sexta-feira, 26 de julho de 2013

Escrever

É... Faz um tempinho que não venho aqui...
Não é por falta de querer nem por esquecimento. Basicamente é porque dá trabalho escrever. A primeira pessoa que talvez tenha dito isso, que eu li - "talvez" porque as frases e seus autores, na internet, podem não ter relação alguma - foi a Clarice Lispector. Foi realmente ela que disse isso? Não importa. E além disso, estou numa onda de ler Stephen King de novo. O cara me vem com mais uma história d'A Torre Negra - uma das melhores histórias que já li até então - e lógico que li. Em alguns momentos - rápidos ou não - incorporo algumas coisa, me empolgo com elas. E nessas férias, me empolguei (de novo) com Stephen King.
Aí é aquela coisa de ver vídeos do cara, repensar suas histórias, desejar ler todos os livros... E confirmar que escrever dá trabalho. Porque ele diz "se quiser se tornar um escritor, deve fazer três coisas: ler muito, escrever muito, e se empolgar com isso." e também sobre o ato de escrever ser aperfeiçoado se feito com frequência. Mais uma vez: Stephen King disse isso? Ok, mas não é isso que importa. O que importa é que eu sinto isso desde que me propus a escrever. Talvez seja o meu jeito, ou talvez esse trabalho todo seja realmente o escrever propriamente dito, o verdadeiro.
Por isso eu não tenho vindo aqui. Entrei de férias - de um semestre que realmente tomou muito do meu tempo livre - dia 19, e tenho duas semanas pra aproveitar.
Tive muitas ideias pra por aqui? Sim. E em muitos casos me acusei de preguiça, falta de inspiração... Mas não era nada disso... Era falta da energia necessária pra me debruçar sobre um texto invisível e fazer força, força, pra que ele venha. Essa energia estava sendo usada pra outras coisas. Simples assim. Talvez eu não tenha tido uma grande ideia a ponto de vir aqui mesmo na correria do semestre... Mas uma grande ideia também pode exigir muita energia, mesmo vindo do nada. Eu sinto isso.
Eu poderia vir e escrever sobre nada? Sim (e pode ser muito importante fazer isso), mas acho que nem energia pra isso sobrou.
Percebo que escrevo com esse esforço... Mesmo que o assunto seja nada. Talvez eu queira um algo-a-mais, ou é algo de momento, que não tem a ver com o texto em si, mas com o ato de escrever ("O importante da arte é exprimir. O que se exprime não interessa").
O que dá mais trabalho é que, mesmo nesse gasto de energia com tantas coisas, eu sempre quero escrever.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Caos mental


Minha mãe chega e diz que o Hugo Chavez morreu, e na hora eu imaginei o Juca Chaves, sei lá porquê hahahahaha, que merda. O Alison conseguiu trocar o vale refeição por dinheiro pra comprar o Play3, genial! Hahahaha, foda. "Everybooooooooooodyyyy, move-your-feet'aaand feel uniiiiiteeeed, OOOOO-oooo-OOOOO-oow"... O cara me liga, eu falo "ALÔ!" porque não tava conseguindo ouvir nada, e aí ele fala, muito relutante na própria pergunta: "Andréia?" aaaaaah, cetálooooco... Eu lá tenho voz de Andéia, amigão?! O prazo pro meu livro chegar é hoje. Puta merda, se é pra chegar no último dia, não me diz que é "até" dia tal... Maldita Santana! Eu achando que não vou mais pra lá, naquela faculdade de merda, e os caras me ligam pra aparecer lá porque "nós-somos-incompetentes-e-imbecis-então-estamos-desmentindo-coisas-e-jogando-a-responsabilidade-em-cima-dos-outros-nossa-que-vida-frustrada", vai à merda! "Ah, mas é melhor que aquelas pessoas estejam lá, achando que o diploma delas vale algua coisa, do que fazendo merda por aí." Aaaaaahh, não é melhor não! Elas têm que se tocar e fazer algo que não envolva
o futuro de outras pessoas de uma forma tão importante! Vai fazer algo mais individual, e não sair dando aulas sendo que você é um merda! Se o Galeno foi mesmo médico do imperador Marco Aurélio, aí provavelmente viu entranhas humanas nas batalhas de gladiadores em Roma e muitos dos estudos dele se devem a isso, quer dizer que foi "bom" aquelas pessoas terem morrido? Ah, muita coisa do corpo só se sabe graças a coisas muuuuuuuuuito macabras, com certeza... Opa! Chegou o meu livroooooooooooooooooo! Hahahahahaha, que delícia! Engraçado... Tô de férias, mas querendo estudar... Isso só prova que a minha teoria de que eu só tinha que mudar o foco do cursinho tava certa. Porque não é possível, eu me sinto mal querendo estudar nas férias. Mas também, eu já tinha tido três semanas de aula no Mackenzie... Sacanagem parar agora e voltar só dia 18. Tudo bem, não preciso estudar doentiamente, mas um pouco por dia, pra não perder o costume (até porque, cursinho só é bem aproveitado se deixa esse costume na gente. Da lousa fica muito pouco). Acho que vou escrever isso tudo no blog. Assim mesmo. Sem quase nenhum planejamento e tudo embolado, sem parágrafos, do jeitinho caótico que a mente é. O ideal seria escrever aqueles pensamentos retardados de quando tô quase dormindo, tipo o que o Stephen King fez pra escrever a Torre Negra. Genial. "I don't-wann-to-be-buuuuuried in'a pet   seeeee-ma-ta-ah-ryy... I don't wann-to live MY-LIFE agaaaa-aaa-aain... pan!      pan!      pan!   pan!            pan!      pan!      pan!   pan! hahahaahah, tecladinho genial. O Chorão morreu. Fico mal por quem ele fazia bem. Mas só. Tenho uma teoria, ou hipótese (não vou me apegar a conceitos) de que a disponibilidade das coisas faz toda diferença. Ou seja, tá lá? Vão dar algum valor. Isso vale pra pessoas, livros, ideias... É por isso que se eu fosse o responsável pelo tema da redação de um grande vestibular, proporia algo bem sem-noção. Tipo "com base nos conhecimentos adquiridos durante toda a sua história, faça um texto dissertativo-argumentativo sobre miojo." hahahaha seria sensacional. O miojo tá lá, exposto pra milhares de mentes intelecto-insanas, e que agora dependem do miojo. Iam sair milhares de redações de 30 linhas, por que não? Tudo porque o miojo simplesmente está lá. Mas acho que vou escrever sobre isso num outro post.

Conta até dez, de trás pra frente.


- Pronto pra anestesia?
- Hahaha, pra dormir tô sempre pronto, doutor.
- Viu como é fácil? Hahaha. Ótimo. Conta até dez, de trás pra frente.
- Tá faltando coisa aí, doutor.
- Como assim?
- Eu não posso fazer o que o senhor tá me pedindo, a não ser que me diga mais um dado.
- Continuo sem entender.
- Ué, se eu tenho que contar até dez, mas de trás pra frente... Posso começar de infinitos números da minha escolha, a não ser que o senhor diga qual é...
Pra restringir esse infinito de possibilidades, sabe?
- Mas o que...
- Se o senhor dissesse pra contar até 10 e só, ficaria subentendido que eu tenho que começar do zero...
- Então vamos fazer assim...
- ...ou do um. Acho que não faria muito sentido começar contando do zero, né? É um número meio encrencado aí... Deu confusão com a igreja quando surgiu...
- Porque então não fica subentendido também o que eu quis dizer?
- Porque começando do zero - ou melhor, do um - as possibilidades estão dentro do contexto... Digo, a anestesia não vai demorar um infinito pra fazer efeito, certo? Já do jeito que o senhor disse, não fica nada preciso.
- Se você sabe que o contexto influencia, deve imaginar que você dificilmente vai chegar no dez, certo?
- Depende de que número eu começar. Até porque se eu sei o contexto, posso começar do doze, por exemplo...
- Mas...
- ...mas aí eu poderia chegar no dez e não saberia mais o que fazer.
- MAS VOCÊ VAI COMEÇAR DO UM!
- Calma, doutor! Mas isso não é o que o senhor disse...
- COMEÇA DE ONDE QUISER ENTÃO!
- Calma, calma. Já sei! Se eu considerar que o subentendido era começar do um, então eu teria que contar dez números. Então é só eu jogar dez números além do 10, pra que eu possa contar até dez, só que de trás pra frente! Contexto é tudo, hein doutor...
- VAI COMEÇAR DE QUAL ENTÃO?!
- Vinte...
- COMEÇA.
- Vinte, dezenhhhffffrrhhh...
E o paciente dormiu.
- Babaca.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Disfarce ridículo


Fui resolver um problema com o plano do meu celular. Liguei pra operadora, e fui seguindo as instruções de uma gravação.
Isso já é um tanto estranho... Um software se fazendo de gente pra interagir com você, mas pensando melhor é tão comum que se eu fosse listar as coisas que seguem a mesma lógica iria me irritar à toa. Vou ficar mais um pouco com essa loucurinha disfarçada de civilização.
Eu já tinha passado por várias etapas do fluxograma se fazendo de conversa, até me exigirem um protocolo que - óbvio - eu não sabia da existência. Aí fiz aquele silêncio sem digitações de quem perde a argumentação. E ouço a seguinte frase:
"Hm... esse protocolo não foi encontrado."
A situação ilógica de eu não ter digitado nada e terem afirmado com toda serenidade que eu digitei algo... Não foi isso me incomodou. Essa é a loucurinha. O que me incomodou foi essa sutil tentativa de um software se aproximar de mim, se achando algo que não é. Que é esse "hm..."? Isso é coisa de gente! Isso
é uma reação a um peido, a um diagnóstico preocupante! Cheiro, preocupação! E um software não tem nada disso! Ah, se toca, bicho! Quer o que com esse "hm..."? Mostrar que você tem elementos linguísticos específicos, historicamente e culturalmente construidos pra demonstrar pensamentos? Você nem sabe o que é linguagem! Já foi no médico e ele, vendo o resultado de um exame seu, fazer "hm..."? Já?! Não, claro que não! Já bateu o joelho ou o dedinho do pé numa quina?! Claro que não! Já usou "hmmmmm..." pra iniciar qualquer frase com tom malicioso?! Então tá falando por quê?!
Ah, mas você não é o único...
É só tentar abrir mais de 15 abas no navegador que "ele" vem e "diz":
"Bem, isso foi constrangedor."
"Constrangedor"?! Tem noção de quantas variáveis formam um constrangimento? Aposto que se você um dia sentisse algum, nem saberia! Para com essa tentativa de parecer o que você não é, só pra tentar se aproximar de mim, ou disfarçar que tem uma tomada no seu rabo. É, rabo! Não quer se humanizar? Então comece tendo um rabo! Ah, mas você, todo sistemático, vai achar que estou falando de uma cauda. Não! Tô falando de um cu! Um cu - e um rabo sendo cu - só têm significado pra mim, que tenho história num meio social! Se quiser se humanizar, comece sendo escatológico, por favor.
Na embalagem daquele suco de laranja com estampa xadrez de toalha de lanchonete, sabe? Tá escrito "Feito com carinho". AAAAAAAAAAHHHHH, NÃO!!!
Que disfarçada que nada! É muito absurdo pra ser um disfarce! É a loucura, nua a crua!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Caguei pro mundo

Faltando uns 5 minutos pra virada do Fim do Mundo (pelo menos o dia, porque a hora eu ouvi falar - sei lá onde - que seria lá pelas 21h) tive vontade de mijar. Aí tive mais um daqueles pensamentos circunstanciais idiotas do tipo "porra, mijando no Fim do Mundo?", e aí me veio mais um pensamento desses: "Eu poderia estar cagando". Ah, isso me trouxe uma pseudossensação de revolução, como nos momentos em que falam 3 frases que "mudariam o mundo", mas logo depois vão até a geladeira, pegar um corpo de iogurte pra ver a novela, pensando se o arroz vai dar pro almoço do dia seguinte.
Seria tão gostoso, autônomo, poderoso, libertador... Cagar durante o Fim do Mundo! Aquela metáfora direta de "tô cagando pro mundo", claro! Que gigantesco botão do "Foda-se"!
Aí eu quis cagar, mas não estava com real vontade! Pensei "eu poderia forçar um pouco". Então percebi que se eu, de fato, sentasse naquela privada pra forçar uma cagada pro mundo naquele momento, não estaria cagando pra ele. Estaria dando atenção a tanta merda (não é trocadilho, mesmo).
E vim escrever esse texto que saiu do nada. Do nada não; de uma cagada pensada. É, esse texto é uma cagada pensada.
Não caguei, mas caguei pro mundo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aquele momento

Sabe aquele momento único, curtíssimo, em que algo te parece extremamente engraçado? A graça pode ter vários motivos: uma sacada genial, o jeito que foi falado, trejeitos visuais, sons bizarros, piada interna (o que implica num contexto, numa familiaridade sua com aquilo), ou muitas outras coisas que geralmente não conseguimos explicar. Mas acho que já me fiz entender.
Esses momentos, até pouco tempo atrás, terminavam ali mesmo. Na cabeça de quem riu sozinho. No riso coletivo e breve do grupo de amigos durante uma reunião de fim de semana. No máximo, na plateia e na audiência toda daquele programa engraçado. Muitos, muitos risos, mas breves. Tudo acabava ali.
E ainda bem que acabava ali. Porque esse momento é tão mágico, que só acontece naquelas condições. Não tem como acontecer de novo - não na mesma intensidade. Então tem que acabar ali. Só faz sentido acabando ali.
Mas a internet criou uma tendência extremamente irritante sobre isso: não acaba mais ali. É muito engraçado? Que ótimo! Porque todo mundo vai saber, e por mais ínfima que seja, alguma minoria vai achar muito engraçado (isso quando não é realmente a maioria). E na internet, qualquer minoria, se comparada ao grupo de amigos no final de semana, é muita, muita gente. Então aquele seu momento mágico, que acaba ali, chega logo depois pra outra pessoa. Pra você, já acabou... Mas pra ela é algo novo; a magia do momento ainda está ali... Mas pra você já acabou...
Não são mais todos rindo juntos, mas uma fila pra dar risada. Até aí, dependendo do tamanho da fila, tudo bem, é até legal. Mas a internet não conhece moderação. É tudo além do limite. Então aquela piada que um dia foi super genial, agora é aquela criança que já esfregou muito a sua camada de paciência, e dá até pra te ver explodindo por trás do que agora é uma película.
O pior de tudo é que nem dá pra confiar na autenticidade de quem está muito atrás na fila. Porque ali há mais influência dos que riram antes do que influência da própria piada. "Nossa, quanta gente rindo! Deve ser muito bom!", e então aquele sorriso feito de números, que arma uma risada feita de nada.
Aí confundem quantidade com qualidade! Como assim?! Um milhão de pessoas riram de uma piada, não necessariamente porque é genial. A diferença agora é que um milhão de pessoas podem ter acesso à piada. Só isso.
Estão falando tanto que já perdeu a graça? O Kiko chegando no final do episódio do Chaves, rindo muito porque entendeu a piada do começo do episódio já não é tão engraçado assim? Pois é.
Por mais rápida que seja a propagação na internet, aquele meu momento mágico é mais. Bem mais.