Se, num dia em que a casa fica cheia de familiares, até aqueles que quase nunca vêm, como aquela minha tia que pensa que ainda tenho 12 anos, minha mãe estiver na cozinha - local da casa mais lotado nessas ocasiões - terminando de preparar uma panela de sopa, mesmo que eu seja o mais próximo do fogão pra
levar a panela pra sala, ela vai olhar pra todos ali e, com um olhar pensativo, pedirá esse favor a alguém que não seja eu. Não que eu tenha sido o protagonista daquela cena que eu - e imagino que muita gente - gostaria de ver um dia. Acho que não preciso descrever, mas em câmera lenta seria bem legal. Vou fazer em casa qualquer dia só pra filmar. Fato é que eu, com um prato de sopa na mão, demoro meia hora só pra andar uns 5 metros. Engraçado é que com a panela dá pra ir mais rápido. Tá aí uma ideia pra quem for fazer tese de doutorado sobre dinâmica de fluidos.
Mas eu acho que o meu histórico de pequenos desastres talvez justifiquem essa atitude da minha mãe. Situações clássicas como um fio atravessando uma sala de ponta a ponta à altura do tornozelo são um prato cheio pra mim. Uma faca na minha mão é sinônimo de auto-massacre (ainda não sei as regras do uso do hífen na última reforma ortográfica, pra quem se importa com essas coisinhas). Às vezes dá até pra pensar que sou grego. Não, não é porque eu falo coisas sem sentido e você usa aquela expressão de que até parece que eu estou falando grego, mas pelo ritual de quebrar pratos. Tá, exagerei. Nunca quebrei um prato, só lasquei, mas só um. Copos... Já deu pra imaginar. Eu agitando um litro de iogurte 'antes de abrir', sendo que ele já estava aberto é que não dá pra imaginar. ¬¬
Tudo isso foi só pra falar que eu sou desastrado - e, por sinal, exagerado - e um dia derrubei uma colher... Uma colher inesquecível.
Acontece que na época eu estava descobrindo uma das minhas maiores paixões: a música. Desde então, aprendi a apurar o ouvido e a ouvir melhor música, o que, pode não parecer, mas faz uma diferença tremenda. Confesso que adquiri essa mania de associar sons do cotidiano à música. Tipo quando a Madonna vai ao programa do David Letterman e mostra o colar, puxando o decote pro lado e o baixista faz o 'tum tum' do coração; quando a chaminé do navio te lembra uma tuba tocando uma nota em Sol, um alarme de carro ou uma sirene intercalando um Ré e um Dó; o 'tuuuuuu' do telefone, que pode servir pra afinar instrumentos de corda. A música de abertura do Grey's Anatomy e o final da "Pedro Pedreiro" - com os vocais fazendo o som do trem - são bons exemplos também.
Talvez a colher não tenha sido o início disso tudo, mas foi marcante. Só que na hora coloquei na pia e agora, depois de tanto tempo, não sei qual é a colher, nem se ainda existe. O que eu queria mesmo era jogar todas elas no chão, uma por uma, "AND AGAIN, AND AGAIN, AND AGAIN", até achá-la, só que descobri o
diapasão e comprei um.
Pode parecer meio louco, outros dizem que é "ouvido absoluto", mas o importante é a delícia de perceber música em tudo.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Porque se ferrar é legal
Não venha me dizer que você foi de carro até Natal, a um cinema em dia de feriado nacional querendo assitir a uma estreia, à Feira do Rolo, à Praça da Sé, à Parada Gay, à Corrida do Queijo... E QUE NADA DE ERRADO ACONTECEU !!!!! AHHHH PELO AMOR DE DEUS !!!!! NADINHA DE ERRADO ?!?! AH NÃO...
Os ingressos do filme que eu quisesse ver acabarem bem na minha vez ? HAHAHAHAHAHAHA seria demais !! Um cara que só porque está ouvindo a música e não a própria voz achar que canta bem, e em outra língua... SENTAR DO SEU LADO NO ÔNIBUS DURANTE UMA VIAGEM DE MAIS DE 5 HORAS ? HAHAHAHAHA É aí que mora a alegria ! Apontar descaradamente pra duas garrafas de refrigerante sobre o balcão de venda de ingressos, virar pro seu amigo com uma cara de 'quem iria pôr
refrigerante ALI ?!' e perceber que a dona do refrigerante estava logo atrás de você na fila ? Estar dirigindo à noite sem habilitação e ouvir uma sirene logo atrás de você mas perceber que era de um carro de auto-escola ? Mais uma história pra contar ! Estar imitando um professor quando ele sai por uma porta logo à sua frente ? HAHAHAHAHA MARAVILHA !!!! Ficar preso no banheiro ? É como jogar Mario: nunca enjoa.
Derrubar acidentalmente com um verdadeiro mergulho de costas uma daquelas pilhas de latinhas de ervilha num supermercado ? Nunca aconteceu, comigo, mas seria sensacional se acontecesse. Por maior que seja a tensão na hora, do tipo "Ah não... o dono do supermercado vai me matar, eu vou ter que pagar tudo lavando pratos durante a semana inteira ou ter que montar toda a pilha aqui e agora mesmo", o importante é, no final das contas - ou o quanto antes - dar risada.
Acabou o papel higiênico num banheiro mas você só percebeu na pior hora ? Foi perguntar àquela pessoa, no meio da estrada à noite, qual era o caminho mais curto, mas percebeu que aquele brilho eram de olhos de uma cavalo ? Naquela situação, geralmente pública e que representa uma grande responsabilidade, do tipo "Naõ me chama, não me chama, não me chama, não me chama...", te chamaram ? Foi a um circo vestido de palhaço e depois assitir a um rodeio, mas foi pego no susto pelo touro ? Sempre que assiste "Depois de Horas" ou "Cilada" se sente na pele ou pelo menos gostaria de se sentir na pele dos protagonistas ?
Parabéns !!!! E se você consegue achar graça em tudo já quando acontece... Parabéns de novo !!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eu sei que sou muito sarcástico, mas não fui em nenhum momento nesse texto. Pode parecer idiota, bobo, imbecil, estranho, mas é sério: adoro quando essas coisas acontecem comigo. E é bom saber que muitas delas ainda vão acontecer. Simples !
Os ingressos do filme que eu quisesse ver acabarem bem na minha vez ? HAHAHAHAHAHAHA seria demais !! Um cara que só porque está ouvindo a música e não a própria voz achar que canta bem, e em outra língua... SENTAR DO SEU LADO NO ÔNIBUS DURANTE UMA VIAGEM DE MAIS DE 5 HORAS ? HAHAHAHAHA É aí que mora a alegria ! Apontar descaradamente pra duas garrafas de refrigerante sobre o balcão de venda de ingressos, virar pro seu amigo com uma cara de 'quem iria pôr
refrigerante ALI ?!' e perceber que a dona do refrigerante estava logo atrás de você na fila ? Estar dirigindo à noite sem habilitação e ouvir uma sirene logo atrás de você mas perceber que era de um carro de auto-escola ? Mais uma história pra contar ! Estar imitando um professor quando ele sai por uma porta logo à sua frente ? HAHAHAHAHA MARAVILHA !!!! Ficar preso no banheiro ? É como jogar Mario: nunca enjoa.
Derrubar acidentalmente com um verdadeiro mergulho de costas uma daquelas pilhas de latinhas de ervilha num supermercado ? Nunca aconteceu, comigo, mas seria sensacional se acontecesse. Por maior que seja a tensão na hora, do tipo "Ah não... o dono do supermercado vai me matar, eu vou ter que pagar tudo lavando pratos durante a semana inteira ou ter que montar toda a pilha aqui e agora mesmo", o importante é, no final das contas - ou o quanto antes - dar risada.
Acabou o papel higiênico num banheiro mas você só percebeu na pior hora ? Foi perguntar àquela pessoa, no meio da estrada à noite, qual era o caminho mais curto, mas percebeu que aquele brilho eram de olhos de uma cavalo ? Naquela situação, geralmente pública e que representa uma grande responsabilidade, do tipo "Naõ me chama, não me chama, não me chama, não me chama...", te chamaram ? Foi a um circo vestido de palhaço e depois assitir a um rodeio, mas foi pego no susto pelo touro ? Sempre que assiste "Depois de Horas" ou "Cilada" se sente na pele ou pelo menos gostaria de se sentir na pele dos protagonistas ?
Parabéns !!!! E se você consegue achar graça em tudo já quando acontece... Parabéns de novo !!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eu sei que sou muito sarcástico, mas não fui em nenhum momento nesse texto. Pode parecer idiota, bobo, imbecil, estranho, mas é sério: adoro quando essas coisas acontecem comigo. E é bom saber que muitas delas ainda vão acontecer. Simples !
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Expectativa, não. Prontidão, sim
Controle. Todo mundo gosta mas nem sempre é bom. Controle traz expectativa, e expectativa não é bom.
O garoto sentou tenso na cadeira sem saber o que esperar da possível conversa com aquela mulher. Em determinado ponto, sentiu-se à vontade o suficiente pra falar que sentia pavor da escuridão completa. Simplesmente entrava em pânico enquanto não visse um ponto de luz sequer. A mulher, subindo nos ombros de gigantes, disse ao garoto que ele se sentia assim porque gostava de ter o controle das coisas, e a escuridão representa uma situação em que ele não tinha controle de absolutamente nada.
O garoto pensou então que o pânico era proporcional ao medo de perder o controle das coisas e tentou encontrar 'escuridões' ao longo de sua vida. Percebeu que muito disso era devido ao mimo que recebeu durante muito tempo. Ele queria, ele tinha; logo, já esperava que tivesse. Parte disso era bom, porque, consequentemente, sempre soube esperar. Preferia sempre estudar sozinho. Gostava das coisas bem feitas e, pra isso, as fazia sozinho, porque já sabia o que esperar de si mesmo; talvez não conhecesse seus limites, mas conhecia grande parte de sua capacidade. Odiava que atrapalhassem o seu trabalho se, de fato, estivessem atrapalhando. Trabalho em grupo sempre foi um incômodo. A timidez era outra escuridão. Estar num ambiente com mais desconhecidos que conhecidos, dependendo do caso, era martirizante; não sabia o que esperar. Muita coisa era na base da comodidade, da opção mais fácil, do egoísmo.
Mas percebeu que com algumas pessoas ele não era assim. Não tinha expectativa nenhuma, não esperava nada delas, no melhor sentido da frase. Era a melhor sensação pra ele. Não precisava e não devia esperar nada de ninguém. Era o amor, na forma que fosse; de amigo, de pai, de mãe, de irmão, de trabalho. Ali,
nos relacionamentos, não existia controle nenhum e ele se viu sem medo e amando a perda do controle, chegando a ponto de abrir mão do egoísmo.
A vida fez questão de cobrá-lo. Morar sozinho, mudar de colégio, de cidade, de curso... Ficou mais fácil. Foi fácil de tomar a decisão ? Não, mas ele tomou. Algumas pessoas, diante de uma decisão dele, acharam loucura. Pra ele, é sensatez. Só imagina a quantidade de pessoas que escolhem a opção mais fácil, mais cômoda, mas tem quase certeza de como podem ficar.
Hoje ele dorme tranquilo na escuridão completa. Procura cada vez mais não esperar nada de ninguém, sabendo que, se for assim, tudo acontecerá naturalmente. Ainda tropeça nesse caminho egoísta e cheio de expectativas, mas se estiver numa multidão e pedirem que levante a mão quem acredita em oferecer sem esperar nada em troca, o garoto levantará e, mesmo que esteja sozinho no gesto, não se arrependerá, porque acredita que todos possam fazer o mesmo. Talvez passe por ingênuo, mas sabe o que sente. Isso ninguém tira dele.
Amor: É quando você oferece as suas batatinhas fritas sem esperar que a pessoa te ofereça as batatinhas dela.
É por isso que o garoto quer ser um eterno garoto.
O garoto sentou tenso na cadeira sem saber o que esperar da possível conversa com aquela mulher. Em determinado ponto, sentiu-se à vontade o suficiente pra falar que sentia pavor da escuridão completa. Simplesmente entrava em pânico enquanto não visse um ponto de luz sequer. A mulher, subindo nos ombros de gigantes, disse ao garoto que ele se sentia assim porque gostava de ter o controle das coisas, e a escuridão representa uma situação em que ele não tinha controle de absolutamente nada.
O garoto pensou então que o pânico era proporcional ao medo de perder o controle das coisas e tentou encontrar 'escuridões' ao longo de sua vida. Percebeu que muito disso era devido ao mimo que recebeu durante muito tempo. Ele queria, ele tinha; logo, já esperava que tivesse. Parte disso era bom, porque, consequentemente, sempre soube esperar. Preferia sempre estudar sozinho. Gostava das coisas bem feitas e, pra isso, as fazia sozinho, porque já sabia o que esperar de si mesmo; talvez não conhecesse seus limites, mas conhecia grande parte de sua capacidade. Odiava que atrapalhassem o seu trabalho se, de fato, estivessem atrapalhando. Trabalho em grupo sempre foi um incômodo. A timidez era outra escuridão. Estar num ambiente com mais desconhecidos que conhecidos, dependendo do caso, era martirizante; não sabia o que esperar. Muita coisa era na base da comodidade, da opção mais fácil, do egoísmo.
Mas percebeu que com algumas pessoas ele não era assim. Não tinha expectativa nenhuma, não esperava nada delas, no melhor sentido da frase. Era a melhor sensação pra ele. Não precisava e não devia esperar nada de ninguém. Era o amor, na forma que fosse; de amigo, de pai, de mãe, de irmão, de trabalho. Ali,
nos relacionamentos, não existia controle nenhum e ele se viu sem medo e amando a perda do controle, chegando a ponto de abrir mão do egoísmo.
A vida fez questão de cobrá-lo. Morar sozinho, mudar de colégio, de cidade, de curso... Ficou mais fácil. Foi fácil de tomar a decisão ? Não, mas ele tomou. Algumas pessoas, diante de uma decisão dele, acharam loucura. Pra ele, é sensatez. Só imagina a quantidade de pessoas que escolhem a opção mais fácil, mais cômoda, mas tem quase certeza de como podem ficar.
Hoje ele dorme tranquilo na escuridão completa. Procura cada vez mais não esperar nada de ninguém, sabendo que, se for assim, tudo acontecerá naturalmente. Ainda tropeça nesse caminho egoísta e cheio de expectativas, mas se estiver numa multidão e pedirem que levante a mão quem acredita em oferecer sem esperar nada em troca, o garoto levantará e, mesmo que esteja sozinho no gesto, não se arrependerá, porque acredita que todos possam fazer o mesmo. Talvez passe por ingênuo, mas sabe o que sente. Isso ninguém tira dele.
Amor: É quando você oferece as suas batatinhas fritas sem esperar que a pessoa te ofereça as batatinhas dela.
(Alguma criança entre 4 e 8 anos de idade)
É por isso que o garoto quer ser um eterno garoto.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Porque o simples é simplesmente... perfeito
Enfiar a mão num saco de lentilhas e simplesmente... sentir.
Deitar na cama, no escuro, e colocar uma música tranquila bem baixinho e simplesmente... sentir.
Deitar na grama, no ápice da noite, olhar as estrelas e simplesmente... sentir.
Colocar a panturrilha sobre um fio ou uma espiral de caderno ou uma grade por um tempo, depois passar a mão e simplesmente... sentir.
A 140 km/h, numa chuva forte, colocar as mãos e a cabeça pra fora do carro e simplesmente... sentir.
Rolar na grama e simplesmente... sentir.
No meio da noite, num corredor vazio e escuro, pegar o violão e simplesmente... sentir.
Descer uma ladeira de bicicleta, um tempero, uma conversa, uma companhia, um abraço, um sorriso, uma piada, uma cilada, um dia, uma festa, uma decisão, uma mudança...
E sempre, sempre, sempre...
Simplesmente... sentir.
Simples assim.
Da maneira que for. ^^
Deitar na cama, no escuro, e colocar uma música tranquila bem baixinho e simplesmente... sentir.
Deitar na grama, no ápice da noite, olhar as estrelas e simplesmente... sentir.
Colocar a panturrilha sobre um fio ou uma espiral de caderno ou uma grade por um tempo, depois passar a mão e simplesmente... sentir.
A 140 km/h, numa chuva forte, colocar as mãos e a cabeça pra fora do carro e simplesmente... sentir.
Rolar na grama e simplesmente... sentir.
No meio da noite, num corredor vazio e escuro, pegar o violão e simplesmente... sentir.
Descer uma ladeira de bicicleta, um tempero, uma conversa, uma companhia, um abraço, um sorriso, uma piada, uma cilada, um dia, uma festa, uma decisão, uma mudança...
E sempre, sempre, sempre...
Simplesmente... sentir.
Simples assim.
Da maneira que for. ^^
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Adeus, ano velho...
Passei na faculdade, fui então estudar em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Pra isso tive de abrir mão de algumas coisas. Muitas coisas. Mesmo sem saber se "pra conseguir o que a gente quer, sacrifícios são necessários", talvez pelo momento, essa frase me confortou. Não havia mais o acordar seguido de um "Bom
dia !" pra alguém, a casa só ganhava 'vida' dependendo de mim. "O almoço está na mesa!" ? Não, não. Não mais. Coisas que eu penso e falaria ali ? Fica na minha cabeça, porque ninguém vai ouvir, a não ser que falasse sozinho (o que já era normal pra mim). Silêncio. Mas um silêncio diferente, mais pesado. Em determinados momentos, realmente por não haver uma televisão ligada à toa, como antes; em outros, por haver só eu comigo mesmo.
Dentre as várias novidades, entre elas a cidade, a moradia, os amigos, os colegas, a rotina, a definitivamente mais impactante foi morar sozinho. O engraçado é pensar na situação geral: um garoto de 17 anos que acaba de entrar numa boa faculdade, num curso que ele acha ser o seu caminho e ainda vai morar sozinho!
É o sonho de muitos adolescentes. De fato, mesmo chegando lá e sentindo a mudança mais radical da minha vida até então, consegui visualizar e sentir esse lado bom da situação. É exatamente por isso que a maior mudança foi morar sozinho. Quando estava sozinho, (não posso generalizar) em alguns momentos de não
fazer nada, acabava pensando. Pensando sobre tudo. Eu sempre fui de fazer isso, mas, definitivamente, nunca com tanta frequência e intensidade como nesse ano. Posso concluir que, apesar das mudanças, foi um ano muito atípico pra situação em que eu estava.
Ali, naquela rotina cheia de responsabilidades inéditas, coisas que eu nunca tive de fazer, tentando manter os antigos lazeres e o estudo, pensava se tudo aquilo iria valer a pena, "O que é que a vida vai fazer de mim ?", natural, imagino, no caso de um vendaval desses. Mas uma coisa que percebi nisso tudo, e foi muito bom pra mim, é que nunca fiz tantas introspecções em tão pouco tempo. Uma verdadeira tempestade mental. Foi um caminho íngreme e, em alguns momentos, em função de tudo o que me acontecia, não gostei da experiência, mas, com o tempo, consegui sair da minha parcialidade e enxergar tudo com mais clareza. Gostei. Se tudo isso é parte de uma lição da vida, não sei, mas que prestei atenção na aula, isso sim. Posso até dizer que aprendi e, em função disso, uma parte de mim, parte que provavelmente poucos verão, mudou. Sacrifício ? Não sei, mas, se sim, fui eu quem o tornou um. Só de saber isso, acho que tudo valeu a pena.
As pessoas mudam ? Sim, mas só depende delas e ninguém muda do nada. Por isso, o estímulo pra que venha a mudança vem de fora. Costuma vir de um jeito e num momento em que ninguém quer e isso acaba dificultando a mudança ou até definindo que a mudança não é possível. Mas funciona. Só depende da escolha de cada um.
Verbos no pretérito ? Sim ! Estou de férias em São Paulo agora ! Também sou filho de Deus !
Meu querido Papai Noel,
Não sei se fui um bom menino esse ano, mas te peço a lição de casa da minha aula.
Ah... pra não perder o costume, uma bermuda xadrez preto e branco.
Aquele abraço.
P.S.: Me pondo no lugar de quem lê, esse post não tem nenhum sentido. Só estou tentando cumprir melhor com o propósito desse blog.
dia !" pra alguém, a casa só ganhava 'vida' dependendo de mim. "O almoço está na mesa!" ? Não, não. Não mais. Coisas que eu penso e falaria ali ? Fica na minha cabeça, porque ninguém vai ouvir, a não ser que falasse sozinho (o que já era normal pra mim). Silêncio. Mas um silêncio diferente, mais pesado. Em determinados momentos, realmente por não haver uma televisão ligada à toa, como antes; em outros, por haver só eu comigo mesmo.
Dentre as várias novidades, entre elas a cidade, a moradia, os amigos, os colegas, a rotina, a definitivamente mais impactante foi morar sozinho. O engraçado é pensar na situação geral: um garoto de 17 anos que acaba de entrar numa boa faculdade, num curso que ele acha ser o seu caminho e ainda vai morar sozinho!
É o sonho de muitos adolescentes. De fato, mesmo chegando lá e sentindo a mudança mais radical da minha vida até então, consegui visualizar e sentir esse lado bom da situação. É exatamente por isso que a maior mudança foi morar sozinho. Quando estava sozinho, (não posso generalizar) em alguns momentos de não
fazer nada, acabava pensando. Pensando sobre tudo. Eu sempre fui de fazer isso, mas, definitivamente, nunca com tanta frequência e intensidade como nesse ano. Posso concluir que, apesar das mudanças, foi um ano muito atípico pra situação em que eu estava.
Ali, naquela rotina cheia de responsabilidades inéditas, coisas que eu nunca tive de fazer, tentando manter os antigos lazeres e o estudo, pensava se tudo aquilo iria valer a pena, "O que é que a vida vai fazer de mim ?", natural, imagino, no caso de um vendaval desses. Mas uma coisa que percebi nisso tudo, e foi muito bom pra mim, é que nunca fiz tantas introspecções em tão pouco tempo. Uma verdadeira tempestade mental. Foi um caminho íngreme e, em alguns momentos, em função de tudo o que me acontecia, não gostei da experiência, mas, com o tempo, consegui sair da minha parcialidade e enxergar tudo com mais clareza. Gostei. Se tudo isso é parte de uma lição da vida, não sei, mas que prestei atenção na aula, isso sim. Posso até dizer que aprendi e, em função disso, uma parte de mim, parte que provavelmente poucos verão, mudou. Sacrifício ? Não sei, mas, se sim, fui eu quem o tornou um. Só de saber isso, acho que tudo valeu a pena.
As pessoas mudam ? Sim, mas só depende delas e ninguém muda do nada. Por isso, o estímulo pra que venha a mudança vem de fora. Costuma vir de um jeito e num momento em que ninguém quer e isso acaba dificultando a mudança ou até definindo que a mudança não é possível. Mas funciona. Só depende da escolha de cada um.
Verbos no pretérito ? Sim ! Estou de férias em São Paulo agora ! Também sou filho de Deus !
Meu querido Papai Noel,
Não sei se fui um bom menino esse ano, mas te peço a lição de casa da minha aula.
Ah... pra não perder o costume, uma bermuda xadrez preto e branco.
Aquele abraço.
P.S.: Me pondo no lugar de quem lê, esse post não tem nenhum sentido. Só estou tentando cumprir melhor com o propósito desse blog.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Ao volante !
Tensão geral no corpo, respiração forte e profunda, olhos fechados e um monólogo rápido, confiante e sussurado: Ok. (Expiração forte) Tá tudo bem. (Expiração de novo) Batendo a porta... (POOOOW) (HEY !!! NÃO TEM GELADEIRA EM CASA NÃO !?!?!) ¬¬ (SE FOR A DE RIBEIRÃO, TENHO SÓ GELADEIRA, PODE ACREDITAAAR !!!!) Ok. Ele já passou cara... tá tudo bem. Hmmmmmmmmmmm.... Tá. Quebra, despeja, espalha, espera até ficar mais consistente, joga pra cima, desvira... NÃO !!! ISSO É OMELETE !!! Calma. É... Hidrogênio, Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Cé... NÃÃÃOOO ! Slam it to the left !!! Shake it to the right !!! Chicas to the front !!! Go roooo oooo ooound !!! ... Não, acho que não é essa a sequência também...
Já sei !!! Regulagem do banco, cinto de segurança, freio de mão, embreagem, ponto morto, espelhos... Ok.
- Felipe ?
- Que é, pai ?
- Tá rezando ? Vai... Banco, cinto, freio, embreagem, ponto morto, espelhos...
- (¬¬) Não to rezando, só sussurrando e executando toda essa sequência que você falou.
- Agora liga o carro, sente os pedais, pisa na embreagem, põe em primeira e vai soltando o freio de mão enquanto acele.....ra..... NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO !!!!!!! Olha a calçad.... *#@#@¨%¨%*&#$@$%#$* As pessooo... *%$&¨%$&$&¨*%¨$%$#* O POOOOOOSTE !!!! *%@%¨#%¨%$¨&@$%#$$%@#$* VIIIIIRAAAA !!! ESQUERDA !!!! NÃÃÃÃOOOO, ESQUERDAAA !!! *caveirinha*
Brincadeirinhaaaa !!! Esse sou eu jogando GTA. Na realidade é bem diferente. Tá. Diferente. Hmmmm... Nem tãão diferente assim.
Na hora, é tudo meio tenso, mas depois fica engraçado. É a tendência natural das coisas pra mim. Fica melhor assim. Tipo "um dia vou dar risada disso". Às vezes fica engraçado só quando eu chego em casa, mas em outras, logo depois da tensão, ainda dirigindo.
A graça vem da relação entre que está ao volante aprendendo e quem está logo ao lado, ensinando. Como as ordens da pessoa que ensina estão baseadas no tempo de reflexo dela, acaba sendo tudo em cima da hora:
- Para. Paaaara. PAAAARAAAA !!! Falei três vezes !!! No dia do exame talvez não tenha três vezes !!
- Pai, até você falar o primeiro 'para', eu ouvir, processar, pisar na embreagem enquanto piso no freio atéé parar, o carro já parou na sua imaginação há muitos quarteirões.
Alguns erros de comunicação também:
- Agora só no freio. Vai. VAAAAI !!!
- EU JÁ PAREI O CARRO !!!
- MAS É PRA ACELERAR !!!!
- (¬¬) É que você falou 'freio', então eu tava achando que o 'vai' era pra frear.
E entre 'Não.... fez errado.', 'Eu não falei nada e você esqueceu de um monte de coisas', crises de afobação, ao final da aula:
- Foi muito bem !!!!
(!?!?!?!?!)
Mas eu entendo. Parece que os momentos de tensão tomaram a maior parte do tempo, mas depois, dá pra perceber que foi tudo bem realmente. Exigência faz bem. Ainda mais nesses casos.
P.S.: O que eu queria mesmo era que alguém, no meio do trânsito, me perguntasse 'HEEEEEEEEI !!!! COMPROU A CARTA ?!?!?!' e eu respondesse 'AINDA NÃÃÃÃÃÃOOOOO !!!' hahahahahahaha
P.S.S.: Não que eu vá comprar a minha carta. ^^
Já sei !!! Regulagem do banco, cinto de segurança, freio de mão, embreagem, ponto morto, espelhos... Ok.
- Felipe ?
- Que é, pai ?
- Tá rezando ? Vai... Banco, cinto, freio, embreagem, ponto morto, espelhos...
- (¬¬) Não to rezando, só sussurrando e executando toda essa sequência que você falou.
- Agora liga o carro, sente os pedais, pisa na embreagem, põe em primeira e vai soltando o freio de mão enquanto acele.....ra..... NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO !!!!!!! Olha a calçad.... *#@#@¨%¨%*&#$@$%#$* As pessooo... *%$&¨%$&$&¨*%¨$%$#* O POOOOOOSTE !!!! *%@%¨#%¨%$¨&@$%#$$%@#$* VIIIIIRAAAA !!! ESQUERDA !!!! NÃÃÃÃOOOO, ESQUERDAAA !!! *caveirinha*
Brincadeirinhaaaa !!! Esse sou eu jogando GTA. Na realidade é bem diferente. Tá. Diferente. Hmmmm... Nem tãão diferente assim.
Na hora, é tudo meio tenso, mas depois fica engraçado. É a tendência natural das coisas pra mim. Fica melhor assim. Tipo "um dia vou dar risada disso". Às vezes fica engraçado só quando eu chego em casa, mas em outras, logo depois da tensão, ainda dirigindo.
A graça vem da relação entre que está ao volante aprendendo e quem está logo ao lado, ensinando. Como as ordens da pessoa que ensina estão baseadas no tempo de reflexo dela, acaba sendo tudo em cima da hora:
- Para. Paaaara. PAAAARAAAA !!! Falei três vezes !!! No dia do exame talvez não tenha três vezes !!
- Pai, até você falar o primeiro 'para', eu ouvir, processar, pisar na embreagem enquanto piso no freio atéé parar, o carro já parou na sua imaginação há muitos quarteirões.
Alguns erros de comunicação também:
- Agora só no freio. Vai. VAAAAI !!!
- EU JÁ PAREI O CARRO !!!
- MAS É PRA ACELERAR !!!!
- (¬¬) É que você falou 'freio', então eu tava achando que o 'vai' era pra frear.
E entre 'Não.... fez errado.', 'Eu não falei nada e você esqueceu de um monte de coisas', crises de afobação, ao final da aula:
- Foi muito bem !!!!
(!?!?!?!?!)
Mas eu entendo. Parece que os momentos de tensão tomaram a maior parte do tempo, mas depois, dá pra perceber que foi tudo bem realmente. Exigência faz bem. Ainda mais nesses casos.
P.S.: O que eu queria mesmo era que alguém, no meio do trânsito, me perguntasse 'HEEEEEEEEI !!!! COMPROU A CARTA ?!?!?!' e eu respondesse 'AINDA NÃÃÃÃÃÃOOOOO !!!' hahahahahahaha
P.S.S.: Não que eu vá comprar a minha carta. ^^
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