai perdendo o sentido... (os espelhos não são pra eu me olhar, mas pra que eu olhe - antes e acima de tudo - pros outros)

E lá estão... dirigindo suas vidas por aí, sem mexerem no banco pra lembrarem de si mesmos, só com a preocupação de chegar ao ponto morto (e poe "morto" nisso).
Já "deixaram morrer" mas não faz mal... nem perceberam, não é mesmo?


Que eu mexa muito no meu banco, perceba, atente às coisas e aos processos.
Porque incomoda.
Mas vale a pena.

domingo, 11 de setembro de 2011

Muito obrigado...

... pelo "desde então", pelo "agora", e pelo "ainda".

Então tá então, bixo ?
Beijo beijo beijo !!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Autodidata em literatura

É de manhã
É de madrugada
É de manhã
Não sei mais de nada
É de manhã

 

(É de Manhã - Caetano Veloso)

- Se analisarmos atentamente o excerto anterior - até porque só temos isso até aqui (¬¬) -, perceberemos uma gradação interessante.
"Como um todo, há uma relativa inconsistência contextual do eu-poemático em relação ao extrínseco, dado que a impressão temporal apresentada não tem, explicitamente, um expediente sensorial. Não pelo pipitar sincopado dos pássaros, pela pantomima aveludada que os ventos imprimem sobre a vegetação que fulgi à luz do sol brotando da siririca das águas, na linha de um horizonte efluvioso... Ou pelo piscar do fogo que perpassa a jarra do leite matinal, perfunctório. Mas porque, simplesmente, 'é de manhã'.
"E então, nos dois versos seguintes, o eu-lírico materializa a anterior indistinção, justificando-a à imagem de seu universo interior. Dessa forma, com a intercalação da 'madrugada' entre as manhãs, percebemos o sensório confuso; uma consternação de limites, que atinge o pandemônio, o rebuliço, no quarto verso.
"Assim, o trecho tange o ultrarromantismo, fazendo menção ao desinteresse e apresenta-se egocêntrico, pessimista, lembrando Álvarez de Azevedo no poema 'Idéias íntimas', quando diz 'Os meus olhos ardentes se escurecem / E no cérebro passam delirosos / Assomos de poesia...'.
"Ou podemos citar até mesmo Charles Lutwidge Dodgson, que no pseudônimo de Lewis Carroll, descreve Alice entrando pela toca do coelho numa queda longa por entre luzes e objetos flutuantes... Grande metáfora da passagem para o inconsciente...
"Concluímos então a natureza onírica ou até mesmo etílica das divagações do eu-lírico, e...
- Felipe...
- Oi ?
- Para.
- Mas eu...
- Sssshhhh !
- Ma...
- Nãnãnãnãnãnã !!
- ...